domingo, 7 de dezembro de 2008

Waldemar Bastos - Estamos Juntos


O Waldemar para mim, é um mwana, um amigão do peito, que me leva de volta sempre que o oiço cantar.....o Alto Hama lá ao fundo da curva, o cheiro da terra molhada das estradas do Huambo,o requebro das ancas das nossas amigas nas rebitas do Manel Jacaré.....pois é como tu dizes,"...não me perguntes quando eu volto, eu nunca saí de Angola".
Estamos juntos mano.
Waldemar Bastos, nasceu em 1954, em M'banza, Zaire, Angola
Discografia:
Estamos Juntos (EMI Records Ltd., 1983)
Angola Minha Namorada (EMI Portugal, 1990)
Pitanga Madura (EMI Portugal, 1992)
Pretaluz (Luaka Bop, 1997)
Renascence (World Connection, 2004
Encontra-se neste momento a ultimar o "Clássicos da Alma", o seu mais recente trabalho de originais, que será colocado no mercado no inicio de 2009.

1 comentário:

karipande disse...

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Jovens do Prenda um conjunto lendário
08/12/2008

Existem bandas musicais de forte pulsação popular que perduram no tempo, um fenómeno que decorre, essencialmente, da filosofia estética dos grupos, consequência natural da formação musical, cultura e proveniência social dos seus integrantes.


O enraizamento cultural e a dinâmica social dos musseques de Luanda, fizeram dos Jovens do Prenda um dos grupos paradigmáticos da história da Música Popular Angolana, e, têm a mesma validade histórica, outras bandas surgidas em contextos e nexos temporais diferentes: Agrupamento São Salvador do Manuel de Oliveira, Kiezos do Mário Arcanjo, Ngola Ritmos do Liceu Vieira Dias, Negoleiros do Ritmo do Dionísio Rocha, Ngoma Jazz do Matumona Sebastião e Mangololo, Merengues do Carlitos Vieira Dias, África Show do carismático Massano Júnior, Águias Reais do Gregório Mulato, Cabinda Ritmos, Super Coba, Super Renovação de Cabinda, Super Landa Bangó e Agrupamento Kissanguela, entre outras formações musicais, não menores.
A designação Jovens do Prenda resulta da reutilização do topónimo de um bairro histórico luandense, incluindo as suas zonas adjacentes, que viu nascer a banda musical que se formava.

O processo de formação dos Jovens do Prenda resultou da fusão de vários pequenos grupos e desdobrou-se em quatro fases, assim designadas: a primeira com o surgimento dos Jovens do Catambor (1965) com Manuelito (viola solo) Napoleão, (puíta) Zé Kaquarta (caixa), e Juca (chefe e empresário), designação reforçada pela ocorrência frequente dos ensaios no Bairro Catambor, a segunda com o surgimento do agrupamento Estrelas da Maianga (1965), com Kangongo (caixa) Antoninho (viola solo), Maneco Gamboa ( puíta e viola baixo), Maneco (vocalista), João (tambor baixo) e António do Fumo (dikanza e vocal) , a terceira fase é a dos Os sembas (1966) com Sansão (vocal), Casimiro (chefe do grupo) , Chico Montenegro (dikanza e vocal), Zé Gama (viola baixo, com guitarra de seis cordas), os irmãos Augusto Tchurula (bate-bate) e Antoninho Tchurula (dikanza), Zé Keno (Viola solo) e Inácio (colaborador). A quarta fase, considerada definitiva, com os Jovens do Prenda (Outubro de 1968), designação que perdurou até aos nossos dias e que resultou, fundamentalmente, da fusão dos Jovens do Catambor e dos Sembas. Nesta época, Zé Keno, convidado pelo Juca, decide levar para os Jovens do Prenda todos os elementos dos Sembas. A primeira grande formação dos Jovens do Prenda, na versão do Zé Keno, integrava o Juca (chefe e empresário do grupo), Didi (vocal e dikanza), Sansão ( vocal e pandeireta) Zé Gama (viola baixo) Inácio (tumbas baixo) e Chico Montenegro (caixa ou tambor solo) e o próprio Zé Keno ( viola solo).

Depoimento contestado por Augusto João Luís, autor do clássico ?Samba Samba? que, na sua versão contestada por Zé Keno, diz ter integrado os Jovens do Prenda, em 1966, proveniente dos Kinas, grupo do cantor e compositor, Dino Kapakupaku. Augusto João Luís diz ter integrado, primeiro, os Jovens do Catambor e, só depois, os Jovens do Prenda, permanecendo até finais de 1969.

Tendo como conselheiros os empresários Manguxi e Braguês, o último alugava aparelhagens e era proprietário do Salão do mesmo nome, no Sambizanga, o grupo passou de Jovens do Catambor a Jovens do Prenda. Manguxi aconselhou o grupo a mudar de nome: «o certo, argumentava o empresário, é denominar o grupo com o nome do bairro de onde vocês são provenientes».

Os Jovens do Catambor já era uma formação relativamente corporizada, com o grande vocal, Chico Montenegro, Manuelito Maventa, que tocava viola solo, Zeca Kaquarta, manejava o tambor, Napoleão que se entregava à puíta e Juca, chefe e empresário que, algumas vezes, friccionava a dikanza.

Zé Keno, o guitarrista emblemático dos Jovens do Prenda, entrou no grupo pela mão do Juca. Keno era proveniente dos Sembas, onde tocava viola solo, e era acompanhado por Zé Gama na guitarra de acompanhamento. Curiosamente, a primeira guitarra eléctrica de Zé Keno, de marca «Guia», foi comprada por fiança e paga a prestações pelo tipógrafo Elias da Graça.

Os Jovens do Prenda surgem, como formação sólida, em 1969, com Zé Keno (viola solo), Zé Gama (viola baixo), Luís Neto (vocal), Kangongo (tambor baixo) e Chico Montenegro (tambor solo).

O ressurgimento com o empresário Kandango

Depois do «Período de Silêncio» da música angolana (1974), os Jovens do Prenda ressurgem, em 1981, pela mão caridosa do empresário Kandango e gravam o LP Música de Angola, Jovens do Prenda (1982, IEFE, Discos, Intercontinental Fonográfica, Lda) ? um disco de criação colectiva ? com Zé Keno (viola solo e voz), Alfredo Henrique (viola ritmo), Carlos Timóteo (viola baixo), Avelino Mambo (bateria), Zecax (vocalista e pandeireta), Massy (saxofone), Gaby Monteiro (percussão e voz), Fausto Ricardo (trompete), Verrynácio (tumbas), Chico Montenegro (bongós e voz), Luís Neto (dikanza), Augusto João Luís (dikanza e vocal), Laurindo (teclas), Correia (trompete) e Baião (contra-solo)

A integração de Gaby Monteiro

Gaby Monteiro aparece nos Jovens do Prenda, pela primeira vez, com a referida renovação Kandango e grava o tema ?Ndandu?, uma parceria criativa com Zé Keno e Massy, no LP Samba, Samba (1991, Endipu-UEE, Empresa Nacional do Disco e Publicações) ? o segundo disco dos Jovens do Prenda da época pós-Kandango. Gaby Monteiro deixa os ?Jovens do Prenda? com a seguinte formação: Manuel Prudente Ramos Neto (Joca, viola solo), Carlos Timóteo (Calily, viola baixo), Zé Luís (viola ritmo), Charles Mbuia (contra solo), Manuel Vicente (tumbas), Patrício Smoke (bateria), Luís Neto e Chico Montenegro (vozes), Conceição Alves Alberto (trompete) e Luís Massy (saxofone).

Uma das características que realça a arte do grupo é o seu ritmo. Os Jovens do Prenda têm uma sonoridade muito peculiar que advem da fusão de ritmos locais, a incidência é o semba e rumba, com forte influência do Dr. Nicó, um importante músico que fez história na música do Congo Democrático.

Os grandes guitarristas (ritmo) do grupo foram: Mingo, Alfredo Henrique, Diogo Sebastião e Quintino, o último ainda em vida. Sobre às várias metamorfoses que o grupo tem sofrido, decorrentes de cisões e abandonos, Luís Neto afirma: «As pessoas nascem e crescem, contudo cada um vai para onde mais lhe agrada. Os Jovens do Prenda não são só música e entretenimento, é uma escola...»

A morte de Gaby Monteiro

Gaby Monteiro, figura emblemática dos «Jovens», marcou o agrupamento com temas como: ?Angélica? (1982, de parceria com Zecax), Maka Mé (1987), Lamento dos Mutilados (1976, gravado com o Aliança FAPLA-POVO) e Ndandu (1989, com Zé Keno e Massy).

Luís Neto (Augusto) um dos veteranos do grupo, recorda, consternado, a figura de Gaby Monteiro: «Perdemos um grande pensador musical. O Gaby só falava de música, ao acordar e quando se preparava para dormir. Era um irmão que lutou pela causa do grupo e devemos-lhe muito. Os últimos recrutamentos, nos momentos de crise, eram feitos pelo Gaby... é lamentável».

Gabriel Augusto Monteiro nasceu no dia 3 de Maio de 1949, em Luanda, e morreu no Hospital Militar de Luanda. O diagnóstico médico acusou malária seguida de hepatite aguda.

Cantor e compositor de múltiplos recursos, Gaby foi um exímio dançarino do grupo ?Os Cinco do Pau?. Conheci o Gaby, em 1965, no Salão Belavista do Sambizanga como dançarino ? confirma ainda Luís Neto.

No princípio dos anos setenta, Gaby Monteiro surge como vocalista dos ?Uangas?, uma formação que peregrinava entre o Bairro Zangado e o Rangel, vindo depois a integrar o «Aliança FAPLA-POVO» e depois os Kiezos.

Em 1976, Gaby Monteiro perde a perna direita numa troca de tiros com soldados da F.N.L.A., no Sambizanga, constituindo o motivo, mais do que justificável, para compor a canção «Lamento dos Mutilados».

Embora marcado por contradições e incompreesões internas, sobretudo porque cada grupo puxa a si o protagonismo na fundação do grupo, os Jovens do Prenda estão, por mérito próprio, na história da música angolana.

Um reforço vocal que fez história Dom Caetano e os Jovens do Prenda

Em 1972, com apenas dezasseis anos, Dom Caetano iniciava, de forma tímida, os primeiros passos no domínio do canto. De facto foi neste ano que Caetano Domingos António, seu nome próprio, se junta a um grupo de amigos e forma os ?The Seven Boys? no paradigmático bairro Sambizanga. Embora tenha nascido no Bairro Porto ? uma zona suburbana contígua ao Bairro Madamme Berman, em Luanda ? Dom Caetano percorreu na sua infância, vários espaços, incluindo uma passagem pelo Lobito, cidade que muito concorreu para sua formação como cantor. Quando regressávamos dos célebres ?Kutonocas? do Luís Montez, recorda Dom Caetano, o meu grupo imitava as vozes do Sofia Rosa, Luís Visconde e Taborda Guedes. Foi uma nostálgica experiência de bairro, que viria impulsionar o autor de ?Semba Dilema? para o universo da Música Popular Angolana. Com visível saudade, Dom Caetano recorda-se de José Manuel Rufino, do Mingo Barros e do Zeca Sá antigos companheiros de rota na época dos ?The Seven Boys?.

Dom Caetano teve, posteriormente, uma breve passagem pelo agrupamento ?Surpresa 73?, uma formação ligada à Rádio Majuba, no bairro Rangel, onde tocava viola baixo. Em 1977 parte para a República de Cuba, integrando um grupo de estudantes angolanos de diversas origens, a fim de dar continuidade aos seus estudos.

Em Cuba, um país visceralmente musical, Dom caetano forma uma versão angolana do duo «Los Compadres» (formado, na sua origem, pelo cubanos Lourenço Rensuelo e Henrique Rensuelo, tio e sobrinho) com Adriano Mendes de Carvalho.

O duo angolano, ?Los Compadres?, grangeou uma enorme popularidade no seio da comunidade estudantil angolana em Cuba; e o passo seguinte foi o surgimento do ?Combo Revolucion?, uma formação com mais recursos instrumentais e, obviamente, mais dilatada ao nível dos seus integrantes: António Venâncio (guitarra solo), Dom Caetano (vocal), Espírito Santo (viola ritmo), Cinturinha(tamborista que pertenceu aos Bongos, do Lobito), Jorge Conceição (baterista) e o Alfredo Morais (o Didino que pertenceu aos Ekos, Ébanos e África Show) formavam os ?Combo Revolucion? grupo que durou cerca de três anos.

Com a dispersão natural dos integrantes do «Combo Revolucion», Dom Caetano restaura em Luanda, o duo ?Los Compadres?, desta vez com Zeca Sá (voz e guitarra), um antigo amigo de infância da época dos ?The Seven Boys?, que veio a substituir Adriano Mendes de Carvalho.

Morre o Duo com Zeca Sá e Dom Caetano vai substituir o Tuely Bamba, nos Jovens do Prenda, tendo sido aprovado através de um rigoroso teste orientado por Zé Keno. É nesta época que surgem os grandes sucessos de Dom Caetano: Tia, S.E.F, Sou Angolano e Cooperante.

Canhoto (viola baixo), Alfredo Henrique (já falecido, um viola ritmo que tinha a técnica do Mingo), Ze Keno (vila solo), Chico Montenegro (voz), Julinho Massy e o Correia (sopros) eram os integrantes dos «Jovens do Prenda» na altura em que Dom Caetano decide reforçar as fileiras deste grupo.

Dom Caetano permanece dois anos, nos «Jovens do Prenda» e igual período no ?Instrumental 1º de Maio? com Dulce Trindade, Massano Júnior, Franco, Fausto e Tedy.

Em 1989, por ocasião do FENACULT (Festival Nacional de Cultura), Dom Caetano é novamente convidado a integrar os ?Jovens do Prenda? permanecendo, neste grupo, até à Expo de Lisboa, em 1998, data em que faz a sua última apresentação nos ?Jovens do Prenda?. Em Lisboa, Dom Caetano grava a sua primeira obra discográfica, ?Adão e Eva?, um disco que tem tido enorme aplauso junto do público e da crítica. ?Uejia kusokana? e ?Semba Dilema? são dois temas em que Dom Caetano revela a sua angolanidade, como músico, e denota a adopção de um esquems de composição inspirado nas questões de índole social e cultural do seu povo numa linha de continuidade da música elaborada por compositores de gerações anteriores à sua.

Dom Caetano diz que muito deve a duas figuras musicais que as considera tios, pela via materna: Quim Vieira vocalista dos ?The Lover?s?, do Lobito, e o Zé Vieira (solista dos ?The Pop King?s?).

Zé Keno, o génio de uma guitarra

Zé Keno, o emblema dos Jovens do Prenda, é um nome que marcou de forma indelével a história da Música Popular Angolana. Em 1953, com apenas três anos, sai de Mucasa (província de Malanje) para Luanda, com a mãe, e solta, aos dezoito anos, os primeiros acordes da sua guitarra. A criatividade plena, e o desempenho de um fraseado musical com laivos de improvisação jazzística, são alguns dos atributos de um guitarrista que afirma, de forma resoluta, ter sido influenciado pelo Duia dos Gingas, Marito dos Kiezos, Ngola Ritmos e Dr. Nicó. Zé Keno deixa, às gerações vindouras, a singularidade de uma afinação e um cunho inequivocamente pessoal de dialogar com a sonoridade das cordas.

Quando contava apenas dezoito anos, José João Manuel extraía da sua guitarra acordes musicais que encantavam a juventude da sua época. Zé Keno era um jovem que assistia, interessado, o desfile de grandes nomes da música angolana no Salão dos Passos, no Bairro Prenda.

José Pequeno ou Kedy, pseudónimo com o qual gravou dois singles a solo (?Filho doente? e ?Jipambo?) começou em 1968 nos ?Sembas? com Sansão (vocal) e Gama (viola baixo de seis cordas) no Bairro Margoso, local onde se situa, actualmente, a clínica do Prenda. Zé Keno passou pelos ?Jovens do Catambor?, formação de duração efémera que passou a ?Jovens dos Prenda? logo após a sua mudança para o Bairro Prenda. Figura carismática dos ?Jovitos?, Zé Keno teve uma passagem fugaz pelos ?Águias Reais? e ?África Show? e foi autor dos grandes êxitos dos ?Merengues?, no seu período áureo.

Criador de uma afinação única, diferente da clássica, Zé Keno inventou as suas próprias posições na viola e revolucionou a estrutura harmónica dos solos do semba. De notar que, muito antes da dissolução dos ?Jovens do Catambor?, o guitarrista Zé Keno já tinha sido convidado a integrar este grupo, convite que então declinara.

Com a concretização efectiva, da referida dissolução Zé keno aceita o repto com uma única condição; levar consigo antigos companheiros dos ?Sembas?: Gama (viola baixo) e Sansão (vocal) que se juntaram ao Didi, Augusto, Inácio (tambor baixo) e Chico Montenegro (tambor solo) formando, assim, a primeira e mais sólida formação dos ?Jovens do Prenda?. Nessa altura dirigia o grupo, o empresário Juca.

Num quintal contíguo ao local onde ensaiavam os ?Jovens do Prenda? trabalhava o grupo ?Estrela da Maianga? formado pelo Antoninho (guitarra), António do Fumo (vocal e dikanza) e Kangongo (tamborim).

O desenvolvimento rápido e seguro dos ?Jovens do Prenda?, atraiu o Kangongo e o António do Fumo, duas figuras que iriam emprestar ao grupo maior elasticidade artística, sobretudo ao nível da composição.

Daí foi o sucesso, com paragens frequentes no Braguês, um famoso salão de baile do bairro Sambizanga, Kudissanga Kuá Makamba e Sporting do Rangel. ?Nunca o disse para evitar atitudes presunçosas dentro do grupo mas a pessoa que mais admirei ao longo do nosso trabalho foi o Tony do Fumo. Era um artista nato com excelente dotes vocais e, de composição fora de série?. Zé Keno refere-se de igual modo ao Baião e Luís Neto (Augusto) de forma emocionante e nostálgica. Do último diz que era um exímio intérprete que soube ultrapassar os grandes momentosd e crise do grupo.

O enigma da afinação do Zé Keno

?A minha afinação nasceu, de forma espontânea, no início da minha aprendizagem?, explica Zé Keno. Numa ocasião em que dedilhava uma viola construída pelo próprio, Zé Keno descobriu, muito tarde, que a distensão aleatória das três primeiras cordas dava a nota Fá. Com o desenvolvimento do grupo ?Os Sembas? adquiriu uma viola de seis cordas. As cordas Mi, Lá Ré, da nova viola adquirida, permaneceram com a afinação clássica.

A grande revolução foi a transformação da nota Sol em fá da si em lá e da Mi em dó das três primeiras cordas. Daí as implicações foram óbvias. Só um executante conhecedor das posições inventadas por Zé Keno, estava em condições de tocar na sua afinação. Há harmonias, muito características, que só podem ser conseguidas na afinação do Zé Keno.

Zé Keno lembra-se do solo da música Ji henda Já Mamã, do cantor António Paulino que foi totalmente improvisada em estúdio.

A época dos Merengues e os prémios

Em 1973, problemas de índole interna provocam o afastamento de Zé Keno dos ?jovens do Prenda?. Ligado à C.D.A. (Companhia de Discos de Angola), surge o ?Instrumental Merengues?, um grupo criado, especialmente, para gravações em estúdio, cuja formação inicial integrava o Zé Keno (viola solo e voz), Gregório Mulato (voz e bongós), Zeca Tirilene (viola ritmo), Joãozinho Morgado (Tambores), Carlitos Vieira Dias (viola baixo) e Vate Costa ( voz e chocalho). Esta formação viria a ser um dos agrupamentos mais coesos da época.

Os Merengues, com Zé Keno, gravaram muitos temas de referência ? recorde-se do tema Monami Uejia do compositor Cirus Cordeiro da Mata ? e acompanharam os grandes momentos da carreira do David Zé (Mutudi ua Ufolo, 1975), Teta Lando (LP Independência), Prado Paím, recorde-se o tema ?Bartolomeu? (Disco de Ouro 1974) e Carlos Lamartine (Angola Ano I, 1976).

O primeiro disco dos ?Jovens do Prenda? inclui o tema Mamã, da autoria de Zé Keno, que deveria ser Papá, interpretado pelo António do Fumo. O referido tema é dedicado ao padrasto do Zé Keno, já falecido, pessoa que o criou desde tenra idade.

A personalidade do Zé Keno confunde-se com o percurso da Música Angola tendo, em 1995, arrebatado o Prémio Catarino Bárber, pela composição ?Nova Cooperação? na Primeira Edição do Prémio Welwitschia da Rádio Nacional de Angola, e o Prémio Identidade instituído pela União Nacional dos Artistas Compositores.

Zé Keno diz não ter tido nenhum familiar próximo ligado à música. No entanto conta que o pai fazia serenatas à mãe em cima de uma árvore ao som do kissanji.

Fonte: JA


Um abraço
Fernando Pereira