sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Os Dez discos, imprescendíveis de Heavy Metal, dos anos 70


Quais os dez discos essenciais que o ouvinte de Heavy Metal tem que ouvir/ter?

Este assunto, já deu origem ás mais diversas discussões, pois como diz o povo, "cada cabeça a sua sentença", ou ainda "cada côr o seu paladar".

Além de que nem sempre somos justos na escolha. Com estas premissas em mente, resolvi escrever este texto, referenciando os dez discos essenciais - para mim - de cada década, sem beneficiar esta ou aquela banda, e sem usar as subdivisões, sendo sempre o mais imparcial possível e, respeitando cada época e as suas características.

Os anos setenta são caracterizados pelo fim da guerra do Vietnã, pelas tensões constantes entre Estados Unidos e União Soviética.

Musicalmente, a década começou mal, já que foi exactamente no dealbar dos anos 70, que os Beatles se separaram.
Deu-se o surgimento do movimento punk inglês em 1977, embora se atribua, aos americanos Ramones, a criação do género.
Apareceu a "disco music", eternizada no filme Saturday Night Fever, cuja banda sonora foi feita pelos Bee Gees.

Com este cenário, gerou-se uma espécie de revolta, contra os acima enunciados géneros musicais, e daí, aparecer um grupo de músicos, que de alguma forma, resolveram colocar o Rock'n Roll, na ribalta, desta vez, de uma forma virulenta, e energética.Assim, tipo grito de revolta.

Refira-se que o termo Heavy Metal, aparece pela primeira vez no tema "Born To Be Wild", dos Steppenwolf, formados em 1967.
Born to be Wild recebe o crédito com a frase, "Heavy Metal Thunder", contido no segundo verso da terceira estrofe da letra do clássico, o qual serviria mais tarde para denominar o estilo.
A canção foi escrita por Mars Bonfire (Dennis Edmonton), antigo membro da Sparrow.
Foi a primeira menção do termo "Heavy metal" associado com a música rock.
A mesma canção é considerada por muitos críticos a primeira canção Heavy Metal de todos os tempos.
"Magic Carpet Rider", outro sucesso do grupo, também faz apologia aos grupos de motociclistas.

Mas vamos lá á lista dos dez mais da heavy music.

1. Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath (1973)


Falar nos Black Sabbath é sempre problemático, pois citar apenas um dos seus discos da formação clássica causa enorme polémica, mas este é o escolhido por ser ele a síntese do que encontramos no heavy metal actual.

Após o sucesso por parte de público e imprensa de Vol 4 (já que os três primeiros discos foram massacrados pela mídia da época) como um disco bem feito, Sabbath Bloody Sabbath é tido como o ápice criativo de Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Terry ‘Geezer’ Butler e Bill Ward, que mostram o mesmo estilo, só que bem trabalhado e tão experimental quanto seu predecessor, mas ainda mais refinado.

Apoiado em clássicos como a faixa-título, com os seus riffs marcantes e azedos (o clip da música é extremamente hilário, contrapondo-se ao clima soturno da mesma, mas vale a pena ser visto), a bela e pesada “A National Acrobat”; “Sabbra Cadabra”, cujos riffs serão referência para o thrash metal nos anos 80; “Who Are You?”, no velho estilo da banda; e a quase balada “Spiral Architect”.

O disco é tão bom que nem aparenta que já naquela época haviam tensões extremas entre os integrantes, tanto que Ozzy já havia saído e retornado á banda. Para aqueles que desejam conhecer o que estes ingleses de Birmingham tinham para oferecer, este disco é a melhor escolha, já que a banda, após o seguinte (Sabotage), entraria em queda livre, o que levaria á saída de Ozzy.

Detalhes interessantes do álbum: os ensaios para a gravação foram feitos em masmorras do castelo Clearwell, no meio da floresta de Dean em Inglaterra, uma vez que o grupo não conseguiu alugar um lugar no Record Plant estúdio, onde haviam gravado o Vol 4, pois a sala onde gravaram antes estava ocupada por um sintetizador imenso. O quarteto também não conseguiu compor na casa que alugaram em Bel Air por causa da fadiga e do abuso de drogas, e que segundo Tony Iommi acabou por ajudar o clima das composições. Outro é a participação de Rick Wakeman, do Yes, na faixa “Who Are You?” - e Ozzy, como sempre, acabou a gozar com Rick por causa da suas enormes orelhas.

2. Led Zeppelin –
Led Zeppelin IV (1971)

Se ouve uma banda mais envolta numa áurea de mistério e misticismo que os Led Zeppelin nos anos setenta, eu mudo de nome!
Acusações de satanismo, histórias estranhas em torno de Jimmy Page (que parecia ser seguidor dos ensinamentos de Aleyster Crowley na época) e do vocalista Robert Plant, uso e abuso de álcool, as apresentações energéticas, a morte do filho de Plant, fora outros factos e boatos que acompanharam a banda até a morte do baterista John Bonham, e o final do grupo. O único poupado a polémicas foi o baixista John Paul Jones, que depois do final da banda seguiria a carreira de produtor musical.

Mas não há como negar sua imensa contribuição para o Heavy Metal como um todo. A banda fez escola, e é uma das maiores influências musicais das bandas de hard / glam da Califórnia nos anos oitenta.

Led Zeppelin IV, também conhecido por Four Symbols, The Fourth Album (ambos usados no catálogo da Atlantic Records), Untitled, Runes, Sticks, ZoSo, The Hermit ou simplesmente IV - sendo que Zoso é também um apelido de Jimmy Page -, é o disco que consolida o sucesso dos três anteriores, sendo mais rocker que o anterior, Led Zeppelin III, que era mais experimental, bluesy e com várias incursões acústicas.

Pedradas como “Black Dog” e “Rock and Roll”, aliadas a músicas de extremo bom gosto como “When the Levee Breaks” (com óptimas incursões de gaitas) e “Going to California” e baladas folk como “The Battle of Evermore” entraram para o repertório de clássicos de qualquer "banger" que se preze.

Agora, falar de “Stairway to Heaven” é ingrato demais. O que mais pode ser escrito sobre este tema, que já não se tenha falado nestes quarenta anos desde que o álbum foi lançado? Basta dizer apenas que, por causa desta faixa, Jimmy Page solicitou á Gibson, na época, a famosa SG de dois braços para poder tocá-la ao vivo, uma marca registada de Page que seria copiada à exaustão por décadas!

Audição mais que obrigatória, e remédio certo contra punks, disco music ou funks que nos são impingidos dia a dia, e nos dão cabo dos ouvidos e das meninges.

Facto interessante: este disco é um verdadeiro nómada, em matéria de estúdios! Começou a ser gravado no recém inaugurado estúdio subterrâneo da Island Records em Dezembro de 1970, mas a banda aceitou a sugestão dada pelo Fleetwood Mac e foi para a Headley Grange, uma remota casa no estilo vitoriano no leste de Hampshire, em Inglaterra, para gravações adicionais. Além disso, usaram também o estúdio móvel dos Rolling Stones.

Jimmy Page comentou que "nós precisávamos do tipo de lugar onde pudéssemos beber uma xícara de chá e andar pelo jardim, para então entrarmos e fazermos o que tínhamos que fazer".

Esta atmosfera relaxante ajudou a banda em vários sentidos, pois de acordo com Dave Lewis "muitas das faixas foram gravadas num só take”.

Uma vez terminadas as gravações básicas, eles retornaram para o Island Studios, terminaram as fitas master e foram para o Sunset Sound em Los Angeles para a mixagem, que acabou por não agradar á banda, levando-os de volta a Londres, o que atrasou o lançamento do LP em cinco meses.

Outras três músicas gravadas nessas seções - “Down by the Seaside”, “Night Flight” e “Boogie with Stu” (com Ian Stewart dos Stones no piano) - foram deixadas fora do disco, mas apareceram depois no álbum Physical Graffiti, lançado em 1975.

3. Deep Purple – Machine Head (1972)

A banda com mais guerras de ego de todos os anos 70, só perdendo em mudanças de formação para os Rainbow (que por um acaso é o grupo de Ritchie Blackmore, ex-guitarrista do próprio Deep Purple), sendo talvez, dos três dinossauros "setentistas", juntamente com os Zeppelin e os Sabbath, o mais conseguido, o mais elegante na sua musicalidade, o que não seria de se estranhar, graças à formação clássica de Blackmore e do teclista Jon Lord.

Machine Head é o terceiro disco da segunda formação (que ainda conta com Ian Gillan nos vocais, Roger Glover no baixo e Ian Paice, pai dos baterias mais técnicos do Heavy Metal), e o mais sublime desta formação, por ter músicas clássicas obrigatórias como “Highway Star” - que abre o disco -, “Lazy”, “Pictures of Home” e o maior hino da banda, “Smoke on the Water”.

Dez, entre dez fãs do Rock, conhecem o famoso riff de guitarra, e mesmo os não "roqueiros" a conhecem, embora não saibam de quem é ou qual o seu título. Não ouvir este disco é um pecado imperdoável a quem se diz fã do Heavy Metal.

Facto interessante: todos já sabemos que “Smoke on the Water” foi feita justamente por causa do incêndio do casino de Montreaux, aonde a banda de Frank Zappa estava a tocar naquele mesmo momento. Mas o disco dos Purple foi gravado no Hotel Montreaux, porque era para ter sido um disco ao vivo a ser gravado no casino, o que fez a banda ter pouco tempo em estúdio
(Machine Head foi gravado entre 6 e 21 de Dezembro de 1972, ou seja, apenas quinze dias!!!) justamente para não atrasar o lançamento do vinil.

4. Motorhead – Overkill (1979)

Thrash, death, black, as suas subdivisões e tudo o que for brutal e extremo no Heavy Metal como um todo tem um pai por direito na década de setenta: Motorhead.

Comandado por Mr Rock’n’Roll, o baxista e vocalista Lemmy Kilmister, a banda é referência por criar canções curtas, rápidas e brutais, e a seu tempo os Motorhead ainda iniciaram a fusão do peso e técnica do metal com a adrenalina do punk, e ainda não mostraram preocupação com o próprio visual, deixando de lado a tradição das plumas e lantejoulas usada por músicos como David Bowie e Gary Glitter nesta época, bem como rompeu com o visual hippie que os Black Sabbath e os Deep Purple usavam.

Acompanhado pelo guitarrista ‘Fast’ Eddie Clarke (um fã confesso de Jimmy Page e Eric Clapton) e pelo baterista Phil ‘Philty Animal’ Taylor, um ex-traficante de drogas, eles invadiram o Roundhouse Studios e o Sound Development Studios juntamente com o produtor Jimmy Miller e gravaram esta "paulada" nos tímpanos, imortalizando o nome da banda para sempre.

Hinos como a mais metaleira “Overkill”, “No Class” (cujo riff inicial Eddie mais tarde usaria na música “Say What You Will”, da sua banda com Pete Way, Fastway, “(I Won’t) Pay Your Price”, “Stay Clean”, “Capricorn”, “Damage Case” e “Metropolis” são mais que obrigatórios.

Factos interessantes: a ficha técnica de Overkill diz que todo o processo de gravação foi feito entre Dezembro de 1978 e Janeiro de 1979 (o lançamento foi em 24 de Março de 1979), mas a gravação em si foi feita em apenas um dia! Isso mesmo, um dia!!! O estado do pessoal durante as gravações era tamanho que durante as gravações dos vocais de “(I Won’t) Pay Your Price” Lemmy balbucia ‘I’m so drunk’ (estou tão bêbado) e cai do banco.

5. Judas Priest – Sad Wings of Destiny (1976)

Nenhuma lista de discos dos 70 estaria completa sem uma obra dos Metal Gods. O Judas Priest é a banda responsável pela introdução do visual carregado de couro, tarrachas e spikes no heavy metal, bem como da musicalidade refinada e dos vocais ora agudo, ora falsete de Rob Halford, pelos duetos furiosos das duas guitarras de K.K. Downing e Glenn Tipton e o groove de Ian Hill (baixo) e Allan Moore na bateria, entre outras dádivas divinas.

Sad Wings of Destiny veio para apagar a impressão deixada pelo fraco Rocka Rolla (1974), que sofreu problemas técnicos e que fizeram com que a sua gravação fosse um desastre, além de muita interferência por parte do produtor Rodger Bain (o mesmo que produziu a trinca inicial do Black Sabbath e o primeiro dos Budgie), e superou as expectativas de muitos!

Atente-se que o disco surgiu pouco antes da onda disco music e do movimento punk inglês, que varreriam a Europa e os Estados Unidos, o que causou graves problemas para as bandas de Heavy Metal.

O álbum é o segundo pelo selo independente inglês Gull Records, pois os Judas estavam a lutar contra a falta de suporte financeiro que deveria ser dado pela gravadora, tanto que, após mudar de empresário a banda rompeu os laços contratuais com esta e assinou com a Columbia, e acabou perdendo os direitos de autor da gravação de Rocka Rolla, Sad Wings of Destiny e das demos gravadas, mas conseguiram pelo menos, manter o direito das músicas serem reconhecidas como de sua autoria, bem como o direito de tocá-las ao vivo.

A compsoição de Joan Baez, “Diamonds and Rust”, foi originalmente gravada para Sad Wings of Destiny, mas foi retirada do LP, regravada e lançada no disco seguinte, Sin After Sin.

O porquê de ser justamente este o disco o mais marcante da banda nos anos setenta? Simples! Como já citei acima, ele apaga de vez a má impressão deixada por Rocka Rolla, livrando a banda de um futuro incerto, e traz hinos eternos como “Tyrant”, “Genocide”, “Epitaph”, “Victim of Changes” (que guitarras!) e “The Ripper” (onde Rob Halford arrasa, mostrando porque influenciará a tantos no futuro), sendo que estas duas estão até hoje no set list da banda.
Preciso dizer mais alguma coisa?

6. Scorpions –
Lovedrive (1979)



Ok, tudo bem, eu já sei que muitos vão perguntar porque é aqui não estão, Tokyo Tapes (1978), Taken By Force (1977) ou Virgin Killer (1976), mas tenho os meus motivos sem ser o meu gosto pessoal.

Os Scorpions foram a primeira banda alemã de Heavy Metal (mais especificamente de Hard Rock) a fazer sucesso fora de seu país bem como da Europa, graças ao talento do vocalista Klaus Meine e das composições bem feitas do guitarrista Rudolf Schenker.

Óbvio que Francis Buchholz, baixista na época e que estava na banda desde o seu início, também tem os seus méritos em composições, mas a dupla Meine/Schenker, são o equivalente á dupla, Lenonn McCartney, desde a época do primeiro Lonesome Crow (1972), e mesmo depois de a banda ter acabado. Isso mesmo! Os Scorpions tinham acabado após o seu primeiro disco devido à saída de Michael Schenker, irmão mais novo de Rudolf e guitarrista solo, passando-se para os UFO.
Os outros elementos não continuaram porque Uli Jon Roth não quis ficar na banda, preferindo continuar seu trabalho com o Dawn Road, tendo depois entrado Rudolf e Klaus, e então, de comum acordo, resolveram usar o nome Scorpions por este já ser bem conhecido na cena alemã!

Mas falando do Lovedrive, este disco era esperado como um fiasco musical, já que muitos consideravam o estilo de Uli Jon Roth insubstituível, e ainda por cima, haviam trocado a RCA pela Mercury Records nos Estados Unidos e pela Harvest/EMI Electrola para o resto do mundo. Só que se esqueceram de avisar Rudolf, Klaus e Francis, bem como ao baterista Herman Rareball, que foram à luta e depois de ouvirem mais de 140 guitarristas (!!!!) optaram por Matthias Jabs, sendo que ainda tiveram a ajuda de Michael, que tinha sido demitido dos UFO pelo uso abusivo de bebidas, e outras substâncias. O uso de cocína po Michael, arrastou-se até 1986.

O fracasso esperado tornou-se, de acordo com a crítica especializada, no melhor trabalho da banda, alcançando um Disco de Ouro em vários países. A sua capa foi eleita pela Playboy americana como A Melhor Capa de Disco de 1979.
Lovedrive, traz clássicos como “Loving You Sunday Morning”, “Coast to Coast”, “Can't Get Enough”, “Lovedrive” e “Holiday”, naquele estilão que seria ainda mais lapidado até Love At the First Sting (1984).

7. Kiss – Destroyer (1976)

Falar de heavy metal e hard rock dos anos setenta e não falar dos Kiss, não seria uma injustiça ... seria um pecado imperdoável, digno de imolação numa fogueira na praça pública!
Os Kiss são a banda que uniu músicas bem feitas, fáceis de assimilar e acessíveis ao ouvidos menos incautos, com shows de pirotecnia, visual bem planeado e óptimas estratégias de marketing. Óbvio que por trás disso estavam as mentes empresariais do baixista Gene Simmons e do vocalista/guitarrista Paul Stanley, aliados ao baterista Peter Criss e ao guitarrista Ace Frehley – que, para muitos, é a alma musical da banda na sua primeira line-up.

Poucos sabem, mas os Kiss estavam apostando alto neste disco, uma vez que seus três primeiros álbuns de estúdio (Kiss e Hotter Than Hell de 1974 e Dressed to Kill de 1975) haviam levado saraivadas pesadas da crítica. Nem mesmo o eterno hit “Rock and Roll All Nite” fez a crítica aliviar a pressão em cima dos quatro mascarados.

Alive! (1975), com as suas vendas generosas, deu uma segunda vida aos rapazes, mas era necessário provar que eles eram uma boa banda e não somente um circo no formato de rock and roll.

A Casablanca, gravadora do grupo, havia renovado o contrato para mais dois discos, e foi,uma cartada de sorte definitiva, ao convidar Bob Ezrin (que já havia trabalhado com Alice Cooper) para produzir o disco, e, com seu toque, a banda acertou em cheio!

Da capa extremamente chamativa, que foi e é copiada até hoje, à qualidade de gravação imposta, Destroyer é um marco obrigatório.

Ezrin trouxe refinamento às músicas, inclusive obrigando a banda a ter aulas de teoria musical, já que ninguém ali era grande musico, excepto Ace, sem contar com os raspanetes homéricos que dava a Gene e Ace, ao ponto de ameaçar substituir Frehley pelo guitarrista contratado Dick Wagner, para que ele cooperasse – e, mesmo assim, Dick tocou em “Flaming Youth”, “Sweet Pain” e fez a guitarra acústica de “Beth”, pois Ace, não queria parar de jogar, as suas cartas!. Isto sem falar no uso de orquestra, corais e outros arranjos.

O resultado? Por um acaso o caro leitor nunca ouviu “Detroit Rock City”, “God of Thunder”, “Do You Love Me”, “King of Night Time World”, ou mesmo a balada “Beth” (a responsável por catapultar o disco, que quase foi um fracasso de vendas)?

Pois é. A história não mente.

8. Alice Cooper – Billion Dollar Babies (1973)

O velho Vincent Damon Furnier, que é nem mais nem menos do que a nossa querida "tia" Alice Cooper, trouxe sempre surpresas maravilhosas para nós, os seus queridos sobrinhos. Um dos pais do rock horror, fosse no visual sempre chocante ou nas apresentações teatrais, a contribuição de Alice é incomensurável.

O escolhido é Billion Dollar Babies porque foi o disco de Alice Cooper mais bem sucedido até então, fora a ironia do título com a própria banda, já que nas palavras do próprio Alice, é uma referência ao sucesso repentino deles, pois “como podemos nós, esta banda, que dois anos atrás morávamos no porão da Chambers Brothers em Watts, ser o grupo número um do mundo, com as pessoas atirando-nos com dinheiro para cima, aos montes ?”.

As letras exploram a ideia de que todos possuem perversões doentias, coisa a qual Alice Cooper bem sabe fazer.

A faixa “No More Mr Nice Guy” é um hino, inclusive regravado pelos Megadeth para a banda sonora do filme Shocked, e, juntamente com “Elected”, “Billion Dollar Babies” e “I Love the Dead”, destacam-se num álbum difícil de escolher destaques, já que as faixas se nivelam por cima, graças ao toque de Bob Ezrin na produção, um midas dos anos setenta.

Não há mais o que dizer, apenas ouvir este clássico até explodir os ouvidos!

9. Thin Lizzy – Black Rose: A Rock Legend (1979)

Uma das mais injustiçadas bandas dos anos 70 são, sem sombra de dúvidas, os Thin Lizzy.
Tendo Phil Lynnot (baixo/vocal) no comando, este grupo, produziu sempre discos e shows com intensidade, energia e originalidade, e embora elogiados pela crítica nunca tiveram a merecida popularidade.
Notem bem que estou a falar da mesma banda aonde estiveram músicos do quilate de Gary Moore, Brian Robertson, e John Sykes, entre outros.

Black Rose: A Rock Legend, veio logo após Live and Dangerous (1978), que coroou a primeira fase da banda. O disco que inauguram uma fase um pouco mais elaborada dos Thin Lizzy, mas mantendo sempre as influências iniciais de música folk irlandesa e country, características marcantes do quarteto, ainda mais abrilhantado pelas guitarras de Gary Moore e Scott Gorham e pelo groove, peso pesado, de Phil e Brian Downey.

Nas gravações, o vício, as drogas de Phil e Scott aumentou, fazendo com que isso influenciasse até mesmo nas músicas, como em “Got to Give It Up”.
O disco todo é bom, e os singles de “Do Anything You Want To” e “Waiting for an Alibi” levaram a banda ao segundo lugar nas paradas da Inglaterra. Mas uma faixa merece citação especial: “Roisin Dubh (Black Rose) - A Rock Legend”. As outras são óptimas, mas esta é obrigatória, já que é um medley de músicas tradicionais irlandesas com arranjos feitos por Gary e Phil.

Um facto curioso, foi o retorno da banda sem Phil, que morreu em 1986 devido ao abuso da cocaína, em 2007 para uma tour, mas quem conhece os Thin Lizzy sabe que esta reunião não fez jus ao passado da banda.

10. UFO – Phenomenon (1974)

Mais um grupo injustiçado, e olhem que Pete Way é uma das maiores influências musicais de Steve Harris - ele próprio já disse isso em entrevistas!

Capitaneados por Phil Mogg (vocal) e Pete Way (baixo), durante anos, apesar de Pete ter saído antes para formar outros projectos, como os Fastway com Eddie Clarke e o Waysted, a banda já acabou e já se juntou duas vezes, mas mantendo sempre o bom gosto musical de sempre, apesar de alguns fracassos comerciais.

Os UFO situam-se entre o heavy metal, o hard rock setentista e a sonoridade da NWOBHM sem o mínimo pudor, e sem deixar os seus créditos por mãos alheias!

Falando do disco, Phenomenon marca a entrada do virtuoso alemão Michael Schenker nas guitarras, dando mais peso e "punch" à banda, que deixou o space rock dos dois primeiros álbuns para trás e investiu num som mais pesado e encorpado, mais metal mesmo.

O trabalho em si é todo bom, mas há dois hits históricos: “Rock Bottom” e “Doctor Doctor”, que qualquer fã da banda tem que conhecer, e que em todos os shows dos UFO teem que estar presentes.

Ao lado de Phil, Pete e Michael, Andy Parker na bateria, completa o grupo,e dá um peso absurdo às músicas.

Vamos a isto, metaleiros. Alto e bom som, toca a ouvir estas preciosidades.

Por: Marcos Garcia
Professor de Física e Colecionador - Collector´s Room

1 comentário:

Delio José disse...

Concordo com esta análise, embora 2 ou 3 títulos sejam questionáveis mas a dúvida esbate-se quando se lêem os argumentos do autor. Não é fácil escolher de forma que agrade a todos.
Obrigado Vicky por nos possibilitares estes artigos.