terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Village People

No inicio da década de 70, o compositor e produtor francês Jacques Morali, visitou os Estados Unidos como vencedor de um concurso patrocinado pela 20 Century Fox. Em Nova York, participou num baile de máscaras no Les Mouches, uma discoteca gay em Greenwich Village. Enquanto olhava ao redor da sala, ficou impressionado com todos os "estereótipos macho/masculinos encarnados" pelos convidados da festa, todos mascarados conforme a sua fantasia . A ideia surgiu-lhe: Por que não montar um grupo de cantores e dançarinos, cada um mascarado, com uma fantasia diferente?

Felipe Rose, um dançarino profissional, mascarou-se naquela noite, como um índio americano. Foi o escolhido para ser lançado como a "imagem" do grupo, em primeiro lugar. Em seguida foi escolhido o cantor Alexander Briley, como o militar, soldado / marinheiro. Victor Willis, o policia de trânsito, que já tinha experiência de palco por ter participado em musicais na Broadway, tais como The Wiz e The River Níger, completou o trio como vocalista e letrista . O seu papel foi dividido entre o comandante naval e o policia de trânsito. Como todos tinham sido recrutados em Greenwich Village, Morali decidiu chamá-los "Village People". A administração da banda, faz questão de frisar que não há o "The" antes do nome do grupo.

O seu primeiro LP foi lançado em 1977, e exclusivamente direccionado para o mercado gay. Como o álbum teve grande aceitação no mercado discográfico, Morali, achou que o grupo tinha que ter mais figurantes, tendo logo iniciado audições para recrutr mais três membros. O actor de televisão, Randy Jones foi contratado para o papel de cowboy. Glen Hughes, que era portageiro no Brooklyn Battery Tunnel, foi escolhido para ser o motard, todo vestido de couro, papel que já era o seu na vida real. E por último foi David Hodo, o trabalhador da construção musculado e todo maquilhado em tons espelhados. Amante das façanhas bizarras, havia conseguido um papel no programa da TV "What's My Line?", patinando no gêlo e cuspindo fogo, o que lhe granjeou alguma notoriedade, e lhe abriu as portas para o mundo da musica.

A faixa título de seu segundo álbum, "Macho Man", foi um sucesso menor no verão de 1978, mas o álbum, foi platina. Em seguida, no outono, lançaram o seu terceiro álbum, "Cruisin '". Desse LP, destacou-se o seu maior hit, editado logo em single, o famigerado, "YMCA".

"Fomos sempre muito positivos sobre o que era essa grande instituição, o YMCA (Young Men's Christian Association)", disse Randy. Tinham excelentes programas para jovens e idosos. Foi por isso que decidimos cantar sobre o seu trabalho ".

A YMCA, foi fundada em 06 de Junho de 1844 em Londres, e tinha como finalidade colocar em prática os princípios cristãos "mente sã em corpo são". No começo, os funcionários do YMCA ficaram preocupados com a música. Não sabiam quem eram os Village People ou o que eles representavam, e não tinham a certeza se a música era uma homenagem, ou uma paródia com fins obscuros.

"Entendemos o ponto de vista  da YMCA", explicou Randy, "conversamos sobre isso antes de gravar o tema. YMCA é uma marca e uma marca deve ser protegida. Se eles permitissem que uma pessoa ou um grupo a violassem os seus direitos, faria da YMCA um domínio público, e haveria uma corrida á comercialização de escovas de dentes YMCA, T-Shirts YMCA, toalhas YMCA... tudo seria marchandasing, do qual a instituição não teria qualquer controle ou lucro. David e eu tentámos comunicar isso aos nossos produtores, mas não conseguimos passar a mensagem. Então, quando o YMCA se tornou um hit mundial, houve uma decisão judicial decretando que tudo o que tivesse a sigla YMCA, seria propriedade da Young Men's Christian Association. Mas naquela época, já todo o pessoal da instituição, viam o nosso tema, como um jingle comercial de grande impacto e gratuito, que só teve como efeito popularizar o seu trabalho. Então foi tudo óptimo, ouro sobre azul ".

Segundo a revista Rolling Stone, YMCA vendeu mais de 12 milhões de cópias em todo o mundo. Passou um semestre inteiro nas listas de vendas, atingindo o topo em Fevereiro de 1979.

Os Village People tiveram um outro grande hit, "In The Navy", na primavera desse mesmo ano. No outono seguinte, o vocalista Willis, insatisfeito com o managing do grupo, saiu "por mútuo acordo". Esta saída, aconteceu dias antes do inicio das filmagens do primeiro filme do grupo, "Can't Stop the Music". Ray Simpson foi contratado para substituir Willis, mas de alguma forma as coisas não eram as mesmos. Lançado em Junho de 1980, o filme, que contou com YMCA, foi um desastre de bilheteira.

Em 1981, os Village People reorganizaram-se e renunciaram ás suas raízes Disco Sound. Anúncios de página inteira nas revistas da especialidade exibiam o seu novo visual e publicitavam o seu novo som, como sendo do tipo "Bowie  rockers". Mas com o desaparecimento do Disco Sound os Village, foram rapidamente esquecidos pelo público. Separaram-se em 1986 para seguir as suas carreiras a solo. Voltaram a reunir-se em 1988 e continuam a fazer tournées.

Os Village People comemoraram o seu 20 º aniversário com uma tournée pelos U.S.A. que incluiu o Madison Square Garden o Radio City Music Hall, em Nova York, e o Greek Theatre de Los Angeles. Realizaram um documentário único, a partilha de música e cultura, com os aborígenes da Austrália intitulada "Village People Go North, Down Under". O VH-1 e a MTV têm passado os trabalhos em video clips dos Village People nos seus programas.

Jacques Morali morreu em 15 de Novembro de 1991 com SIDA, e Glenn Hughes, o bigodudo motard, morreu de cancro nos pulmões em Março de 2001 tendo sido sepultado vestido com a sua roupa de motociclista.

A nova encarnação dos Village People fizeram uma tournée com Cher durante sete meses em 2004 e 2005.

Victor Willis, o comandante naval/policia, foi notícia novamente em Janeiro de 2006, motivado por uma querela breve com a lei. Felizmente para os fãs dos Village People, Victor recuperou e, em 2007, fez nova tournée para celebrar o 30 º aniversário das suas gravações iniciais com os Village People.

1 comentário:

Mário Lima disse...

Ricky

Vi o filme "Can't Stop the Music" no Monumental.

À saída estava o porteiro com o "LP" do filme a vendê-lo.

Comprei-o, é histórico, mas está 'esquecido' num lugar qualquer!

Talvez um dia o volte a ouvir!

Abraços!