sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
George Harrison - All Things Must Pass

Assim, "All Things Must Pass" pode ser considerado "um álbum com as canções de Harrison que não tiveram espaço nos discos dos Beatles".
"Isn't It a Pity?", composta em 1966, por exemplo, foi uma das canções oferecidas por Harrison para entrar num dos álbuns dos Beatles, mas que acabou por ser recusada. Durante as sessões de gravação de "Get Back", em Janeiro de 1969, outras músicas de Harrison foram recusadas, como "All Things Must Pass", "Hear Me Lord" e "Let It Down". O tempo veio a mostrar que Lennon e McCartney erraram, não só pela qualidade das faixas de "All Things Must Pass", mas também pelo facto de o álbum ter alcançado a platina sêxtupla, tornando-se o álbum mais vendido de um Beatle em carreira solo.
Na verdade, George Harrison compôs belíssimas canções que foram gravadas pela sua ex-banda, como "Something" (que Frank Sinatra dizia ser a canção de amor mais bonita do mundo), "While My Guitar Gently Weeps" e "Here Comes The Sun". Mas, com as personalidades (e o talento) de John Lennon e Paul McCartney, o guitarrista acabou por se conter, e ficar em segundo plano nos Beatles.
Sem os antigos companheiros, Harrison juntou um grupo de musicos, do melhor que havia na época, para gravar "All Things Must Pass", como Eric Clapton (que não teve o seu nome creditado na capa do álbum, porque pertencia ao elenco de uma gravadora diferente), Billy Preston, e Jim Gordon. O ex-Beatle Ringo Starr também participou e, segundo Harrison, tocou de 50 a 60% do disco. Phil Collins, dos Genesis, tocou congas em "Art Of Dying".
Produzido por Phil Spector, "All Things Must Pass" começou a ser gravado no estúdio de Abbey Road, poucos meses após a separação dos Beatles. O disco foi lançado em 1970, em formato triplo, tornando-se o primeiro álbum triplo de um artista solo na história. da música. Os dois primeiros discos traziam as canções ditas "oficiais", e o terceiro, intitulado "Apple Jam", era composto exclusivamente por "jam sessions" de Harrison ao lado de amigos.
No álbum, o guitarrista pôde mostrar o seu lado mais filosófico e espiritual, através de letras como as de "My Sweet Lord", "What Is Life" e "I Dig Love". Mas apesar da tranquilidade aparente das letras, a gravação de "All Things Must Pass" não foi das mais fáceis.
Algumas das sessões eram bastante longas. A preparação do som e dos arranjos, foi bastante demorada, pois Phil Spector, cria deixara o seu "Wall of Sound", bem vincado neste trabalho, para o que chegaram a ter dois ou três percussionistas, dois bateristas, quatro ou cinco violões, dois pianos e até mesmo dois baixos em apenas uma única faixa. As canções foram repetidas várias vezes, até que os arranjos ficassem prontos e o engenheiro na sala de controle, ao lado de Spector, conseguisse captar o som. A maioria das canções estava virtualmente viva", escreveu George Harrison na capa da edição comemorativa dos 30 anos do lançamento do disco, poucos meses antes de sua morte.
O maior sucesso do álbum foi, sem dúvidas, "My Sweet Lord", que começou a ser escrita durante uma tourné de Harrison com Delaney & Bonnie, no final de 1969. Entretanto, a canção acabou por dar uma grande dor de cabeça a George Harrison, pois foi foi processado pela banda The Chiffons, que alegava que o sucesso de Harrison era plágio da sua canção "He's So Fine", lançada em 1963. Mas o juiz acabou por decidir, que houve apenas uma cópia sem intenção por parte do guitarrista.
Além do gospel-rock "My Sweet Lord", fizeram igualmente muito sucesso, a faixa-título (uma pungente balada com ecos de blues), "Beware Of Darkness" (que lembra "While My Guitar Gently Weeps" e, que, assim como sucesso do "Álbum Branco", conta com um belo solo de guitarra de Eric Clapton) e "Isn't It a Pitty", aquela que os Beatles dispensaram.
A faixa de abertura, a balada "I'd Have You Anytime", é uma parceria de George Harrison com Bob Dylan, composta em 1968. Harrison ainda homenageou o amigo (com quem, mais tarde, veio a formar o supergrupo Traveling Wilburys), com uma versão para a música "If Not For You", que o compositor tinha acabado de lançar em seu álbum "New Morning". Reza a lenda que John Lennon teria participado da gravação desta faixa.
"All Things Must Pass" ficou em primeiro lugar nas listas de discos do Reino Unido por um período de oito semanas consecutivas. Na norte-americana foram mais sete semanas. Em 2003, a Rolling Stone incluiu "All Things Must Pass" na sua lista dos 500 discos mais importantes de todos os tempos. O álbum ficou na 437ª posição. Muito pouco para esta obra-prima…
Faixas:
1) I'd Have You Anytime
2) My Sweet Lord
3) Wah-Wah
4) Isn't It a Pity
5) What Is Life
6) If Not For You
7) Behind That Locked Door
8) Let It Down
9) Run Of The Mill
10) Beware Of Darkness
11) Apple Scruffs
12) Ballad Of a Sir Frankie Crisp (Let It Roll)
13) Awaiting On You All
14) All Things Must Pass
15) I Dig Love
16) Art Of Dying
17) Isn't It a Pity (Version Two)
18) Hear Me Lord
Por: Luiz Felipe Carneiro, na Esquina da Música
sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
"Rehab" é a música mais influente da década

A lista dos temas, traz estilos diferentes e não foi escolhida por meio de avaliação crítica - e tampouco é um rol de hits conhecidos, como informa a reportagem. Segundo a publicação, são "as músicas universais que entraram para a cultura popular e que viriam a transformar-se, em temas de referência das nossas vidas".
Graças "Rehab", Winehouse conquistou três Grammy, em 2008, nas categorias de gravação do ano, melhor canção do ano e melhor performance pop feminina. Na mesma edição deste evento, a artista recebeu outras duas estatuetas, de melhor artista revelação e melhor disco pop.
"Rehab", é autobiográfica. Nela, Winehouse diz que não quer ir para a reabilitação, e que não vai mais beber.É do conhecimento publico,que a cantora, se tornou no alvo preferido dos mídia,dado o abuso de drogas, comum no dia a dia de Amy.
Em segundo lugar na lista, aparece a banda inglesa Arctic Monkyes, com "I Bet You Look Good On The Dancefloor", faixa que também foi o primeiro sucesso do quarteto nas listas de vendas. O top cinco tem ainda "Crazy In Love", de Beyoncé, "Yellow", do Coldplay, e "Paper Planes", da cantora M.I.A., da banda sonora do filme Quem Quer Ser um Milionário?.
Black Eyed Peas, 50 Cent, Lady Gaga, Radiohead, Green Day, Madonna, Daft Punk e Jay-Z são alguns dos outros nomes que também são mencionados na lista.
A cantora Dido ficou na última posição, com "Thank You", lançada em 2001. Para conferir a relação inteira, cliquem aqui.
Este é o top 10 da lista:
1 - "Rehab" - Amy Winehouse
2 - "I Bet You Look Good On The Dancefloor" - Arctic Monkeys
3 - "Crazy In Love" - Beyoncé
4 - "Yellow" - Coldplay
5 - "Paper Planes" - M.I.A.
6 - "Bleeding Love" - Leona Lewis
7 - "Hurt" - Johnny Cash
8 - "Seven Nation Army" - The White Stripes
9 - "Can't Get You Out of My Head" - Kylie Minogue
10 - "Hey Ya" - Outkast
quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Lizzie Bravo, a esperança de óculos

A faixa foi incluída na colectânea “No one’s gonna change our world”, no álbum “Rarities” e no segundo volume do disco “Past Masters”, dos Beatles - outra versão da música aparece no álbum "Let it be", lançado em 1970.
Em 4 de Fevereiro de 2008, exactamente 40 anos depois, a Nasa lançou a música no espaço, pela primeira vez na história da humanidade.
A então adolescente carioca não imaginava o quanto a sua vida mudaria depois de uma sessão do filme “A hard day’s night. Ao sair do cinema, ela já estava contaminada pela beatlemania. Com “Help!”,a segundo longa metragem dos Beatles,não foi diferente.
Em vez de se contentar com as fotos dos Fab Four nas páginas das revistas, a adolescente pediu aos pais uma viagem como presente,no dia em que completou os seus 15 anos, e foi para Londres em Fevereiro de 1967, sabendo que não voltaria a casa tão cedo.
“As pessoas ainda hoje não acreditam que se podia chegar perto deles”, conta Lizzie, que fazia parte de um grupo de fãs que frequentavam diariamente a porta dos estúdios da Abbey Road.
“Era um convívio diário”, diz. A nossa amizade foi sendo conquistada na base de bom comportamento até que, em Fevereiro de 1968, Lizzie e as suas amigas estavam atrás de uma porta de vidro no momento em que Paul saiu da sala e perguntou se alguém ali conseguiria sustentar uma nota aguda. A jovem, que fazia parte do coral do colégio,candidatou-se, levando com ela a sua amiga inglesa Gayleen Peese.
No estúdio estavam os quatro Beatles, o produtor George Martin, Mal Evans, Neil Aspinal, além do técnico de som e do seu ajudante. Eles precisavam de uma voz aguda para um coro de “Across the universe”.
“Foi bom nós estarmos calmas, porque senão nem teríamos gravado, eles teriam nos mandado embora do estúdio”, lembra Lizzie, que passou cerca de duas horas e meia ali e não recebeu qualquer pagamento pela sua participação no disco.
“Ficou um ambiente calmo, foi fantástico. Não tirei a minha câmera fotográfica da bolsa para fotografar, não pedi autógrafos, todas aquelas coisas que eu fazia no dia-a-dia, porque eu tive a consciência de que aquele era um momento único. Estava participando de uma gravação com os quatro Beatles ao mesmo tempo,com eles tocando ao vivo”, conta.
Uma das características do quarteto de Liverpool, segundo Lizzie, era o humor.
“Faziam muitas brincadeiras, contavam muitas anedotas. Durante a gravação, de vez em quando alguém dizia uma frase e todos os outros começava a tocar.Então aquela frase, por muito má que fosse, de repente transformava-se numa canção”, lembra.
“Eu tinha 16 anos e fiquei deslumbrada, mas só tive a noção do que realmente me acontecera, muito tempo depois. Eu cantei no mesmo microfone com o John Lennon,e depois com o Paul McCartney. Ter saído do Rio de Janeiro, onde eu morava, e ir para Londres cantar com um ídolo, é surreal. Quando ouvi a mimha voz na versão remasterizada, fiquei toda arrepiada.Não ouço Beatles a toda hora, mas quando oiço as músicas deles passa um filmezinho na minha cabeça.”
Dependendo da disponibilidade dos Fab Four, os temas das conversas com as jovens variavam.
“Quando Paul lia coisas sobre o Brasil no jornal, ele vinha, contava: ‘tem enchente no Rio de Janeiro’.”
Os Beatles, aliás,receberam de Lizzie revistas sobre o Brasil e LPs de bossa nova, como um exemplar de “Os Sambeatles”, do Manfredo Fest Trio.
“Os Rolling Stones costumavam passar por lá antes de sair com os Beatles para a 'night'. Vi até o Brian Jones [que morreu em julho de 1969].”
Em troca de tanta dedicação, as fãs receberam do guitarrista George Harrison a canção “Apple scruffs”, que foi incluída no disco solo “All things must pass”.
Na faixa, o músico canta e toca acompanhado por Bob Dylan na harmónica. A letra diz:
“Vejo vocês aí sentadas / Quem passa olha espantado / Como se vocês não tivessem pra onde ir / Mas eles não sabem nada sobre as Apple Scruffs / Vocês estão aí há anos /
Vendo meus sorrisos e tocando minhas lágrimas / Faz tanto, tanto tempo / E eu sempre penso em vocês, minhas Apple Scruffs / Apple Scruffs, Apple Scruffs /Como eu amo vocês, como eu amo vocês”.
Lizzie explica o significado da homenagem.
“As secretárias da Apple eram muito chiques, todas produzidas, e nós era-mos muito crianças e não tinha-mos dinheiro para nos vestir-mos com aquele esmero.
Era bem evidente que elas trabalhavam do lado de dentro e nós ficava-mos do lado de fora”, conta Lizzie. “Fã é sempre visto de uma forma meio pejorativa e esse tema foi uma demonstração de muito carinho. Eles sempre foram muito atenciosos connosco.”
“É interessante pensar que existe um pouco da Penha, onde eu nasci, no catálogo dos Beatles”, observa.
“É uma adolescente Brasileira que está ali. Achei significativo termos ido para o espaço - os Beatles não foram sozinhos, eles levaram duas fãs.”
Só de Lennon, o seu favorito, Lizzie possui 16 autógrafos.
“Fui criticada por certos fãs por ter vendido algumas coisas da minha colecção, mas prefiro lembrar-me do momento.”
Para Lizzie, a separação do grupo, alguns anos depois, não a surpreendeu.
“O ambiente entre eles foi piorando até a dissolução, mas eu ainda assisti, a uma grande fase, em que eles estavam muito juntos. Depois nós começámos a perceber algo de diferente, era óbvio. Eles passaram a não ir mais juntos ao estúdio, a gravar separados, o clima mudou. Estavam todos casados, com filhos, a vida muda.Foi uma conjugação de factores. Acabou sendo positivo, porque eles terminaram no auge.”
Boa parte das memórias de Lizzie Bravo devem sair num livro, ainda sem data de lançamento, com mais de 100 fotos inéditas e trechos de seus diários de adolescente.
“São coisas muito singelas mesmo,de meninas e seus ídolos. Quando olho para as fotos penso que elas não são só minhas.”
terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Cat Islam, de volta á estrada.

Convertido ao islamismo em 1979, abandonou aí uma carreira que o tornara um dos nomes mais cintilantes do estrelato pop da década de 1970.Em 2006, fomos surpreendidos por "An Other Cup", o seu álbum de regresso.
Já este ano, chegou um novo disco,"Roadsinger", e com ele a ideia de um musical sobre a sua vida peculiar. De título "Moonshadow", o mesmo de um dos seus clássicos, prevê-se que estreie no início de 2010.
E, de facto, muito haverá para contar sobre aquele que em 1966, quando era adolescente de voz colocada e ar de "mod" elegante, irrompeu pela cena pop britânica.
Em 1976, de férias em Malibu, Cat Stevens foi dar um mergulho no mar californiano. Tinha sobrevivido à sua primeira morte artística quase uma década antes, quando, aos dezanove anos, acabou a vida de estrelato pop, de sexo, drogas, rock"n"roll e noites longas animadas pela companhia dos amigos íntimos Paul McCartney e Pete Townshend.
Uma tuberculose atirou-o para um asilo durante quatro meses, mais um ano foi passado em recuperação e, quando regressou, Cat Stevens já deixara para trás a imagem de quebra corações em fato de bom recorte, deixara para trás a pop de orquestrações opulentas que lhe conhecíamos de canções como "Matthew and son".
Naquele dia de 1976 em que foi dar um mergulho numa praia de Malibu, Cat Stevens já era esse outro, que nasceu depois da tuberculose: novamente mega estrela, mas com uma carreira que assentava em "trovadorismo de cantautor", qual psicanalista diagnosticando as ansiedades da sua geração com voz suave e barba de profeta - digamos que, em canções como "Peace train",ou "Morning has broken", acariciava uma geração à procura de respostas dos gurus, de guitarra em punho.
Em Malibu, Cat Stevens nadou e ficou preso nas fortes correntes do Pacífico. Lutou para regressar a terra, mas o mar puxou-o para longe.
Em desespero, contaria depois, gritou:
"Oh Deus!, se me salvares, trabalharei para ti".
No segundo seguinte, ergueu-se uma onda que o devolveu à costa. Ele que, nos anos anteriores, procurara no budismo uma resposta espiritual à insatisfação que, dizia, a fama e uma vida luxuosa não diminuíra, encontrou nesse episódio a solução.
Pouco antes, o irmão, regressado de Jerusalém, oferecera-lhe um exemplar do Corão.
Cat Stevens terminava ali a sua segunda vida.
A 23 de Dezembro de 1977, converteu-se oficialmente ao Islão, adoptando o nome Yusuf Islam.
Em Novembro de 1979, deu o seu último concerto.
Pouco depois, reuniu todos os seus instrumentos e leiloou-os.
Casou, abriu uma escola islâmica, tornou-se o mais famoso britânico convertido ao islamismo.
Até que, em 2005, depois de ter passado a década anterior a gravar álbuns infantis e canções devocionais (feitos apenas de voz e percussão), anunciou que voltara a pegar na guitarra e que preparava um álbum de música "secular".
"An Other Cup", de 2006, marcou o regresso.
Na capa lia-se Yusuf Islam, num autocolante nele colado, "o artista anteriormente conhecido como Cat Stevens".
A partir daí, aos olhos do público, renascia a sua carreira enquanto músico. Deu concertos, recuperou as suas velhas canções e editou em Maio deste ano um segundo álbum como Yusuf Islam, intitulado, "Roadsingere" que, mais despido e intimista que o seu antecessor, comparou a "Tea For The Tillerman"(1970), um dos mais momentos mais marcantes da sua discografia. Agora, há a digressão de quatro datas e o anúncio de um musical. Comparando a música que fazia antes, quando era Cat, e a que faz agora que é Yusuf, declarou em Maio passado ao Guardian: "Antes, escrevia sobre andar na estrada à procura de qualquer coisa. Ainda estou a escrever sobre essa viagem, mas agora tenho o luxo de ter um pequeno mapa no bolso".
O mapa, presumiu o jornalista doGuardian e presumimos nós, é o Corão.
Filho de um grego ortodoxo e de uma sueca protestante luterana, Yusuf Islam, que nasceu Steven Georgiou em 1948, em Londres, e cresceu no Soho, bem no coração do centro de teatros e entretenimento da capital inglesa - em pequeno, tinha por hábito subir ao telhado de sua casa para ver todas aquelas luzes e ouvir o rumor dos musicais subir das salas abaixo -, é hoje um dos mais destacados membros da comunidade islâmica londrina.
Benemérito, cede milhões por ano a caridade. Fundou a Small Kindness, associação que apoia órfãos e famílias necessitadas dos Balcãs ao Iraque e gere desde 1981 aquelas que se tornariam as primeiras escolas islâmicas britânicas e receber subsídios estatais - depois dos ataques terroristas de 7 de Julho de 2005, Tony Blair convocou-o para que reunisse um comité de aconselhamento do governo na questão do extremismo e desenraizamento da juventude muçulmana inglesa.
Porém, apesar da sua intensa actividade de beneficência e das várias distinções pelo trabalho no estabelecimento de pontes de compreensão inter-religiosas, o nome Yusuf Islam não tem escapado à polémica - quer como réu, quer como vítima.
Em 1989, ateou a polémica que envolveu o lançamento de Versículos Satânicos, de Salman Rushdie, ao considerar que a pena inscrita no Corão para uma ofensa a Maomé era,precisamente, a morte. Apesar de, posteriormente, ter afirmado que ele próprio, individualmente, não apoiava afatwa, lançada sobre o escritor pelo ayatollah Khomeini, justificando que dera tal resposta como estudioso principiante do Corão e que penas semelhantes para tais "crimes" seriam também encontradas na Bíblia, a sua imagem de moderado foi seriamente abalada - nos Estados Unidos, várias rádios deixaram de tocar a sua música e houve quem, sentindo-se traído, saísse à rua para destruir discos de Cat Stevens até então religiosamente guardados em casa.
Um ano depois, viu negada a entrada em Jerusalém pelas autoridades israelitas, que o acusavam de numa visita anterior, em 1988, ter doado dezenas de milhares de dólares ao Hamas, classificado como um grupo terrorista palestiniano - em 2000, fez nova tentativa de chegar à Cidade Santa e foi novamente proibido de o fazer.
No mundo pós-11 de Setembro, de réu passou a vítima. Estávamos em 2004 e Yusuf Islam viajava com a filha (foi pai cinco vezes) até Nashville, onde iria discutir um projecto musical com representantes de uma editora. Antes de chegar ao destino, Washington, o avião fez um desvio inesperado, aterrando naquilo que Islam, num artigo assinado para o Guardian, descreveu como um "aeroporto fantasma". Levados, ele e filha, para salas separadas, foram interrogados durante horas por agentes do FBI.
"Trataram-nos bem", escreveu, "mas havia uma dúvida insuportável a ecoar na minha mente: "Porquê?" Ninguém conseguia responder a essa questão".
Passadas algumas horas, a sua filha foi autorizada a seguir viagem. Quanto a ele, negada a entrada nos Estados Unidos pelo "desenvolvimento de actividades que poderão, potencialmente, estar ligadas a terrorismo", como justificou na altura à ABC um porta-voz da Segurança Interna americana (ainda a questão Hamas), foi conduzido até Boston e, no dia seguinte, repatriado para Inglaterra.
Regressaria aos Estados Unidos dois anos depois, já riscado da lista de potenciais terroristas ou apoiantes de terrorismo, para promover "An Other Cup".
Yusuf Islam, que voltou a pegar na guitarra depois do filho Mohammed, que mantinha, às escondidas do pai uma embrionária carreira musical, surgir em casa com uma, continua a desenvolver o seu trabalho de beneficência, mantém-se um muçulmano devoto que divide a sua vida entre a Londres natal e o Dubai, estado que considera exemplo de futuro para os países islâmicos.
Na biografia incluída no seu site oficial, diz-se numa posição única:
"Um espelho através do qual os muçulmanos podem ver o Ocidente e o Ocidente pode ver o Islão. É importante para mim ser capaz de ajudar a construir pontes sobre as barreiras culturais que outros têm por vezes receio de ultrapassar".
Agora, três décadas depois, é pela música que voltamos a ouvir Yusuf Islam, o artista anteriormente conhecido como Cat Stevens.
Prova-o a última polémica que o envolveu, quando acusou os Coldplay de, em Viva la vida, terem plagiado a sua "Foreigner suite", editada em 1973. Perdoou-os no mesmo momento:
"Não acho que o tenham feito de propósito. Eu próprio já me copiei sem o saber", declarou à imprensa britânica.
Pouco tempo depois, a World Entertainment News Network divulgou uma notícia que o acusava de misoginia, de não se dirigir a mulheres que não vestissem o véu islâmico. A agência foi alvo de um processo judicial, Yusuf Islam ganhou-o e doou a indemnização a instituições de caridade.
Agora que Yusuf Islam voltou a cantar como Cat Stevens, uma coisa daquelas nem atinge o estatuto de polémica.
Por Mário Lopes, no I
segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Polanski, preso ao fim de 31 anos.

Polanski, de 76 anos, foi preso no sábado quando viajava para a Suíça para o Festival de Cinema de Zurique, aonde está a ser realizada uma retrospectiva da sua carreira.
Em 1977, nos Estados Unidos, ele admitiu ter mantido relações sexuais com uma jovem de 13 anos, o que é ilegal, mas fugiu para França antes de receber a sentença. Sem pisar terras americanas desde então, Polanski, recebeu à distância o Óscar de melhor filme pela obra "O Pianista", de 2002, que conta as memórias de um músico judeu em plena ocupação nazi de Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial.
Inicialmente indiciado por seis delitos sexuais, entre os quais pedofilia, o realizador, pode ter de enfrentar o resto da sua vida na prisão, se condenado.
A vítima no centro do caso, Samantha Geimer, hoje casada e com filhos, já pediu que as acusações contra Polanski sejam retiradas. Diz ainda, que a insistência da Justiça para que Polanski compareça perante um juiz americano é uma "piada cruel".
No início deste ano, um magistrado americano afirmou que houve má conduta do juiz original do caso, hoje falecido, mas determinou que Polanski deve voltar aos Estados Unidos para pedir a anulação do caso.
Com medo de ser julgado pela Justiça americana, Roman Polanski, já evitou inclusive, filmar as suas obras na Grã-Bretanha, que, como a Suíça, tem acordos de extradição com os EUA.
sábado, 26 de Setembro de 2009
O LP dos Beatles, Abbey Road, completa 40 anos

No dia 26 de Setembro de 1969, as lojas do Reino Unido foram abastecidas com Abbey Road, o 12º álbum de estúdio e último a ser gravado pelo quarteto.
Produzido e orquestrado por George Martin, popularmente reconhecido como o "quinto Beatle", o disco é o penúltimo lançamento dos Fab Four, antes de Let It Be, lançado em 1970 (mas gravado antes do Abbey Road).
Na sua versão original em vinil, Abbey Road possui dois lados de estilos diferentes, como forma de agradar a McCartney e Lennon.
Quinze faixas, totalizando 47 minutos e 24 segundos, foram compiladas com novos recursos tecnológicos surgidos naquele período - entre eles, a possibilidade de juntar oito canais de áudio (antes, eram usados apenas quatro) e o uso do sintetizador Moog (que permitia a produção de sons de forma eletrônica).
A distribuição, na primeira edição, trazia o lado A dedicado a Lennon, enquanto seu oposto era destinado a Macca - com canções mais curtas e quase ininterruptas.
De entre todas as composições, o guitarrista George Harrison finalmente "metia" dois hits,diria mesmo, eternos, entre as composições da dupla Lennon/McCartney: "Here Comes the Sun" e "Something".
Ringo Starr, por outro lado, conseguiu carimbar LP, com "Octopus's Garden".
No conceito original do disco, "The End" seria a última música a figurar na lista, porém, o álbum ainda teria uma outra canção, criada por Macca.
"Her Majesty", de apenas 23 segundos, havia sido posicionada entre "Mean Mr. Mustard" e "Polythene Pam", mas o músico não gostou do resultado e ordenou que a retirassem do conjunto. No entanto, John Kurlander, um dos engenheiros de som que trabalhou no disco, instruído a nunca se desfazer de nada dos Beatles, reposicionou a canção após 14 segundos do, de "The End". A decisão depois foi aprovada por todos os elementos da banda.
No disco, ainda aparecem "Come Together", "Maxwell's Silver Hammer", "Oh! Darling", "I Want You (She's So Heavy)" e "Because".
O título, por sua vez, foi inspirado no nome da rua onde ficam os estúdios Abbey Road, templo musical para a banda durante praticamente toda sua carreira. Antes de definirem o nome, porém, os Fab, pensaram em titular o disco, Everest, numa referência à marca de cigarros que o engenheiro de som Geoff Emerick fumava durante todas as sessões de gravação. Os Beatles, chegaram a pensar em viajar até á montanha mais alta do mundo para fazer a foto da capa.
Tirada numa única sessão de cerca de quinze minutos, a foto que ilustra Abbey Road transformou-se num ícone na carreira dos Beatles e na cultura pop. A imagem, feita por Iain Macmillan, perto do estúdio onde a banda gravava, regista a manhã do dia 8 de Agosto de 1969, em pleno verão londrino, na esquina das ruas Abbey Road e Grove End.
De seis fotos, McCartney foi quem escolheu a definitiva.
Curiosamente, Paul foi motivo de uma lenda, criada em cima da imagem, de que ele estaria morto na época do lançamento do disco. Há quem acredite que Macca teria sido vítima de um acidente de moto em 1966: diversos indícios na foto revelariam o ocorrido, a começar pelo facto do músico estar descalço, de olhos fechados, com o passo trocado relativamente aos outros colegas e segurando um cigarro com a mão direita (McCartney é canhoto).
Há igualmente quem acredite, e garante a pés juntos,que as letras "LMW" na placa do Volkswagen amarelo, que aparece na imagem representariam a frase "Linda McCartney Widow" (ou seja,Linda McCartney - sua esposa na época - Viúva).
Outra hipótese levantada diz que cada integrante representa um participante no funeral de Macca: John seria o padre (vestido de branco, com os cabelos compridos e barba), Ringo o responsável pela cerimônia (de fato preto), Paul o próprio cadáver (vestido a preceito e pés descalços, como um corpo dentro de um caixão) e George o coveiro (vestindo jeans e uma camisa comum).
Há quem diga ainda que um segundo automóvel negro estacionado na rua, no momento da foto, seria um modelo típico usado em funerais. O grupo, em movimento, também estaria andando em direção a um cemitério próximo a Abbey Road.
Rumores à parte, a imagem traz um quinto homem, de pé, no passeio à direita. Posteriormente, estee foi reconhecido como Paul Cole, um turista norte-americano que só descobriu a sua presença na foto, quando viu a capa do disco, meses depois.
Com tanta história nesta rua, é de se compreender que a placa indicando o nome da via tenha sido retirada pela prefeitura de Londres em 2007 para evitar roubos e os grafitti constantes. Uma última unidade do sinal de Abbey Road está a ser leiloada no site do eBay. O dinheiro apurado com a compra, será usado na rede local de transportes.
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Michel Polnareff, o exilado.

O seu pai, Leib Polnareff,músico e compositor, teve várias composições suas, interpretados por Edith Piaf, Mouloudji, e os Compagnons de la Chanson, sob o seu pseudónimo artistico, Léo Pollna, na década de 50. Sua mãe Simone Lane, era bailarina.
Portanto, Polnareff,vivia rodeado de música, desde tenra idade, com o seu pai a iniciá-lo na música clássica, fazendo-o ouvir, e interpretar ao piano, os compositores clássicos da época, enquanto a sua mãe, Simone,lhe dava a conhecer temas de Gershwin e Cole Porter.
Naturalmente o pequeno Michel, assumia assim o papel de jovem prodígio, aprendendo a tocar piano aos 5 anos, e aos 11, em 1955, ganhou o seu primeiro prémio em teoria musical, um dos mais prestigiados prémios do Conservatório de Paris.
Criativo, o jovem compositor Michel, tinha como uma das suas maiores paixões, escrever as suas próprias orquestrações de Jazz, para peças clássicas famosas.
Chega então o serviço militar, e Polnareff,com 19 anos, assenta praça em Montluçon, aonde passa sete meses, a cumprir o serviço militar, tocando bombo, na banda do regimento. Quando foi desmobilizado, passou por vários empregos. Primeiro tentou uma agência de seguros, e depois uma agência bancária. Mas o mundo financeiro não era de modo nenhum, a sua praia.
É então que decide, tirar a viola do saco, e passa os dias em Montmarte, vagueando pelas ruas e pelo metro, tocando para os transeuntes, fazendo o que os ingleses chamam de "busking", ou seja, musico de rua. E enquanto ganhava o seu sustento, fazia o que mais gostava. Toca e cantava as suas composições, para um publico aleatório, que parava e se deixava prender pelo seu olhar andrógeno, pelas sua melodias, e o seu cabelo loiro comprido e encaracolado, que servia igualmente de ninho para a sua mascote...Um hamester branco, que passeava pelos ombros de Michel, enquanto este deambulava, pelo seu mundo mágico, de melodias enfeitadas com poemas românticamente desesperados.
Em 1965, Polnareff, participa num concurso, que teve lugar no "Locomotive Club", á época o clube mais "in" da noite Parisiense, e para sua surpresa, ganhou o primeiro prémio, sendo contemplado com o "Disco Revue", e um contrato para gravação de um 45 Rpm, pela Barclay. Mas Michel, que sempre controlou a sua carreira, recusou o contrato com a gravadora, por achar que não estava ainda preparado para assumir as responsabilidades inerentes a essa situação.
Felizmente, o seu grande amigo, desde os tempos de escola, Gerard Woog, apresentou-o a Lucien Morrisse, que viria a ser o seu empresário, e que era o director da famosa estação de rádio Europe 1, que lá convenceu Michel a gravar as suas composições, na AZ Records.
Como era um espírito criativo, inovador, sempre atento ao que o rodeava, Michel, optou por gravar o seu primeiro single, "La poupée qui fait non", em Londres,
aonde os estúdios eram mais bem equipados, com melhores produtores e engenheiros de som, algo que em França, ainda se encontrava em desenvolvimento.
Em Londres, Michel, sentiu-se como peixe na água, tendo trabalhado com vários vários "tubarões" ingleses, nomeadamente, Jimmy Page, ainda a trabalhar como músico de estúdio, enquanto preparava os Led Zeppelin, que em breve iniciariam o seu voo.
"La poupée qui fait non", lançado a 26 de Maio de 1966, foi um sucesso estrondoso, catapultando Michel, para o estrelato mundial, quase de imediato.A ingenuidade transparente das suas melodias, colocou Polnareff, muito á frente dos seus colegas franceses, que apenas se limitavam a copiar o estilo Ié Ié, dos britânicos, sem grande sucesso, levando a colocar o "enfant terrible" dos Gauleses, na linha dos grupos e cantores hippies Americanos.
Essa diferença, de qualidade e estilo, seria definitivamente assumida com o hit seguinte de Michel. "Love Me Please Love Me", lançado em 1966,com a famosa introdução de piano, e com um poema suplicantemente romântico, era Polnareff puro.
Poucos meses após ter despontado no firmamento da pop musica mundial, Michel é agraciado com o prestigiado "Prix critique de la Rose d'Or d'Antibes".
E seguiram-se os sucessos, "Sous quelle étoile suis-je né?" e "L'oiseau de nuit" (1966), "Le rois des fourmis" e "Ame câline" (1967), "Le Bal des lazes" (composto por Pierre Delanoë, em 1968).
Estes sucessos, não foram só em França, atingiram igualmente toda a Europa, com especial referência, na Grã Bertanha, aonde, contra todas as expectativas,os temas de Michel, foram de um modo geral bem recebidos,tendo a imprensa Britânica, famosa pelo seu chauvinismo, classificado Polnareff como sendo um dos mais promissores novos valores na industria musical.
Paralelamente, houve edições de todos os seus discos, em Inglês,Espanhol, e Italiano, o que contribuiu, para aumentar o mito Polnareff, que teve inclusive,no Outono de 1967, um prémio na Alemanha, ao ser votado como o mais popular artista estrangeiro, desse ano,no país da cerveja e das salsichas.
Mas em Setembro de 1967, quando se preparava para a sua primeira actuação no mundialmente prestigiado Olympia de Paris, Michel, cancelou o espectáculo, alegando não ter experiência suficiente, para tamanho desafio. Foi o ponto departida para a imprensa francesa, se focar no fenómeno Polnareff, e nem sempre por causa do seu talento. A maior parte das noticias sobre Michel,tinham a vêr com o seu constante mudar de penteado, ou a sua forma desinibida de vestir. A sociedade Francesa dos anos 60, era incrivelmente conservadora, e o estilo "avant-garde", das actuações do musico, aliado á sua forma de viver, não encaixavam em nenhum dos pré formatados grupos da sociedade Francesa, levando a que os jornalistas, o transformassem no alvo preferido das suas criticas, e fizessem dele o bode expiatório, das incapacidades,e frustrações da sociedade Gaulesa. Por sua vez, Michel, pura e simplesmente ignorava esse criticismo, e continuava a fazer aquilo que lhe dava mais prazer. Numa atitude de rebeldia e provocação, grava o "L'amour avec toi", com a lírica mais explicita possível. O resultado imediato.O tema fosse banido em todas as estações de rádio Francesas, podendo esta ser apenas reproduzida após as 22 Hrs...Mesmo assim a popularidade de Polnareff não parava de crescer. Charles Trenet, ícone da época, não se associou ás criticas dos jornalistas franceses, e elogiava o trabalho de Michel, sendo nisso, secundado por Jean-Louis Barrault,famoso director teatral, que publicamente enaltecia o talento de Polnareff, e em 1968, convida-o a musicar a sua produção "Rabelais", deixando o compositor mais feliz do que nunca, já que esse convite lhe dava a oportunidade de se dedicar á sua actividade preferida, a composição. Na verdade o seu maior sonho, era compor uma peça tipo "West Side Story".
Em 1968, finalmente Polnareff sente-se com a confiança necessária para enfrentar o publico no Oympia de Paris, aonde alcança o merecido aplauso geral, avalizando o seu projecto seguinte. Uma série de gravações dos seus maiores sucessos entre 1969 e 1989. Grava entre outros "Tous les bateaux", o famoso "Dans la maison vide", que havia escrito em parceria com Jean-Loup Dabadie.
Em 1969, compõe a sua primeira banda sonora, para o filme "L'Indiscret" de François Reichenbach. Volta ao OLympia em 1970, nos dias 14, e 15 de Janeiro.
É por esta altura, que muda drásticamente o seu visual, aparecendo em palco com os seus caracóis louros a caírem sobre um par de óculos escuros, com uma gritante armação branca. O uso desses óculos, dão origem a uma série de rumores e suspeições, havendo quem afirmasse que Michel, estava a perder a vista, correndo o sério risco de cegar. Mas nada diso era verdade, e não passava de mais uma campanha da imprensa francesa, que não aceitava a sua aparência extravagante, e o seu modo de vida. Em resposta, Polnareff edita "Je suis un homme", gritando o seu direito a viver como bem lhe aprouvesse, e esperando que a canção acabasse com as especulações acerca da sua sexualidade. Porém o efeito foi o oposto. Cresceram os ataques por parte das revistas cor de rosa, tendo Michel sido atacado em palco, por um espectador mais violento, durante um espectáculo em Périgueux, em Maio desse ano. Todos estes acontecimentos, a que se juntou o suicídio do seu empresário e amigo Lucien Morisse, provocou em Michel uma profunda depressão, que o atirou para a cama de um hospital nos arredores de Paris, aonde foi submetido a uma longa terapia, através do sono induzido. Em consequência, o espectáculo agendado para o Palais des Sports, aonde Polnareff actuaria acompanhado por uma orquestra sinfónica, foi cancelado.Seria internado uma segunda vez, em Janeiro de 1972, de onde sairia em Maio, para realizar uma grande tournée, acompanhado apenas por quatro músicos Escandinavos.
A tournée terminaria em Setembro, e no mês seguinte, Polnareff actuava, por fim, no Palais des Sports,mas apenas como pianista convidado de Johnny Hallyday. Este retribuiria, a cortesia, juntando-se a Polanreff,no palco do Olympia no ano seguinte para interpretar em duo, um medley de clássicos do Rock And Roll.
Nos finais de 1971,concentrou toda a sua energia na composição de mais duas bandas sonoras para os filmes,"Ca n'arrive qu'aux autres", de Nadine Trintignant, e "La Folie des grandeurs", comédia de Gérard Oury, estrelado por Yves Montand e Louis de Funès.
Com a depressão controlada, fazendo exercício físico, Michel conseguiu equilibrar a sua saúde mental, e compõem em 1972, os brilhantes,"Holidays", "La mouche"e "On ira tous au paradis", sendo esta mais uma parceria com Jean-Loup Dabadie. Mas,depois desta bonança, viria mais uma tremenda tempestade.
No Outono de 1972, Michel, deu inicio a uma enorme campanha publicitária que visava o lançamento do seu novo super-show,"Polnarévolution" que teria lugar no Olympia, de 6 a 22 de Outubro de 1972. A campanha publicitária, tinha o seu ponto forte,na colagem de 6.000 posters, por toda a França, nos quais, Michel aparecia de costas, de chapéu óculos brancos e uma camisa, mostrando as suas nádegas, numa nudez provocatória. Como era de esperar rebentou um novo escândalo Polnarefrr, com este a ser conduzido ao tribunal de Paris em 8 de Dezembro de 1972, acusado por prática de "indecente nudez", a ser considerado culpado, a pagar a multa de 10 Francos por cada póster. É claro que o póster, tornou-se num "must" para os coleccionadores, e a publicidade, resultou em pleno. Ao entrar no palco do Olympia de Paris, naquele Outubro de 72, acompanhado pelos Dynastie Crisis, Michel Polnareff, foi recebido por uma estrondosa ovação pelo publico que esgotara a sala mais carismática do mundo. Et Vive Polnareff Libre, poderia ter dito o General Degaulle...Seguiram-se mais duas fantásticas tournées com este "Polnarévolution", uma ao Japão, e outra começada na Polynesia, e terminada na América do Norte, via Oceano Índico.Foi a consagração mundial.
Se Michel controlava toda a sua carreira no que dizia respeito ao lado artístico, o mesmo não se pode dizer em relação ás suas finanças, que ele entregara a Bernard Seneau, homem sem escrúpulos, que com Michel ausente nas tournés, "limpou-lhe" as contas e desapareceu, deixando para traz um rol imenso de dividas principalmente ás finanças francesas, a quem deixou de pagar mais de um milhão de francos. Sob a alçada do fisco, Michel não podia voltar á sua pátria, pois assim que desembarcasse, era logo preso. Então, drásticamente, em 1973, muda-se de armas e bagagens, para Los Angeles, USA, após uma estadia de três meses em Nova York. Ainda por lá se mantém, sem intenções de regressar a França, que tão mal o tratou.
Após um período de descanso e alguns momentos de depressão, devido á morte de sua mãe, Michel assina um contrato coma a Atlantic, em 1974 e edita o seu primeiro álbum no exílio. "Tibilli", sem grande sucesso. Em 1975,edita o single "Jesus for Tonight" retirado do álbum "USA", quase todo cantado em inglês,e entra nas listas dos 45 Rpm, mais vendidos da Bilboard, aonde alcança uma significativa 35ª posição. Seguiu-se uma nova tournée pelo Japão, e em 26 de Outubro, é marcado um mega concerto, a ter lugar na Bélgica, na Forest-National en Bruxelas, organizado pela RTL, já que espectáculos em França, estavam fora de questão, pois Michel era procurado pelas finanças, e seria logo preso ao aterrar em solo francês. A RTL, pôs á disposição de todos os Franceses que quisessem assistir ao espectáculo, numerosos autocarros e comboios que transportaram os milhares de fãs Franceses, que ao chegarem ao local do espectáculo, se depararam com o palco sem a respectiva sonorização,já que os camiões que transportavam todo o sistema de som e luzes, estavam atrasados. Não foi isso que impediu Michel de subir ao palco, aonde improvisou, com o que tinha á mão, um espectáculo acústico, terminado em apoteose, com os milhares de fãs franceses a aplaudirem freneticamente,o seu exilado ídolo.
De volta aos States, compõe mais a banda sonora para o filme "Lipstick", que tinha como actriz principal, Margaux Hemingway, dirigida por Lamont Johnson. O filme foi um flop, mas o tema principal, Lipstick, encaixou-se na onda Disco, que era a grande moda,nos anos 70, e foi um grande sucesso, nas disco nights, em todo o mundo.Em 1977, com as saudades da sua pátria, aonde não poderia ainda retornar, a fazerem estragos no seu intimo, Michel compõem a nostálgica "Lettre à France", que seria pronominatória, já que no ano seguinte, Michel, voltaria a França. Haviam decorridos cinco anos.Conseguiu um acordo judicial, aonde embora o seu contabilista,Bernard Seneau, tivesse sido considerado culpado pela fraude fiscal, Michel teve que pagar a avultado multa, de mais deum um milhão de Francos Franceses, ás finanças.
Aproveitando a sua estadia em França, Michel promove o seu novo álbum, "Coucou me revoilou" - Olá, estou de volta, tradução livre - que apesar dos sucessos de,"Lettre à France" e "Une simple Mélodie", singles retirados do álbum, este, não originou, nada de maior relevância.
Em 1979, faz a sua quarta, e última tournée ao Japão, aonde mais uma vez tem enorme sucesso junto dos seus fãs Japoneses.
Dois anos depois, 1981, edita o seu álbum,"Bulles", que vendeu mais de um milhão de cópias.
Com um som muito eighties, utilizando pela primeira vez, caixas de ritmo, e com uma enorme preponderância de sintetizadores, originou uma série de singles tais como "Tam Tam" e o famoso "Radio".
Apesar do seu exílio forçado, o publico Francês, manteve-se sempre fiel á musica de Polnareff, e as vendas de "Bulles", foram extraordinárias, o que o levou a gravar um concerto especial, para a televisão Francesa, durante o qual, Michel tocou temas do seu novo álbum ,"Telé 82".
Em 1984, Polnareff compõem mais uma banda sonora para a comédia, "La vengeance du serpent à plumes", de Gérard Oury, estrelada pelo grande comediante Francês, Coluche.
Em 1985, é lançado o álbum "Incognito". São retirados dois singles, "Dans la rue" e "Viens te faire chahuter", mas as vendas são modestas, nada comparáveis ao anterior "Bulles". Talvez por isso mesmo, em Junho de 1989, é editado o single, "Goodbye Marylou". A partir daí Michel desaparece da sena musical,de Los Angeles, e a imprensa da especialidade, especula, e lança boatos, noticiando que Michel Polnareff está gravemente doente, ou então que se terá retirado para um local secreto. Na verdade, Michel estava em França, hospedado no luxuoso Hotel Royal Monceau, aonde se instalou numa enorme suite, a numero 128, que transformou em estúdio, e aonde ao mesmo tempo que promove festas com os seus amigos de longa data e que com quem não convivia, havia muito tempo, grava o seu novo álbum,"Kama Sutra", com o produtor Inglês Ben Rogan, e tendo Mike Oldfield, - o mesmo do "Tubular Bells" - nas guitarras. "Kama Sutra", é lançado em 18 de Julho de 1990, e nele é incluído o hit single " Goodbye Marylou" - editado anteriormente - e que contribui para que o álbum seja um enorme sucesso de vendas, já que o tema passa a ser o de maior sucesso em toda a sua carreira. São ainda lançados os singles "LNAHO", "Toi et moi", bem com a faixa que dá o nome ao álbum, "Kama Sutra".
Em Outubro de 1994, três meses antes de completar 50 anos, Polnareff é operado ás cataratas, já que este problema se agravara de tal forma, que quase cegava.
Volta aos USA, em 1995, fixa-se em L.A., e dedica-se a produzir o seu próximo concerto, que acaba por acontecer a 27 Setembro de 1995, no famoso Roxy, em Sunset Boulevard. Acompanhado por, Alex Acuna dos Weather Report, na percussão, Sam Sims no baixo, e Dick Smith na guitarra, Polnareff percorre toda a sua carreira musical, com novos arranjos dos seus sucessos do passado ao presente.
"Polnareff par Polnareff", foi o nome escolhido para a sua autobiografia, escrita com a colaboração do jornalista, Philippe Manœuvre, e posta a venda em Novembro de 2004, sendo logo á partida um best seller, indicando que o fascínio do publico Francês por Michel, se mantinha inabalável.
Em 12 de Março de 2006, Michel Polnareff, aparece no noticiário das 8 das estações televisiveis, da rede nacional, anunciando o seu tão esperado concerto em França.
Será de 2 a 14 de Março de 2007, no Bercy stadium, em Paris. As linhas telefónicas, e a Internet, "crasharam" sob a avalanche de pedidos de bilhetes para o evento. Foram vendidos 100.000 bilhetes, esgotando no espaço de poucos dias, a lotaçaõ para todos os dias do concerto.Foi considerado o Evento Musical do Ano, em França.
Em 17 de Março de 2007, Michel Polnareff é agraciado com a "Victoire d'honneur", pelo governo Francês, homenageando assim a carreira musical do seu filho pródigo, agora acolhido ternamente nos braços da arrependida Mãe Pátria.
Et Vive La France.
quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Filha de John Phillips, dos Mamas and Papas, confessa incesto com o seu pai
Mackenzie Phillips, filha de John Phillips, líder da banda norte-americana "The Mamas & The Papas", confessou que manteve relações sexuais com o seu pai, e que ele a introduziu no mundo das drogas, segundo a revista People.Mackenzie, de 49 anos, antiga estrela adolescente da série "One day at a time", exibida de 1975 a 1984, e ex-viciada em drogas - presa em 2008 por posse de heroína e cocaína -, decidiu revelar o seu passado no livro "High on arrival”, que será posto á venda, hoje, quarta-feira, 23 de Setembro de 2009, nas livrarias dos Estados Unidos.
Em tom autobiográfico, Mackenzie conta o como seu pai, John , responsável por sucessos musicais dos anos 60 como "California dreamin'" e "Monday monday",abusou sexualmente dela quando ambos estavam sob a influência de drogas.
"Meu pai era um homem que não conhecia limites. Era cheio de amor e viciado em drogas. Acordei uma noite após estar inconsciente, dado o consumo exagerado de drogas e fiquei completamente surpreendida, por estar a fazer sexo com o meu próprio pai", disse Mackenzie, que não sabe dizer quantas vezes isso se repetiu.
Mackenzie perdeu o controle da sua vida em 1980, quando foi despedida do programa de TV por se víciada em drogas, e chegou a frequentar um Centro de Reabilitação com o seu pai.
Durante esse período, o incesto era algo consentido.
"Eu era um fragmento de pessoa e o meu segredo isolava-me”, escreveu ela no livro, no qual contou como o seu pai propôs fugir para um país que aceitasse tais práticas.
"Talvez em Fiji", disse, referindo-se às palavras de seu pai, que ela afirma não odiar.
Mackenzie declarou que teve relações sexuais com o seu progenitor, na noite da véspera de seu casamento, quando ela tinha 19 anos e estava noiva de Jeff Sessler, quando, estava em turnée com os Rolling Stones em 1979.
A autora explicou ainda que foi o seu pai quem a apresentou ao mundo das drogas e foi ele quem injetou a sua primeira dose de cocaína, declarou na entrevista dada a Oprah Winfrey e publicada no site da revista "US Weekly".
Mackenzie também indicou que na sua juventude, o vocalista dos Rolling Stones Mick Jagger tentou seduzi-la.
John Phillips morreu em 2001, aos 65 anos, vítima de um ataque cardíaco em Los Angeles.
segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
"The Beatles: Rock Band": Não dá para errar.
Mas agora, que os jogos até têm musica dos Beatles, estou a pensar, em começar a guerrear aqui em casa com os meus "Kaninas", pela posse dos ditos comandos.
Ainda por cima, todos aqueles com quem falo, e que se interessam pelo assunto, já compraram, ou vão comprar, o "The Beatles-RockBand".
Agora a machadada final, foi-me dada pelo, Luiz Felipe Carneiro, com este post na esquina da música do SRZD. Enquanto vocês o lêm, eu vou ali comprar o dito. Divirtam-se.
"Resisti durante muito tempo à febre de jogos como "Guitar Hero" e "Rock Band". Aquela coisa de ficar apertando teclas coloridas numa guitarra de plástico pode parecer complicada para uma pessoa que, além de não ter a mínima coordenação motora, sofre de problemas na coluna. Mas confesso que fiquei entusiasmado no dia em que arrisquei. Muita gente diz que os fãs desse tipo de jogo deveriam aprender a tocar um instrumento de verdade ao invés de ficar apertando botões coloridos.
Na minha opinião, isso é tolice. Seria a mesma coisa que dizer que o fã de "Winning Eleven" deve jogar futebol na rua ao invés de ficar na frente do computador ou do PlayStation. Assim como é agradável ter a oportunidade de jogar com um Kaká ou um Cristiano Ronaldo, podem ter certeza que também é muito divertido, tocar como o Slash ou como o Kurt Cobain.
Mas nada pode dar mais gozo a um fã de música do que tocar na "pele" de John Lennon, George Harrison, Paul McCartney e Ringo Starr.
"The Beatles: Rock Band" mostrou porque era o jogo mais esperado de todos os tempos. O video é um verdadeiro museu dos Beatles. Cada música corresponde a uma espécie de videoclipe, desde as seminais apresentações no apertado Cavern Club até ao show final no telhado da Apple. E não esquecer, o Shea Stadium, Budokan, Ed Sullivan... As canções que jamais foram interpretadas em shows pelos Beatles ganharam "estilosos" videoclipes.
Durante o fim de semana, fiz de John Lennon e George Harrison (deixei Paul McCartney e Ringo Starr para depois) em frente á televisão. De caras, notei duas coisas que acontecem neste jogo.
Em primeiro lugar, a alegria que uma música dos Beatles é capaz de proporcionar. Lógico que sempre soube disso. Mas, acreditem, munido desses instrumentos de plástico, a sensação é muito melhor.
Em segundo lugar, e mais importante, cheguei à conclusão de que não dá para errar no jogo.
Pode-se, errar um trecho do solo de "Sultans Of Swing", dos Dire Straits, ou no solo de guitarra de "Run To The Hills", dos Iron Maiden.
Mas música dos Beatles não dá para errar. É como se fosse um pecado!"
domingo, 20 de Setembro de 2009
Paul, é o mais querido pelo público, nos USA.

Paul McCartney encabeçou a lista dos Beatles favoritos nos EUA, mas quase um quarto dos entrevistados disse não gostar dos Fab Four.
Além disso, três por cento dos 4.837 adultos norte-americanos consultados na pesquisa disseram não conhecer a música dos Beatles suficientemente bem para se pronunciarem sobre o grupo.
Quase 30% dos entrevistados escolheram McCartney, em comparação com 16% que escolheram John Lennon, 10% que optaram por George Harrison e 9%, Ringo Starr.
"Os norte-americanos acima dos 30 anos, gostam de Paul", disse John Zogby, presidente da Zogby International, que realizou a pesquisa.
"Devem ser as balada de amor e sobretudo 'Yesterday',compostas por Paul,que influenciaram os entrevistados, a decidirem, que McCartney é o mais popular dos quatro rapazes de LIverpool. Zogby opinou ainda, que a popularidade de McCartney, se deve igualmente à sua aparência, á sua longevidade e ao facto de ainda estar activo no mundo da música.
"Há um outro dado interessante a reter. John Lennon, é o mais votado pelas pessoas que nunca vão à igreja", acrescentou ele.
Os Beatles estão a passar por um renascimento nas listas de vendas de CDs, graças ao relançamento dos álbuns remasterizados do grupo, considerado como sendi a banda, mais bem sucedida de todos os tempos.
Os 22% que disseram não gostar dos Beatles podem ser parte do "grupo dos que dizem não a tudo", acrescentou Zogby.
A maioria dos que disseram não estar familiarizados com a música do grupo tem 70 anos ou mais.
Também foi lançado o jogo "The Beatles: Rock band", que coloca o jogador na pele dos músicos do quarteto.A banda vendeu 626 mil cópias do jogo durante a semana que terminou em 13 de Setembro.
Dos CDs remasterizados,"Abbey Road" e "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" estão entre os mais vendidos.
A Disney informou também,que vai fazer uma nova versão em 3D do filme animado "Yellow Submarine" de 1968.
sábado, 19 de Setembro de 2009
George Harrison, rendido á mestria de Domingos Machado.

"Se me pedirem, faço cópias", costuma dizer. Mas o artesão de 73 anos fez questão de abrir uma excepção a um cliente muito especial: George Harrison.
Desde o princípio dos anos 90 que a pacata freguesia de Tebosa, às portas de Braga, se habituou a receber a visita de alguns músicos famosos. À data, o que é hoje o Museu dos Cordofones não passava da modesta casa de um artesão, cuja arte atravessara várias gerações da família. Foi ali que decorreram os encontros discretos entre as estrelas internacionais e o artífice português.
"O nosso compromisso era nunca revelar a presença deles", recorda Domingos Machado. "Costumavam ficar na casa de um músico alemão, Oliver Serrano, que estava radicado no Alto Minho. Era meu amigo e foi ele que trouxe alguns dos meus mais ilustres clientes."
Há muito que a arte de Domingos ganhou fama e começou a atrair músicos de toda a Europa. Numa dessas visitas secretas, bateu-lhe à porta um dos mestres do folk britânico, Donovan, que estava em Portugal para um espectáculo. Mas não só: trazia uma encomenda de um cliente-mistério.
"George Harrison tinha ouvido uma das minhas guitarras e pedira ao Donovan para me visitar", recorda Domingos Machado.
A guitarra, hoje exposta num museu londrino dedicado ao músico, é conhecida como viola de fado ou viola francesa de luxo.
"É feita com material de primeira, tem embutidos em madrepérola, tampo em pinho-de-flandres, e a estrutura em pau-santo", orgulha-se o artesão, enquanto solta uns acordes para a fotografia. O negócio rendeu-lhe "320 contos" (1600 euros). Teve ainda direito a uma dedicatória de Donovan no livro de honra do museu:
"Estou encantado por entregar pessoalmente a guitarra de fado a George Harrison. E espero ansiosamente pela minha."
Anos mais tarde, o ex-Beatle fez outra encomenda: um cavaquinho. Desta vez, Domingos Machado não foi à sua colecção:
"Construí um de propósito." Oliver Serrano, o músico alemão que conhecera os Beatles em Hamburgo, foi quem o entregou ao guitarrista. Poucos dias antes de morrer, Harrison ofereceu-o a Paul McCartney, que viria a usá-lo num disco.
É nas traseiras da casa onde vive, num pequeno anexo, que Domingos Machado e o filho transformam a madeira bruta em dezenas de instrumentos, como guitarras, bandolins, violas ou cavaquinhos.
"A bancada está a precisar de reforma", brinca, apontando para a mesa onde se acumulam latas de verniz, tubos de cola e ferramentas. Numa outra divisão há uma adega improvisada, onde Domingos recebe as visitas. Foi ali, de copo de vinho branco caseiro na mão, que o artesão privou com António Chainho, Rão Kyao, Júlio Pereira e José Mário Branco.
Amália Rodrigues também lá esteve, em Março de 1999.
"Venho aqui pedir-lhe para me ensinar guitarra, pode ser?" Domingos aceitou, mas a diva do fado morreu pouco depois.
por André Rito, Publicado em 17 de Setembro de 2009,no I -
Fotografia: nelson d?aires/kameraphoto
sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Jimmi Hendrix, morreu há 39 anos.

Numa declaração feita durante um processo por posse de drogas, no qual foi absolvido, Hendrix teria admitido ser usuário de drogas como maconha e haxixe. Uma de suas composições mais populares, Purple Haze, supostamente faz referência à uma experiência do cantor com uma determinada variedade de LSD.
Descendente de negros e índios Cherokke, Johnny Allen Hendrix nasceu em 27 de Novembro de 1942, em Seattle, Washington. A sua infância foi marcada pelo divórcio de seus pais, em 1951, e a sua adolescência pela morte da mãe, em 1958, quando tinha apenas 16 anos.
Hendrix teve a sua primeira guitarra aos 15 anos, um presente do seu pai, e aprendeu a tocar o instrumento praticando constantemente, observando guitarristas experientes e ouvindo diversos discos. Depois de tocar com algumas bandas pequenas de Seatle, Jimi Hendrix alistou-se no exército, onde ficou menos de um ano.
Em seguida entrou para a banda Jimmy James and the Blue Flames e realizou alguns shows em Nova Iorque, onde foi descoberto por Chas Chandler, baixista dos Animals, que decidiu levá-lo para Londres e ajudá-lo a formar uma nova banda: The Jimi Hendrix Experience.
Com as músicas Hey Joe, Purple Haze e The Wind Cries Mary, Hendrix estabeleceu-se rapidamente como uma importante estrela do rock do momento e, posteriormente, da história.
Jimi Hendrix é tido por outros músicos e profissionais da indústria musical como um dos mais importantes guitarristas da história do rock, e um dos artistas mais influentes da sua geração. Influenciado pelos blues, com nomes como B.B. King, Muddy Waters e Albert King, e por guitarristas do Rhythm and Blues como Curtis Mayfield, Jimi Hendrix foi o responsável por popularizar recursos como a microfonia, a distorção e outros efeitos especiais nas asuas presentações, tornando os seus shows incendiários.
As suas apresentações nos festivais de Woodstock e da Ilha de Wight são considerados memoráveis até hoje.
Músicos brasileiros regravam Beatles para celebrar 40 anos de 'Abbey Road'
Em 2008, Marcelo Fróes, juntou um grupo de mais de 90 artistas da música brasileira para comemorar os 40 anos de lançamento de "The Beatles",clássico da banda conhecido como “Álbum branco”.Agora, menos de um ano depois, o produtor e pesquisador musical Marcelo Fróes volta a escarafunchar no baú dos Fab Four para resgatar todas as canções de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr nascidas em 1969 e produzir uma nova homenagem a outro quarentão, o disco “Abbey road”, o último e o mais vendido do quarteto.
“Muita gente queixou-se de não ter participado na homenagem ao ‘Álbum branco’. Perguntavam-me se eu iria fazer algo semelhante de novo. Isso acabou por me motivar. Então, surgiu o projecto 'Beatles'69'",explica Fróes, questão de ressaltar que não se trata de um tributo, mas, sim, de um “estudo de repertório”.
Ao todo, 63 artistas participaram da empreitada, que foi transformada em três CDs de 21 faixas cada um - todas gravadas em inglês. O elenco inclui Ivan Lins,João Donato, Paula Morelenbaum, Frejat, Detonautas, Capital Inicial,Jota Quest, Ultraje a Rigor e Wanderléa, entre outros.
Fróes conta ainda que cada artista licenciou por conta própria, a sua música, o que acabou baixando sensivelmente os custos do projecto, que deve ser lançado até ao final deste mês de através de um sêlo independente.
“Praticamente foram todos contactados, e concordaram em participar, com excepção de alguns casos raros de desistência por problemas de agenda”, diz o produtor. Para ele, uma ausência foi mais sentida.
“Teríamos Sá, Rodrix & Guarabyra, mas,infelizmente, isso não pôde ser possível”, lamenta Fróes, referindo-se à morte do cantor e compositor Zé Rodrix,ocorrida em 22 de Abril deste ano, aos 61 anos.
“Mas, numa próxima oportunidade, Sá & Guarabyra vão participar”, afirma.
O projecto ainda traz algumas curiosidades, como o encontro virtual entre Milton Nascimento e Elis Regina na faixa "Golden Slumbers/Carry that weight" e a gravação da música "How d' you do”, de Paul McCartney, na voz de Mallu Magalhães. A canção foi engavetada pelo ex-Beatle, em 1969, e manteve-se na gaveta, até agora.
A paixão pelo conjunto inglês também fez com que dois dos mais conhecidos cantores brasileiros participassem do projecto: o paraibano Zé Ramalho, que regravou “Another day” (esta já da fase solo de McCartney, porém composta em 1969 quando o músico ainda era um integrante da banda); e o cearense Fagner, com uma releitura de “The long and winding road”.
“É a realização de um sonho. É uma música que eu sempre cantei a vida toda. Cheguei a fazê-la ao vivo algumas vezes, sozinho, ao piano. Finalmente tive a oportunidade de a gravar. Fiquei muito feliz em participar”, declarou Fagner.
Zé Ramalho, que recentemente dedicou discos inteiros a Raul Seixas, Luiz Gonzaga e Bob Dylan, explica que sente “um prazer muito grande” ao regravar estas canções. E revela os seus métodos.
“Procuro sempre colocar elementos de MPB e de música do Nordeste, como sanfonas, além da minha interpretação pessoal”.
E por quê “Anoter day”?
“Assim como ‘Eleanor Rigby’, esta canção fala sobre pessoas solitárias, que têm uma história triste, esperando que algo lhes aconteça e os tire dessa solidão. São coisas com as quais me identifico muito”, explicou o cantor, que não descarta a possibilidade de um projecto “Zé Ramalho canta Beatles”.
“É uma idéia que estou a amadurecer”, diz, criando um tabú.
O cuidado com a produção também pode ser visto na arte do projecto. Todas as fotos que ilustram as capas dos CDs foram concebidas pelo designer Ricardo Leite, seguindo um conceito que deve agradar aos fãs da banda.
"Quem nunca visitou Abbey Road, não sabe como é a rua londrina [aonde fica o estúdio homônimo que está na capa do disco original] por outro ângulo. Por isso, resolvemos retratar o lugar de maneiras diferentes: a versão clássica da capa original, com pequenas actualizações sobre a fotografia de Iain MacMillan; a visão oposta à da foto dele; e o que os Beatles estariam a vêr quando atravessavam a rua, no momento em que a fotografia foi tirada"- explica Leite.
quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
O Magic Dragon, levou a Mary...

A notícia da morte foi divulgada pela porta-voz do grupo, Heather Lylis. A cantora lutava havia anos contra a leucemia.
Junto a Peter Yarrow e Noel Paul Stookey, Mary formou, no início dos anos 1960, o trio que se tornaria conhecido pelo activismo político,dentro e fora do palco, e por apoiar, nas canções que gravava, as questões mais candentes de seu tempo. A versão do trio para a música "If I Had a Hammer", de Pete Seeger, gravada em 1963, tornou-se num hino pela igualdade racial nos Estados Unidos. A canção chegou a ser recuperada no ano passado durante a eleição de Barack Obama. Outros sucessos do grupo incluem Lemon Tree, Puff (The Magic Dragon), Leaving on a Jet Plane.
Nomes de destaque do resgate americano do folk nos anos 1960, Peter, Paul and Mary foram intérpretes frequentes de outra estrela do mesmo movimento, um então jovem compositor: Bob Dylan. A versão do trio para "Blowin' in the Wind", gravada em 1964, tornou a música num sucesso de audiência mundial, e alcançou o topo das listas dos discos mais vendidos na época, ajudando a transformar a enigmática canção num hino pacifista dos anos 60.
O engajamento político do grupo estendia-se para além dos palcos: protestaram activamente contra a Guerra do Vietnãme e a favor das liberdades civicas.
Nascida em Louisville, no Kentucky, USA, em 1936, Mary Allin Travers mudou-se ainda adolescente para Nova York para cursar a renomeada, Little Red School, da qual foi expulsa.
Passado algum tempo, trabalhando como cantora, Mary juntou-se a Peter e Paul em 1961.
O grupo começou por ser empresariado por Albert Grossman, também responsável pela carreira de BobDylan.
O trio desfez-se em 1970, afectado, irónicamente, pela guinada provocada pelo próprio Dylan ao utilizar a guitarra eléctrica no conservador cenário da folk.
Mary prosseguiu em carreira solo e gravou cinco álbuns. O grupo retomou suas actividades em 1978 e continuou a fazer espéctaculos, até há cerca de dois anos, altura em que Mary, adoeceu, tendo-lhe sido diagnosticado, uma leucemia, da qual viria a falecer.
quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
Rolling Stones, são caloteiros e mal agradecidos
"Deveria ter contratado um advogado. Mas, em vez disso, insultei-os e questionei-os, porque é que eles não me pagavam o que me devem".
"Todos sabemos que isso não é certo. Na verdade, é escandaloso. Eles ficaram com todo o dinheiro e eu com os aplausos e elogios. Tentei ligar e falar com Mick (Jagger) diversas vezes, mas tenho consciência de que a contratação de um advogado é a única maneira de eles me levarem a sério", disse Taylor.
Sobre os motivos de sua saída da banda, o guitarrista culpou o vício nas drogas decorrente do convívio com os outros integrantes da banda.
"Estava com dificuldades, devido ás drogas e não teria durado muito tempo, se tenho continuado com eles. A minha vida é melhor agora do que como um membro drogado dos Stones. As pessoas que me conhecem bem, fazem outra pergunta - se eu me arrependo de ter entrado para os Stones. Para mim, isso é muito mais importante.", completou Mick Taylor.
Mick Taylor, hoje com 61 anos, integrou os Rolling Stones entre 1969 e 1974 em seis álbum como "Sticky Fingers" e "Exile On Main Street" e foi substituído pelo actual guitarrista Ronnie Wood. Actualmente vive apenas com o pagamento das apresentações que faz em pubs, no Reino Unido.
terça-feira, 15 de Setembro de 2009
Michael Jackson,não tinha muito talento. Segundo Quincy Jones.

A certo momento da entrevista, questionou-se a existência de competição entre os ex-parceiros musicais.
"Essa é boa! Claro que não. Trabalhei com Louis Armstrong, Frank Sinatra, Nat King Cole, Billie Holiday, Aretha Franklin e, sobretudo, Ray Charles. Acha que eles sentiriam ciúmes de Michael Jackson?", indagou Jones. "Michael não tinha tanto talento. Era grande, mas não entrava na lista que acabo de citar. Tenho sete filhos e participei de 40 filmes. Não tenho tempo para perder com essas patetices."
Mas não é o caso para se acusar Quincy Jones de cuspir no prato em que comeu. O produtor "disparou" uma resposta categórica ao ser criticado por abandonar o jazz, para lapidar o pop de Jackson.
"Se [as pessoas] não conseguiam ver em 'Baby of Mine' [faixa do rei do pop] a complexidade de 'Giant Steps', de John Coltrane, elas é que não perceberam nada."
Com quase 60 anos de labuta na seara artística (a estreia foi em 1951, como trompetista de jazz), Jones, acumula 27 Grammy, um Oscar e título de doutor honoris em diversas universidades.
A sua parceria com Jackson rendeu, além de Thriller (1982), os discos Off the Wall (1979) e Bad (1987), na trilogia mais bem-sucedida da carreira do músico morto em 25 de Junho, aos 50 anos.
Jones, que dirige pela primeira vez um programa de televisão, recordou a última vez em que esteve com Jackson.
"Lembro que estava em Londres quando todas as entradas [para os 50 shows na Arena O2] foram vendidas em duas horas. Ele chamou-me, estava emocionado, fora de si. E disse-me: 'Vou fazer isso pelas crianças'. Foi a última vez em que nos falámos."
Há quem diga que ao ápice na trajectória de Jackson, com Jones, seguiu-se queda vertiginosa. Questionado a respeito, o produtor foi parcimonioso: o mérito é dos dois.
"Juntos, conseguimos. Nada como isso tinha sido feito antes e ninguém conseguiu fazê-lo depois. Quem mais se importa?"
Jones pediu para tirarem seu nome da lista de qualquer tributo ao músico. Inclusive a série de espectáculos organizada por Jermaine Jackson, irmão de Michael - inicialmente marcados para Setembro, em Viena, os shows acabaram transferidos para Junho, em Londres, após debandada de Chris Brown, Natalie Cole e Mary J. Blige.
"Não contem comigo. O passado não é para mim. No fundo do coração, sou um músico de jazz. E músicos de jazz não se repetem."
Dixit.
Cliquem aqui para lêr a entrevista na íntegra, em espanhol.
segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
Phil Colins, não pode tocar mais a sua bateria

O ex baterista/vocalista, dos Genesis não pode sequer segurar as baquetas depois dos anos que passou sentado em frente a uma bateria.
"Depois de tocar bateria durante 50 anos, tive que parar".
As minhas vértebras foram esmagando progressivamente a medula espinal por causa da posição em que toco.
"É o resultado de anos a tocar. Não consigo nem segurar as baquetas adequadamente sem que seja doloroso. Cheguei a cola-las às mãos para conseguir tocar".
Mas este não é o fim da sua carreira musical, como Collins lembrou aos fãs:
"Não se preocupem, eu ainda posso cantar".
O músico também sugeriu que se ressuscitasse a série "Prince`s Trust" com todas as estrelas dos concertos de rock. A gala de rock "Prince`s Trust" foi realizada pela primeira vez em 1983 no Dominion Theatre, em Londres. Um espectáculo realizado cinco anos depois no Royal Albert Hall foi recentemente lançado em DVD, e Collins viu-o com os seus filhos.
Os concertos incluem artistas como Collins, Eric Clapton, Elton John, Mark Knopfler, The Bee Gees e Ultravox`s Midge Ure.
sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Jesus Cristo Superstar. A rever, obrigatóriamente.

Para sentir o verdadeiro impacto de,"Jesus Cristo Superstar", o público actual deve, obrigatoriamente, recuar até aos anos 70, na sua primeira metade, quando o musical baseado na obra de Tim Rice, e Andrew Lloyd Weber chegou aos palcos e, logo depois, em 1973, aos cinemas pela mão de Norman Jewison.
Na época da explosão dos musicais, em diferentes formatos, uma das interpretações – que parece um tanto aceitável – reside na fusão de épocas, e, ainda mais, de culturas e trejeitos sociais aproximados. Assim, a comparação entre o estilo de vida dos hippies (com o eterno “paz e amor”) casava bem com os modos de vida, e pregações de Jesus Cristo e seus apóstolos.
Dessa união nasce a grande originalidade desta ópera rock, pouco depois nos ecrãs do cinema.
Jewison, na época, era já um director de sucesso. Tinha já, realizado A Mesa do Diabo, com Steve McQueen, Os Russos estão a Chegar, com Alan Arkin, e No Calor da Noite, com Sidney Poitier e Rod Steiger, sucesso estrondoso e em sintonia com a época, em prol da igualdade racial.
"Um Violino no Telhado", o musical seguinte, provou que Jewison poderia ser, muito bem, um camaleão para a alegria dos produtores e dar-se bem com qualquer formato.
"Jesus Cristo Superstar", apesar da inegável qualidade artística e originalidade (natural da obra na qual se baseia), não está á altura de "Um Violino no Telhado".
Mas, melhor do que o filme de 1971, tem a ver completamente com o momento, com os movimentos dos jovens nascidos na década de 1950 – ou seja, aqueles que queriam mudar o mundo e que, após a Segunda Guerra Mundial, ainda não tinham mantido qualquer contacto com qualquer período de depressão.
O mais curioso é que, ao revêr alguns momentos da caminhada de Cristo, até à crucificação (e não à ressurreição), o público contestador da época tinha motivos para se alegrar e até mesmo de se identificar com o “rei dos reis”. Ironicamente, Jesus Cristo Superstar estreitava o contacto da juventude e do movimento hippie com a figura religiosa, que teria dado a sua vida por toda a humanidade.
Essa união entre épocas e culturas, sempre com a intenção de extrair paralelismos, reproduz um musical cujo conteúdo é deslocado do tempo. Cristo é quem concebe o show, seguido de perto pelos homens (e mulheres), como os apóstolos e bailarinos. As coreografias e toda a junção que se mostra a essência do espectáculo de Rice e Webber têm poder para agredir os religiosos conservadores mais do que outro formato ou versão da vida de Cristo – como "A Última Tentação de Cristo", de Scorsese, mais de 15 anos depois também transportado para o cinema. A junção de tempos e mensagens produz um filme longe de uma época, sem início e fim, isso quando se analisa o ambiente no qual se movem o protagonista e sua troupe e não a linearidade do texto. Essa visão, ao mesmo tempo, vai contra a ideia religiosa da criação do universo, pois, segundo as escrituras, tudo parte de um início (Génesis). Se entendido dessa forma, o filme de Jewison, assim como a peça, podem soar a contestação.
Por outro lado, é bem provável que isso não tenha chamado a atenção dos conservadores – ou mesmo os tenha ofendido – em comparação com a fusão do hipismo com o cristianismo e os últimos passos de Cristo na terra.
Interpretado por Ted Neeley, o protagonista alimenta o show como numa história musical qualquer, em que as melodias fazem entender a obra. Sem a música, este espectáculo seria apenas uma peça de contra-cultura, uma fusão ajustada pelas coincidências. O género musical, vale lembrar, estava alimentado pelo cinema moderno, renovador, que via em homens como Bob Fosse um suspiro de vida que não duraria muito tempo. Mesmo antes de Fosse filmar a representação de sua própria morte, Jewison celebrava em imagens vivas e singulares a dor de Cristo enquanto enviado para aliviar os pecados do mundo. Há dúvidas em relação ao seu caminho, sobre como e porque se mantém em tal posição. Essas abordagens foram perfeitamente exploradas no drama de Scorsese, com uma versão do fim ainda mais dura e controvertida. O hipismo e sua política de paz são as saídas contra os romanos do império, contra os guardas vestindo calças de guerra. A somar, há ainda o Vietname, a guerra que abalou a opinião pública norte-americana.
No papel de Judas está o excelente Carl Anderson, melhor que Neeley. Se a morte de Cristo era inevitável, então não seria Judas apenas um “espantalho” a guardar o “milharal”?
Fácil entender a história dessa forma e absolvê-lo. Por outro lado, tanto Judas quanto Cristo, em "Jesus Cristo Superstar", são homens interessantíssimos enquanto condutores do show. Anderson imprime dor e realidade à sua actuação; Neeley, pelo contrário, concede ao público as preferências de um Cristo em dúvida, em momentos perdido, que vagueia por um deserto em busca de si próprio. Os vilões, como era de se esperar, são caricatos, abusam da sua própria forma e estão em sintonia com as composições aceitáveis do clima teatral. Por todos esses factores, trata-se de um filme correcto para a época em que se vê inserido, de jovens contestadores e mensagens tão utópicas quanto a esperança de muitos conservadores religiosos, com poder para enviar jovens à guerra.
Enquanto mostrado como homem de carne e osso, e sem o poder para operar milagres, esse Cristo está ainda mais próximo do público de 1973. Pode soar perigoso unir a fé inerente aos personagens bíblicos com o show montado para servir de sustento à obra. São estes motivos os responsáveis por fazer o filme de Jewison algo “perigoso”, mas não satírico e muito menos insolente. Termina com a crucificação do homem, em dor, e não quer mostrar a ressurreição do “super-homem”, aquele acima do bem e do mal, intocável e eterno exemplo dentro da ética cristã ainda presente.
Para completar, resta a informação que a Maria Madalena aqui demonstrada é interpretada por Yvonne Elliman, actriz com traços orientais, e Judas, inteligentemente, está na pele de um negro, o imponente Anderson.
Armas de guerra, um autocarro repleto de hippies e estruturas metálicas são alguns artifícios a servir à fusão, sempre com a frescura e a economia de Jewison. O resultado, pouco esperado, é diferente de tudo.
"Jesus Cristo Superstar" é uma visão de libertação artística favorável, necessária, uma releitura das histórias que as crianças e jovens ouvem dos mais velhos e que, aqui, ganha nova roupagem. É contada de acordo com os novos jovens e contestadores das décadas de 1960 e 70. Está em sintonia com a cultura, com o desejo de uma geração.
quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
"Million dollar quartet" chega à Broadway na Primavera de 2010

O musical "Million dollar quartet" chegará na Primavera de 2010 à Broadway para "reunir" de novo Elvis Presley, Johnny Cash, Carl Perkins e Jerry Lee Lewis, numa recriação do legendário encontro de há 52 anos, anunciaram os produtores.
A obra transportará para o cenário nova-iorquino a "afortunada" noite de 04 de Dezembro de 1956 em que os quatro músicos se reuniram pela primeira e única vez nos estúdios da discográfica Sun Records de Memphis, no Tenessee.
Jerry Lee Lewis encontrava-se no estúdio para gravar com Carl Perkins, quando casualmente entrou Elvis Presley, que nesse ano tinha alcançado os seus primeiros êxitos com "Hound Dog" e "Heartbreak Hotel".
Pouco depois, o dono da Sun Records, Sam Phillips, chamou Johnny Cash para que se lhes juntasse.
Ali, sob a batuta de Sam Phillips, considerado o "pai do rock n´roll", protagonizaram uma sessão improvisada que é recordada como "a noite em que o rock teve vida", segundo recordaram num comunicados os responsáveis do musical.
O libreto de Colin Escott e Floyd Mutrux, que se estreou em Chicago em Outubro de 2008, aproveita a oportunidade para repor clássicos do rock, R&B e gospel, com temas como "Blue Suede shoes", "I walk the line" ou "Whole lotta shakin´going´on".
Os produtores, Relevant Theatricals, John Cossette, Northern Lights, Broadway Across America e James L. Nederlander, acrescentam no comunicado que proximamente anunciarão que teatro apresentará a peça musical, que será dirigida por Eric Schaeffer.
Schaeffer dirigiu na Broadway em 1999 o musical "Putting it together" de Stephen Sondheim e há dois anos o "Glory Days", de Nick Blaemire.
Lusa
quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
The Beatles - Rock Band

O vídeo mescla imagens de arquivo manipuladas e actores.
Não há confirmação oficial, mas especula-se que a voz do narrador seja de Dhani Harrison, filho de George Harrison - há quem acredite que no vídeo, ele interprete o pai, George Harrison.
O jogo chega às lojas, no dia 9 de Setembro, com 45 faixas de todas as fases da banda. Na mesma data, será colocado à venda o catálogo completo, remasterizado, de álbuns de estúdio do grupo. Cada disco será acompanhado com um minidocumentário.
Depois do lançamento do jogo, os jogadores poderão complementar a coleção de músicas com o download dos discos Rubber Soul, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e Abbey Road.
"The Beatles: Rock Band", estará disponível para as consolas, Xbox 360, Playstation 3 e Nintendo Wii, com joysticks feitos à semelhança dos instrumentos originais usados pelos Beatles, por exemplo a guitarra Rickenbacker 325, usada por John Lennon, ou a Gretsch Country Gentleman, que George usava ainda no tempo dos Silver Beatles, e a incontotnável Hofner Bass, "violin shape" de Paul.
Apreciem.
terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Brian Jones, a verdade...Mais vale tarde do que nunca...
Passados 40 anos, a morte de Brian Jones, membro fundador do Rolling Stones, volta à lista de "things to do" da polícia de Sussex, Inglaterra. Novas evidências poderão levar à reabertura do caso, de acordo com a rede britânica BBC.A versão oficial, conta que Jones morreu, aos 27 anos, sob influência de drogas (barbitúricos e anfetaminas) e bebida alcoólica. A autópsia, contudo, revelou que o guitarrista não tinha narcóticos em seu corpo na hora da morte - apenas cerca de 1,5 litro de cerveja.
Após quatro anos dedicados ao episódio, o jornalista de investigação, Scott Jones - o sobrenome em comum com o músico é só coincidência - entregou um documento com 600 páginas ao departamento policial do condado. As novas pistas foram publicadas pelo jornal em Novembro, mas só recentemente parecem ter despertado o interesse das autoridades.
No mês passado, o jornalista encontrou-se com oficiais veteranos da polícia para discutir depoimentos de testemunhas presentes na casa do músico, no dia em que ele morreu.
Em Novembro, Janet Lawson, enfermeira que encontrou o corpo de Jones, acusou Frank Thorogood - chefe de obras da casa do artista - de se ter atirado á piscina e "feito algo com Brian". A mulher declarou-se convencida de que Frank, foi o assassino do artista.
Albert Evans, o primeiro policia a chegar na Cotchford Farm, corrobora a versão de Lawson. Após ouvir várias testemunhas, ele também teria chegado à conclusão que Jones morreu depois de lutar com Thorogood.
Outra ocorrência suspeita: Joan Fitzsimons, taxista e ex-namorada do mestre de obras, foi atacada três semanas depois daquele 2 de Julho. Documentos policiais alegam que ela pretendia falar aos mídia sobre o caso. Ambos já faleceram: ela, em 2002; ele, oito anos antes.
Foi Brian Jones quem deu corpo a formação dos Rolling Stones, em 1962. Em Junho de 1969, Mick Jagger, Keith Richards e Charlie Watts comunicaram ao guitarrista que a banda continuaria sem ele a partir daquela data.
A polícia de Sussex rejeitou por décadas pedidos para reabrir o caso. As circunstâncias que levaram à morte de Brian, agora, estão a ser analisadas pelo departamento de investigação daquela policia.
"Não há prazo final para se fechar este caso. Mas, após 40 anos de mistério, qualquer um que dê valor à reputação de Brian vai ficar contente em esperar pelo resultado", disse Jones, o jornalista.
sábado, 29 de Agosto de 2009
Noel Gallagher, sai dos Oasis
O guitarrista dos Oasis, Noel Gallagher, anunciou nesta sexta-feira, 28 de Agosto, através de uma mensagem no Myspace, que deixou a banda."É com muita tristeza e um grande alívio que anuncio, que deixei os Oasis esta noite. Simplesmente não consigo trabalhar, nem mais um dia, ao lado de Liam (Gallagher).
Peço desculpas a todos os que compraram as entradas para os shows de Paris (França), Konstanz (Alemanha) e Milão (Itália)", diz o comunicado.
Os Oasis já tinham cancelado o show de ontem, sexta-feira, 28 de Agosto, no festival Rock En Seine, em França.
O New Music Express informou que testemunhas contaram que os ecrãs gigantes do festival, diziam que o concerto tinha sido cancelado "em virtude de uma briga ocorrida, entre elementos da banda".
A cantora escocesa Amy McDonald, que também se apresentou no evento, postou uma mensagem no Twitter afirmando que "Liam destruiu a guitarra de Noel", e que uma "grande zaragata" tinha acontecido no backstage.
No domingo passado, os Oasis cancelaram, em cima da hora, a apresentação no V Festival, alegando que o vocalista Liam Gallagher sofria de uma laringite viral.
quinta-feira, 27 de Agosto de 2009
Make Them Laugh - Cosmo Brown, aliás, Donald O'Connor
terça-feira, 25 de Agosto de 2009
Frank Vincent Zappa, o mágico controverso.

Compositor, produtor, director de filmes, e é claro guitarrista, teve uma prolifera, e controversa carreira ao longo de 30 anos. Zappa, compôs rock, jazz, musica electrónica, clássica, para grandes orquestras, dirigiu longas metragens, video clips, desenhou capas de álbuns, tudo isso, enquanto líder dos Mothers of Invention.
Zappa produziu todos, os mais de 60 álbuns, por ele lançados, com os Mothers, e a solo.
Influenciado por vertentes que variam entre a música clássica e os grupos vocais do inicio dos anos 50, Frank Zappa, revolucionou a maneira de compor, e de estar, deixando de lado os apelos ao mercado fácil das grandes gravadoras e levando o experimentalismo a limites inéditos.
Além de músico foi letrista como poucos, cínico e ácido, nunca poupando ataques a nenhuma forma de poder estabelecido, fossem, governo ou as grandes gravadoras.
O seu estilo foi frequentemente associado ao jazz moderno, á fusion, mas classificar a música de Frank Zappa, jamais será, uma tarefa fácil.
Em 1964, juntou-se aos "Soul Giants", banda formada pelo baterista, Jimmy Carl Black, o baixista, Roy Estrada, o saxofonista, Davy Coronado, o guitarrista Ray Hunt, e o vocalista Ray Collins. Estes seriam a base, dos Mothers, que posteriormente teve o seu nome modificado para Mothers of Invention.
"Freak Out", lançado pela MGM em 1966, foi o primeiro disco dos Mothers, com o qual Zappa provou que era possível fazer música pop com qualidade. O álbum tornou-se num verdadeiro objecto de culto em Inglaterra, embora sem grande repercussão nos USA.
Os diversos álbuns que se seguiram - Zappa era um compositor e produtor maníaco e incansável - viriam a mostrar a sátira e o experimentalismo que seriam a marca registada de Frank Zappa.
Nem mesmo o clássico "Sgt Peppers" dos Beatles foi poupado, tendo sido, literalmente, satirizado, com o lançamento de "We're only in it for the money", numa sátira em que pretendia , atingir, não só os Beatles, mas também todo o movimento Hippie, em particular, os chamados, Beatnicks.
As influência da música clássica, ficaram claras em álbuns como "Lumpy Gravy".
A influência pop e o experimentalismo, são mais do que evidentes em "Cruising with Ruben & the Jets", cheio de arranjos vocais ao estilo doo-woop, género muito popularizado nos anos 50.
Em 1970, os Mothers of Invention, sofreram uma renovação, quase total, e passaram a contar com, Mark Volman e Howard Kaylan, os dois homens fortes dos Turtles, além de Aynsley Dunbar , e George Duke.
Durante um espectáculo, em 1971, Zappa foi empurrado do palco por um fã mais excitado,tendo passado um largo período de ausência forçada, numa cadeira de rodas em sua casa. Mas os acidentes em palco, não ficaram por aí.
Frank Zappa, ainda se viu em palpos de aranha, para escapar ileso ao incêndio, no casino de Monterraux, que lhe destruiu todo o equipamento de som, e que ficou registado para a eternidade, nos versos do "Smoke On The Water", dos Deep Purple.
O seu último show ocorreu na Tchecoeslosváquia a convite do presidente Vaclav Havel, seu grande admirador.
Zappa, foi, póstumamente, homenageado no Rock and Roll Hall of Fame, em 1995, e recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award em 1997.
domingo, 23 de Agosto de 2009
Lovin' Spoonfull. O verão de Nova York, nos anos 60.
Foi durante a primeira metade do ano de 1965,em que os USA eram fustigados em pleno, pela "British Invasion", que se formou, em Nova York, uma das bandas americanas mais carismáticas, e mais divertidas. Os Lovin' Spoonfull.O nome,teve origem,numa canção de Mississipi John Hurt, chamada "Coffee Blues".
Steve Bone, baixista e Joseph Butler, baterista, oriundos dos subúrbios da Big Apple, mais própriamente o bairro de Long Island, convidam John Sebastian, musico poli instrumentista, e na época a tocar folk music pelos bares de Greenwich Village, e um guitarrista canadiano, acabado de sair dos Mugwumps, de seu nome Zal Yanovsky.
Os Mugwumps, existiam desde 1964, e eram constituídos por, Mama Cass Elliot, Denny Doherty, Zal Yanovsky e Jim Hendricks, e estavam em desagregação, em virtude da saida de Mama Cass Elliot, para formr os Mamas And Pappas.
Portanto os Spoonfull, começaram logo com os seus créditos, muito elevados, criando muita expectativa no meio. Sebastian, além dos vocais, apresentava-se em palco com instrumentos, até então nunca usados, na pop music. Harpas, banjos, mandolins, e outros com raizes na folk. Depois tocava com palhetas, quatro palhetas inseridas nos dedos, utilizando a técnica do "finger Picking", utilizada sómente pelos tocadores de banjo, nos grupos da country e folk. O som que produziam eram repleto de curiosas e inusitadas sonoridades.
Esses detalhes, como tocar a guitarra usando quatro palhetas de banjo, verdadeiros dedais de metal, colocados no polegar e nos três dedos, indicador,médio e anelar, ajudam os Spoonful a criarem uma sonoridade original, unica.
A par dessas "esquesitices", e utilizando a combinação dos melhores elementos do folk com o rock, aliados a toques da country music fizeram com que, num espaço de quatro anos, os Lovin' Spoonful, lançassem cinco álbuns que marcaram a época, com hits como "Do You Believe In Magic", "Daydream" e, o hino do verão nova-iorquino, "Summer in the City".
Com o sucesso do quarteto, grande parte da imprensa musical,norte americana, tenta vender os Spoonfull, como sendo a resposta americana aos Beatles.
Refira-se, que não foram os únicos a serem utilizados com esse jargão, mas sem sucesso.
Beatles, há só uns. Os de Liverpool e mais nenhuns.Ponto final.
Independente disso, a banda torna-se numa das pioneiras a tocarem ao vivo, regularmente nos campus das universidades americanas, além de produzirem, as bandas sonoras para os filmes "What's Up Tigerlily" de Woody Allen e "You're A Big Boy Now" de Francis Ford Copolla.
No ano de 1967, Zally Yanosvsky é preso por utilizar canabis, algo muito em moda nessa e noutras épocas. Como era Canadiano, foi ameaçado, pelas autoridades responsáveis pela emigração, de deportação se não denunciasse o seu fornecedor. Quando a noticia se torna publica entre a comunidade musical Nova Yorquina, Zal Yanosky, é naturalmente, posto de lado e apontado como informador das autoridades. Em consequência, é obrigado a deixar a banda.
Em 1971 lança o disco "Alive And Well In Argentina", que não teve a devida divulgação e foi praticamente ignorado. Reapareceu algumas, poucas, vezes na década de setenta tocando guitarra, com Kris Kristofferson ou John Sebastian. Depois só reapareceria no meio musical como produtor e arranjador dos Ace of Base no álbum de 1995, Bridge.
Jerry Yester, membro do "Modern Folk Quartet" e amigo de longa data dos outros elementos da banda, entra para o seu lugar, para participar no mais ambicioso projecto da banda. "Everything Playing". Seria neste álbum, a primeira vez que uma banda de rock, pop, utiliza um gravador de 16-canais. O álbum inclui pérolas como "Darlin' Be Home Soon", "Six O'clock" e "She's Still A Mystery To Me". Em Inglaterra, "Bordem" e "Money" também passariam nas rádios, com algum destaque.
Em Junho de 1968, é a vez de John Sebastian deixar o grupo. O trio remanescente, inicia as gravações do que se tornaria no último grande sucesso da banda, "Never Goin' Back", música que conta com a participação especial de Red Rhodes, tocando pedal steel guitar.
Percebendo que os tempos mudaram, bem como as tendências do mercado, os três resolvem seguir caminhos diferentes.
Em 1991, após terem negociado um novo contrato com a sua gravadora, Joe e Steve contactam Jerry e reformulam a banda. Ensaiaram durante dois meses, e voltam a "excursionar", como sendo, "the originals" Lovin' Spoonfull, mas de forma mais ambiciosa, tocando em mais de 150 cidades de todo o mundo. Sem grande sucesso, e só em pequenos recintos.
Em 1999, lançam o primeiro álbum após três décadas,longe dos estúdios, o razoável "Live At The Hotel Seville". Gravação ao vivo com vários dos grandes sucessos, é para os fãs, um pouco do ontem, já quase esquecido, nas brumas da memória.
Mas sem John Sebastian, fica a sensação de que aquele, não era o som dos Lovin' Sponnfull.
Pois, mas recordar é viver. Recordem aqui, ao vivo, na TV Americana, como eles, os Spoonfull, reagiam ás suas falhas.
sábado, 22 de Agosto de 2009
Os Doors, sem Jim Morrison.
Três meses após a morte pouco esclarecida de Jim Morrison em Paris no ano de 1971, os "sobreviventes" da banda, resolveram lançar um disco, que tinha começado a ser produzido, quando Jim Morrison, ainda estava vivo, mas não teria acompanhado o início dos trabalhos por estar de férias na França, e portanto, não tinha gravado a sua parte, a vocalização dos temas já gravadas.Para não deixar o trabalho incompleto, a gravadora Elektra propôs Ray Manzarek (teclado) e Robbie Krieger (guitarra) que assumissem os vocais.
Os três integrantes remanescentes aceitaram o pedido, e finalizaram o álbum.
Naturalmente, havia uma vocalização diferente, em todos os temas, e em consequência, o disco foi batizado de “Other Voices”.
No primeiro álbum sem Jim Morrison, os Doors, dispararam, em todas as direcções, denotando uma grande falta de liderança, e de objectivos, no que dizia respeito,á concepção final do álbum, o que nunca se havia notado, nos trabalhos anteriores da banda.
Há temas que se assemelham aos Pink Floyd da fase Syd Barret. A música “Down On The Farm” é um exemplo.
A faixa de abertura, “In The Eye Of The Sun”, sem intenção alguma, parece antecipar a batida da "Disco Music", que se tornou popular anos mais tarde.
Nos vocais de Manzarek e Krieger existe uma grande influência de Mick Jagger. O tema “Tightrope Ride”, é fácil identificar as influências dos Rolling Stones, e não só na vocalização.
A sonoridade da guitarra é semelhante á de Keith Richards, gravada em discos como “Let It Bleed”.
Em “I’m Horny , I’m Stoned”, o grupo demonstra influências fortes,do rock britânico, particularmente dos “Who”.
Na música que fecha o álbum, “Hang On To Your Life”, os Doors apresentam o momento mais psicadélico do disco. Ao misturar a percussão de John Densmore, nitidamente influenciada por ritmos latinos, e a guitarra de Robbie Krieger, que executa solos semelhantes a Carlos Santana, a banda completa a salada.
No final da faixa, os Doors exibem um "peso" uma sonoridade na sua música, nunca antes apresentado.
Mesmo assim o disco deve ser visto/ouvido, por enfatizar características dos membros mais obscuros, como John Densmore e Robbie Krieger.
Sem Jim Morrison, os Doors estavam a construir uma outra identidade.
É fácil perceber em “Other Voices”, que John Densmore deixa mais explícito as suas influências do Jazz e Robbie Krieger abusa dos solos de guitarra.
É a maneira que os mesmos, encontraram para tentar preencher o espaço deixado por Jim Morrison. Preocuparam-se, em se desenvolver e mostrar as suas capacidades, enquanto instrumentistas.

Influências notórias do início da década de 70, do Jazz e da música latina.
O tema que abre o trabalho, denominada “Get Up And Dance”, continua a soar a Rolling Stones.
Em “4 Billion Soul” e “Verdilac”, a banda mostra-se menos "pesada" e mais acústica que em “Other Voices”.Em “Hardwood Floor”, as sombras de Mick Jagger e de
Keith Richards aparecem ainda com mais nitidez. A canção parece ter sido retirada do “Stick Fingers” dos Stones.
A faixa seguinte, é um clássico da década de 50, “Good Rockin”, que apesar de estar mais pesada não compromete o arranjo original. É interessante ouvir os Doors executando um Rock and Roll tradicional. Na época em que Jim Morrison liderava, o grupo, dificilmente, recorriam a estes revivalismos.
Em seguida, a banda apresenta o que se pode considerar o maior equívoco discográfico que cometeu: a canção “The Mosquito”, que alterna partes da letra em espanhol e inglês. Na primeira audição, causa uma certa estranheza, mas é necessário destacar os solos de Robbie Krieger, que demonstra ainda mais liberdade para improvisar.
Pela leveza e sonoridade psicadélico, é importante referir, “The Piano Bird”. A percussão de Densmore e a guitarra base de Krieger caracterizam-se, por serem como um belo plano de fundo, a sustentar os improvisos de piano e, principalmente, da flauta.
Ao entrar em contacto com estes dois álbuns é importante fazer uma análise sem preconceitos, e saber que estes Doors, não têem nada, além dos membros integrantes
de semelhante, musicalmente falando, com a “Era Morrison”.Este conseguia unir as diferentes influências dos demais membros para manter o equilíbrio musical.
quarta-feira, 19 de Agosto de 2009
Osibisa, o Afro Rock
Osibisa, é uma banda formada nem 1969, em Londres, por três músicos Ganeses,Teddy Osei, saxofonista, Marc Tontoh, trompetista, e Sol Amarfio,ma bateria,a quem se juntaram, Spartacus R, de Granada, no baixo, Robert Bailey de Trinidad, nas teclas, Wendell Richardson das Antiguas, na guitarra solo, e o Nigeriano Lasisi Amao ,percussionista e saxofone tenor.Adams Potato, falecido em 1995, e Kiki Djan, também falecido em 2004, e ambos igualmente do Gana, integraram também a banda, numa das suas muitas formações.
Os Osibisa, descrevem-se como sendo os pais da World Music, reclamando para si o facto de terem sido eles a abrir os caminhos, para que outros músicos Africanos e do Caribe,fossem aceites no mundo da musica, nomeadamente, Bob Marley, que no inicio da sua carreira, em meados da década de 70, terá sido incentivado pelo sucesso deles.
A musica que tocam, baptizada por eles como "Afro Rock", pode ser descrita, como uma colagem rítmica colorida, e fazendo a fusão entre os ritmos Africanos, Caribenhos,com incorporaçãoes de Jazz, Rock, Rythm and Blues, tendo ainda, para completar o bouquet, um toque latino. Os seus temas instrumentais, entrelaçados com cantos Africanos, e apoiados numa frenética secção rítmica, que utiliza muitos e variados instrumentos de precessão africana, são liderados pela secção de metais composta por Tedi Osei e MacTontoh, fortemente apoiados numa linha agressiva,do baixo de Spartacus R.
Muitos dos temas dos Osibisa, são altamente dançáveis, podendo, inclusive, serem comparados aos Americanos, Earth, Wind & Fire. Ambos os grupos, são mesmo apontados por alguns críticos,como tendo sido os principais inspiradores do "Disco Sound", com o lançamento de temas, mais apelativos comercialmente. Por exemplo:Dance the Body Music, Lets Do It, Pata Pata, etc.
O nome do grupo vem da palavra "osibisaba", do idioma Fante, que significa "Highlife", um estilo musical, popular no Gana, que mistura, Jazz e ritmos africanos…
Mas os Osibisa iam muito além, deste género musical, com texturas "á lá" Jimmy Smith brilhantemente executadas por Robert Bailey, no seu Hammond, fraseados de guitarra,com climas psicadélicos… e, para completar,o "appeal" as capas mágicas dos seus Lps, que traziam a mascote do grupo, o elefante com asas de borboleta…
Roger Dean, o homem dos delírios progressivos nas capas dos Yes e dos Uriah Heep, meteu a sua mão nos dois primeiros álbuns dos Osibisa, e Mati Klarwein, que traduziria a busca de novos mundos nas capas dos discos de Santana e Miles Davis,foi o responsável pelo "art work" terceiro álbum, «Heads».
As longas estruturas dos temas dos Osibisa devem muito ao carácter progressivo da época que os viu nascer, mas o groove, a gestão rítmica dos temas, as secções de metais, o Hamond em ebulição, não deixam enganar - esta era uma banda com os pés bem fincados na terra. Na terra quente do continente africano.
A banda permanece em actividade… apesar de terem diminuído seu ritmo das tournés depois de Teddy Osei ter sofrido um derrame, o que não o impede de continuar as actuações, mas a um ritmo mais lento.
segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
Rock And Roll - A evolução - Os diferentes estilos.

As grandes bandas na sua maioria, tinham ao seu dispor, os melhores equipamentos de estúdio e começaram a utilizar grandes orquestras, nos seus trabalhos. Atente-se no Lp de lançamento dos Deep Purple, "Concerto For Group And Orchestra".
Um outro grande passo para a sofisticação foi, também, a rápida difusão dos sintetizadores.
Os Moogs e Minimoogs, inventados por Robert Moog, juntamente com os teclados, já existentes,- pianos, orgãos, Hammonds, Farfisas, Vox e outros - foram capazes de criar novas sonoridades, alargando as fronteiras sonoras, levando os compositores e executantes destas bandas, a realidades sonoras antes, impensáveis.
O fim dos Beatles foi, como Lennon salientou, o fim do sonho.
Os Beatles, foram a banda que mais ajudou na transição entre o rock básico de acordes e letras simples dos primeiros tempos, e o rock mais complexo, que surgia, acompanhando as mudanças sociais, que ocorreram de forma vertiginosa, nas décadas de 70 e 80.
O rock, passou definitivamente, a ser encarado como expressão artística, deixando para trás as cançõezinhas de três tons e vazias de qualquer conteúdo, que eram lançadas, só para consumo imediato, sendo descartadas logo de seguida.
Agora, as bandas, dedicavam-se mais a produzir, discos com arranjos mais elaborados, criando assim, um publico mais exigente, no que diz respeito á qualidade musical.
Os fãs rock dividia-se assim em duas frentes: a dos adolescentes mais interessados nos hits singles de bandas teoricamente "descartáveis", e a falange dos já amadurecidos, seguidores, dos seus ídolos dos primeiros tempos, que num processo naturalmente evolutivo, procuravam algo mais do que o "Love me do", e do simples, mas frenéticamente sugestivo,"I Wanna holçd your Hand".
E começaram, as grandes mudanças.
O rock progressivo, apresenta-se ao grande público.
Greg Lake, após abandonar os King Crimson, forma o trio Emerson, Lake & Palmer, cativando um público diferente, mais evoluído musical e socialmente, e que nunca se fizera notado.
O álbum "Deja Vu" de Crosby, Stills, Nash & Young, é o mais vendido do ano nos USA.
Sinal dos tempos de procura de algo mais elaborado.
Com a entrada de Phill Collins, os Genesis, deixam de lado o aspecto teatral das suas actuações, assinatura de Peter Gabriel, e direccionam a sua carreira de sucesso, para um publico mais vasto, que para além da teatralidade realizada em palco pelo camaleão Gabriel, queriam um rock menos complexo, e mais directo.
Embora o rock progressivo continuasse em expansão, bandas de musicalidade mais simples e muito engajadas no apelo fácil de uma pretensa rebeldia provocatória, sobretudo no modo de se vestirem, emergem, para satisfazer uma nova geração em crescimento.
São os casos dos, Slade, Sweet, Gary Glitter, T Rex, ou ainda, como David Bowie, Bay City Rollers e Elton John, que após longos anos na sombra, começavam a conquistar o seu lugar ao sol.
A imagem, que criaram, maquilhagem teatral, cabelos compridos e pintados, roupas exageradas e coloridas, iniciavam a definição do estilo Glam Rock, que aproveitavam a imagem esdrúxula e em muitos casos andrógena como factor de marketing. Veja-se como exemplo, Marc Bolan, dos T Rex.
Em Inglaterra, em 1970, sem requintes musicais, os Black Sabbath gravavam o seu primeiro disco, - conta a lenda que em apenas dois dias,- alargando as fronteiras do "peso" no hard rock e criando o que possivelmente será, o primeiro disco, Heavy Metal conhecido do grande público.
A expressão aparecera pela primeira vez no "Born To Be Wild" dos Steppenwolf.
Os escândalos envolvendo sexo, drogas e "satanismo" também servem de alavanca, para a popularidade do género.
Usando maquilhagem e teatralidade inéditos até então, Alice Cooper seria a resposta americana ao inédito, "peso" e atitude dos Black Sabbath.
Surge ao público em 1971 com o hit, Eighteen, e o álbum Love It To Death.
A cristalização do uso da imagem, do teatro e da "atitude" como factor de marketing, tão ou mais importante do que a própria música seria utilizado pelos Kiss, em toda a sua potencialidade,- e que ainda sobrevive, nos dias de hoje, com milhões de fãs espalhados por todo o mundo.
O seu álbum de estreia, sai em 1974,e é baptizado com o nome da banda. "Kiss". Os membros da banda, tocavam maquilhados, e assumindo as personalidades, do demónio, de um animal, de um homem espacial e de deus.?!?!? ...voavam, cuspiam fogo, vomitavam sangue e vendiam discos, produtos de maquilhagem e bonecos como nenhuma outra banda, se atrevia a vender.
Em 1975, paralelamente ao rock elaborado das bandas progressivas ou de Hard Rock, os Queen, lançavam o seu excelente primeiro disco,com o seu nome, tomando de assalto as primeiras
posições das listas de vendas em todo o mundo, e dando assim um enorme impulso ao Glam Rock, comercial.
Surge então, em pequenos bares e casas de espectáculo, sobretudo nos Estados Unidos, um movimento musical underground marcado por uma atitude descomprometida, e cheio de
autenticidade espontânea, e de real rebeldia, que faltava aos primeiros intérpretes do género. Em bares, como o CBGB em New York, -já fechado-, bandas como os Blondie, os Ramones, Patti Smith, começam a ser notados.
O estilo era marcado pelo,"do-it-yourself". Ou seja. Qualquer um, mesmo que não soubesse uma nota de musica, formava a sua banda, artilhava-se com um out-fitt, o mais estranho possível, furava as orelhas e outras partes do corpo com uma dúzia de alfinetes, de dama,- naquela época quem comprasse uma dúzia, levava duas...- tirava umas fotografias da banda num beco qualquer, junto de um caixote de lixo, - era de bom tom, - gravavam umas obscenidades, sempre, e só utilizando um acorde, e voilá...estava criada uma banda PUNK. Hááá.., não esquecer o penteado. Tinha que ser de catatua, papagaio, ou mesmo de arara.
Malcon McLaren, até então dono de uma loja de roupas de couro,de certa forma uma sex shop, em Londres, foi quem melhor aproveitou a nova moda, ao ver o potencial comercial do estilo.
Não tendo sido bem sucedido como empresário da banda americana New York Dolls, que já estavam em franca decadência, McLaren voltou a Londres com a finalidade de formar, ele próprio uma banda usando esse novo estilo, que conhecera nos Estados Unidos.
Entre os clientes de sua loja recrutou quem tinha alguns conhecimentos musicais, só os necessários para formar uma banda, vesti-os a preceito, e baptizou-os de Sex Pistols.
Em estúdio, os Pistols,acrescentaram à música simples e alucinada dos punks americanos letras anarquistas e mais agressivas. O seu primeiro hit foi "Anarchy In The Uk", em 1975.
O Punk, criado nos USA, e popularizado em Inglaterra, aonde viria a tornar-se num movimento social do proletariado e não apenas mais um estilo musical, foi a resposta necessária ao rock que estava a ser levado a sério demais, aos álbuns duplos conceituais, aos solos de dez minutos e às bandas que perdiam de vista o carácter de diversão do rock. O punk embora considerado por muitos anti-música foi na pior das hipóteses um mal necessário para mostrar e conter alguns exageros do Heavy e do Rock Progressivo.
Em 1977 o primeiro disco dos Sex Pistols, "Nevermind The Bollocks", entrou directo no primeiro lugar das listas de discos mais vendidos no Reino Unido.
Aos Sex Pistols, sucederam umas largas dezenas de bandas inglesas e americanas como os Clash, Damned, Siouxie and The Banshees, e naturalmente, trouxeram para a ribalta os ainda desconhecidos, na Europa, Ramones e Blondie.
O estilo também viria a influenciar, embora de forma indirecta, a sonoridade de bandas que surgiriam, lá mais para a frente, como os Motörhead e os AC/DC.
O Punk também absorveria elementos de outros estilos, como o Reggae, por exemplo, de temática e musicalidade semelhantes na sua simplicidade.
Bandas como os Police, Simple Minds e Pretenders, e um pouco mais tarde os U2, adoptariam um estilo que viria a ser conhecido como "New Wave", mais comercial e mais soft, do que o Punk, cuja fórmula inicial já estava a perder "gás", e não surtia tanto efeito,comercialmente. Já não vendia.
Mas o Punk e a New Wave, não eram a única alternativa à onda "Disco" que assolava a música. Começava a formar-se em Inglaterra, com bandas como Judas Priest, Samsom e principalmente os Iron Maiden, o que viria a ser conhecido como "New Wave Of British Heavy Metal",ou seja, a resposta do som pesado e elaborado à sonoridade simples do punk.
O Hard Rock, também dava sinais de renovação com o primeiro álbum dos Van Halen em 1978.
Apesar do fim dos Sex Pistols nesse mesmo ano, com a fórmula tão esgotada quanto os próprios músicos após uma imensa tournée pelos Estados Unidos, e da morte do anti-heroi, símbolo do punk, Sid Vicious, - de overdose, após conseguir liberdade condicional da prisão aonde estava encarcerado, por ter supostamente assassinado a sua namorada, em 1979, - o rock nunca mais seria o mesmo.
domingo, 16 de Agosto de 2009
The Beatles, ainda são a banda preferida dos norte americanos
Os Beatles, bateram os Eagles, Johnny Cash, Michael Jackson e até Elvis Presley numa sondagem feita nos USA, e realizada pelo instituto Pew Research Center, aonde se inquiria qual o artista preferido do povo americano.Foi o que constatou uma pesquisa de opinião realizada pelo instituto Pew Research Center, em números publicados esta semana, nos Estados Unidos.
Os entrevistados, todos maiores de 15 anos, foram questionados sobre as suas preferências entre 20 artistas populares, tanto antigos quanto actuais.
O resultado: 95% dos 1.815 participantes responderam gostar "muito" de John, Paul, Ringo e George. O quarteto de Liverpool desalojou do topo da classificação, uma das bandas mais ouvidas no território do Tio Sam, os Eagles, que são campeões de vendas nas listas musicais dos Estados Unidos há já muitos anos. Estes, levaram a medalha de prata, ficando no segundo lugar, e passando à frente de Johnny Cash, outro dos ídolos dos norte-americanos.
Michael Jackson e Elvis Presley aparecem em quarto e quinto lugar, respectivamente.
O Rei do Pop, inclusive, é o artista com o menor número de pessoas que nunca ouviram falar de seu trabalho (apenas 1%).
Por outro lado, Madonna, em 17ª posição, teve o maior número de desaprovação: 31% declarou não gostar da musa.
O estudo também avalia diversos aspectos das gerações actuais em comparação com as anteriores.
Tendo como ponto de partida o festival de Woodstock, de 1969, a análise revela que o género musical preferido, entre todas as idades, dos 16 aos 60 anos, é o rock n'roll.
Vejam os resultados desta pesquisa, aqui.
sábado, 15 de Agosto de 2009
John Sebastian fala sobre Woodstoak e sobre os anos 60
sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
A Gibson de Les Paul, não toca mais.

Foi um dos músicos que mudaram para sempre o curso da música pop/rock. Foi um pioneiro ao utilizar várias faixas de guitarra numa só gravação. Les Paul morreu ontem, no White Plains Hospital, devido a complicações resultantes de uma pneumonia. Tinha 94 anos.
Em Fevereiro de 2006, Les Paul foi hospitalizado com problemas do mesmo foro, no mesmo mês em que recebeu dois Grammys, devido ao álbum que na altura lançou, intitulado Les Paul & Friends: American Made, World Played.
Aos oito anos, a música começou a ter lugar de destaque na vida de Les Paul - cujo nome de nascença é Lester William Polfuss -, quando aprendeu a tocar harmónica. Pouco depois passa para a aprendizagem do banjo, mas depressa a guitarra toma lugar nas suas preferências. E apenas com 13 anos já actuava profissionalmente como um guitarrista de música country.
Foi graças a Les Paul que foi possível o desenvolvimento do rock'n'roll, a partir da invenção de uma inovadora técnica de gravação de música. Essa técnica permitiu aos artistas passarem a gravar vários instrumentos em momentos separados, podendo depois gravar as harmonias vocais e, no final, juntar todas as faixas num só tema.
Em 1939, criou a guitarra The Log, uma das primeiras guitarras eléctricas com corpo sólido de madeira. Mais tarde, a Gibson Guitar Corporation fez um acordo com o músico e começou a fabricar guitarras eléctricas com as inovações trazidas por Les Paul. Este modelo ficou com a assinatura Gibson Les Paul e é um dos mais utilizados no mundo.
Pete Townsend, dos The Who, Jimmy Page, dos Led Zeppelin, Eric Clapton, Paul McCartney ou Al DiMeola são apenas alguns dos músicos mais célebres que escolheram a Gibson Les Paul para criarem a sua música.
Dada a grande importância desta guitarra criada por Les Paul, em 2005, a casa leiloeira Christie's leiloou uma Gibson Les Paul de 1955 por 45 600 dólares (31 901 euros).
Além de ter sido um importante inventor, Les Paul teve ainda uma carreira musical de sucesso ao lado da mulher, Mary Ford, com quem ganhou 36 discos de ouro de 1949 a 1962.
por João Moço
terça-feira, 11 de Agosto de 2009
The British Invasion. Os grandes festivais.

No final da primeira fase do rock and roll também foi marcante, a perseguição ao criador do estilo, Allan Freed, processado e condenado ao pagamento de uma multa de mais de US$30.000 por ter recebido pagamentos em troca da execução de determinadas músicas nos seus programas e festas. Alegavam que as atitudes anti-éticas de Allan Freed haviam sido responsáveis pelo sucesso do rock and roll que de outra forma não poderia ter atingido tamanha repercussão. Allan Freed após a divulgação deste escândalo foi obrigado a retirar-se.
Mas enquanto o rock declinava sensivelmente no seu pais de origem, do outro lado do Atlântico, em Inglaterra, crescia o interesse pelo rock and roll.
Principalmente nas cidades portuárias, e isto,talvez porque os músicos Ingleses, teriam acesso mais fácil às músicas que vinham do continente americano, já que havia sempre um familiar embarcado nos navios, que ligvam o velho continente, aos USA, e sempre traziam, como prendas, os ultimos singles editados lá na terra do Tio Sam, e então era só fazer a respectica cover, que o sucesso estava garantido. Na velha Albion, só se ouvia o skiffle, e o jazz, muito técnico, muito sóbrio, e muito chato para os teen agers ingleses.
Billy Furry foi o primeiro cantor inglês, a ter alguma repercussão nos Estados Unidos, ainda baseado nos conceitos comerciais do rock original, com músicas feitas por encomenda.
Em Liverpool estava a germinar um movimento cultural que tomou o nome de um fanzine musical local,o Mersey Beat.
Entre as bandas locais já se destacavam uns tais Silver Beatles, que a par de outras formações, transitavam entre Hamburgo, ali na Alemanha vizinha, e a Cavern, na Mathew street.
Em oposição ao rock juvenil e inocente da década de 50,começaram a surgir nos Estados Unidos artistas mais preocupados em passar mensagens importantes através da música. Com base na folk music, e tocando sobretudo em bares, surgiam artistas como Bob Dylan e Joan Baez, que em muito breve viriam a mudar o rosto do rock.
O movimento intelectual chamado de Beatnik foi de grande importância na formação deste novo estilo. O Beat era caracterizado pela valorização da individualidade, do livre arbítrio, da experiência e da mudança, em contradição com a manutenção dos antigos valores considerados importantes pela geração anterior.
Em 1963 Bob Dylan já era uma figura de relativa importância neste meio, e as suas letras inteligentes, chamavam a atenção do público e da crítica, fato inédito até então na música pop.
Em Abril desse ano,fez o seu primeiro grande show em New York, e teve uma apresentação no programa de TV de Ed Sullivan cancelada em virtude do conteúdo "revolucionário" de suas letras.
Já em Maio teria lugar na Califórnia, o Monterey Festival reunindo Bob Dylan e Joan Baez, além de, Peter Seeger e o trio Peter, Paul & Mary. Rapidamente a música folk e principalmente Bob Dylan seriam taxados de comunistas e degenerados, o que obviamente atraiu a atenção do público, dando inicio a um movimento intelectual, contestatário, tendo como alvo principal a guerra do Vietname.
Da "wave" musical anterior,o Rock and Roll, a única grande novidade no início da década de 60 tenham sido os Beach Boys, banda que se popularizou sobretudo entre as comunidades surfistas do sul, tendo iniciado a sua série de sucessos, fazendo a batota clássica dos musicos brancos da época, com o hit "Surfin" USA",um plágio descarado do "Sweet Little Sixteen" de Chuck Berry, por quem seriam processados nesse mesmo ano.
A par dos Beach Boys, estavam os Monkees, os Turtles, os Rascalls, os Four Seasons, todos eles, já influenciados, pelo estilo musical Britânico.
Em Inglaterra, contratados por George Martin da EMI, após terem sido desprezados pela Decca, em 1963 os Beatles já eram um sucesso sem precedentes usando a formula de juntar o apelo fácil de músicas cativantes a uma grande presença, bom humor e algum cinismo nas entrevistas, que cativavam o publico e a imprensa. Inovador também, era o facto de serem os próprios membros da banda responsáveis por grande parte das suas composições.
Ao mesmo tempo, com uma cover de "Come On", mais uma música de Chuck Berry a servir de trampolim, davam-se a conhecer ao grande publico, vindos de Londres, mas ainda sem grande repercussão, uns tais Rolling Stones. Precisaram de um tema dos seus amigos de Liverpool, o "I Wanna Be Your Man", para subirem ao pódio dos temas mais vendidos.
Bob Dylan e outros artistas folk dos USA, entravam finalmente o mercado europeu enquanto paralelamente os Beatles conquistavam a América.
Curiosamente em Abril de 1964 Bob Dylan era número um em Inglaterra com o tema "The Times They Are A Changin" enquanto os Beatles ocupavam as cinco primeiras posições nas listas americanas, com o "Cant Buy Me Love" em primeiro lugar.
Os Rolling Stones tornavam-se também num grande sucesso mundial com a sua ida aos Estados Unidos pouco tempo depois dos Beatles. A atitude irreverente dos Stones, com os seus frequentes escândalos, eram a antítese perfeita da educação e boa aparência dos Beatles, conquistando a parcela mais rebelde do público.
Em 1966, com o single "Substitute" os The Who finalmente levavam o que viria a ser rotulado de "hard rock" pela primeira vez ,ao topo das listas de vendas, em grande parte devido à repercussão que tinham os finas dos seus espectáculos, em que Keith Moon e Peter Towsend, se divertiam, a destruir os seus instrumentos.
Eric Clapton forma o power trio "Cream". A propósito, o primeiro grande power trio,da década de 60, foram os Big Three, de Liverpool, com Adrian Barber,no solo, John Gustafson, no baixo, e John 'Hutch' Hutchinson na bateria, que chegaria a tocar com os Beatles em Hamburgo, na ausência de Pet Best.Foram, á semelhança dos Beatles, empresariados por Brian Epstein.
Nos Estados Unidos as novidades eram menos agressivas: a fusão definitiva entre o folk e o rock, graças aos Byrds, Simon & Garfunkel e as harmonias vocais dos Mamas and The Pappas, tinham arrefecido ligeiramente a "heat wave", deixada pelo Rock and Roll da década de 50.
As influências das temáticas mais complexas do folk rock eram flagrantes. Paralelamente as letras passaram a ser mais explicitas, relatando as trips, em que a maioria dos musicos se embrenhava, utilizando tudo o que provocasse alucinações ou alterasse o estado de espirito.
As drogas não eram consumidas só para eliminar o cansaço, mas sim para procurar prazer e estados alterados de percepção. A música da época foi fortemente influenciada por alucinogénos, como a LSD, seja porque era composta sobre seu efeito ou porque era composta de maneira a simular ou tentar amplificar os seus efeitos. Este novo tipo de música foi chamado de psicodélico.
Rezam as crónicas, que foi sob o efeito de LSD que os Beatles gravaram o que é justamente considerado, o álbum mais revolucionário da história do rock, o Sgt. Peppers’ Lonely Hearts Club Band, de 1967.
Pela primeira vez uma banda de rock rompeu definitivamente com o formato comercial do 45 Rpm, o single, lançando uma obra completa,no formato de 33 Rpm LP, em que cada música era apenas uma parte de um todo. Tendo gasto mais de 700 horas e seis meses de gravação,terá sido o primeiro álbum conceptual, que, desde a sua capa,até ao último sulco do disco, obdeceu a uma temática, em que todos os temas estão ligados, formando um todo.
Para muitos, Sgt Peppers é considerado o nascimento do rock progressivo, o qual, curiosamente, não se prende a nenhum conceito predefinido, mas é sim baseado no experimental e no ineditismo.
Divide esta glória, que me perdoem os "Beatlomaniacos furiosos", com um outro álbum, curiosamente gravado no mesmo estúdio e ao mesmo tempo, o "The Pipers At The Gates Of Dawn", dos Pink Floyd, banda que tinha ficado famosa, pelas suas performances audiovisuais no underground londrino, capitaneada pelo gênio louco, movido a LSD de Syd Barret.
Descoberto e levado para a Inglaterra pelo baixista Chas Chendler,que deixara os Animals, para se dedicar a empresariar os seus pares, Jimi Hendrix seria uma outra das grandes revelações de 1967. Com o seu segundo single, "Purple Haze",o primeiro tinha sido "Hey Joe", um ano antes, Hendrix captou a atenção, não apenas do público, mas dos seus companheiro de estrada, a começar logo, pelo "God", "Slow Hand", Eric Clapton.
Com uma nova sonoridade, cheia de criatividade e de "licks", solos, que mais ninguém conseguia reproduzir, utilizando pedais de efeitos, as Fuzz Box, e as Wha-Wha, até á data só utilizados por George Harrison, em toda a sua potencialidade, Jimmi Hendrix, ficou definitivamente, na história da musica do século 20, como o grande inovador, o grande explorador de todas as capacidades da guitarra eléctrica, levando-a a patamares, que ainda hoje,mais nenhum outro guitarrista,consegiu ultrapassar.
Entretanto, nos USA, apareciam, os hippies. Usando a agressão ao establishment e a disseminação da doutrina da liberdade sexual e o udo de drogas, filosofia herdada do pensamento beat, o movimento hippie, concentrava-se principalmente em San Francisco, e tinha como expoentes, bandas como os Gratefull Dead,de Jerry Garcia, os Jefferson Airplane, de Grace Slik, os Doors de Jim Morrison, e Janis Joplin. São marcos da época, as flores no cabelo, daí o termo flower power, os cabelos compridos e as comunidades alternativas. O Make LOve Not War.
O grande evento do ano de 1967 seria o Monterey Pop Festival que reuniu na California, Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Animals, Simon and Garfunkel, Bufallo Springfield, entre outros.
Em 1968 com o final dos Yardbirds, Jimmy Page forma os New Yardbirds logo renomeados para Led Zeppelin, ao mesmo tempo que os Cream alcançava um merecido sucesso.
Uma outra banda de hard rock, os Sttepenwolf, com o "Born To Be Wild", mencionavam pela primeira vez o termo ‘heavy metal’.
A sonoridade dos Led Zeppelin era inédita, e embora muito baseada no blues,era mais agressiva do que qualquer outro som anterior. Instrumentistas virtuosos, solos e improvisações de tempo indeterminado começavam a ser a imagem de marca da banda. O hard rock iniciava o seu período de ouro, ao mesmo tempo que as bandas de maior suceso, como os Beatles, passavam por problemas de convivência cada vez maiores, que terminariam em separação, deixando espaço para estas novas bandas emergentes.
1969 foi ainda o ano dos grandes festivais. A morte de um espectador durante um show dos Rolling Stones durante o festival de Altamond, California, foi o marco negativo do ano. Mas mesmo assim, este episódio, não seria suficiente para ofuscar, a realização do que possivelmente foi o maior evento de música de todos os tempos, entre 15 e 17 de Agosto, em Woodstock, referenciado por muitos como o marco do início de uma nova era de paz e amor. Estiveram em palco, entre outros, mais ou menos pedrados, Richie Havens, que abriu o festival, Country Joe McDonald, John Sebastian dos Lovin' Spoonfull, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jefferson Airplane, The Who, e muitos outros.Vêr elenco aqui.
No Newport Jazz Festival por sua vez apresentaram-se Led Zeppelin, Jethro Tull, John Mayall, Ten Years After, Jeff Beck, James Brows, Johnny Winter.
Com bandas de músicos virtuosos como os Pink Floyd, Led Zepellin, Cream, Jethro Tull e Deep Purple, e os super experimentais Mothers Of Invention de Frank Zappa, associados aos trabalhos cada vez mais elaborados de bandas como os Beatles os Who, que tinham lançado a ópera rock Tommy, elevaram definitivamente o rock á categoria de arte conceptual, deixando na poeira da memória, a simplicidade, característica do rock dos primeiros tempos.
Nada seria como antes.
segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
Criador das Fender nasceu há cem anos

Leo Fender nasceu em Anaheim, na Califórnia, a 10 de Agosto de 1909 e viria a falecer a 21 de Março de 1991.
Quando era jovem adorava manipular rádios e aos poucos foi também ganhando interesse por amplificadores.A primeira guitarra eléctrica, uma evolução da guitarra acústica, surgiu em 1930, mas apresentava problemas de diversa ordem. Nomeadamente, os captadores electrónicos faziam vibrar o seu bojo de uma tal forma que provocavam feedback. Tornava-se completamente impossível controlar o som da guitarra em palco. A solução, encontrada por Les Paul (cujo nome aparece associado a modelos da Gibson), foi passar a construir guitarras com o corpo maciço, o que seria materializado pela empresa Rickenbaker, outro fabricante de renome, apenas dois anos mais tarde.
É na década de 40 que Leo Fender resolve fabricar guitarras eléctricas e amplificadores com a companhia K&F para depois, em 1946, fundar a sua FenderElectric Instrument Company.
Com George Fullerton, em 1948, desenhou a Fender Broadcaster, que pouco depois viria a chamar-se Telecaster. Seis anos mais tarde lançou aquela que viria a ser uma das guitarras mais importantes da História, a Stratocaster, que foi utilizada por algumas lendas do pop/rock, desde os Beatles a Jimi Hendrix. Este modelo surgiu para bater a concorrência da Gibson e da Gretsch.
Fender criou também o Precision Bass, outro instrumento notável. Tratava-se de um baixo eléctrico que podia ser manipulado como uma guitarra, tornando agora os baixistas mais audíveis, podendo deixar o plano secundário em que ficavam atrás dos respectivos contrabaixos.
O talento do construtor lançou-o ainda no desenho de violinos eléctricos, steels, bandolins e amplificadores.
Os modelos foram surgindo e marcando de imediato a sua presença: a Jazzmaster, a Jaguar, a Mustang, a Electric -XII (12 cordas), a Bass VI, entre outras, bem como instrumentos acústicos.
A meio da década de 60, Leo Fender sentiu-se acometido por problemas de saúde e resolveu vender a sua empresa à CBS por 13 milhões de dólares.Pouco tempo depois esteve na CBS/Fender, mas por um período curto. Abandonou-a em 1970 para não mais lá voltar.
Mas não se pense que a história das famosas guitarras ficou por aqui. Longe disso. Até 1979, a Fender chegou a vender 40 mil instrumentos por ano, ainda que tivesse que lutar contra cópias e importações japonesas. Entretanto, os Estados Unidos entraram em recessão e os adolescentes começaram a despertar para os jogos de vídeo: as guitarras deixaram de ser objectos prioritários para os seus tempos de lazer.Três anos mais tarde, a empresa começou a fazer edições vintage baseadas nas guitarras originais. Mas os lucros caíam a pique e a fábrica passou de 1.100 empregados para apenas 90.
A fábrica foi vendida pela CBS a um grupo de investidores a meio da década de 80 e , depois de ter aberto uma oficina em Corona, na Califórnia, passou a apostar sobretudo na qualidade dos instrumentos em detrimento da quantidade. Mais tarde , a Fender abriu uma outra fábrica, agora no México.
Na década de 90 surgiram novos modelos, a Custom Shop e a Custom Amp Shop.
O nome Fender continua ( e continuará) a ser sinónimo de guitarras eléctricas de qualidade.
domingo, 9 de Agosto de 2009
Rock And Roll Is Here To Stay - The Million Dollar Quartet

A data apontada, como sendo a do nascimento, do rock and roll é a do lançamento da música "(We’re Gonna) Rock Around The Clock", de Bill Haley and The Comets,em 12 de Abril de 1954, e a qual eu ouviria pela primeira vez, numa sessão de cinema, absolutamente inesquecivel. O tema, fazia parte da banda sonora do filme "Blackboard Jungle" de 1955, baseado no livro com o mesmo nome, e autoria de Evan Hunter.
Embora dezenas de gravações anteriores já apresentassem um ou outro factor do que viria a cristalizar-se, como sendo, puro Rock and Roll, este é sem dúvida, o marco que delimita a fronteira, entre a música do sistema dominador, e a da juventude, que começava a marcar o seu território, e a fzer as suas exigências de liberdade de expressão, de criação,ou seja, a liberdade de viver.
O próprio Bill Haley tinha gravado nesse mesmo ano,uns meses antes, o tema, "Shake Rattle and Roll",de autoria de Jesse Stone, aliás Charles E. Calhoun, o qual já tinha sido gravado, por Big Joe Turner, sendo portanto, a versão de Bill Haley, uma cover com a lirica substancialmente alterada, para que não escandaliza-se a população branca, com a gíria, com o calão, cheio de referências ao relacionamento sexual, e mesmo, machista, entre os casais negros.
Mas Halley, não tinha sex appeal, e nunca descalçou as suas botas de country boy, ou seja de saloio.
O sonho de encontrar um caucasiano, capaz de cantar como um negro, e arrebatar os corações "branquelas" americanos, foi realizado por Sam Phillips, proprietário de um pequeno estúdio, a Sun Records. Ao gravar um jovem camionista de boa presença física e com uma voz a condizer, Sam Philips, descobriu a galinha dos ovos de ouro. O branco capaz de fazer frente á horda de negros que se preparavam para conquistar as listas de vendas de discos e contaminar os usos e costumes, da inocente juventude americana, nesse inicio da década de 50, foi Elvis Presley.
Com os singles de "Thats All Right" e "Blue Moon of Kentucky", logo seguido por "Good Rockin’ Tonight" e "I Don’t Care If The Sun Dont Shine", poucos poderiam acreditar que a voz, que ouviam na rádio era a de um branco. Obviamente parecia mais saudável à sociedade conservadora e racista aceitar aquele tipo de música vindo de um rapaz da sua raça, e catalogado de bom rapaz. Essa imagem, porém, era desmentida pela maneira agressiva e sensual de dançar do que viria a ser a imagem de marca, no principio, do King do Rock And Roll.
Elvis "The Pelvis" Presley, vinha para ficar, e arrasar.
Embora, tendo "nascido" um ano antes, o Rock and Roll, só viria a explodir definitivamente em 1955, em grande parte influenciado pela inclusão do tema, na banda sonora do filme "Blackboard Jungle" ("Sementes da Violência", aqui em Portugal), e como já atrás referi,versava sobre as relações tumultuosas entre alunos e professores, numa qualquer escola multiracial americana.
Numa analogia a algo muito mais amplo, o filme/livro, descrevia o relacionamento entre o stablishment, e a ânsia por mudanças, de uma juventude que cada dia mais delinquente, se lançara na procura de herois, que nada tivessem a ver com os estereótipos do passado. Rápidamente adoptou,para desespero dos sectores mais conservadores da sociedade, puritana e racista da época, a rebeldia, mesmo que sem causa, o exemplo a ser seguido, e por arrasto, a música do filme, como catalisador dessa rebeldia. Obviamente o novo tipo de música passou rapidamente a ser associado à degeneração da juventude, o que tornava ainda maior seu fascínio, num ciclo vicioso irresistível.
E quando todos pensavam que nada pior poderia influenciar em tão grande escala a juventude americana eis que um negro, Chuck Berry, se destaca, com uma versão de um hit country, "Ida Red", renomeado para "Maybelline", e com a autoria atribuida, a Allan Freed, embora este não tenha sido, tido nem achado, na composição do tema. Começava o ataque do sistema, acusando Freed de receber "luvas", para passar estes discos nos seus programas, o que viria a ser conhecido como o esquema "Payola", e que viria a destruir Alan Freed.
Embora nunca tenha conseguido para si o título que lhe poderia e devia ser atribuido, de Rei do Rock, usurpado pelo branco Elvis, a sua importância nunca foi discutida.
Ainda mais assustadora para os conservadores porém seria a aparição de um segundo negro, Little Richard, este ainda por cima afemeninado, maquilhado e com um penteado no mínimo exótico, cantando em seu primeiro verso o que viria a ser para sempre o grito de guerra mais conhecido do Rock and Roll, tão indecifrável quanto contagiante...
"waa ba bluba, baram bam bum,tutti frutti, oh meruri,tutti frutti, oh meruri",desculpem a fonética.
A prova definitiva de que o Rock and Roll seria a mais lucrativa música de consumo dos próximos anos viria com o pagamento de inéditos 45.000 dólares pela "transferência" de Elvis Presley, que chegara a ser aconselhado a voltar á estrada, para o volante do seu camião, menos de dois anos antes, para a RCA Victor.
Em 1956 enquanto Elvis Presley consolidava o seu sucesso com novos hits como "Heartbreak Hotel", "Blue Suede Shoes", - que deveria ter sido lançada pelo seu autor, Carl Perkins, se este não tivesse sofrido um grave acidente de carro que o deixou paralisado numa cama do hospital durante um ano,- e covers de músicas já consagradas como "Tutti Frutti","Shake Rattle and Roll", tornava-se urgente para outras gravadoras encontrar artistas que pudessem rivalizar com Elvis.
A Sun tentando livrar-se do estigma que a perseguiria de ser apenas a gravadora que descobriu Elvis e o vendeu por uma ninharia, lançava Roy Orbison com "Ooby Dooby".Sem grande suceso, de inicio. Mas ali, já havia muito talento a ser preparado para enfrentar a fama e o sucesso que estava ali ao virar da esquina.
Além de contar já, nas suas fileiras com Johnny Cash, Sam Phillips, começara a gravar um pianista completamente louco. The Killer, Mr Jerry Lee Lewis.
Portanto, antes da saída de Elvis, a Sun possuía o que viria a se cognominado de "The Million Dollar Quartet" - Elvis Presley, Johnny Cash, Jerry Lee Lewis & Carl Perkins .
A Capitol Records responderia a Elvis com Gene Vincent and The Blue Caps, e o seu "Be Bop A Lula", marcado pelo estilo do vocalista, front man, que balançava as ancas,apoiado na sua perna parada. Na verdade e no caso de Gene Vincent, paralisada, em virtude de um acidente de moto.
Com uma sonoridade um pouco diferente, mais marcada pela música negra de origem, principalmente gospel, começava a despontar o talento de James Brown com o seu quase soul "Please Please Me".
Já sobre o comando do empresário Tom Parker o talento de Elvis era aproveitado também no cinema no filme "The Reno Brothers", logo renomeado para "Love Me Tender"em virtude do grande sucesso da canção tema.
Não tardam a aparecer outros filmes com participações de estrelas do rock, como "Rock Around The Clock" e "Don’t Knock The Rock",com a participação de Bill Haley e Allan Freed, "The Girl Can’t Help It", estrelado po Little Richard, Gene Vincent, Eddie Cochran, entre outros.
Entretanto, em Inglaterra, e no resto da Europa, com algum atraso, o filme "Blackboard Jungle" dava a conhecer o Rock And Roll.
Com o alistamento obrigatório de Elvis Presley nas forças armadas em 1957 o fim do rock and roll foi anunciado pela primeira vez.
Afinal o que haveria neste ritmo que o poderia eternizar, em contraste com tantos outros como o cha-cha-cha, a rumba, o calipso, ou o mambo?
Contrariando todas as previsões novos hit makers surgem de onde menos se espera.
Se tomar-mos como exemplo Buddy Holly, e os Crickets, de Nashville, podemos constatar, que com hits açucarados tipo, "That Will Be The Day" e "Peggy Sue", que o rock poderia ser domado e usado, associado a um rapaz bem comportado, cuja imagem enquadrava perfeitamente naquilo que os conservadores queriam, e as letras românticas, sem segundas intenções.
As esperanças de menos rebeldia e dias mais calmos na radio não se concretizariam, obviamente. Seja pelos lançamentos de "School Days" de Chuck Berry, uma ode ao fim das aulas, ou pela explosão tardia de Jerry Lee Lewis com "Crazy Arms", "Whole Lotta Shakin’ Going On", e é claro, o imortal "Great Balls Of Fire".
Com o ingresso de Elvis nas forças armadas, a despeito de este ter deixado gravado material para dezenas de lançamentos e um filme gravado, "King Creole", Jerry Lee Lewis era o candidato natural para ocupar o posto, deixado pelo King Elvis, rebelde, carismático... e branco.
O seu apelo ao público era proporcional ao seu ego, e "Great Balls Of Fire", tornou-se rapidamente no sucesso do ano de 1958. A sua carreira viria, no entanto ruir de uma forma tão meteórica quanto surgira, em virtude de ter vindo a público o seu casamento com a sua prima de 13 anos, Myra Gale Brown, menor, sem Jerry ter tido o cuidado de desfazer um de seus casamentos anteriores, sendo portanto um bígamo, o que era demais para a sociedade da época.
1958 vê ainda Chuck Berry lançar dois dos maiores clássicos do rock de todos os tempos, "Sweet Little Sixteen" - sim, um hino ás adolescentes, e "Johnny B. Goode", quase auto biográfico.
O Rock lamechas, romântico, pimba... por sua vez, contra ataca com "All I Have To Do Is Dream", dos Everly Brothers.
Por cá, mas só em 1960, despontam os Conchas, (Oh Carol), um pouco á semelhança dos manos Everly, e o Daniel Bacelar, ("Fui Louco Por Ti"), na peúgada do Ricky Nelson, (Poor Little Fool), do Johnny Tillotson, ("Poetry in Motion"), Bobby Vee, ("Take Good Care of My Baby" ), e outros.
Por lá, James Brow lança seu primeiro grande hit, Try Me.
O ano negro de 1959 começou marcado , pelo acidente de avião que em Janeiro, em Clear Lake, Iowa, que vitimou, Buddy Holly, Big Booper e o recém descoberto chicano Ritchie Valens (La Bamba). Após uma apresentação conjunta durante uma mal-sucedida tourné de inverno, chamada Winter Dance Party , o avião que transportava o grupo de uma cidade para outra, no meio de uma tempestade de neve e com um piloto inexperiente, caiu pouco após a decolagem, não deixando sobreviventes.
A década termina com Chuck Berry, na cadeia, por cruzar uma fronteira estadual com uma prostituta,que teoricamente havia sido contratada para trabalhar no seu clube Saint Louis. O seu grande crime, obviamente, era ser negro numa sociedade racista e o facto de ter alcançado tanto sucesso. Berry foi julgado e condenado a dois anos de cadeia.
Os factos citados,eram emblemáticos e fáceis de localizar, mas os problemas do Rock and Roll, não se reduziam a estes. O estilo estava gasto em virtude da
super exposição e mesmo os grandes nomes como Carl Perkins e Jerry Lee Lewis estavam a derivar para o caminho mais lucrativo do country.
Elvis Presley, de volta do seu serviço nas forças armadas, passaria de elemento rebelde a entertainer familiar, gravando praticamente apenas baladas.
A juventude finalmente notara que Bill Haley e Allan Freed afinal já não tinham idade para serem ídolos jovens.
Talvez o rock finalmente tivesse morrido.
Ou talvez precisasse de algumas mudanças.
Ou teria o sistema conservador vencido????
sábado, 8 de Agosto de 2009
A loucura em Abbey Road, 08 Agosto de 2009
Fotos: Sang Tan/AP
A ultima, foi há 40 anos...When they we're FAB.
A 8 de Agosto de 1969, foi tirada a fotografia da capa do álbum de despedida. Hoje centenas de pessoas,vão passar na mitica passadeira de Londres.George, Paul, Ringo, John sabiam que iam acabar com os Beatles. Mas antes de se separarem tiraram juntos a fotografia, pela qual, mais ficaram lembrados.
Foi a 8 de Agosto de 1969, faz hoje precisamente 40 anos, que os quatro de Liverpool pediram a Iain Macmillan para os apanhar com a câmara a atravessar a passadeira de Abbey Road.
Perto das 11.30, os Beatles deixaram o estúdio, pediram a um polícia para parar o trânsito a uns 15 metros dali e andaram, algumas vezes, para trás e para a frente, sobre a zebra naquela rua do Noroeste de Londres.
O fotógrafo, empoleirado num banco, disparou por sete vezes. Uma dessas sete foi a imagem escolhida para fazer a capa do seu último álbum, Abbey Road, a mais famosa da história da música.
Desde então, no que se tornou um ritual, centenas de pessoas passam todos os dias a passadeira. Hoje, quando forem 11.35, milhares de fãs cruzá-la-ão, em fila indiana, o olhar em frente, o passo trocado, para tentar imitar os quatro da mítica banda de Liverpool.
"É a loucura, dizemos que passamos exactamente no mesmo sítio que eles," disse à AFP Lucille, uma fã que chegou na véspera do aniversário para evitar a multidão.
"O desafio é fazer exactamente a mesma fotografia", diz Christophe, francês, com uma T-shirt dos Beatles vestida.
A imagem de despedida dos Beatles não fascinou apenas os fãs, mas convenceu vários grupos a tentar imitá-la e usá-la nos seus álbuns.
Os Beatles não podiam imaginar que a capa do álbum que vendeu 12 milhões de cópias se tornaria num ícone. A fotografia até foi uma solução de última hora.
A banda tinha pensado chamar ao último álbum Everest, porque era essa a marca de cigarros favorita do seu engenheiro Geoff Emerick. O plano era usar uma imagem do pico dos Himalaias.
Mas a ideia perdeu força e, quando terminou o essencial das gravações, o grupo decidiu chamar ao álbum Abbey Road - o nome da rua dos estúdios, onde mais tarde gravaram os Pink Floyd, os Oasis e os U2.
A ideia da fotografia na passadeira saiu da cabeça de Paul McCartney. "Ele fez uns rabiscos com quatro homens de pau a atravessar uma passadeira," contou Brian Southall, autor de uma história de Abbey Road, à BBC.
A fotografia - dos quatro a atravessar a rua com um Volkswagen branco e um táxi londrino, preto, atrás - não levou quaisquer letras em cima quando passou a capa.
A culpa foi do director criativo da Apple, John Kosh, que teve de desafiar a editora Emi: "Eu insisti que não era preciso escrever o nome da banda. Afinal, eles eram a banda mais famosa do mundo."
Jamie Bowman, um especialista na história da banda, disse ao Liverpool Daily Post que o mais emocionante naquela imagem é pensar-se que "é a capa do último disco que os Beatles gravaram".
"Não só é uma das últimas imagens dos Beatles juntos. Ela mostra os quatro, literalmente, a afastarem-se de Abbey Road e a deixar para trás aquilo que tinham feito nos últimos seis anos."
Por: Hugo Coelho,in DN
sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
Alan Freed, o inventor do Rock And Roll
Apesar de no decorrer da sua história o rock and roll ter ficado mais marcado por músicos brancos, deve-se aos negros, trazidos de África para trabalhar nas plantações de algodão dos Estados Unidos, a criação da estrutura rítmica e melódica que seria a base do rock.Os cantos entoados pelos negros durante o trabalho, no início do século XX dariam origem ao Blues,carregado de tristeza, de melancolia, assim um pouco ao geito do nosso fado.
Um estilo musical basicamente vocal, o blues era geralmente acompanhado apenas por um violão. Enquanto o blues se desenvolvia nos campos e nas pequenas cidades, sobretudo do sul dos USA, nas grandes cidades por sua vez, tocava-se o jazz, baseado na improvisação e executado por bandas maiores e arranjos mais elaborados,com percussão e instrumentos de sopro, constituidas maioritáriamente por musicos brancos,que antes do jazz, swingavam nos grandes salões de baile das metrópoles americanas das décadas de 40 e 50. Os "band leader", eram todos brancos, Benny Goodman, Glen Miller,Tommy Dorsey, e os corooners, ou cantores, eram igualmente de raça branca.
Dos primórdios, e vindos dos campos do sul á destacar, King Oliver, Louis Armstrong, Billie Holiday , Sara Vaugham, Mudy Watters,entre os primeiros negros a imporem-se pela sua qualidade e originalidade, no meio musical americano.
Por outro lado, nas igrejas evangélicas desenvolvia-se a música gospel negra, que embora obedecendo ás escalas de blues, caracterizavam-se por terem um rítmo frenético, sensual, canções de redenção e esperança para um povo oprimido. A música era acompanhada por piano ou órgão.
A situação económica dos USA,após o fim da segunda guerra mundial,e o desenvolvimento da indústria havia levado mais gente dos campos para a cidade, forçando o relacionamento entre brancos e negros e a tensão social e racial, mas favorecendo igualmente,a influência mútua entre a música negra,blues e seus derivados, e a música branca, principalmente country, swing e naturalmente o jazz. Da fusão do blues original com os ritmos mais dançantes dos brancos surgiu o rhythm and blues, que levou a música negra ao conhecimento da maioria dos americanos, que já constituiam uma grande e desenvolvida sociedade consumista.
No início da década de 50, com o final da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coréia, os Estados Unidos despontavam como grande potência mundial. Mais do que em qualquer outro momento da história era incentivado o consumo, a disfrutar a vida, marcada que estava a sociedade pelos anos de sofrimento da guerra.
A população de uma maneira geral e inclusive as minorias pela primeira vez tinham dinheiro para gastar com bens de consumo supérfluos, e entre eles a música.
Numa época de mudanças, surgia igualmente uma corrente intelectual nova, contrária à instituida.
Rebeldia e confronto com a geração anterior, eram as bandeiras desta nova atitude e que se reflectia na literatura, - "The Catcher in the Rye", que em Portugal foi intitulado, "À espera no centeio", de J. D. Salinger, seria publicado inicialmente em formato de revista, entre 1945-1946, nos Estados Unidos da América, mas posteriormente, foi editado no formato de livro em 1951, tornando-se num dos romances mais lidos em todo o mundo. Esta obra foi responsável por criar a "cultura-jovem", pois na época em que foi escrito a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventude e a fase adulta,sem qualquer tipo de importância.
Mas seria o cinema, a par com a música, a ter igual importância, neste "tsunami" cultural dos anos 50. Filmes como, "A streetcar named desire",em 1951, "The Wild One" em 1954, tendo como protagonista Marlon Brando, e o "Rebel Without a Cause", de 1955, com James Dean, só para mencionar estes dois actores, que viriam a tornar-se em icones imortais para toda a humanidade, trouxeram uma prespectiva diferente para a sociedade americana, e abalaram todas as estruturas vigentes.
Em pleno crescimento económico capitalista o consumo era considerado factor primordial para criação de empregos e divisas, bem como o melhor antídoto contra o comunismo,o grande papão da época, e a busca por novos mercados consumidores era incessante. Obviamente a parcela mais jovem da população rapidamente se mostrou mais influenciável e, ao público adolescente pela primeira vez, foi dado o direito de ter produtos destinados ao seu consumo exclusivo, bem como poder de escolha.
Estranhamente porém os jovens brancos, na sua grande maioria, negavam-se a consumir a música dos seus progenitores.O swing, o jazz e o country, não os excitava de modo nenhum.
Começaram então á procura, na música das minorias, negras, algo que se enquadra-se na postura de rebeldia que estavam a assumir.
Como a indústria discográfica de grande porte não estava preparada para atender o público consumidor com este tipo de música ganharam importância, as pequenas editoras de música negra.
A aceitação deste tipo de música pelo público de maior poder aquisitivo levou a incipiente indústria do vinil da época a investir na evolução do estilo e na procura e contratação de novos talentos, principalmente na procura de um jovem branco que pudesse dominar aquele estilo,criando uma imagem que pudesse ser vendida mais facilmente. Tornaram-se comuns os lançamentos de versões de músicas de compositores negros,gravadas por músicos brancos, sem sequer mencionar a autoria dos temas, ou fazer qualquer referência á origem das musicas, atirando assim, para o anonimato os verdadeiros mentores desta revolução musical.
Uma outra grande revolução de costumes estava em curso. O sexo deixava de ser tabu e passava a ser considerado um acto banal de consentimento mutuo, entre os jovens.
As canções de amor por pressão do público comprador passavam a dar lugar a letras mais explicitas, embora muitas vezes fosse necessário criar versões mais light, sem utilizar a escrita pura e dura dos letristas e compositores negros.
A mistura explosiva da empolgante música negra com o consumismo branco adolescente,estava a ter lugar, no caldeirão efervescente das escolas e liceus das cidades americanas... a explosão seria questão temporal. O rótulo para este novo género musical, já corria de boca em boca.
Era o Rock And Roll
Mas quem inventou o rock and roll?
Obviamente um estilo musical tão complexo não poderia ter a sua invenção atribuida incontestavelmente a apenas um indivíduo ou grupo de indivíduos. Muito menos aos negros.
Mas se alguém merecesse ter seu nome associado à "criação" do rock como o conhecemos este alguém não seria Elvis ou Bill Haley ou Chuck Berry nem nenhum outro cantor ou band leader.
O "inventor" do termo Rock and Roll, e grande responsável pela difusão do estilo, foi o disk jokey Allan Freed, locutor de programas de rhythm and blues de Cleveland, Ohio, quem primeiro captou e investiu na carência do público jovem consumista.
Foi ele, quem primeiro percebeu o potencial comercial da música negra.
O termo Rock and Roll, era uma gíria dos negros americanos, referente ao acto sexual, presente inclusive em muitas letras de blues, ouçam o "My Daddy Rocks Me With a Steady Roll" da cantora Trixie Smith, de 1922.
Allan Freed foi o responsável por usar um nome sonoro, para denominar o novo estilo musical em que ele estava a investir.
Em 1951 Allan Freed criou o programa Moon Dog Show mais tarde renomeado para Moon Dog Rock and Roll Party, e ao mesmo tempo promovia, bailes e espéctaculos com o mesmo nome, em que inicialmente, só passava discos de blues e rhythm & blues. Só mais tarde, divulgaria os novos temas, o novo ritmo, que havia ajudado a definir e a divulgar.O Rock and Roll.
As suas festas apesar dos constantes atritos e reclamações por parte das autoridades eram um sucesso. Os tumultos resultantes da excitação generalizada que a musica de Allan Freed transmitia nas suas actuações,originaram dezenas de processos por incitamento à violência.
Enquanto a juventude adoptava o novo ritmo como sua marca registada os adultos, principalmente, os estratos mais conservadores da sociedade, estigmatizavam esta musica, como musica de negros, musica do diabo, e causadora de toda a delinquência juvenil...
A partir de um texto de João Paulo Andrade
terça-feira, 4 de Agosto de 2009
Graham Nash
Graham Nash,é uma figura incontornável,que emergiu da década de 60, como musico e estrela por direito próprio, desde a chamada British Invasion, com os Hollies, entrando na decada de 70, como compositor, e figura de proa dos Crosby, Stills, Nash & Young, tendo ficado conhecido, até aos dias de hoje, pela sua capacidade não sé de musico ,enquanto compositor, mas igualmente como vocalista principal, e a fazer harmonias, com a sua distinta voz de soprano, atingindo agudos belíssimos, que combinaram na perfeição com David Crosby e Stephan Stills.Nascido em Manchester, o seu futuro musical ficou determinado, num dia qualquer de 1947, em que conheceu, na escola, Allan Clarke. Tornaram-se amigos inseparáveis, quando descobriram que ambos tinham um interesse comum, a musica. Cantavam ambos no coro da igreja, e em meados dos anos 50, formaram os primeiros conjuntos, que na época se dedicavam a interpretar temas de skiffle, sob o nome de The Two Teens. Depois, foram os Levins, até comprarem duas guitarras da marca Guytone, e passaram a ser conhecidos pelos The Guytones. Com o aparecimento do rock, e de nomes como os Everly Brothers, entraram nessa onda, chamando-se, Ricky e Dane Young (Allan era o Ricky, e Graham era Dane). Mas,não ficaram por aqui. Quando integravam uma outra banda chamada Four Tones, foram abordados, por um outro grupo, os Deltas, e convidados a entrar para esta banda.
Com algumas mudanças na formação nos meses seguintes, os Deltas, tornaram-se no núcleo dos Hollies, tendo Clarke, como vocalista principal, Nash, na guitarra ritmo e coros, Eric Haydock no baixo, e Vic Steel na guitarra solo, mas substituido, pouco depois por Tony Hiks, Red Rathbone, na bateria.
Em Abril de 1963, lançaram o seu primeiro single, após terem assinado com a EMI, tendo no lado A, uma cover dos americanos Coasters, “Ain't That Justlike Me," e no lado B o "Hey What's Wrong With Me." Alcançaram a promissora posição 25, nas vendas de singles.Para primeiro disco, foi óptimo. Tal facto ficou a dever-se, sobretudo á forte harmonia conseguida, com a voz de Nash, a sobressair sobre todas as outras, e a conferir, um som diferente do que se fazia nessa altura, aliada a uma sonoridade e beat, muito particular, e nada parecida com o som do Mersey Beat, que tinham nos Beatles, nos Searchers e em Gerry e os Pacemakeres os seus expoentes máximos.
Só no 5º single é que aparecem as primeiras composições de Clarke, Hicks, e Nash, o "We're Through," sob o peseudónimo, colectivo, L. Ransford.
Durante o verão de 1965, o trio de compositores, Clarke/Hicks/Nash, tornou-se muito notado, tendo sido convidada a integrar, a equipe de um dos maiores “publishers”, de rock and roll, de Inglaterra, a Dick James Music. Aí adoptaram a sigla “Gralto Music”, da junção de Graham, ALlan, e Tony. Foi a época de ouro, mais produtiva do trio, com os hits, "Stop Stop Stop", "Pay You Back With Interest", "On a Carousel", "Carrie Anne", "King Midas in Reverse", "Dear Eloise", e "Jennifer Eccles".
Os anos de 1966, a 1968, foram de afirmação,tendo a Gralto Music, sido tão profícua, quanto as duplas, Lennon /McCartney, Jagger/Richards, passando com estes da fase pop rock, á fase mais psicadélica .
Quando saiu o Seargent Peppers dos Beatles os Hollies, lançaram na mesma linha, o seu "King Midas in Reverse”, em Junho de 1967, cheio de timbres surpreendentes, efeitos sonoros, com uma festividade pouco vista em composições anteriores de Nash.
Seguiu-se o álbum “The Butterfly” em Novembro de 1967, cheio de miríades psicadélicas, “trips”, sons espaciais, algo, que o publico dos Hollies, confuso com a mudança drástica, no contexto e na forma, não aceitou. E as vendas cariam. E a popularidade, decaiu também. Isto mesmo tendo em conta que “Butterfly”, foi das mais sublimes, das mais belas melodias que Nash gravou com os Hollies. Uma canção do amor perdido, embelezada, com flautas, uma secção de cordas, e metais, comparável á abertura instrumental de uma "Lucy in the Sky With Diamonds."
O entusiasmo de Nash,em seguir todas as mudanças que estavam a ter lugar na cena musical Inglêsa, era comparável, á sua vontade em experimentar toda a diversidade química que estivesse na moda, nessa altura. Os restantes Hollies, preferiam uma boa “pint” de cerveja, no pub do costume. Na mesma época, Nash, quando da tournée dos Hollies pelos USA, conhece e torna-se amigo de um par de músicos baseados na Califórnia, David Crosby e Stephen Stills,...mas isso é história para posts seguintes.
Por agora, deixo-vos este medley de temas dos Hollies,(que acaba inesperadamente, mas como é raro, aqui fica) e cujo line-up da banda, era: Graham Nash, Allan Clarke, Tony Hicks, Eric Haydock, e Bobby Elliott, que se juntaram par esta aparição no Top of The Pops, em Setembro de 1981.
Os temas: "Just One Look," "Here I Go Again," "I'm Alive," "I Can't Let Go," e "Bus Stop."
domingo, 2 de Agosto de 2009
Kurt Coubain - About a Son
Um documentário sem entrevistas, reconstituições baratas ou material de arquivo. O que guia este filme é a voz confessional de Kurt Cobain, vocalista, lider dos Nirvana, que se suicidou em 1994. Não se estruturando como a maioria dos documentários clássicos – narração em off, informativa e historial – Kurt Coubain - About a Son, leva o espectador a uma viagem mais lúdica do que a maioria dos filmes de não-ficção. Baseado no livro “Come As You Are: The Story of Nirvana”, do jornalista Michael Azerrad, o filme revela conversas gravadas em mais de 25 horas de fitas, nas quais Kurt Cobain relembra a infância, o divórcio dos pais e seus dilemas como celebridade. O filme, dirigido e montado por AJ Schnack é bem rigoroso, busca não reiterar som e imagem, não banalizar a sua construção visual, ilustrando sómente,o que é dito pelo cantor. Planos e travellings das cidades de Aberdeen, Olympia e Seattle passam no ecrãn enquanto ouvimos a voz de Cobain. Este conceito de montagem dá margem à imaginação, gera cumplicidade com o espectador e com a história deste angustiado génio, que sempre se viu como um alien neste mundo tão opressor. “Já está tudo tão requentado, plagiado”, diz o cantor numa dada passagem do documentário. Nas palavras de Cobain encontramos um homem muito crítico de si e da América aonde cresceu. Uma América cheia de feridas e contradições, já criticada por tantos cineastas.
Lembrar a obra do norte-americano Gus Van Sant é bem oportuno para clarear os temas abordados no documentário. No intrigante Últimos Dias, o diretor já tinha procurado compreender a figura melancólica de Cobain. Em filmes como Elefante e Paranoid Park, Van Sant investigou também essa angústia que ronda o espírito do adolescente nos Estados Unidos contemporâneo. Um mal estar agregado à pressão escolar, instabilidade na família e muita raiva para extravasar, seja num piano (Elefante), na pista de skate (Paranoid) ou na guitarra punk rock, como foi o caso do jovem Kurt...
Michael Jackson acaba de nos deixar. Juliano Mion, editor aqui do Cine Players refletiu recentemente sobre seu testamento cinematográfico no genial Moonwalker (1988). Com a sua morte, vale a pena parar para pensar sobre a obsessão com a beleza e jovialidade que guia os nossos corações e mentes. Reflectir sobre os dilemas que enfrenta o olimpo das celebridades onde Michael talvez reinasse, e onde outros também já estiveram, como a princesa Diana e John Lennon. Todos mortos precocemente. Todos com suas vidas privadas expostas sem pudor por uma mídia quase tão cruel como um dia foi o Coliseu romano. As palavras de Cobain sobre o assunto são sinceras e virulentas. Nas entrelinhas, Kurt nos diz o que disse Greta Garbo em Grande Hotel, e que marcou para sempre sua vida e autoexílio: “I want to be alone” (em tradução livre, "Eu quero ficar sozinha").
Ao som de David Bowie, R.E.M. e Queen, as influências do cantor, Kurt Coubain - About a Son, é um convite à emoção e á reflexão (com o perdão da rima fácil). O filme começa com um vôo rasante sobre o oceano. Das profundezas, esse homem cheio de dor e arte volta à Terra para deixar parte de suas sensações sobre o nosso planeta, que para ele era alienígena. Algo além e complementar às suas canções. De como perdeu a inocência, como foi sua relação com as drogas. Um filme belo e criativo, para fãs e também reticentes ao Nirvana ou ao Rock'n Roll.
Por: Josafá Veloso
sábado, 1 de Agosto de 2009
João Só e Os Abandonados - Meu Bem
Os Abandonados são:
Zé Preguiça - Guitarra eléctrica
Paulo Jesus - Baixo
Nuno Santos - Bateria e Percussão
São de Lisboa, e procuram reviver o que nunca viveram. Gosto da ideia.
sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Oasis, melhor do que os Beatles?!?!?!?!
Cristiano Ronaldo afirmou que os Oasis, são melhores do que os Beatles.O, agora jogador do Real Madrid, diz que é um super fã da banda dos irmãos Gallagher, e que a coisa de que ele sentirá mais falta da cidade de Manchester, será exactamente, o som dos Oasis. Disse mais:
"Liverpool tem os Beatles, e Manchester tem os Oasis. Eu acho que Manchester tem a melhor banda. Eu tenho todos os discos deles, mas a minha música favorita é 'Champagne Supernova'. É um clássico absoluto".
O melhor jogador do mundo,agora com 24 anos acrescentou:
"Vou ser honesto. Eu não tinha a mínima ideia de quem eles eram, quando cheguei a Manchester, mas não se pode morar nesta cidade por muito tempo, sem saber quem eles são. Todos os meus colegas no balneário, adoravam o grupo, especialmente os ingleses. Quando fui para a Inglaterra eu curtia "techno", mas agora os Oasis, são uma das minhas bandas favoritas."
De acordo com o The Sun, Cristiano Ronaldo não queria nada mais,do que ter a banda, cujos elementos são apoiantes do Manchester City, a tocar ao vivo para ele em Madrid.
"Eu sei que eles estão em tournée, e eu ainda não os pude vêr. Talvez eu deva convidá-los para virem assistir a uma partida do Real Madrid contra o Barcelona, e no fim, eles poderiam fazer um showzinho particular, para mim, aqui em Madrid".
Jamie Bowman, staff do "The Beatles Story" de Liverpool, comentando as declarações do jogador português, disse ao Gigwise:
"Acho que Cristiano Ronaldo deveria olhar para o facto de que os Oasis, eles mesmos admitem que a sua maior influência foram os Beatles, simplesmente não existiriam sem os Fab Four".
quarta-feira, 29 de Julho de 2009
Noites tropicais - Nelson Motta...(Para ler na praia)
"Tim foi a Londres e se esbaldou. Fumou, cheirou, bebeu, viajou de ácido, ouviu música, brigou com a mulher — tudo muito — e voltou para o Brasil com 200 doses de LSD para distribuir aos amigos. Assim que chegou foi à [gravadora] Philips, que ele chamava de “Flips”, onde visitou diversos departamentos, começando pelos que considerava muito caretas, como contabilidade e jurídico, onde cumprimentava o titular e repetia o mesmo discurso, com voz pausada e amistosa:“Isto aqui é um LSD, que vai abrir sua cabeça, melhorar a sua vida, fazer de você uma pessoa feliz. É muito simples: não tem contra-indicações, não provoca dependência e só faz bem. Toma-se assim.”
Jogava um ácido na boca e deixava um outro na mesa do funcionário atônito. Como era um dos maiores vendedores de discos da companhia, todo mundo achou graça.[...] E Tim voltou para casa viajandão, dirigindo seu jipe e certo de que tinha salvado a alma da “Flips”.
Esta é uma das histórias saborosas que recheiam o livro Noites Tropicais - Solos, Improvisos e Memórias Musicais, de Nelson Motta (no Brasil, Editora Objetiva, 2000, 453 páginas). Numa dosagem admiravelmente bem feita, caminham lado a lado lembranças de artistas com quem o autor conviveu e a sua própria vida, com destaque para a música, de 1957 (ano em que se encantou com a Bossa Nova, ele que até ali em música só gostava da banda sonora carnavalesca das chanchadas da Atlântida) a 1992 (quando, não aguentando mais o governo Collor e a música sertaneja, mudou-se para os Estados Unidos). Ao mesmo tempo em que retira da sua memória histórias curiosas e detalhes reveladores, traça um quadro do que foi importante na época, da Bossa Nova, Jovem Guarda, Tropicalismo à MPB e do rock. Embora se revele um violonista apenas razoável (foi um suplício, afirma, quando seu conjunto Seis em Ponto foi chamado para gravar um LP), Nelson esteve sempre ligado à música, compondo, produzindo discos, criticando lançamentos na imprensa e até foi juri no programa Flávio Cavalcanti, coisa que os seus amigos mais avançados intelectual e musicalmente não perdoavam. Nelson pode ser definido como um eclético coerente - navega entre muitos estilos, mas não nega as suas antigas preferências. A Globo enviou-o à Itália em 1983 para cobrir um festival de música baiana em Roma (que gerou o filme Bahia de Todos os Sambas, de Paulo César Saraceni) - uma escolha natural, considerando o passado bossa-novista e emepebista de Nelson -, e de lá ele só voltou ao Brasil em 1985, para apresentar o Rock in Rio - uma escolha natural, considerando o passado roqueiro e de disco-music de Nelson, criador das Frenéticas e parceiro dos primeiros sucessos de Lulu Santos.
O livro é claramente de memórias. Nelson não se propõe a fazer um tratado sobre esse período, mas sim, contar o que viveu e (ou)viu. Admite que recorreu a alguns livros para ordenar tudo o que se lembrou, tendo conseguido fazer com pouquíssimos deslizes um relato rigorosamente cronológico, sem que isso fique incomodando a leitura. Se o leitor quiser informações do festival de 1968 conseguirá encontrar neste livro, sem muita dificuldade.
A não perder. Aconselho a leitura deste óptimo livro, nestas ferias de verão.Divirtam-se.
segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Susan Boyle, Super Star.
Esta semana, a grande atração da TV americana foi a volta de Susan Boyle, a cantora que encantou o mundo três meses atrás. Muito elegante e com penteado novo, Susan "roubou" a atenção até de Barack Obama. O presidente faria um discurso a nivel nacional, mas teve de ceder o horário nobre para a escocesa.A tímida estrela falou sobre a pressão da fama e revelou os seus próximos passos na carreira, na primeira entrevista desde que ficou em segundo lugar no concurso, “Britain's got talent”, e em que o novo visual de Susan, arrancou rasgados elogios da repórter Meredith Vieira, da rede americana NBC.
“Você está deslumbrante. Adoro esse seu novo penteado”, disse a repórter.“A jornada que você tem vivido, pos o mundo inteiro, de repente, a questionar-se: ‘Quem é Susan Boyle?’.Como e que voce esta a lidar com este sucesso?”, pergunta a repórter.
“É inacreditável, indescritível sair do completo anonimato”, responde Susan.
A versão de Susan para “I dreamed a dream”, do musical “Os miseráveis", deixou juri e público de queixo caído e espalhou-se pela internet a alta velocidade. Da noite para o dia, a recatada escocesa de 48 anos, que nunca se casou e nunca tinha sido beijada por um homem, virou sensação mundial. Os vídeos dela na rede já somam mais de 200 milhões de acessos.
“Foi um sonho que você perseguiu por muito tempo...”, perguntou a repórter.
“Por anos a fio. O sonho de uma vida inteira”, completou Susan Boyle.
“Quando se apercebeu que tinha esse talento extraordinário?”,pergunta Meredith Vieira.
“Talento, eu? Acho que foi apenas uma questão de oportunidade”, disse Susan.
Oportunidade que demorou para aparecer – a cantora não é uma estreante nos palcos. Num vídeo de 1984 que circula pela internet, Susan aparece, aos 22 anos, interpretando uma música de Barbra Streisand. Só que a carreira nunca "descolou".
A mais nova de de dez filhos, Susan Boyle levava uma vida discreta, dedicada à família.
“Você passou boa parte da sua vida adulta a cuidar da sua mãe”,disse a repórter Meredith Vieira.
“Isso mesmo”, respondeu Susan.
“Se ela estivesse aqui agora, o que acha que ela diria?”, continua a repórter. “Continue, você está indo muito bem. É o que ela me diria”,afirmou a cantora.
Quando a mãe morreu, há dois anos, Susan pensou em abandonar a música, mas ela não desistiu.
“Tinha de provar que eu era capaz de me superar. Então, eu me inscrevi no concurso, e o resto da história você já conhece”, disse a cantora.
“Eu e o mundo inteiro”, acrescentou a repórter.
Consagrada pela primeira apresentação, Susan escorregou na semifinal do concurso. Nem mesmo o desempenho brilhante na final garantiu o título. Contrariando todas as previsões, Susan perdeu para o grupo de dança Diversity.
“Eles eram óptimos, os melhores venceram”, defende Susan.
Mas o segundo lugar não beliscou a fama dela. Depois do concurso, Susan esgotou shows em Inglaterra e na Escócia. Hoje ela prepara um disco, que deve ser lançado ainda este ano.
“Quando fazem uma boneca inspirada em você, e porque algo esta a acontecer. Pessoalmente, eu estou muito feliz por ter uma boneca da Susan Boyle”, comenta Meredith Vieira
“Eu sei que tanta exposição deixou-a exausta,física e emocionalmente, a ponto de a obrigar a ficar cinco dias numa clínica. Foi bom fugir de toda aquela loucura?”, pergunta a repórter.
“Uma decisão necessária na época. Eu precisava descansar”, disse Susan Boyle.
Lidar com a pressão pode ser especialmente difícil para quem, como Susan, sofre de problemas psiquiátricos. Complicações no parto acabaram por afectar o cérebro dela.
“Foi devastador, como uma gigantesca bola de demolição. Mas eu tive de recuperar, pelo meu público”, afirmou a cantora.
Durante a entrevista, algumas surpresas. Donny Osborne, cantor americano ídolo de Susan, mandou uma mensagem em vídeo.
“Um dia eu e você vamos gravar um disco juntos”, disse Donny.
Susan conheceu também Elaine Page, diva inglesa dos musicais.
“Está a gozar esse momento?”, pergunta Elaine.
“Estou a adorar cada minuto, cada segundo”, disse Susan.
Elaine conta que viu a escocesa pela primeira vez na internet.
“E lá estava você, cantando com a sua voz gloriosa. Fico emocionada de a conhecer pessoalmente”, disse Page.
“Estou passada”, comentou Susan.
A improvável trajectória de fama internacional da mais nova estrela da música parece estar só a começar.
domingo, 26 de Julho de 2009
Padre de dia, 'drag queen' de noite

"As pessoas pensam que ando vestido de Big Mama todos os dias... mas não é assim. Só o faço para as minhas apresentações", disse ao site do El Mundo.
O padre assumiu na última Gay Parade que era ele que encarnava esta personagem, tendo sido mais bem recebido pelos heterossexuais do que pelos homossexuais, admitiu. Os seus amigos achavam que estava doido, enquanto a mãe lhe deu a sua bênção.O sucesso da sua carreira musical deve-se em parte ao produtor Rod Carillo, reconhecido em todo o mundo pelo seu trabalho com música de dança.
"Sim, sou eu que trabalho com o padre maricas", disse, entre risos, Carrillo, ao mesmo jornal.
"Vincent telefonou-me e disse que queria trabalhar comigo. Veio ver-me em Phoenix e tivemos uma ligação imediata", acrescentou.
sábado, 25 de Julho de 2009
Grease, is the word.

Há diversas maneiras de se conceber um filme musical, e à primeira vista tem-se a impressão de que Randall Kleiser optou pelo caminho mais seguro – um romance cheio de clichês e trivialidades, orquestrado por números satisfatórios de música. Mas a grandeza de Grease estende-se e vai muito além do óbvio: as músicas são extraordinárias – o verdadeiro diferencial que faz de Grease um dos melhores filmes musicais da história de Hollywood.
Na linha de frente, John Travolta – aproveitando-se ainda do estrondoso sucesso que fizera um ano antes em Saturday Night Fever. Acompanhando-o com a mesma graciosidade, Olivia Newton-John, no seu trabalho de estreia. Juntos, fazem de seus personagens Danny Zucko e Sandy Olsen a própria materialização do casal-modelo da década de 1950; enquanto ele cobre as madeixas de brilhantina, dança e canta com rebeldia (numa maneira de expressar seu inconformismo), ela cultiva a virgindade e o bom comportamento. Uma atitude contrária, aliás, á que a transformaria numa mulher mal "vista" (vide a personagem Betty Rizzo, de Stockard Channing; ela demonstra com muita clareza o preconceito que se tinha sobre as adolescentes que agiam em desacordo com as regras da sociedade machista da época). Neste ambiente quase fabulístico, o amor do casal protagonista é posto à prova; Danny tem vergonha de se assumir apaixonado, enquanto Sandy espera um posicionamento absolutamente contrário de sua parte.
Seria providencial discutir esta opressão (que no fim das contas acabava atingindo os homens de alguma forma), numa tentativa de transformar o roteiro de Grease em algo de maior profundidade. Mas, se desde o início Randall Kleiser demonstra querer contar uma simples história de amor e comédia, o mais apropriado é que o espectador usufrua dos magníficos números musicais. A começar por Summer Nights, numa abertura delirante (a maioria de nós conhecia a música, só não se lembrava de onde), passando pela engraçada Like Sandra Dee e pelas românticas (e não menos brilhantes), Hopelessly I Devoted To You, (cantadas com devoção e expressividade apaixonantes), e culminando nas igualmente extraordinárias, Greased Lightnin, e o insuperável, You’re the One that I Want.
Poucas vezes um musical entregou sucessos tão absolutos como estes, que permaneceram no imaginário das pessoas por três décadas – e dão sinal de que jamais ficarão datadas. É claro que o filme dispõe ainda de maravilhosas coreografias,e desempenhos vibrantes de todo o elenco (além dos protagonistas, óptimos, há também uma série de actores secundários, muito convincentes). Não é a temática de Grease que deve agradar aos cinéfilos mais exigentes, ainda que ela seja bastante simpática, mas mesmo que tudo tenha sido construído à maneira de um deja vú, a película impõe-se como um dos mais divertidos e contagiantes retratos da juventude americana do século XX.
sexta-feira, 24 de Julho de 2009
Rita Redshoes
Um ano depois assumiu os comandos vocais dos Atomic Bees, que editaram o álbum "Love.noises.and.kisses" no ano 2000, realizaram uma extensa digressão e lançaram uma versão de 'Perfect', o tema popularizado pelos Fairground Attraction, incluída na colectânea "Optimus 2000 - Novos Talentos".
Mais tarde tocou baixo no grupo Rebel Red Dog e, tocou piano e cantou no projecto Photographs. Este último funcionou como uma espécie de embrião do que a cantora apresenta, actualmente, enquanto Rita Redshoes.
A partir de 2003 tornou-se a teclista de serviço na banda de suporte de David Fonseca, com quem interpretou o tema 'Hold Still', do álbum "Our Hearts Will Beat As One", o segundo na carreira do antigo vocalista dos Silence 4.
Em 2007, o imaginário do filme "O Feiticeiro de Oz" e o clássico 'Let's Dance ', de David Bowie, inspiraram-na a adoptar o nome de Rita Redshoes. Na mesma altura começa a alinhavar o seu primeiro álbum em nome próprio e dá a conhecer o single 'Dream On Girl', incluído na colectânea "Novos Talentos - FNAC 2007" e considerado, por alguns órgãos de comunicação, um dos melhores desse ano. Mais tarde, esse tema havia de ser interpretado com o subtítulo de classical version, acrescentando à versão original uma secção de cordas.
O álbum lançado em 2008, apresenta 12 músicas cantadas em inglês, uma dúzia de exemplos de pop melódica que remete para os universos de Fiona Apple, Cat Power, dos primeiros tempos dos Goldfrapp ou ainda de David Fonseca.
"As canções são fragmentos de mim, de coisas que eu penso sobre o amor, são influenciadas pelo que eu vejo, não tanto pela música, mas por imagens, por filmes. Tenho muitas imagens gravadas na minha cabeça e tudo isso me influencia", explicou a cantora à Lusa.
De "Golden Era" são já conhecidos os temas "Dream On Girl", "Hey Tom", e "The Beginning Song" que têm estado a servir de cartão de visita da música de Rita. "Estes dois primeiros temas revelam dois universos onde o álbum de facto se encaixa, entre o `uptempo´ e músicas mais intimistas", disse.
O álbum é co-produzido pela autora e por Nelson Carvalho e nele participam Filipe Monteiro (guitarra eléctrica e teclados), Nuno Simões (baixo), Sérgio Nascimento (bateria) e ainda uma secção de cordas.
Foto : Rita Carmo


