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domingo, 7 de agosto de 2011

Shuggie Otis. Filho de peixe, sabe nadar



Filho de peixe, sabe nadar. Johnny Alexander Veliotes herdou do pai não apenas o nome, mas sobretudo o talento musical.

Filho de Johnny Otis (cujo nome de batismo é John Alexander Veliotes), um dos pioneiros do rock norte-americano, Shuggie Otis nasceu em Los Angeles em 30 de Novembro de 1953, e aos doze anos já tocava em clubes nocturnos acompanhando o pai. Para disfarçar a tenra idade, escondia-se atrás de enormes óculos escuros e camadas de maquilhagem, já que, pela lei americana, não poderia apresentar-se profissionalmente sendo ainda um mero adolescente
Desde cedo revelou ser um prodígio. Além da guitarra, seu instrumento preferido, tocava com perfeição também piano, órgão, bateria e baixo. O seu talento precoce impressionava a todos que o conheciam, e chamou a atenção de Al Kooper, que o convidou para substituir Stephen Stills no seu projecto Super Sessions, que já tinha rendido um elogiadíssimo álbum lançado em Julho de 1968.
Ao lado de Kooper, Shuggie, então com apenas 15 anos, gravou o disco Kooper Sessions: Super Session Vol II, gravado em 1969 e lançado em 1970. No álbum, além de Kooper, Shuggie contracenou com o baixista Stu Woods, com o baterista Wells Kelly, com o pianista Mark Klingman e com os backing vocals da The Hilda Harris-Albertine Robinson Singers.
O disco era dividido em dois lados distintos: o primeiro, baptizado como The Songs, era voltado para o gospel e para o rhythm & blues, enquanto o segundo, chamado The Blues, trazia o banda improvisando sobre bases de blues. A performance de Shuggie Otis chamou muita atenção, com o jovem recebendo rasgados elogios da crítica e dos próprios músicos, além de render o convite para a gravação de um álbum solo pela Epic.
Um facto importante que deve ser mencionado é que Shuggie cresceu tendo contacto directo e convivência quase diária com músicos talentosíssimos como Sly Stone e Arthur Lee, dos aclamados Love, além dos instrumentistas que acompanhavam o seu pai.
Outra passagem interessante é a participação de Shuggie no álbum Hot Rats, lançado por Frank Zappa em 1969. Nesse disco, Shuggie Otis toca baixo na faixa que abre o LP, a clássica Peaches en Regalia. O músico também participou de sessões de gravação ao lado de nomes como Etta James, Cal Tjader e Eddie Vinson.
Em 1970 chegou às lojas o primeiro trabalho solo de Shuggie Otis. Com o título de Here Comes Shuggie Otis, o álbum é um primor, mesclando com enormes doses de talento elementos do rock, blues, funk, soul e jazz. O resultado final é um dos melhores discos lançados nos anos setenta, infelizmente pouco conhecido do público em geral, mas presença garantida na prateleira dos mais entendidosdos. Entre as faixas, pérolas como Oxford Gray, Shuggie´s Boogie, Hurricane, Gospel Groove e The Hawks.
Em seguida, Shuggie voltou para o estúdio e gravou o seu segundo album, Freedom Flight, lançado em 1971. Mais uma vez explorando a mistura dos géneros musicais negros com o rock, nosso herói gravou outro óptimo álbum, apontando para uma carreira promissora. Entre as faixas, destaque para Ice Cold Daydream, Sweet Thang, Me and My Woman e sensacional faixa-título, uma jóia free jazz com mais de doze minutos.
Após estes dois primeiros discos, Shuggie, retirou-se do cenário musical e trabalhou obsessivamente durante três anos no seu próximo álbum. Finalmente, em 1974 chegou às lojas o aguardado Inspiration Information. O disco foi instantaneamente aclamado pela crítica como uma obra-prima. Shuggie toca todos os instrumentos do álbum, num trabalho de arquitectura sonora semelhante ao de um artesão. O que se ouve no disco mostra quanto o jovem músico estava bem à frente do seu tempo. A inserção de beats electrónicos nas composições deixou muita gente de queixo caído, e influenciou definitivamente a música negra pós-Inspiration Information, notoriamente génios comerciais como Michael Jackson e Prince.
Talvez a principal influência de Shuggie no LP tenha sido outro ícone da música negra, Curtis Mayfield. A delicadeza das canções e as melodias doces que saltam dos sulcos ficam de imediato, nos nossos ouvidos e sentidos, soando como um bálsamo reconfortante.
Aclamado por Inspiration Information, um universo repleto de possibilidades apontava para o futuro de Shuggie Otis. O guitarrista foi convidado para ingressar nos Rolling Stones no lugar de Mick Taylor, mas recusou a oferta pela chance de trabalhar com Quincy Jones no seu quarto álbum – que, infelizmente, nunca viu a luz dia.
Uma série de incidentes com outros músicos e problemas durante os espectáculos, aos poucos deram fama de pessoa difícil, deixando Shuggie, sózinho, entregue ao seu "mau feitio". O músico, já naturalmente introspectivo e com propensão à reclusão, afastou-se definitivamente dos palcos, produzindo apenas trabalhos como músico de estúdio contratado.
No final dos anos setenta algumas músicas suas foram regravadas por outros artistas, direciconando os holofotes sobre Otis. Aliado a isso, faixas gravadas por Shuggie começaram a ser incluídas com frequência em colectâneas, despertando nos ouvintes o interesse e a curiosidade sobre o legado do músico. Este processo alcançou seu ápice nos anos 2000, e culminou com o relançamento de seu principal trabalho, a obra-prima Inspiration Information, pela gravadora Luaka Bop, do pesquisador e líder dos Talking Heads, David Byrne. Essa reedição de Inspiration Information chegou às lojas em 03 de Abril de 2001 com uma nova capa e com a inclusão quatro faixas bónus, todas retiradas do álbum Freedom Flight, de 1971 – Strawberry Letter 23, Sweet Thang, Ice Cold Daydream e Freedom Flight.
Nos últimos anos, Shuggie Otis tem feito algumas gravações esporádicas, como o registo das faixas Violet in Blue e Novemberin´, esta última presente na compilação de mesmo nome, lançada em 2008. Além disso, colaborou com Mos Def e com Beyonce.
Pessoalmente, apesar de considerar Inspiration Information uma obra-prima inquestionável, recomendo como porta de entrada para o universo multicolorido de Shuggie Otis a sua estreia, Here Comes Shuggie Otis, de 1970, um álbum perfeito e coeso na medida certa.
Pra fechar, uma "dica": se forem até Sebastopol, pequena cidade californiana com quase oito mil habitantes distante cerca de 80 kilômetros de San Francisco, são bem capazes de se cruzarem com Shuggie Otis pelas ruas e praças do lugar, já que Shuggie reside nesse lugarejo, há vários anos. Se isso acontecer, não perca a "chance de bater um papo" com um dos músicos mais influentes das últimas décadas.
Por: Ricardo Siling

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Blood Sweat And Tears - Child is Father to the Man

A maioria das pessoas, ao falar, dos Blood Sweat And Tears, associa-os de imediato, á voz cavernosa e blusy de David Clayton-Thomas. É natural. Foi durante o seu "reinado", enquanto vocalista principal, que hits como, "Spinning Wheel," "And When I Die," e "Hi-De-Ho", atingiram as audiências mais vastas. Hoje, trago aqui á memória "da gente", o primeiro LP, do grupo, o debutante , e por vezes esquecido,"Child is Father to the Man", e Clayton-Thomas, ainda não fazia parte do grupo. Na época o line up da banda era :Al Kooper, Jim Fielder, Fred Lipsius, Randy Brecker, Jerry Weiss, Dick Halligan, Steve Katz, e Bobby Colomby .
Sem ter alcançado grande notoriedade, ou ter produzido qualquer hit,relevante, este Lp, revelou-se extraordinariamente influente, e criou espaço para bandas que apareceriam no fim dos anos 60, e posteriormente na década de 70. Falamos entre outros,dos, Steely Dan, dos Chicago Transity Authority (dos primeiros discos), dos If, e dos Electri Flag, de Mike Bloomfield, e Buddy Miles, entre outros. Do pop ao jazz, passando pelo rock, está tudo lá. Até o sinfónico, teve a sua vez.
Al Kooper, foi o produtor, teclista, guitarrista. e autor de grande parte dos temas, e foi quem reuniu, este grupo de músicos, após a sua breve passagem pelos Blues Project, de onde trouxe Steve Katz. A ideia, era formar uma banda, de rock, aonde sobressaísse o seu amor pelo Jazz, descoberto, segundo ele, através da Maynard Ferguson Orchestra.
Pensou em dar forma a este projecto em Inglaterra, mas o trabalho que tinha em Nova York, como musico de estúdio, e integrante da banda de Bob Dylan, obrigou-o, a ficar nos "states".
A intenção, era criar um som novo e diferente, que utilizassem a secção de metais, de igual modo que as guitarras. Nada que se parecesse com as secções de metais dos grupos de Rithm and Blues, em que estas, eram usadas para acentuar os coros e as repostas. Tocariam "linhas" com arranjos complexos, deixando espaço para os solos de guitarra de Steve Katz, e os improvisos, (a lembrar Jimmy Smith), do Hammond de Kooper. O mais interessante deste Lp,ao contrario do que se seguiu, o comercialíssimo, "Blood Sweat and Tears II", é que não se nota a intenção de fazer um disco comercial, vendável, optando antes por seguir uma linha hibrida, jazz/rock, no que resultou este "Child is Father to the Man", colocando-o a par de outros marcos, verdadeiras referências discográficos da grandeza, do Beggar's Banquet, dos Rolling Stones, o White Album dos Beatles ,do Velvet Underground dos Velvet Underground, do Astral Weeks do Van Morrison, e do John Wesley Harding de Bob Dylan, só para nomear alguns contemporâneos.
Incorporando temas de Tim Buckley, Harry Nilsson, Gerry Goffin e Carole King, envolvidos, pela secção de metais, e aonde se nota, o som do rock ácido, de San Francisco da época, através da guitarra de Steve Katz, é notório o casamento feliz, do Jazz com o pop rock.
A primeira faixa, "Overture", é o classico a aparecer, como base, aonde se misturam gargalhadas psicadélicas, deixando-nos em suspense, para o que se segue. O clássico aparece misturado, sem se assemelhar ao clásico de camara dos Beatles, dos Bee Gees ou até dos Left Bank. O piano de Al Kooper, usa elementos de composição,do século XVIII, ao invés de um arranjo clássico de camara, "á lá", George Martin.
É extraordináriamente refrescante, "re-ouvir",este álbum esquecido.Não deixem de o procurar.
Aqui deixo ao alinhamento das faixas:
1.Overture
2.I Love You More Than You'll Ever Know
3.Morning Glory
4.My Days Are Numbered
5.Without Her
6.Just One Smile
7.I Can't Quit Her
8.Meagan's Gypsy Eyes
9.Somethin' Goin' On
10.House in the Country
11.Modern Adventures of Plato, DioGenes & Freud, The
12.So Much Love / Underture
13.Refugee From Yuhupitz - (TRUE instrumental)
14.I Love You More Than You'll Ever Know - (demo)
15.Modern Adventures of Plato, DioGenes & Freud - (demo)

Blood Sweat & Tears em Kurpark, Germany 1974
Bobby Colomby-Drums
Jerry LaCroix-Vocals and Sax
Jerry Fisher-Vocals
Dave Bargeron-Trombone and Tuba
George Wadenius-Guitar
Larry Willis-Keyboards
Bill Tillman-Sax and Flute
Ron McClure-Bass
Tony Klatka-Trumpet