terça-feira, 26 de março de 2019
Beatles For Sale
segunda-feira, 20 de março de 2017
Chuck Berry, o Senhor Rock and Roll
José no Portal da Loja
terça-feira, 26 de maio de 2015
Os 4 Cavaleiros do Após-Calypso...
Foto histórica de 2011, de uma entrevista colectiva dos maiores ídolos da humanidade...
Depois dos Beatles, é claro.
Jerry Lee Lewis, Chuck Berry, Litlle Richard, e Fats Domino...
Long Live Rock and Roll.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Hail Hail Hail, Rock'n Roll...
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Chuck Berry, completou ontem 85 anos.
Charles Edward Anderson Berry veio para este mundo no dia 18 de Outubro de 1926, em Saint Louis, Missouri. Chuck Berry, é compositor, cantor e guitarrista.É apontado por muitos como o "verdadeiro" pai do rock and roll. Foi eleito pela revista Rolling Stone o 5º maior artista da música de todos os tempos. Berry foi influenciado por Nat King Cole, Louis Jordan e Muddy Waters, que acabaria o apresentando a Leonard Chess, da gravadora Chess.
Enquanto ainda existem controvérsias sobre quem lançou o primeiro disco de rock, as primeiras gravações de Chuck Berry, como "Maybellene", de 1955, sintetizavam totalmente o formato rock and roll, combinando blues com música country e versos ingénuos sobre adolescentes e carros, com dicção impecável e diferentes solos de guitarra.
A maioria de suas gravações mais famosas foram lançadas pela Chess Records, com o pianista Johnnie Johnson, o baixista Willie Dixon e o baterista Fred Below. Juntamente com Chuck Berry, deram corpo, pela primeira vez, ao estereótipo, de uma banda de rock.
Durante a sua carreira Chuck, gravaria tanto baladas românticas, como "Havana Moon" quanto blues, semdo "Wee Wee Hours" um rxrmplo desse género, mas foi com o recém-nascido rock and roll que Chuck Berry granjeou a sua fama.
Gravou mais de trinta sucessos, todos eles alcançaram o Top Ten, e as suas canções ganharam versões de centenas de músicos de blues, country e rock and roll.
Entre os seus clássicos podemos citar "Roll Over Beethoven", "Sweet Little Sixteen", "Route 66", "Memphis, Tennessee", "Johnny B. Goode" (que possui provavelmente a mais famosa introdução de guitarra da história do rock), "Nadine", entre outras.
Na sua adolescência, Berry passou três anos num reformatório por tentativa de assalto. Mas a pior acusação viria em 1959, quando convidou uma índia apache de 14 anos, que tinha conhecido no México, para trabalhar no seu clube nocturno em St. Louis. A jovem acabaria detida pela polícia, bem como Chuck Berry, que foi acusado de aliciamento de uma menor, e exploração de trabalho infantil. Foi condenado a cinco anos de prisão e multado em 5,000 dólares. Foi libertado em 1963, mas os seus dias de glória esfumaram-se com este episódio, que tem muito a vêr com a situação segregacionista, que se vivia nessa época nos USA.
Mesmo assim, obteve sucessos com "You never can tell" e "No particular place to go", lançados em 1964. Em 1966, gravou pela Mercury Records uma compilação de todos os seus sucessos, utilizando técnicas mais modernas de gravação. A partir de então, Chuck Berry raramente voltaria a lançar músicas novas, preferindo capitalizar para si o sucesso que suas canções clássicas tinham junto ao público.
Como exemplo de sua influência profunda, podemos lembrar que as bandas inglesas dos anos 60, Beatles, Animals, Rolling Stones, entre outros, que regravaram as suas músicas. Os Rolling Stones literalmente, basearam o seu estilo de tocar rock 'n' roll na forma de tocar os "riffs", e os "licks",de Chuck Berry.
Quando Keith Richards homenageou Chuck Berry no Hall of Fame, disse:
"É difícil para mim apresentar Chuck Berry, porque eu copiei todos os acordes que ele já tocou!"
John Lennon afirmou que uma das maiores emoções da sua vida, foi apresentar-se ao vivo, na televisão americana em 1972, no programa de Mike Douglas, ao lado de Chuck Berry, que foi apresentado pelo ex-beatle como “my hero”. Disse ainda John Lennon:
“Se se tivesse que dar outro nome ao rock ‘n’ roll, teríamos que o chamar, Chuck Berry”
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Chuck Berry, tem estátua em St. Louis
Na última sexta-feira 29 de Julho , uma estátua em homenagem a Chuck Berry, de 84 anos de idade, foi inaugurada em St. Louis, nos EUA, a sua cidade natal. Considerado um dos pais do rock, o guitarrista agradeceu ao público durante o evento com poucas palavras, afirmando não ser muito bom nos discursos.
"Eu não sei o que dizer. Eu posso cantar um pouco. Obrigado, amo a todos vocês", disse aos fãs. Na sequência, um grupo local entoou "Johnny B Good", um clássico do homenageado.
Em entrevista à "Rolling Stone", Berry disse estar honrado, mas que não merecia a homenagem.
Elsie Glickert, ex-integrante do conselho da universidade local, concorda. Esta cidadã, conseguiu um abaixo-assinado contra o projecto, alegando que o músico era "um criminoso e inimigo das mulheres" e ainda criticou o governo por fazer mau uso dos recursos públicos.
Apesar da reclamação de Glickert e das dezenas de pessoas que assinaram a petição, Berry foi recebido calorosamente no evento, aonde também foi exibido um vídeo com saudações de músicos como Little Richard, Michael McDonald e Elvis Costello.
Costello, um dos mais entusiasmados, apoiante do musico, sugeriu que estátuas de Chuck Berry fossem espalhadas em todas as cidades que o guitarrista cita em suas canções.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Brian Setzer, Mr Rockabilly.

Há quem relacione as raízes deste estilo a nomes como Elvis Presley, Carl Perkins, Buddy Holly, Little Richard, Chuck Berry, Bill Haley, Johnny Cash e Jerry Lee Lewis.
É natural, que a lista não esteja completa. Dois nomes fundamentais deram, o "pontapé de saída": Eddie Cochran e Gene Vincent.
São desta dupla clássicos eternos como "Be-Bop-a Lu-La", "Bluejean Bop", "Twenty Flight Rock", "C’mon Everybody", "Something Else" e "Summertime Blues". Não nos esqueçamos dos Johnnies: Johnny Kidd and the Pirates e Johnny Burnette. Este último foi o primeiro responsável pela popularização de "The Train Kept-a-Rolling" e "Honey Hush", EP de 1956.
Nos anos 60 e 70 o rockabilly perdeu um pouco da sua força e parecia condenado. Eddie Cochran morrera em 1960 devido a um acidente de carro. Os outros artistas citados acima já não se preocupavam muito em gravar temas tipicamente rockabilly. O próprio Gene Vincent fez discos irregulares nos anos sessenta, vindo a falecer em 1971, vítima de complicações causadas pelo alcoolismo. Gene nunca se recuperou do trauma causado pela perda do seu grande amigo Eddie Cochran, o que o levou ao vício da bebida. Portanto, neste hiato das décadas de 60 e 70, é dificil encontrar um álbum de rockabilly que se tenha destacado.
Só no final dos anos setenta apareceria um nome que daria um sopro de renovação ao género: Brian Setzer.
Brian nasceu em 10 de Abril de 1959 em Massapequa, Nova York. O seu primeiro instrumento foi a tuba, prenda dos seus pais, no seu oitavo aniversário. Tocou-a durante dez anos, até a trocar definitivamente pela guitarra. A eleita, que viria a ser a sua imagem de marca, foi alternando ao longo da sua carreira, entre os vários modelos da Gretsch.
Brian Setzer, optou logo pela Gretsch 6120, a partir do momento que viu uma fotografia de Eddie Cochran.
"Não sabia a marca nem o modelo, mas soube logo que tinha que ter uma igual," declarou Setzer, quando questionado o porquê da sua escolha .
"Quando tinha 17 anos, vi um anuncio num jornal: "Gretsch for sale". Quando vi que era uma Eddie Cochran, compreia-a de imediato por 100 dólares.”
A audição de discos das antigas big bands, swing, de mestres como Gene Krupa, Benny Goodman, e o seu interesse pelo punk rock que aflorará por volta de 1978, contribuiu para a direcção musical que, num futuro próximo, Brian conduziria a sua carreira. A primeira experiência com uma banda foi com os Bloodless Pharaohs. Gravaram, "Bloodless Pharaos, Marty Thau 2 x 5", lançado originalmente em 1980, e no ano de 2005, em CD. A qualidade de som é muito má. Vale só, como item de coleccionador.
Após ter assistido ao show de Mel Lewis Orchestra, Brian já não tinha a menor dúvida: iria formar a sua própria banda rockabilly. Conhece Lee Rocker (Leon Drucker), contrabaixista, e Slim Phanton (James McDonnell), baterista. Juntos formam os Stray Cats, que tomaria de assalto o cenário musical através de rocks vibrantes e rápidos, tendo como ponto alto a virtuosidade de Setzer, que também se revelaria um óptimo compositor e vocalista.Para assegurar o inicio de uma carreira de êxitos, e como diz o ditado, "santos da casa não fazem milagres,"decidem apostar no mercado inglês. Mudam-se para Inglaterra, aonde conhecem o já experiente Dave Edmunds, líder dos Rockpile, e que produz o primeiro álbum homónimo de 1981. A reacção positiva foi instantânea. Aparecem os primeiros hits, “Stray Cat Strut”, Rock this Town” e “Runaway Boys”. O disco seguinte, "Gonna Ball", teve menor repercussão. Voltam a casa, aos Estados Unidos para então, mais experientes e resguardados coma as vendas do primeiro álbum, divulgarem o seu trabalho, e conquistar o seu espaço num mercado virgem e conhecedor do género.
Entre 1981 e 2004, há várias separações e onze discos:
Stray Cats (1981)
Gonna Ball (1981)
Built for Speed (1982)
Rant N' Rave with the Stray Cats (1983)
Rock Therapy (1986)
Blast Off! (1989)
Let's Go Faster! (1990)
The Best of the Stray Cats: Rock This Town (1990)
Choo Choo Hot Fish (1992)
Original Cool (1993)
Rumble in Brixton (2004)
O quarto álbum, o "Rant n’ Rave with the Stray Cats", lançado em 1983, tem dois "power plays", de enorme sucesso: (“She’s”) Sexy and 17” e a belíssima balada “I Won’t Stand in your Way”, um accapela, que viria a ter uma versão, cá em Portugal, no EP, "Just For Teengers", de Vicky e os Blue Jeans.
Em 1984, Brian junta-se a Robert Plant para formar os The Honeydrippers, de curtíssima duração, e gravam o "The Honeydrippers, Vol !", LP, com dois temas, de onde se destacou o “Sea of Love”.
Em 1987 participa da cinebiografia de Ritchie Valens, La Bamba, fazendo o papel de um dos seus maiores ídolos, Eddie Cochran.
Sentindo-se mais á vontade, e tendo conseguido diversos hits no seu trabalho a solo, Brian lança entre 1986 e 2010, dez álbuns com a sua chancela ímpar, enquanto pelo meio ia juntando os Stray Cats, para gravações e espectáculos, tendo participado com Stevie Ray Vaugham, numa tourné em 1989, para divulgação do "Blast Off!"

Esta é a lista dos seus trabalhos a solo:
The Knife Feels Like Justice (1986)
Live Nude Guitars (1988)
Rockin' By Myself (1998)
Ignition! (2001)
Nitro Burnin' Funny Daddy (2003)
Rockabilly Riot Vol. 1: A Tribute To Sun Records (2005)
13 (2006)
Red Hot & Live (2007)
Songs From Lonely Avenue (2009)
Don’t Mess with a Big Band (2010)
O projecto de unir o rockabilly com o som de uma orquestra concretiza-se em 1994 com o lançamento da Brian Setzer Orchestra.
Em 1996, Brian é agraciado com o galardão, Guitar Slinger e, em 1998, e "The Dirty Boogie" chega às lojas, sendo até hoje, considerado como um dos melhores discos de Brian e da sua orquestra, alcançando o 9º posto, nas listas de vendas americanas.
De 1994 até hoje, The brian Setzer Orchestra, lança doze discos:
The Brian Setzer Orchestra (1994)
Guitar Slinger (1996)
The Dirty Boogie (1998)
Vavoom! (2000)
Boogie Woogie Christmas (2002)
Jump, Jive an' Wail - The Very Best of the Brian Setzer Orchestra (2003)
The Ultimate Collection (2004)
Dig That Crazy Christmas (2005)
Wolfgang's Big Night Out (September 2007)
The Ultimate Christmas Collection (October 2008)
Christmas Comes Alive! (2010)
O primeiro reconhecimento oficial por sua obra dá-se em 1999, com a atribuição do prémio Orville H. Gibson Lifetime Achievement, no Gibson Awards. Mas não se fica por aqui.
Desde 2000 Brian Setzer já conquistou três Grammy: Melhor Performance de Grupo Pop para "Jump, Jive Na’ Wail", e dois de Melhor Performance Instrumental, com "Sleepwalk" e "Caravan".
Em Dezembro de 2006, teve a sua sétima nomeação para os Grammy pela versão de "My Favorite Things", mais uma vez na categoria Melhor Performance Pop Instrumental.
Brian Setzer, é considerado um dos melhores músicos e com uma prolífica carreira. A sua singular criatividade é sentida nas composições, arranjos, vocais, mas sobretudo, como um excepcional guitarrista que soube fundir com maestria ímpar o jump blues, swing, jazz e o chamado texas blues, tendo como principal ingrediente, claro, o rockabilly.
O legado de Eddie Cochran, Gene Vincent e tantos outros importantes nomes continua em boas mãos.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Memórias de John Lennon
Os aniversários da morte e do nascimento de John Lennon fizeram com que uma avalanche de livros sobre ele e sobre os Beatles, fossem publicados. Com diferentes abordagens, todos reúnem informações e histórias sobre os Fab Four, marcos eternos do rock e da história da música.Agora, a revista Rolling Stone, no Brasil, publica "Memórias de John Lennon". Os textos foram editados pela viúva, Yoko Ono, e escritos por outros grandes nomes da música. Bono (U2), Iggy Pop, Chuck Berry, Elton John, Alicia Keys, entre outros, colaboraram com depoimentos, poemas, fotos, entrevistas e desenhos.
O teclista Billy Preston e o realizador de documentários, Albert Maysles, que trabalharam com John na época dos Beatles, narram as experiências que viveram ao seu lado. Até Mick Jagger contribui contando um pouco sobre a amizade entre os dois vocalistas e brincando com a rivalidade entre as bandas.
Escritores renomeados, como Tariq Ali e Norman Mailer, dão a sua visão da importância do músico, especialmente o impacto político do activismo de John e Yoko pela paz no final dos anos 60.
Complementam a edição fotos tiradas para a última participação de Lennon para a revista "Rolling Stone". Annie Leibovitz fotografou o casal numa sessão que se tornou histórica.
domingo, 9 de agosto de 2009
Rock And Roll Is Here To Stay - The Million Dollar Quartet

A data apontada, como sendo a do nascimento, do rock and roll é a do lançamento da música "(We’re Gonna) Rock Around The Clock", de Bill Haley and The Comets,em 12 de Abril de 1954, e a qual eu ouviria pela primeira vez, numa sessão de cinema, absolutamente inesquecivel. O tema, fazia parte da banda sonora do filme "Blackboard Jungle" de 1955, baseado no livro com o mesmo nome, e autoria de Evan Hunter.
Embora dezenas de gravações anteriores já apresentassem um ou outro factor do que viria a cristalizar-se, como sendo, puro Rock and Roll, este é sem dúvida, o marco que delimita a fronteira, entre a música do sistema dominador, e a da juventude, que começava a marcar o seu território, e a fzer as suas exigências de liberdade de expressão, de criação,ou seja, a liberdade de viver.
O próprio Bill Haley tinha gravado nesse mesmo ano,uns meses antes, o tema, "Shake Rattle and Roll",de autoria de Jesse Stone, aliás Charles E. Calhoun, o qual já tinha sido gravado, por Big Joe Turner, sendo portanto, a versão de Bill Haley, uma cover com a lirica substancialmente alterada, para que não escandaliza-se a população branca, com a gíria, com o calão, cheio de referências ao relacionamento sexual, e mesmo, machista, entre os casais negros.
Mas Halley, não tinha sex appeal, e nunca descalçou as suas botas de country boy, ou seja de saloio.
O sonho de encontrar um caucasiano, capaz de cantar como um negro, e arrebatar os corações "branquelas" americanos, foi realizado por Sam Phillips, proprietário de um pequeno estúdio, a Sun Records. Ao gravar um jovem camionista de boa presença física e com uma voz a condizer, Sam Philips, descobriu a galinha dos ovos de ouro. O branco capaz de fazer frente á horda de negros que se preparavam para conquistar as listas de vendas de discos e contaminar os usos e costumes, da inocente juventude americana, nesse inicio da década de 50, foi Elvis Presley.
Com os singles de "Thats All Right" e "Blue Moon of Kentucky", logo seguido por "Good Rockin’ Tonight" e "I Don’t Care If The Sun Dont Shine", poucos poderiam acreditar que a voz, que ouviam na rádio era a de um branco. Obviamente parecia mais saudável à sociedade conservadora e racista aceitar aquele tipo de música vindo de um rapaz da sua raça, e catalogado de bom rapaz. Essa imagem, porém, era desmentida pela maneira agressiva e sensual de dançar do que viria a ser a imagem de marca, no principio, do King do Rock And Roll.
Elvis "The Pelvis" Presley, vinha para ficar, e arrasar.
Embora, tendo "nascido" um ano antes, o Rock and Roll, só viria a explodir definitivamente em 1955, em grande parte influenciado pela inclusão do tema, na banda sonora do filme "Blackboard Jungle" ("Sementes da Violência", aqui em Portugal), e como já atrás referi,versava sobre as relações tumultuosas entre alunos e professores, numa qualquer escola multiracial americana.
Numa analogia a algo muito mais amplo, o filme/livro, descrevia o relacionamento entre o stablishment, e a ânsia por mudanças, de uma juventude que cada dia mais delinquente, se lançara na procura de herois, que nada tivessem a ver com os estereótipos do passado. Rápidamente adoptou,para desespero dos sectores mais conservadores da sociedade, puritana e racista da época, a rebeldia, mesmo que sem causa, o exemplo a ser seguido, e por arrasto, a música do filme, como catalisador dessa rebeldia. Obviamente o novo tipo de música passou rapidamente a ser associado à degeneração da juventude, o que tornava ainda maior seu fascínio, num ciclo vicioso irresistível.
E quando todos pensavam que nada pior poderia influenciar em tão grande escala a juventude americana eis que um negro, Chuck Berry, se destaca, com uma versão de um hit country, "Ida Red", renomeado para "Maybelline", e com a autoria atribuida, a Allan Freed, embora este não tenha sido, tido nem achado, na composição do tema. Começava o ataque do sistema, acusando Freed de receber "luvas", para passar estes discos nos seus programas, o que viria a ser conhecido como o esquema "Payola", e que viria a destruir Alan Freed.
Embora nunca tenha conseguido para si o título que lhe poderia e devia ser atribuido, de Rei do Rock, usurpado pelo branco Elvis, a sua importância nunca foi discutida.
Ainda mais assustadora para os conservadores porém seria a aparição de um segundo negro, Little Richard, este ainda por cima afemeninado, maquilhado e com um penteado no mínimo exótico, cantando em seu primeiro verso o que viria a ser para sempre o grito de guerra mais conhecido do Rock and Roll, tão indecifrável quanto contagiante...
"waa ba bluba, baram bam bum,tutti frutti, oh meruri,tutti frutti, oh meruri",desculpem a fonética.
A prova definitiva de que o Rock and Roll seria a mais lucrativa música de consumo dos próximos anos viria com o pagamento de inéditos 45.000 dólares pela "transferência" de Elvis Presley, que chegara a ser aconselhado a voltar á estrada, para o volante do seu camião, menos de dois anos antes, para a RCA Victor.
Em 1956 enquanto Elvis Presley consolidava o seu sucesso com novos hits como "Heartbreak Hotel", "Blue Suede Shoes", - que deveria ter sido lançada pelo seu autor, Carl Perkins, se este não tivesse sofrido um grave acidente de carro que o deixou paralisado numa cama do hospital durante um ano,- e covers de músicas já consagradas como "Tutti Frutti","Shake Rattle and Roll", tornava-se urgente para outras gravadoras encontrar artistas que pudessem rivalizar com Elvis.
A Sun tentando livrar-se do estigma que a perseguiria de ser apenas a gravadora que descobriu Elvis e o vendeu por uma ninharia, lançava Roy Orbison com "Ooby Dooby".Sem grande suceso, de inicio. Mas ali, já havia muito talento a ser preparado para enfrentar a fama e o sucesso que estava ali ao virar da esquina.
Além de contar já, nas suas fileiras com Johnny Cash, Sam Phillips, começara a gravar um pianista completamente louco. The Killer, Mr Jerry Lee Lewis.
Portanto, antes da saída de Elvis, a Sun possuía o que viria a se cognominado de "The Million Dollar Quartet" - Elvis Presley, Johnny Cash, Jerry Lee Lewis & Carl Perkins .
A Capitol Records responderia a Elvis com Gene Vincent and The Blue Caps, e o seu "Be Bop A Lula", marcado pelo estilo do vocalista, front man, que balançava as ancas,apoiado na sua perna parada. Na verdade e no caso de Gene Vincent, paralisada, em virtude de um acidente de moto.
Com uma sonoridade um pouco diferente, mais marcada pela música negra de origem, principalmente gospel, começava a despontar o talento de James Brown com o seu quase soul "Please Please Me".
Já sobre o comando do empresário Tom Parker o talento de Elvis era aproveitado também no cinema no filme "The Reno Brothers", logo renomeado para "Love Me Tender"em virtude do grande sucesso da canção tema.
Não tardam a aparecer outros filmes com participações de estrelas do rock, como "Rock Around The Clock" e "Don’t Knock The Rock",com a participação de Bill Haley e Allan Freed, "The Girl Can’t Help It", estrelado po Little Richard, Gene Vincent, Eddie Cochran, entre outros.
Entretanto, em Inglaterra, e no resto da Europa, com algum atraso, o filme "Blackboard Jungle" dava a conhecer o Rock And Roll.
Com o alistamento obrigatório de Elvis Presley nas forças armadas em 1957 o fim do rock and roll foi anunciado pela primeira vez.
Afinal o que haveria neste ritmo que o poderia eternizar, em contraste com tantos outros como o cha-cha-cha, a rumba, o calipso, ou o mambo?
Contrariando todas as previsões novos hit makers surgem de onde menos se espera.
Se tomar-mos como exemplo Buddy Holly, e os Crickets, de Nashville, podemos constatar, que com hits açucarados tipo, "That Will Be The Day" e "Peggy Sue", que o rock poderia ser domado e usado, associado a um rapaz bem comportado, cuja imagem enquadrava perfeitamente naquilo que os conservadores queriam, e as letras românticas, sem segundas intenções.
As esperanças de menos rebeldia e dias mais calmos na radio não se concretizariam, obviamente. Seja pelos lançamentos de "School Days" de Chuck Berry, uma ode ao fim das aulas, ou pela explosão tardia de Jerry Lee Lewis com "Crazy Arms", "Whole Lotta Shakin’ Going On", e é claro, o imortal "Great Balls Of Fire".
Com o ingresso de Elvis nas forças armadas, a despeito de este ter deixado gravado material para dezenas de lançamentos e um filme gravado, "King Creole", Jerry Lee Lewis era o candidato natural para ocupar o posto, deixado pelo King Elvis, rebelde, carismático... e branco.
O seu apelo ao público era proporcional ao seu ego, e "Great Balls Of Fire", tornou-se rapidamente no sucesso do ano de 1958. A sua carreira viria, no entanto ruir de uma forma tão meteórica quanto surgira, em virtude de ter vindo a público o seu casamento com a sua prima de 13 anos, Myra Gale Brown, menor, sem Jerry ter tido o cuidado de desfazer um de seus casamentos anteriores, sendo portanto um bígamo, o que era demais para a sociedade da época.
1958 vê ainda Chuck Berry lançar dois dos maiores clássicos do rock de todos os tempos, "Sweet Little Sixteen" - sim, um hino ás adolescentes, e "Johnny B. Goode", quase auto biográfico.
O Rock lamechas, romântico, pimba... por sua vez, contra ataca com "All I Have To Do Is Dream", dos Everly Brothers.
Por cá, mas só em 1960, despontam os Conchas, (Oh Carol), um pouco á semelhança dos manos Everly, e o Daniel Bacelar, ("Fui Louco Por Ti"), na peúgada do Ricky Nelson, (Poor Little Fool), do Johnny Tillotson, ("Poetry in Motion"), Bobby Vee, ("Take Good Care of My Baby" ), e outros.
Por lá, James Brow lança seu primeiro grande hit, Try Me.
O ano negro de 1959 começou marcado , pelo acidente de avião que em Janeiro, em Clear Lake, Iowa, que vitimou, Buddy Holly, Big Booper e o recém descoberto chicano Ritchie Valens (La Bamba). Após uma apresentação conjunta durante uma mal-sucedida tourné de inverno, chamada Winter Dance Party , o avião que transportava o grupo de uma cidade para outra, no meio de uma tempestade de neve e com um piloto inexperiente, caiu pouco após a decolagem, não deixando sobreviventes.
A década termina com Chuck Berry, na cadeia, por cruzar uma fronteira estadual com uma prostituta,que teoricamente havia sido contratada para trabalhar no seu clube Saint Louis. O seu grande crime, obviamente, era ser negro numa sociedade racista e o facto de ter alcançado tanto sucesso. Berry foi julgado e condenado a dois anos de cadeia.
Os factos citados,eram emblemáticos e fáceis de localizar, mas os problemas do Rock and Roll, não se reduziam a estes. O estilo estava gasto em virtude da
super exposição e mesmo os grandes nomes como Carl Perkins e Jerry Lee Lewis estavam a derivar para o caminho mais lucrativo do country.
Elvis Presley, de volta do seu serviço nas forças armadas, passaria de elemento rebelde a entertainer familiar, gravando praticamente apenas baladas.
A juventude finalmente notara que Bill Haley e Allan Freed afinal já não tinham idade para serem ídolos jovens.
Talvez o rock finalmente tivesse morrido.
Ou talvez precisasse de algumas mudanças.
Ou teria o sistema conservador vencido????
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Johnny B. Goode - Chuck Berry
E "Johnny B. Goode",é baseado, numa personagem real.
A personagem é nem mais nem menos do que Chuck Berry,segundo ele declarou á Rolling Stone,em 1972.
"As palavras originais eram-That little colored boy could play-que tive que alterar para "country boy",se não nunca passaria nas rádios."
A gravar o tema,Chuck,alterou a sua proveniência,escrevendo,"deep down in Louisiana, close to New Orleans,"em vez de mencionar,St.Louis,a sua cidade natal.
Além disso, "never ever learned to read or write so well,"é mentira,já que Berry,se teria formado numa escola de beleza,nos cursos de cabeleireiro e cosmetologia.
A essência da história de Chuck Berry,um guitarrista,sem nada de seu além das suas grandes patilhas,e que vai para a "big city" acabando por ter o seu nome em neóns por todo o lado,é exactamente autobiográfica.
Em 1955,Berry, tinha o seu salão de beleza em St.Louis,e uma banda de baile,foi quando conheceu a grande estrela da Chess Records,Muddy Waters,que o apresentou a Leonard Chess, um dos fundadores desta empresa discográfica.
Três anos depois,Berry era o mais consistente "hit maker"no Rock'n Roll logo atrás de Elvis Presley,que terá confessado nessa altura:
"Quem me dera poder escrever os meus temas como ele,e expressar todos os meus sentimentos da maneira como Chuck o faz".
"Johnny B. Goode",é o exemplo acabado da poesia em movimento,a marca de Berry, enquanto letrista,poeta urbano.
O pianista,Lafayette Leake,o baixista Willie Dixon e o baterista Fred Below,foram os seus companheiros na estrada que o levou á eternidade.
Neste video,Chick Berry é acompanhado pela E Street Band de Bruce Springsteen.
O seu riff de uma só nota, que ataca,no chorus musical,que como ele descrevia,"like a-ringin' a bell",é sem duvida a descrição perfeita de como um riff de guitarra,nos coloca no topo do mundo.
Autor: Berry
Produção: Leonard and Phil Chess
Editado: Abril 1958 na Chess
Tempo nas tabelas: 15 semanas
Posição alcançada: No. 8




