segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A Sitara de George Harrison



Um dia, fui encontrar-me com George na sua pequena sala de meditação.

Logo de seguida, enquanto se sentava numa almofada colocado no chão atapetado com um bonito tapete de Kaschmir, George  pegou na sua sítara que começou a dedilhar.

Fiquei impressionado com a beleza requintada do instrumento. Tradicionalmente, as  sitaras tem sido a força dominante na música da Índia e do Paquistão.

A sitara, com um longo pescoço, tem origem no Sul da antiga Ásia.
È um instrumento de cordas, com uma grande cuia, tipo cabaça, que de facto é a caixa de som. Muitas vezes, tem uma pequena cabaça na extremidade superior do pescoço.

De uma rica cor castanho-avermelhado, a sitara de George é visualmente uma bela peça de arte em si e por si, com primorosos e intrincados embutidos de marfim, tendo de lado e na frente as 18 cravelhas de afinação.

Com cinco cordas melódicas, mais cinco ou seis cordas drone, que produzem um som baixo continuo sempre em tom sustenido, e entre nove a treze cordas de ressonância, as chamadas Sympathetic strings, que são cordas auxiliares.

A sitara tem um som, multidimensional que pode ser excitante e calmante, meditativo e do outro mundo, tudo ao mesmo tempo.

Musicalmente, George Harrison, enquanto solista foi não só magistral, mas também um dos pilares dos Beatle. Quando trouxe esta  sua paixão para o seio dos Beatles, deu inicio a uma transformação que eu acredito ter elevado o grupo, que passou de uma grande banda de rock 'n' rol, para uma força musical monumental, mágica, que não só perdura no século 21, mas também enriqueceu a essência da música popular  do final do século 20.

Paul Saltzman


N.B. - Pra esclarecer a diferença entre a sitar e a cítara
Sitar é um instrumento musical de origem indiana, que é da família do alaúde. É um símbolo da música da Índia.
A cítara é um instrumento de cordas, usado sobretudo na música tradicional, dos países de língua alemã nos Alpes e na Europa do Leste.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Paul McCartney - Egypt Station




Aos 76 anos, Paul McCartney é um daqueles artistas que poderiam estar vivendo de suas glórias do passado, de turnês intermináveis de grandes obras ou até só pelos royalties de seu trabalho como compositor. Mas desde o fim dos Beatles, ele aponta como um criador imparável, que busca estar antenado com seu tempo, como se esse fosse seu jeito de não envelhecer. O novo capítulo dessa busca é uma viagem através do mundo no álbum Egypt Station, lançado a 7 de Setembro de 2018.

Nos últimos anos, Paul aventurou-se a explorar novas praias, sonoridades e parcerias. Isso pode ser notado na reinvenção causada pela parceria com o produtor Nigel Godrich (Radiohead, Beck e Travis) no álbum Chaos and Creation in the Backyard (2005) e nas parcerias com nomes como Danger Mouse e Mark Ronson na criação do maravilhoso New (2013). Ou na busca por uma nova forma de criar no corajoso, porém mediano Kisses on the Bottom (2012) e nas recentes parcerias com Kanye West.

Criado em sessões com Greg Kurstin (conhecido por seu trabalho com Adele, Sia e Lily Allen), o álbum parece ter sido feito de um modo despretensioso, quase que por diversão. E Egypt Station brilha quando soa mais estranho. A dobradinha de “Caesar Rock” e “Despite Repeated Warnings”, quase ao fim, é um momento que poderia estar nos álbuns do Wings, nos anos 70.

“Come on to me” e “Who Cares” são grandes faixas de rock anos 70, prontas para o show ao vivo e casam muito bem com a criação recente de faixas como “Fine Line” e “Queeny Eye”. “Happy to You” é uma balada deliciosa e combina com “Hand In Hand”, momento mais delicado do disco e melhor faixa do álbum. A divertida “Fuh You”, única produzida por outro nome (Ryan Tedder, do OneRepublic), mostra que Paul poderia muito bem estar fazendo hits pop radiofônicos. Já a muito comentada “Back in Brazil” traz uma visão idealizada e um tanto estereotipada daqui e creio que, apesar do visível carinho do Paul pelo país, vai parecer muito mais interessante para os gringos.

Egypt Station soa como se Paul tivesse passado por esses diferentes lugares criativos nos últimos trabalhos, por diferentes estados de espírito e estivesse de “volta ao controle”, mostrando o mundo por seus olhos. Como ele mesmo disse em vários momentos da divulgação do álbum, cada canção é uma das estações que ele visitou, um mundinho à parte.

Talvez por isso, o novo álbum soe quase como uma compilação, como faixas separadas. Algumas parecem material de sobra do New; outras só uma volta ao lar, ao Paul clássico. Mas não vejo demérito nisso, Paul McCartney está tanto em outro nível que até sem se esforçar. Sem ir longe da sua zona de conforto, ainda assim é genial.



Daniel Corrêa

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

O 5º Beatle


Billy Preston é o único musico que tem a particularidade de ser mencionado como co-autor de um dos temas dos Beatles.

Billy recebeu o cognome  de "o Quinto Beatle" apenas porque "o Terceiro Beatle" – George Harrison – tinha, para todos os efeitos anunciado que ia sair da banda e só iria voltar para o grupo se determinados critérios fossem atendidos.
Estava-se em janeiro de 1969, a apenas 11 semanas após a conclusão do controverso e aparentemente interminável álbum, Beatles (O Álbum Branco).
Durante as sessões, respirava-se uma atmosfera de total hostilidade entre os membros da banda. 
O arquivista dos Beatles Mark Lewishon descreve as causas dessa hostilidade invocando que a presença de Yoko Ono tinha destruído, não só a paz do grupo, mas sobretudo seria a causa de a liderança de Paul McCartney ter sido posta em causa, algo que George Harrison denunciou, durante um dos ensaios.
Para “ajudar”, um dia durante as sessões, Ringo Starr saiu e esteve muito perto de sair definitivamente da banda.
A combinação da mestria musical de Preston com a sua natural jovialidade, fizeram magia e ele foi creditado não só como autor do tema, mas teve sobretudo o mérito de conseguir unir a banda que estava despedaçada, que não conseguira resolver o problema da intromissão desse corpo estranho, imposto por Johnn Lennon, Yoko Ono de sue nome:.
Durante uma reunião no dia 26 de janeiro, surgiu a ideia de os Beatles realizarem uma actuação ao vivo, na semana seguinte, no telhado do edifício dos escritórios da Apple. Assim, por volta de meio-dia num dia frio e ventoso de Londres, mais propriamente a 30 de janeiro de 1969, com Preston nos teclados, os Beatles fizeram o que seria a sua última performance ao vivo. 
Billy Preston contribuiu com o seu bom gosto, uma mistura de soul e jazz nos acentos do seu teclado nos 42 minutos do show, destacando-se com o seu solo icónico no "Get Back". Um destaque muito especial.

Preston permaneceu perto de Harrison, e além de suas contribuições no Let It Be (bem como no filme Get Back) colaborou ainda no álbum  Abbey Road, e actuou com Harrison em 1970, no Concertos de caridade para Bangladesh. Preston também actuou nos discos gravados por George Harrison, Ringo Starr e John Lennon. Acabou por assinar contrato com o selo discográfico, da Apple, e gravou dois álbuns produzidos por Harrison: 1969 , That's the Way God Planned It e 1970, Encouraging Words.
Billy prestou uma ultima homenagem ao seu querido amigo George quando participou no concerto de homenagem, em 29 de novembro de 2002, o primeiro aniversário da morte de George Harriso. 
Em 2004, Preston declarou ao Chicago Sun-Times, que, musicalmente, o momento mais alto da sua carreira foi quando actuou com os Beatles no telhado do edifício da Apple em Saville Road.
Billy Preston faleceu em 6 de Junho de 2006.

Meredith E. Rutledge-Borger

sábado, 22 de setembro de 2018

Quando o Rock quis ser Jazz


Era un LP raro, comercialmente falando: vinha assinado por Al Kooper, Mike Bloomfield e Steven Stills, três músicos, naquele momento, sem grupo (provenientes, respectivamente, do Blood, Sweat & Tears, The Electric Flag e Buffalo Springfield).

A idéia veio de Al Kooper, teclista e cantor que tinha sido contratado pela Columbia como solista. 
Kooper propôs estrear-se com um disco simples e económico, uma colaboração com Mike Bloomfield, eloquente guitarrista com quem tinha já agendado a gravação do Highway 61 revisited dylanianoO conceito seria o estilo do selo Blue Note, juntarem-se para tocar, confiando nas afinidades, alternando temas alheios, com composições próprias.
Como faziam os jazzmen desde sempre, os músicos de rock começavam a desenvolver jam sessions; geralmente partiam do blues como língua franca. Até esse momento, as reuniões tinham um valor essencialmente social e terapêutico. Os resultados não se consideravam vendáveis e não foram publicados; ainda não tinha saído, por exemplo, o Electric Ladyland, de Jimi Hendrix. 
Kooper contratou então uma secção de ritmo e reservou dois dias de estúdio em Los Angeles. Imediatamente, surgiu a magia. Fortes temas de blues e soul mais uma ousadia: His Holy Modal Majesty, uma homenagem a John Coltrane, que havia falecido no ano anterior, com Kooper tocando um ondioline, teclado de toque exótico, e Bloomfield explorando escalas de raga com sua prodigiosa fluidez.
Capa de 'Super Session'
Capa de 'Super Session'


Tudo se complicou no dia seguinte. Bloomfield desapareceu, alegando problemas de insónia (na verdade, um vício em heroína que, a longo prazo, seria fatal). À beira do pânico, Kooper chamou Jerry Garcia e outros guitarristas que, imaginava, podiam lançar-se para a piscina. Finalmente, apareceu Steven Stills.
Para os que lembrem Stills pelas primorosas firulas vocais de Crosby, Stills & Nash, será uma revelação de sua vontade, no contexto de uma jam: dominava o folk-rock, como mostra na versão de It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry", de bob Dylan, mas brilha ainda mais nessa cronica de paranóia que é Season of the Witch, de Donovan, aqui sustentada por sua guitarra com pedal wha wha. E fica ainda mais ácido (ou seja, hendrixiano) no tópico seguinte, You Don't Love Me.
O disco resultante é habilmente repartido em dois : Kooper com Bloomfield na capa do primeiro; com Stills no segundo. Tinha truque, devo avisar. Como produtor, Kooper acrescentou estratégicos arranjos de metal que disimulaban deficiências e, caramba, funcionavam perfeitamente. A sua única derrapagem foi ousar com Man's Temptation", de Curtis Mayfield (frases longas e, além disso, não se encaixa com o resto).
Editada em 22 de julho de 1968, Super Session consiguio grandes vendas e foi libertador para os músicos de rock. Kooper tentou prolongar fazendo com Bloomfield, vários concertos que geraram discos ao vivo. Mas o guitarrista continuou lutando com seus demônios particulares e não prosperou. Na realidade, o mito de instrumentistas era perigosa como a moda dos supergrupos. Uma miragem baseada na aritmética simples de somar supostos génios de egos imensos.
Diego A Manrique no El Pais

quarta-feira, 11 de julho de 2018

The Nerk Twins - 1960


O Cavern Club, em Liverpool, o Star Club, em Hamburgo, e o Shea Stadium, em Nova York, são pontos de referência na história dos Beatles. Mas agora um novo santuário deve ser adicionado à lista: o Fox e Hounds em Caversham.

O pub pouco conhecido nos arredores de Reading, Berkshire, foi revelado como sendo o local aonde, no sábado, 23 de Abril de 1960, John Lennon e Paul McCartney fizeram seu único show como duo, chamando-se The Nerk Twins - em frente a uma platéia de apenas três pessoas.

Tocando violões e cantando sem microfones, a dupla de adolescente empoleirou-se em banquinhos de bar na pequena sala para tocar um set que incluía um velho sucesso de Les Paul e Mary Ford, The World Is Waiting For The Sunrise, assim como Be Bop A Lula e outros clássicos do rock'n'roll e do country. Repetiram o concerto á hora do almoç, com a mesma apatia redundante dos habitantes locais.

"No início, ninguém entrou na sala para os ver actuar", lembra-se Mike Robbins, o então proprietário do pub. ‘Os meus clientes estavam no bar, perguntando:“ Quem são esses Nerk Twins, então? '”

Na verdade, as duas futuras estrelas tocaram durante anos sob vários nomes, incluindo The Quarrymen, The Silver Beetles, The Silver Beats e, apenas algumas semanas após o show da Fox and Hounds, The Beatles.


O improvável espectáculo, aconteceu porque a esposa de Mike, Betty, era prima de Paul McCartney. O casal trabalhava como Butlins Redcoats antes de ter o pub, e os adolescentes Lennon e McCartney estavam ansiosos para receber o seu apoio.

"Foram nas férias escolares da Páscoa e John e eu fomos de boleia de Liverpool até ao pub", lembrou Paul McCartney.
‘Nós normalmente passáva-mos lá uma semana e trabalhamos no bar. Então o Mike disse que eu e o John deveríamos tocar lá no sábado à noite. Então fizemos os nossos próprios pôsteres e os colocamos no bar: “Saturday Night - Live Appearance - The Nerk Twins”.

"Foi o show mais pequeno que já fiz. Nós estávamos a tocar para uma sala cheia de ar, mas foi entusiasmante."

Agora a finalidade é encontrar um desses cartazes desenhados à mão. O especialista em memorabilia dos Beatles, Paul Wane, disse: ‘É um tiro no escuro, mas você nunca sabe o que há no sótão de alguém. O facto de que esses pôsteres foram desenhados à mão por Paul e John faria deles um achado fantástico."

"O maior valor já pago por um cartaz dos Beatles foi de 75 mil libras do concerto do Shea Stadium. Um pôster da Fox e dos Hounds atrairia facilmente muito interesse. Estimo que seria vendido entre 80.000 e 100.000 libras."


Atordoado, ficou o actual proprietário do Fox and Hounds, Tony Gomez pois não fazia ideia de que Lennon e McCartney tinham actuado no seu pub. Tony Gomez, de 57 anos, que administra o pub há 25 anos, desconhecia completamente a história oculta do seua bar.

Disse: "Quando ouvi que Paul McCartney e John Lennon tinham actuado aqui, achei que as pessoas me estavam a gozar. Acho que esta notícia colocará o pub no mapa - e muitos moradores locais estarão procurando por esses pôsteres."

O especialista em Beatles Bill Heckle, dono do The Cavern Club, em Liverpool, declarou: 
"The Fox and Hounds é, sem dúvida, um pub de grande significado histórico. Foi o primeiro local a receber uma performance pública de John Lennon e Paul McCartney, deveria ser um pub mundialmente famoso. Com o investimento adequado, poderá tornar-se num destino para os fãs dos Beatles e para os fãs de música em geral.

"Em Liverpool, um "nerk" é um termo depreciativo para alguém completamente sem credibilidade nas ruas, mas este lugar tem uma credibilidade real quando John e Paul cimentaram a sua parceria musical. Acho que deveria ser renomeado The Nerks Head em sua homenagem.

Embora o show parecesse destinado a ser apenas um par de rapazes com guitarras acusticas cantando temas de rock and roll e country, Paul McCartney credita a sessão do pub, como sendo a primeira  lição crucial que ele e Lennon tiveram sobre a criação do acto de palco dos Beatles que faria as meninas gritarem ao redor do mundo.

"O meu primo costumava criara os cartazes que anunciavam os espectáculos - ele era meio espetacular", lembrou ele. Era um agente de entretenimento que organizava concursos de talentos em Butlins e "fazia" na rádio. Perguntou qual seria a música com que iríamos começar e nós dissemos, Be Bop A Lula. Resposta dele: “Não, é muito lenta. Este é um pub que num sábado à noite, precisam abrir com algo rápido e instrumental. O que mais é que teem?"

“Nós dissemos:“ Bem, nós tocamos The World Is Waiting For The Sunrise’ ”- eu solo a melodia e o John faz o ritmo - então nós tocamos o tema e ele disse:“ Perfeito, comecem com isso,e depois toquem o Be Bop A Lula. .

"Esta foi a nossa introdução ao know how do showbiz, e eu me lembraria de seu conselho anos depois, quando estávamos a organizar os shows dos Beatles."

O potencial de Lennon e McCartney perdeu-se nessas actuações no Fox e Hounds. 
Mike Robbins relembrou: 

"Quando Paul e John foram embora, um dos moradores locais disse-me:
"Quando é que os Nerk Twins actuam aquide novo? Eles eram "fraquinhos", mas trouxeram um pouco de vida ao pub. ”


quarta-feira, 16 de maio de 2018

With The Beatles



Os Beatles tiveram cinco anos on the road, para prepararem o seu primeiro álbum e cinco meses para o segundo. 

Na crença de que era importante que cada fã feminino na platéia senti-se que eles estavam a cantar para elas, muitas de suas canções tinham a palavra  "You " no titulo, por exemplo:

"From me to you", "Thank you, girl" and "I'll get you". 

With The Beatles, este seu segundo álbum, foi uma gravação mais cuidadosa do que a primeira, e as suas sessões foram realizadas num período de três meses. 

Alcançou o 1º lugar na Grã-Bretanha pouco depois de ser lançado em Novembro de 1963.....

Well done

domingo, 13 de maio de 2018

Eurovisão 2018



A cantora Netta Barzilai, vencedora neste sábado da Eurovisión 2018, começa a sua música «Toy» (Toy) com cerca de 20 segundos do que parece ser mais um aquecimento vocal do que uma música. 

A cantora israelita tem cativado o mundo com o seu vídeo da música original, com uma melodia pop com toques de música oriental e soul. 

"Eu não sou seu brinquedo, menino estúpido", repete Netta numa lirica forjada no calor do movimento de protesto # IMITAÇÃO (YoTambién), nascido na esteira de alegações de assédio sexual de vários produtores, actores e directores de Hollywood e é dirigida ás mulheres de todo o mundo, encorajando-as a denunciar nas redes sociais os casos quotidianos de abuso sexual. 

A canção, cantada em Inglês com algumas palavras em hebraico e uma em japonês, refere-se, diz a cantora na web Wiwibloggs especializada em Eurovision, a "alguém covarde, uma galinha que trata a mulher como um brinquedo." E a palavra japonesa que o artista repete é 'baka', o que significa estúpido, explica ela. 

Netta quer caricaturar os "covardes" que discriminam as mulheres, aqueles que as usam e não as tratam como seres "divinos", um qualificador com o qual ela descreve a heroína Mulher Maravilha na sua canção. Com a sua constituição corpulenta, a sua extravagância e sua maneira natural e livre de agir, a cantora israelita emergiu como um símbolo feminista capaz de diminuir os estereótipos de género perpetuados no mundo do entretenimento. 

"Eu nunca imaginei esta resposta", disse o artista de 25 anos, até recentemente, apesar do seu talento como intérprete e DJ, acreditava que não teria sucesso diante de um público de massas e que não se encaixava no arquétipo estreito e sexsualizado de uma estrela pop. 

Ganhar o programa de televisão "Rising Star" (Estrela em Ascensão), equivalente a Pop Idol, e onde surpreendido com a sua 'looper' - device acústico que regista a sua voz e emite mais tarde como um eco,a ajudou a enfrentar seus medos e ser o escolhida para representar o seu país na Eurovisão. 

A partir daí,  começou a revolução: Netta deixou de ser um jovem israelita, que tinham servido o serviço militar obrigatório como membro da banda Marinha, para se tornar um rosto conhecido, admirado e procurado.

O encontro de Elvis Presley com Nixon. Foi há 47 anos


Era Dezembro de 1970. 
Elvis ocupava novamente o trono sendo a maior atração do showbusiness dos Estados Unidos, realizando espectáculos em Las Vegas com os bilhetes a esgotarem-se em minutos. 
O dinheiro entrava com água e o Rei gastava como um sultão. 

Mesmo com tanta prosperidade, a esposa Priscilla e o pai Vernon reclamavam que Elvis tinha gasto uma fortuna em presentes de Natal –  tinha comprado dez Mercedes-Benz e mais de 30 armas de fogo para dar aos amigos. Coisa pouca.
Elvis reagiu, dizendo que o dinheiro era dele e assim fazia o que lhe desse na telha. 

Então, aparentemente por puro impulso, saiu de casa embarcou no primeiro avião disponível, e vuou para Washington D.C. 
Instalou-se num hotel e de seguida rumou para o Texas. 
Em Dallas, entrou em contacto com o amigo de infância Jerry Schilling, um ex-guarda-costas que agora morava em Los Angeles e que na época trabalhava como editor de filmes na Paramount Pictures.

Elvis tinha uma missão. 
Contou ao amigo que iria voltar para Washington com o intuito de encontrar o presidente Richard Nixon. O problema é que ninguém sabia disso, muito menos o presidente e seus assessores. 
O motivo era que Elvis queria desesperadamente receber um distintivo, uma credencial de Agente Federal de Narcóticos e, mais, ser agente do FBI.


Esta foi a maior aventura da vida adulta de Elvis. 
Desde os 21 anos de idade, nunca tinha saído por conta própria ou circulado sozinho sem um exército de guarda-costas ou auxiliares. Mesmo com todos os riscos possíveis, Elvis parecia que estava a divertir-se – até usava um pseudônimo: “Jon Burrows”. 
Nos aviões e nos aeroportos, alegremente interagiu com os fãs, que não acreditavam estar cara a cara com o maior astro de rock de todos os tempos.

Elvis nunca se tinha ausentado sozinho por tanto tempo e não havia absolutamente nenhuma notícia do seu paradeiro. 
Foi então para  Los Angeles e encontrou-se com Schilling e pediu que este fosse a Washington buscar o guarda-costas Sonny West.
No voo, Elvis escreveu uma carta ao presidente de serviço na altura nos USA. Nela, atacava a cultura das drogas, reclamava do antiamericanismo que tomava conta do país e dizia a Nixon que poderia ajudar nessa cruzada.

Elvis chegou aos portões da Casa Branca e entregou pessoalmente a carta aos seguranças, que não acreditavam na cena. 
Depois de muitas idas e vindas, confusões burocráticas, negociações e conversas com assessores (afinal, quem iria esperar ver um Elvis à paisana rondando a Casa Branca?), o cantor finalmente foi recebido por Richard Nixon no salão Oval, no dia 21 de Dezembro de 1970. 


Ele, Schilling e West, com os seus cabelos compridos e trajes berrantes, contrastavam com a sisudez de Nixon e com o ar formal da Casa Branca. Mas houve empatia entre os dois seres tão diferentes. Elvis e Nixon se identificaram um com o outro. 

Ambos vinham de família humilde, serviram o exército e eram conservadores. Depois de troca de presentes, posaram para um foto oficial. Esta é até hoje a imagem mais requisitada do Arquivo Nacional do governo norte-americano. 

Elvis obteve uma credencial de agente para a colecção, mas, claro, nunca trabalhou para o governo. 

Para alguns, o encontro Elvis/Nixon foi um acto de irresponsabilidade e auto-indulgência por parte do cantor. Mas ninguém poderia negar o poder de fogo de Elvis. Se ele quisesse, por mero capricho, poderia simplesmente encontrar o presidente dos Estados Unidos. 

O incrível é que a história ficou secreta até 1972, quando foi revelada pelo jornal The Washington Post.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Há 20 anos, morria Carl Perkins, pioneiro do rockabilly e ídolo dos Beatles.


Nascido em 9 de abril de 1932 em Tiptonville, Tennessee, Carl Lee Perkins foi, ao lado de Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Roy Orbison e Johnny Cash, uma das joias da coroa da Sun Records, gravadora de Memphis que foi fundamental para o surgimento do rock and roll.  A Sun era comandada pelo lendário produtor Sam Phillips, que logo reconheceu o potencial de Perkins. 

Em 1955, o cantor e guitarrista gravou os singles “Movie Magg”/ “Turn Around” e “Let The Juke Box Keep On Playing”/“Gone, Gone, Gone”, que obtiveram sucesso local. Mas foi com “Blue Suede Shoes”, lançada no final daquele ano, que ele fez o seu nome, tornando-se um dos fundadores do rock and roll. 

O tema "explodiu" nas vendas  pop, country e  rhythm and blues. Perkins, o verdadeiro Rei do Rockabilly, gravou inúmeros clássicos, mas um acidente de carro em 1956, quando ele estava a caminho do Ed Sullivan Show, tirou-o de cena e a carreira dele arrefeceu por um largo periodo. 

Com o tempo, Perkins recuperou, assinou com a Columbia Records e retomou a carreira.Teve problemas com a bebida, mas tornou-se um cristão renascido e abandonou o vício. 


Perkins era adorado pelos Beatles, que gravaram oficialmente três canções dele: “Honey Don’t”, “Everybody is Trying to Be My Baby” e “Matchbox”. 

O guitarrista foi uma das maiores influências de George Harrison. Carl Perkins enveredou, ainda, pela música country, e por muito tempo fez parte da trupe do amigo Johnny Cash. 

Em 1985, ele foi homenageado num programa especial da televisão "Blue Suede Shoes - A Rockabilly Session", gravado em Londres, em que Perkins relembrou os seus clássicos ao lado de George Harrison, Eric Clapton, Ringo Starr e Dave Edmunds, além de Slim Jim Phanton e Lee Rocker, ambos dos Stray Cats. 

Em 1987, ele entrou para a Hall da Fama do Rock and Roll. 

Perkins também era activista e apoiava diversas causas, como a luta contra o abuso infantil. 

Em 1996, gravou o álbum "Go Cat Go!", que inclui duetos dele com os quatro Beatles – John Lennon apareceu através de uma gravação de arquivo de “Blue Suede Shoes”. 


Outros super astros presentes no trabalho foram Bono, Tom Petty and The Heartbreakers, Paul Simon, John Fogerty (Creedence Clearwater Revival) e Willie Nelson. 

O cantor continuou na estrada e gravava ocasionalmente, mas na metade dos anos 1990 a saúde dele começou a falhar. O músico sofreu uma série de derrames, mas foi um câncer na garganta que o levou, no dia 19 de Janeiro de 1998. Tinha 65 anos e morreu no Jackson-Madison County Hospital, em Jackson, Tennessee. 

O funeral contou com a presença de vários astros e amigos, como George Harrison, Johnny Cash, June Carter Cash, Billy Ray Cyrus, Garth Brooks, Wynonna Judd e outros. 

Alguns deles tocaram clássicos de Perkins num mini concerto improvisado. Elton John, Paul McCartney, Eric Clapton e outros gravaram mensagens em vídeo. 

Paulo Cavalcanti no RS BR

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Lennon's Banjo

Pete Best, o baterista dos Beatles até 1962, e que foi substituído por Ringo Starr, aparecerá na comédia "Lennon's Banjo", em Liverpool no próximo ano.
O show, que fala de uma missão para encontrar o primeiro instrumento que John Lennon aprendeu a tocar, é baseado no romance "Julia's Banjo" de Rob Fennah e Helen A Jones.

Pete Best, agora com 76 anos, declarou: 
"Eu li o romance "Julia's Banjo"  há alguns anos e pensei que era uma óptima mistura de factos e ficção no que diz respeito aos Beatles e ao desaparecido banjo .
"Isso fez-me sorrir - uma leitura realmente agradável. Então, ao falar com Rob Fennah que me confidenciou que o livro iria ser uma peça de teatro, sugeri: 
"Eu deveria interpretar a minha personagem! 
Para meu espanto e satisfação, a ideia foi logo aceite por Bob.
Razão pela qual estou aqui a fazer a apresentação do  do evento ".

A peça estará em palco para três apresentações durante duas semanas  no Liverpool's Epstein Theatre.

Fennah, que também escreveu a produção da peça, disse: 
"Como um grande fã dos Beatles, fiquei super entusiasmado quando Pete disse que queria entrar na peça. Ter um Beatle da vida real lá em palco vai ser um acontecimento fantástico, não apenas para aqueles afortunados que consigam ingressos para os shows em que Pete é actor, mas para todo o elenco e para toda a equipe".

A peça, produzida pela Pulse Records Ltd em associação com Bill Elms, conta a história do desaparecimento misterioso de um banjo que pertencia à mãe de Lennon, Julia. John teria sido ensinado a tocar rock and roll nesse instrumento pela sua mãe, que nunca mais
foi visto desde que Julia morreu num acidente há quase 60 anos.

Fennah declarou: 
"Quero que todos gostem, e saiam do teatro acreditando, como eu, que o banjo ainda está por aí, á espera de ser encontrado".

Pete Best aparecerá em palco, interpretando-se a si na quarta-feira 25 de abril e no sábado 5 de maio no próximo ano.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Morreu, Warren "Pete" Moore, dos Miracles


O co-fundador e compositor dos Miracles, Warren "Pete" Moore, morreu ontem aos 78 anos. 
Pete era um membro original do primeiro grupo da Motown, The Miracles.
Berry Gordy, disse hoje: 
"Pete era um espírito sossegado com uma voz de baixo maravilhosa por trás da suave e distintiva voz de Smock Robinson e foi co-autor de vários sucessos dos Miracles". 
Não há melhor maneira de descrever a passagem deste lendário cantor, que desempenhou um papel 
muito importante no surgimento do maior selo da música Soul. 

Moore formou os  Miracles com o seu amigo de infância Smokey Robinson. Apósa terem assinado com a Motown de Berry Gordy, os dois começaram a escrever temas de grande sucesso, tornando-se na principal força do grupo.  Escreveram juntos sucessos para o seu próprio grupo, como "Ooh Baby Baby", bem como para outros grupos como os Tempations ("Since I Lost My Baby") e Marvin 
Gaye ("I'll Be Doggone").


Após a saida de Smokey Robinson dos Miracles, Moore juntou-se ao novo vocalista Billy Griffin, 
co-escrevendo o hit # 1 "Love Machine" e produzindo muitos dos hits do grupo nos anos 70s.
Pete Moore continuou a activo, com os Miracles e trabalhando com outros artistas. 

É considerado uma mais valia constante no mundo da música devido ao incrível catálogo de suas composições, muitas das quais agora são consideradas clássicas da música soul de todos os tempos.

As nomeações de Moore são muito numerosas para nomear, mas incluem o Hall of Fame do Rock & Roll, o Hollywood Walk of Fame, o BMI Songwriters 'Award e o R & B Hall of Fame.

Certamente hoje lamentamos a perda desse gigante musical discreto, mas comemoramos o legado incrível de música que ele nos deixa.

domingo, 5 de novembro de 2017

Eric Clapton, sofre de neuropatia periférica


Aos 72 anos, Eric Clapton hoje é apenas um homem que sofre de neuropatia periférica, uma doença do sistema nervoso que afecta os movimentos das mãos e dos pés, provocando dores e dormência.

Um dos maiores guitarristas de todos os tempos, que já foi chamado de “God” em inúmeros grafitis nos muros londrinos nos anos 60, é actualmente um idoso às voltas com a sua saúde precária.

Eric Clapton já tinha falado sobre o estado da sua saude numa entrevista no ano passado à revista Classic Rock, logo depois de ter lançado o seu mais recente álbum,  I Still Do , título que é uma clara referência ao esforço quase sobre-humano que teve que fazer para completar as gravações.

Teve mesmo que adiar a turnê que faria para promover o disco, avisando que vai cumprir as datas em Setembro próximo. Sendo  God, Eric vai conseguir de certeza absoluta.

Não tenho dúvida de que Clapton sabe que não irá melhorar. 
Sabe também que a velhice vai cobrar agora todos os excessos com cocaína e álcool, que ele ingeriu em proporções exageradas durante toda a sua vida.

Mau mesmo, deve ser a consciência de que tudo isto acontece agora, que ele está “limpo” há vários anos.

sábado, 4 de novembro de 2017

He Ain’t Heavy, He Is My Brother


He ain’t heavy, he is my brother” é um tema escrito por Bobby Scott e Russell Bob. 
Originalmente gravada por Kelly Gordon em 1969, a canção tornou-se um sucesso mundial depois de ser gravada pelos Hollies no final desse ano, com Elton John ao piano, e novamente por Neil Diamond em 1970, e é considerado um dos hinos da década de 1960, com a sua mensagem de amor, sacrifício, devoção , e serviço.

A estória, por trás deste tema conta-se muito rápidamente: 
Em 1918, um menino chamado Howard Loomis foi abandonado pela sua mãe numa instituição católica, o Home for Boys do Padre Flanagan, que acabara de abrir um ano antes. 

Howard tinha poliomielite e usava aparelhos correctores nas pernas, para que  pudesse locomover-se, já que as próteses eram muito pesadas, e andar era muito difícil para ele, especialmente quando tinha que subir ou descer os degraus. Os seus colegas mais velhos, por solidariedade, andavam com ele ás "cavalitas" por todo o lado.
Um dia, o padre Flanagan, perguntou a Reuben Granger, um desses rapazes mais velhos, se carregar o amigo Howard não era difícil. 

Reuben respondeu: 
"Padre, ele não é pesado, é meu irmão". 


O guitarrista dos Hollies, Tony Hicks, contou em 2006: 
"Na década de 1960, quando faltavam músicas para gravár-mos, eu costumava deambular pelas lojas dos editores, publicistas, na Denmark Street (em Londres). 

Uma tarde, quando estava prestes a sair, encontrei uma demo de uma canção que "tinha algo parecido" com essa estória. 
Reconheci os compositores, e levai a pauta para o ensaio, para ver o que é que o grupo poderia fazer com aquele texto. 

No principio, a maioria dos rapazes, torceu o nariz. 
Achava a musica muito fora do que normalmente gravávamos. 
Mas eu insisti, adicionámos a orquestra, e contratámos o Elton John por 12 libras, para tocar piano, e que na época só fazia trabalho de musico de estúdio. Era conhecido como Reg, Reggie. 

Foi um sucesso mundial duas vezes. Verdade. 
Alcançou o número 7 nas paradas da Billboard nos EUA quando foi lançado pela primeira vez e depois chegou ao No. 1 no Reino Unido em 1988, depois de ter sido usado num comercial da cerveja Miller Lite Beer.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

John Lennon, "promoveu a violência doméstica"




Há 52 anos, Run For Your Life, tema dos Beatles foi banido por promover violência doméstica... A musica, composta por John Lennon, foi banida em 18 de Dezembro de 1992, numa estação de rádio Canadiana, porque segundo os responsáveis da mesma, promovia a violência doméstica... Espantoso... Como, e porquê??? Pois é, a primeira frase da letra, reza assim: "I'd rather see you dead little girl, than to be with another man.", que traduzido livremente significa, "Prefiro ver-te morta, do que com outro homem" ... O tema faz parte do fabuloso álbum de 1965, Rubber Soul. Antes, Lennon já tinha composto alguns temas a "roçar" a misógenia. Refiro-me a "I'll Cry Instead" e "You Can't Do That." Enfim, outros tempos outros costumes, e outar mulheres. Mais tarde John Lennon, fez várias campanhas pelos mais variados direitos civis, talvez influenciado por Yoko Ono, e lá ia dizendo, que esta tinha sido a pior musica que ele compôs. A verdade é que para mim, na altura, tudo o que eles gravavam era fantástico, era sublime, era o máximo... 52 anos depois, não alterei esse julgamento. Beatles 4 Ever.

terça-feira, 23 de maio de 2017

As Grandes Bandas Inglesas dos Anos 60 - Procol Harum



Gary Brooker, Robin Trower e B.J. Wilson juntaram forças no início dos anos 1960 para formar uma banda a que chamaram The Paramounts. O seu primeiro single, lançado em 1963, foi uma cover dos Coasters, The Poasters Ivy que teve pouco sucesso. 
Após a separação dos elementos que compunham os Paramounts, o pianista / vocalista Gary Brooker formou uma nova versão do grupo, chamando o letrista Keith Reid para escrever algumas reflexões esotéricas para combinar com o novo Rock Psicodélico, que Gary compunha. Ao assumirem um novo rumo musical, precisavam de um nome a condizer. 

Gary Brooker conta: 
"Nós não escolhemos o nome. Foi o nosso agente na época que me telefonou e disse que tinha encontrado um nome."  Eu perguntei: qual é esse nome?' 
 - Procol Harum.
 - Óptimo. E soa como nós. De facto, soa com a musica que fazemos. 
E é claro que toda a gente perguntou:
   - O que é que isso significa?  
Nós não sabíamos, e então tínhamos que descobrir o real significado daquela palavra estranha e completamente desconhecida para nós. 

Depois de muitas perguntas e leituras de dicionários, chegámos á conclusão que Procol Harum, era o nome de uma raça de gatos com o pedigree, de um gato de um amigo dele. 
Mais tarde, descobrimos que realmente, eu tinha entendido mal o nome que me havia sido comunicado pelo telefone. Entendera e soletrara o nome de forma errada a palavra, que tinha origem no latim. O nome do gato era 'Procul' com um 'u "E" Harun "com um" n "no final, e significava " Além dessas coisas "em latim. Temos que admitir que o real significado de Procol Harum," Além dessas coisas ", foi uma grande coincidência, e assentava-nos “como uma luva”.






































A banda era composta por, Gary Brooker cantor e teclista, Keith Reid letrista, Matthew Fisher organista, David Knights baixista, Ray Royer guitarrista e o baterista Bobby Harrison. 
O primeiro single da banda, "A Whiter Shade Of Pale", lançado em Julho de 1967, atingiu o 1º lugar nas tabelas de vendas dos dois lados so Atlântico e definiu algo novo no género musical: "Rock Clássico". 
Rock Clássico, é a fusão da guitarra elétrica de rock, vocais poderosos e bateria poderosa, com letras pensadas envoltas na complexidades artística dos arranjos melódicos da melodia clássica. 
O tema foi executado e gravada nos Estúdios Olímpicos em Londres, Inglaterra, usando o baterista, de estúdio, Bill Eyden. Poucos dias depois, a música foi regravada com o baterista da banda Bobby Harrison, mas essa versão foi descartada tendo uma das gravações mono originais sido escolhida para o lançamento em 45 Rpm. 

No auge da popularidade da música, o grupo já estava fracturado por mudanças de alguns elementos originais desta formação. Foram admitidos dois ex Paramount. 
Os singles subsequentes tendo como termo de comparação o sucesso inicial dos Procol Harum , eram fracos e as esperanças de vendas de mais milhões de singles, ficaram muito aquém das expectativas, tendo levado os componentes da banda e os seus fãs,  à frustração total. 

"A Whiter Shade of Pale" foi o grande sucesso de 1967 e transformou a banda numa lenda que dificilmente poderia sobreviver àquele nível. O single que se seguiu, "Homburg" alcançou o 6º lugar no Reino Unido, mas ficou em 34º lugar nos USA. 
Na época, a ideia da banda produtora de álbuns, estava a tornar-se uma realidade. Mas as gravadoras ainda estavam obcecadas com o hit single. 
Na passagem dos anos 60 para os 70, a banda passou cinco anos sem sucessos, mas mesmo assim, gravaram álbuns consistentemente, gratificantes de muita qualidade musical, mas sem qualquer sucesso comercial.


"A Salty Dog", o seu terceiro LP, acabou por ser um dos trabalhos mais relevantes tendo sido um best-sellers do grupo. Após o lançamento do álbum, o organista-produtor-escritor-cantor Matthew Fisher auto excluiu-se. Saiu do grupo. Não tinha tido muitas oportunidades de cantar (um solo em uma ou duas músicas na melhor das hipóteses) pois a maioria das músicas eram de Brooker e Reid. Não havia sequer um crédito de Brooker / Reid / Fisher  no legendário tema  "A Whiter Shade of Pale", apesar do trabalho de órgão de Matthew, que, contrariamente à crença popular, não foi copiado de qualquer tema em particular de Bach, mas foi inspirado sim, em algumas trechos do trabalho do Johann Sebastian Bach. 

No inicio dos anos 70, Chris Copping entrou para substituir Fisher no órgão e David Knights no baixo. Estas mudanças transformaram profundamente os Procol Harum em The Paramounts novamente. 
Chris tinha sido um membro original do grupo antigo, mas saiu em 1962 antes da banda começar a gravar (com Diz Derrick, seu substituto no baixo). Readmitir os antigos companheiros de banda, parecia sinalizar um retorno ao R&B. 

Embora parecesse que a banda era sólida como uma rocha, os readmitidos velhos amigos não tinham essa opinião. Anos mais tarde, Robin Trower diria que estava simplesmente enjoado de "aquele som de órgão e piano". Os seus esforços para adicionar mais guitarras nem sempre foram recebidos com entusiasmo. 
Não só os elementos da banda estavam descontentes com o rumo musical dos Procol Harum, como também os críticos expressavam a mesma opinião, fazendo grande oposição á direcção musical que Gary Brooks imprimia.


Musicalmente, Procol Harum esteve sempre dividido entre Hard Rock e Rock Clássico. Embora o grupo muitas vezes combinasse os dois estilos numa fusão brilhante, os álbuns, tinham sempre um rumo bem direccionado inclinado para um lado ou para o outro. Após a saída de Trower, Procol Harum voltou-se completamente para o lado clássico com "Live at Edmonton", um exercício sinfônico lançado no Inverno de 1972. Pela primeira vez em cinco anos, a banda alcançou o Top 20 americano com a sua nova versão de " Conquistador ", que alcançou a 16ª posição nas tabelas de vendas. A canção, ironicamente, estava no primeiro álbum de 1967. Com uma orquestra audaciosa, a Edmonton Symphony Orchestra, a musica era outra e ajudou a transformar o tema original num deslumbrante disco de ouro.

O reaparecimento do grupo em alta, permitiu que eles se juntassem à Warner Brothers / Chrysalis com um orçamento maior para explorar sua identidade de Rock Clássico. O resultado foi "Grand Hotel", uma requintada mistura de classicismo elegante misturado com o excitante Rock. Obteve aclamação instantânea e esteve no Top 100 da Billboard durante cinco meses. O entusiasmo de Gary Brooker para recriar a fusão o Rock Clássico devolveu a fama á banda. Houve alguns álbuns medíocres que foram logo esquecidos, especialmente pela Warner Brothers / Chrysalis, que não mostraram muito interesse em promovê-los. A banda voltou a separar-se em 1977 depois de ver "Something Magic" ficar numa desprestigiante 147ª posição na Billboard 200. 

Reuniram-se para um único espectáculo cinco meses depois, quando "A Whiter Shade of Pale" foi nomeado vencedor (juntamente com o tema "Bohemian Rhapsody" dos Queen) para o  Best British Pop Single 1952 1977 nos BRIT Awards, englobado no II Jubileu de Prata da Rainha Elizabeth. 
Brooker e Fisher dedicaram-se a uma  carreira a solo, mas foram condicionados, a fazer algumas colaborações em discos de outros artistas, produzindo algum cantor semidesconhecido, ou actuar em segundo plano nos concertos de outras bandas.


Em 25 de Setembro de 1991, Gary Brooker e Matthew Fisher começaram novamente a actuar como Procol Harum. Robin Trower tinha recusado  juntar-se a eles, e os músicos que participaram no último álbum solo de Brooker eram agora membros dos Procol Harum. Havia uma nota sinistra no livreto do novo álbum declarando que este era "dedicado a Barrie James (B.J.) Wilson, que estará sempre connosco". 

A maioria dos fãs da banda, não sabia que ele tinha estado em coma durante algum tempo, tinha falecido, em 8 de Outubro de 1990.