quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Ob-la-di, ob-la-da, life goes on


"Ob-La-Di, Ob-La-Da" é uma canção dos Beatles lançada no álbum The Beatles ou Álbum Branco, de 1968. Composta por Paul McCartney porém creditada à dupla Lennon-McCartney.

O título vem de uma banda de reggae, liderada por um nigeriano de seu nome, Jimmy Scott e sua Obla Di Obla Da Band. 

Conta Paul McCartney a propósito deste tema:

 "Jimmy era um tipo que costumava andar pelos clubes nocturnos que frequentávamos, e que costumavam dizer com um sotaque jamaicano," Ob-la-di, ob-la-da, a vida continua ". O tipo ficou irritado quando soube que eu tinha escrito uma canção baseada nesta sua frase, e queria receber direitos de autor. Ainda lhe disse, 

"Vá lá, Jimmy, é apenas uma expressão, uma frase comum dita pela tribo Yoruba e tu, apenas acrescentaste “Life goes on” (“A vida continua”).. " 

Mas quando Jimmy Scott precisou de dinheiro para pagar uma fiança (tinha sido preso por não pagar a pensão alimentícia), Paul, foi em seu auxilio, mas teve que pedir ao seu amigo Alistair Taylor , umas libras emprestadas, para dar a Jimmy, a troco da cedência dos direitos de autor. Taylor teve, por sua vez que pedir o dinheiro a um outro amigo, já que na época, ninguém do grupo dos Beatles tinha tanto dinheiro. 

Paul McCartney terminou a composição, e os Beatles passaram tempo demais na gravação, pois John, George e Ringo detestavam o tema, e tudo fizeram para que o mesmo não fosse incluído no álbum. 

Harrison demonstrou a sua frustração no se tema "Savoy Truffle", gravado três meses depois. Na canção escreveu: 
"But what is sweet now, turns so sour/ We all know Ob-La-Di, Ob-La-Da/ But can you show me, where you are?" ("Mas o que é doce agora, vira tão azedo / Nós todos sabemos Ob-La-Di, Ob-La-Da / Mas mostra-me, onde estás?") 

John Lennon odiava particularmente a música. Aliás não gostava de muitas das músicas que Paul compusera nesta época, sentindo que eram banais e sem sentido. Não admira portanto que os três, John, Ringo e George tenham vetado, sem sucesso, o lançamento do tema em single, que mesmo assim, veio a alcançar o primeiro lugar nas listas de vendas de singles, em Inglaterra, numa regravação do grupo The Marmelade, no mesmo ano do lançamento oficial do single dos Beatles. 

A canção é uma clara homenagem ao Reggae, que estava emergindo em Inglaterra nos anos 60, trazido pelos imigrantes jamaicanos, (Life goes on, bra), porém também é destacada, pelo piano, tocado por John Lennon, ao ritmo sulista dos EUA. 

A batida da música é muito peculiar e diferente de tudo que os Beatles vinham fazendo com a escala em Si bemol e mostrava mais uma faceta de criação de Paul McCartney. 

A base da letra foi composta durante a meditação transcendental na Índia. Paul já tinha na sua cabeça o refrão citado por Jimmy Scott e a partir daí criou uma letra "bobinha", porém de conteúdo muito alegre, que narra o encontro de Desmond e Molly Jones, e que segue a linha de “Eleanor Rigby”, no caso de Molly Jones, já que esta é uma personagem fictícia. Já o personagem Desmond é um tributo a Desmond Dekker, lenda do reggae bastante apreciado pelos Beatles e que assim lhe prestaram homenagem. 

Geoff Emerick , o técnico de som que assistia George Martin na gravação, disse que a “cereja no topo do bolo” que esgotou a sua paciência, foi as gravação de “Ob-La-Di, Ob-La-Da”. 

“Aquilo era um pesadelo técnico e levou mais de dez dias para terminar. Numa ocasião, no calor das tensões, George Martin inclinou-se para o microfone e sugeriu à Paul como ele deveria cantar certa parte da canção. Paul simplesmente voltou-se para a cabine e disse ‘Então venha cantar você!’” 

Ainda segundo Geoff, John Lennon dizia abertamente que “odiava a canção” a que chamava “a baladinha de merda do Paul”. Num dos dias de gravação, Lennon saiu para espairecer e retornou algumas horas depois, totalmente drogado, dizendo alto e bom som que nunca se tinha aborrecido tanto durante uma gravação. Então sentou-se no piano e tocou a introdução da musica, que acabaria por ficar na edição final do tema, dizendo que era aquilo que a música precisava, um pouco de animação.

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