segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O romance de Neil Aspinall e Mona Best


Uma das estórias mais bem guardada ao longo dos anos, foi a relação entre Neil Aspinall e Mona Best. 

Este relacionamento bem como o filho nascido do mesmo, em 1962, Vincent "Roag" Best, era um dos maiores segredos em Liverpool na época, com poucas pessoas sabendo a verdade, embora circulassem rumores de que algo acontecia entre eles.

Só depois da morte de Mona Best em 1988 é que a história foi publicitada, 10 anos depois num livro publicado e que desvendou toda a estória. Hoje a maioria dos fãs dos Beatles, sabem que Neil e Mona foram um secreto caso de amor e romance, e portanto não deixa de ser interessante para a história dos Beatles.

Neil Aspinall era amigo de Paul e George desde os tempos da escola primária. Neil e Paul estavam na mesma classe, sendo ele igualmente companheiro e amigo de George Harrison, com quem fumou o seu primeiro cigarro.

Após a primária, Neil foi para contabilidade, mas como a maioria dos rapazes durante esse tempo, gostava de ouvir música, ia  diariamente ouvir os seus amigos tocar no Casbah Coffee Club, que era propriedade de Mona Best, mãe de Pete Best.


Para fazer umas libras extras e como a sua casa em Hayman's Green era muito grande, Mona recebia hóspedes. Depois de conhecer Mona e a sua família, Neil candidatou-se a uma vaga, e hospedou-se num dos quartos da casa em 1960. Neil tinha 19 anos e Mona tinha 36 anos.

Mona Best foi casada com Johnny Best, que era um promotor de boxe em Liverpool. Curiosamente Rory Best é a única criança biológica de Mona e Johnny. Quando o casal se conheceu na Índia, Mona estudava medicina. Mas, depois do seu casamento com a Best em 194, mudou-se para Liverpool, UK.

Constava que o marido Joohnny, não aprovava minimamente a independência de Mona, que seria demasiado liberal e  feminista, para a época. Era independente e encarregou-se de comprar a grande casa em Hayman's Green empenhando as suas joias, e com o produto da penhora, apostou num cavalo de corrida, sem o marido saber, tendo ganho essa aposta. Como a casa tinha uma grande cave, Mona arregaçou as mangas e abriu um dos primeiros clubes de musica ao vivo em Liverpool, The Casbah Coffee Club, mais uma vez sem a bênção do marido.

Quando Neil veio morar em casa, Johnny e Mona estavam prácticamente separados, pois Johnny estava sempre a viajar, por causa do seu trabalho como promotor de combates  de boxe e não estava em casa muitas vezes. Mas sempre se recusou a dar o divórcio a Mona.
Ninguém sabe ao certo como ou quando o relacionamento romântico começou entre os Mona e Neil, ou o quanto os outros sabiam sobre esse assunto. Neil e Pete Best tornaram-se amigos próximos bem como de Paul e George.


Neil deixou o trabalho de contabilista e tornou-se no “road manager” dos Beatles, ocupando-se a tempo inteiro do equipamento e da produção dos espectáculos dos Fab Four.
Na primavera de 1962, era óbvio que Mona Best, que tinha 38 anos, estava grávida o que causou imensos mexericos, já que o seu marido Johnny não se via pelas redondezas há muito tempo. No entanto, ninguém questionou Mona sobre o bebê. Victor Roag Best nasceu a 21 de Julho de 1962. Querendo que seu filho fosse legítimo, Mona decidiu registar Johnny Best como o pai da criança e dar-lhe o sobrenome da família Best.

No entanto, outra grande mudança estava prestes a acontecer na família Best, quando em 16 de Agosto de 1962, Pete Best foi demitido por Brian Epstine dos Beatles. Neil estava com  Pete no momento em que este recebeu a triste noticia. Neil permaneceu amigo de Pete, pois estava envolvido com Mona e continuou a trabalhar com os Beatles.

Constou que Neil teria saído da casa de Mona e que estes se tinham separado, logo após o despedimento de Pete dos Beatles. No entanto não há dados concretos que provem que essa situação seja totalmente correta. Neil pode ter se mudado para outra casa, no entanto, nunca foi um abandono total. Ia lá com alguma frequência armazenar o equipamento dos Beatles, como era hábito,ele entrava, descarregava os amplificadores e abateria de Ringo, enquanto este, John, Paul, e George ficavam dentro da carrinha do lado de fora do quintal da casa de Mona.

Quando  Neil se mudou para Londres, o seu relacionamento com Mona não terminou. Há várias estórias sobre Mona a visitas Neil no seu apartamento londrino, em 1963. Mas a relação entre eles acabou para sempre quando Aspinall conheceu Suzy em 1964. Casaram-se em 1968 e permaneceram casados durante 40 anos até á morte de Neil.


Estranhamente, embora Mona não se coibisse de comentar publicamente o facto de os Beatles terem despedido o seu filho, porque segundo ela, os outros Beatles tinham ciúme de Pete por este ser mais bonito e ter maior numero de fâs, manteve sempre um bom relacionamento com os Fab 4. 
Nenhum dos Beatles falou com Pete Best depois de ele ter sido demitido.

Mona ainda emprestou a John Lennon as medalhas de guerra do seu pai, que usou na capa do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, em 1967. John ficou tão agradecido que quando devolveu as medalhas, juntou o troféu atribuído pela revista  Cash Box, que também aparece na capa “dentro” da letra L, acompanhado com um bilhete que dizia: "All You Need is Love" doll. Será que o facto de Mona ser a mãe do filho de Neil tenha algo a ver com isto?

Por muitos anos, Roag negou os rumores de que Neil Aspinall era o seu pai. Mas nos últimos anos, Roag tem assumido com orgulho ser filho de Mona Best e de Neil Aspinall.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Double Fantasy


Double Fantasy,é o quinto álbum de estúdio de John Lennon,lançado em 17 de Novembro de 1980, poucos dias antes de Lennon ser assassinado. É o último álbum gravado por John em vida. 

Quando Sean Lennon (o primeiro e único filho que John teve com Yoko Ono) nasceu em 1975, John resolveu dedicar-se mais ao filho, colocando a sua carreira em segundo plano, tendo ficadi sem editar discos de 1975 a 1980. 

Em meados de 1980, John e Yoko começaram a compor, chamaram o produtor Jack Douglas e começaram as gravações em Agosto do mesmo ano. Antes do álbum, John lançou um single com "(Just Like) Starting Over" (cantada por ele) e "Kiss Kiss Kiss" (cantado por Yoko). A música foi escolhida para o 45 Rpm. não por ser a melhor música do álbum, mas por ser a mais apropriada, para assinalar os cinco anos de ausência de John do mundo da musica. Rapidamente o tema ficou entre as cinco mais executadas nos Estados Unidos. 

Depois de lançado, Double Fantasy recebeu algumas críticas desfavoráveis pela participação de Yoko, mas ainda assim foi recebido com grande expectativa por se tratar de um álbum de John Lennon. Após o seu assassinato, o álbum e a música "(Just Like) Starting Over" atingiram o primeiro lugar nas listas dos mais vendidos em todo o mundo mundo. "Woman" e "Watching the Wheels" foram os temas a serem lançados de seguida. 

"Woman" foi composta em homenagem a Yoko Ono. Em entrevista no dia 5 de Dezembro desse ano, à revista Rolling Stone, John disse que esta música era sua versão para "Girl" (música que John compôs na época dos Beatles e lançou no álbum Rubber Soul) mais amadurecida. A música foi lançada em compacto depois da morte de John com "Beautiful Boys" no lado B. "Watching the Wheels" também foi lançada em 1981 como single, trazendo na capa uma foto com o casal tirada na frente do Dakota pelo fotógrafo Paul Goresh, o mesmo que tirou a foto de John Lennon dando um autógrafo a Mark Chapman no dia de seu assassinato. 

Ironicamente, o autógrafo foi dado na capa do álbum Double Fantasy.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Doze datas-chave, na vida dos Beatles


6   de Julho de 1957: John Lennon conhece Paul McCartney
17 de Agosto de 1960: Os Beatles chegam a Hamburgo, pela primeira vez
9   de Fevereiro de 1961: Primeira apresentação dos Beatles no Cavern Club
9   de Novembro de 1961: Brian Epstein conhece os Beatles
1   de Janeiro de 1962: Audição dos Beatles na  Decca
6   de Junho de 1962: A primeira sessão da Abbey Road
11 de Fevereiro de 1963: Gravam o Please Please Me LP
7   de Fevereiro de 1964: começa a British invaiosn dos USA, com os Beatles
29 de Agosto de 1966: Espectáculo em Candlestick Park, São Francisco. O concerto final dos Beatles
25 de Junho de 1967:  The Beatles on Our World - All You Need Is Love (Vêr P.S.)
30 de Janeiro de 1969: Último espectácolo ao vivo no telhado da Apple.
10 de Abril de 1970: Paul McCartney anuncia o fim da bnada

P.S. Em 1967, a 25 de Junho a equipe do canal londrino BBC convidou os Beatles a participarem no primeiro evento transmitido mundialmente via-satélite, ao vivo simultaneamente para 26 países: o programa Our World.
Esse trabalho envolveu redes de TV das Américas, Europa, Escandinávia, África, Austrália e Japão.

Think For Yourself, foi gravado em 1965 no dia 8 de Novembro

8 de Novembro de 1965.
Estúdio 2, EMI Studios,
Abbey Road
Produtor: George Martin
Técnico de som: Norman Smith

Neste dia, em 1965, os Beatles  gravaram , Think For Yourself, sob  o nome, provisório
"Won't Be There With You".
A sessão prolongou-se pela noite dentro,tendo começando ás 9 pm e terminando, eram já 3 da madrugada.

Os Fab Four, começaram por ensaiar a música, numa sessão que foi gravada por George Martin na esperança de poder utilizar, mais tarde, os melhores trechos, que seriam eviados aos membros do seu clube de fãs, durante a quadra natalicia que se avisinhava.

A gravação foi rotulada "Beatle Speech" e a caixa de fita foi rotulada com as palavras "Isto será eventualmente emitido ".
Nada disso foi usado no disco de Natal, mas sim um trecho em que John, George e Paul, praticavam as suas harmonias vocais e que foi igualmente usado no filme Yellow Submarine em 1968.

A faixa básica para Think For Yourself foi gravada num único take, com baixo, bateria , George Harrison usando a sua Fender Stratocaster, enquanto John Lennon, tocava num órgão Vox Continental.

Os Fab gravaram uma série de overdubs, incluindo uma pista vocal de três partes liderada por Harrison. Uma segunda pista foi igualmente preenchida com harmonias de três partes, além da pandeireta e maracas.

Talvez a adição mais notável à canção, foi sem duvida, pela sua inovação, uma segunda pista do baixo de Paul McCartney, ligado a uma unidade da distorção.

George Harrison, conta no video "Anthology":
"O Paul usou uma caixa do fuzz no baixo em Think For Yourself.
Quando o Phil Spector produziu, Zip-A-Dee-Doo-Dah, o técnico de som que gravou a faixa sobrecarregou o microfone do guitarrista que ficou muito distorcido. Phil Spector disse: 
"Deixa isso assim, é óptimo".

Alguns anos mais tarde, todos começaram a tentar copiar esse som e inventaram a caixa de fuzz.
Nós tinhamos uma dessas caixas de distroção, ligámos o baixo, gravámos  e soou realmente bem."

Ou seja, os Fab Four, os Mighty Beatles, foram mais uma vez pioneiros, inovadores, criativos.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Eu Sou Brian Wilson


Ontem (11 de Outubro 2016), Brian Wilson lançou o seu livro de memórias há muito aguardado, “Eu sou Brian Wilson “, aonde escreve sobre a influência que os Beatles e os Rolling Stones, tiveram na sua forma de compor.

Neste trecho de suas memórias, "Eu sou Brian Wilson," o Beach Boy olha para trás com carinho para alguns dos outros Beach Boys seus companheiros na banda, como sendo os seus verdadeiros pares.

Descreve ainda a influência dos dois únicos, dos verdadeiros rivais nos anos 60 dos Beach Boys: os Beatles e os Rolling Stones. 
E também, como o companheiro de banda / rival Mike Love o ajudou a terminar "Good Vibrations".

"O disco que mais me influenciou, que realmente me “agarrou” foi Rubber Soul , dos Beatles que saiu no final de 1965.

Rubber Soul é provavelmente o maior disco de sempre. Talvez o disco de Phil Spector, Cristhmas, esteja lá no topo com ele, e é difícil dizer que Tommy  dos The Who não é um dos melhores, também. Mas Rubber Soul foi lançado em dezembro de 1965 e atirou-me directamente para o banco do piano. É um álbum inteiro de canções dos Beatles, canções populares, onde tudo flui em conjunto e tudo funciona. Lembro-me ter sido completamente hipnotizado  com “You Won’t See Me” , “I’m Looking Through You” e “Girl.” Não foram apenas as letras e as melodias, mas a produção e as suas harmonias. Eles tinham essas harmonias únicas, sabe?  

Em “You Won’t See Me”  Paul canta a voz baixa e George e John cantam lá no alto. Há um órgão zangado, a debitar uma nota que é pressionada durante o último terço da canção ou assim. Aqueles eram os sons que eles estavam experimentando, quase música art. O que era fascinante nos Beatles é que nós podíamos ouvir as suas ideias de forma clara em toda a sua música. Eles não copiavam como outras bandas, e não valorizavam muito as suas canções. Tanto podiam interpretar uma canção sobre solidão como uma sobre a raiva ou até uma canção sobre a depressão em que por vezes mergulhavam. Eram grandes poetas que escreviam sobre coisas simples, o que também tornou mais fácil ouvir e entender a sua música. Nunca fizeram nada ao acaso. Eram perfeitos, a compor músicas de mão cheia.

Eu conheci Paul McCartney mais tarde, nos anos 60, num estúdio. Eu estava quase sempre num estúdio na época. Ele veio quando estávamos na Columbia Square trabalhando em overdubs vocais, e tivemos uma pequena conversa sobre música. Todos sabem agora que "God Only Knows" foi não só a música favorita de Paul, dos Beach Boys, mas uma de suas canções favoritas desse período. Mas pensar sobre o quanto isso era importante para mim quando eu o ouvi pela primeira vez lá em Sunset Boulevard. Eu era a pessoa que escreveu "God Only Knows", e a outra pessoa, era a que escreveu "Yesterday" e "And I Love Her" e tantas outras canções, e naquele momenta estava a dizer-me que a minha composição era a sua musica preferida, a sua musica favorita. Aquele troca de palavras, realmente explodiu a minha mente. Ele não foi o único Beatle que se sentia dessa forma. John Lennon ligou-me depois do lançamento de Pet Sounds a dizer-me o quanto ele gostava do disco.

Mas Paul e eu ficamos sempre em contacto. Outra vez não muito tempo depois Paul veio à minha casa, e falou-me sobre a nova música que ele tinha composto.
"Há uma canção que eu quero que oiças", disse ele. "Acho que é uma boa melodia."
Ligou o gravador e ouvi pela primeira vez a demo de “She’s Leaving Home.”
Minha esposa, Marilyn, também estava lá, e emocionada, começou a chorar. Ao ouvir a nova canção, de Paul McCartney, primitiu-me olhar e ouvir as minhas próprias canções mais claramente. Era difícil para mim imaginar o efeito que a minha música tinha sobre as outras pessoas, mas era fácil para mim, entender as musicas de outro compositor da grandeza de Paul.

Mais de trinta anos depois, eu fui “abrir” um espectáculo de Paul Simon, de quem eu não gostava. Foi bom estar incluído no mesmo programa com ele, mas nós estávamos a actuar para multidões compostas por adultos já “entradotes” na idade, e isso significava que o primeiro acto, que era eu, começou quando o sol ainda estava bem brilhante e a multidão ainda estava a entrar. Era difícil ter um bom relacionamento com as pessoas na platéia sob essas condições. No Greek Theatre, em Los Angeles, comecei o espectáculo com menos de metade da lotação do espaço. Abrimos com o “The Little Girl I Once Knew,” seguido por "Dance, Dance, Dance", depois "In My Room", e logo de seguida, um cover da música dos Barenaked Ladies ' "Brian Wilson."
Essa foi a canção mais estranha que interpretei. Não conhecia a musica até quando um elemento da banda que me acompanhava, sugeriu que a ensaiássemos. Era uma canção sobre um tipo que tenta escrever uma música e não consegue comparando-se a mim, no período em que eu estava sob o tratamento de Dr. Landy.



Na canção, o tipo tem um sonho em que recebe cerca de 300 libras e, em seguida, começa a flutuar até que o chão fica tão longe que não consegue mais vê-lo. Eu nunca tive esse sonho, mas sentia-me bem com a execução da música e estava-mos todos a fazer bom trabalho. Tocámos mais alguns hits: “California Girls,” “I Get Around,” “Wouldn’t It Be Nice.” Depois de, “Add Some Music to Your Day,” começamos o “God Only Knows.” ". Nesse momento, abriu-se a porta lateral do palco e Paul McCartney entrou. Todos os espectadores o viram. O teatro irrompeu com aplausos e todos se levantaram a gritar o nome dele. Vi a minha esposa Carnie na platéia que colocou a mão na boca, em choque. Foi um momento de "Oh meu Deus". Acenei do piano. Mas não foi suficiente. Nós estávamos a entrar no verso final e eu mudei a letra na hora para "Só Deus sabe o que eu seria sem Paul."

No fim do espectáculo Pablo veio aos bastidores. E como eu chamo o Paul. Pablo. Fiquei feliz em vê-lo. Contou-me que quando estava a passar em frente ao Greek Theatre, na limusine, abriu a janela para puder ouvir a música.
"Eu queria ouvir os sons do Brian", disse ele. Quis ouvir a introdução de “You Still Believe in Me.” Havia um teclado no camarim, então eu toquei o tema para ele. Naturalmente começámos a harmonizar o tema. Foi incrível, Paul McCartney e eu a harmonizar-mos na introdução de “You Still Believe in Me.” Vocês acreditam nisso?

O outro Beatle com quem me identifiquei, foi George Harrison. Era tão espiritual. Tinha um jeito de fazer as coisas simples: “Give me life / Give me love / Give me peace on earth.” Lembro-me que durante os primeiros anos dos Beatles, era difícil pensar nele como um compositor de tão grande nivel. Mas depois de "Here Comes the Sun", eu comecei a prestar mais atenção ás suas canções. Talvez todas as bandas precisassem de alguém assim, uma presença profundamente espiritual que não fosse exactamente líder da banda. Tivemos o meu irmão Carl Wilson. Nunca conheci George, mas muitos anos depois fiz um espectáculo para ele. Em 2015 a sua viúva Olivia, ligou e pediu-me para actuar no George Fest em Holly- Wood. "Claro que sim", disse eu. Tocámos o "My Sweet Lord", mas eu teria feito qualquer uma das canções de George. Ele escreveu belos temas.

Os Beatles podem ter sido o topo na época, mas os Rolling Stones não ficaram muito atrás. Tinham imensos temas com grandes riffs. Fiquei fascinado com: "Satisfaction", "Get Off of My Cloud" A minha música favorita dos Rolling Stones foi gravada um pouco mais tarde, "My Obsession", no LP, Between the Buttons . Fui convidado para o estúdio quando estavam a misturar o baixo. Nunca os conheci pessoalmente.
Mas fiquei encantada com essa canção. O inicio está perto de "Get Off of My Cloud" Charlie Watts começa com uma batida em tudo, idêntica á de "Get Off of My Cloud”, e depois destaca-se aquela combinação impressionante de órgão e piano na faixa esquerda. Os vocais de apoio, uma série de babys ooh que mais tarde viriam a gravar no "Sympathy for the Devil". É realmente uma composição sobre a obsessão pelo corpo de uma mulher.

O que se destaca em "My Obsession" é que ele não é apenas a reprodução de mais um riff de Keith. Porque Keith Richards , o grande inovador com esses riffs de guitarra incríveis, fez com que fosse mais apreciado só por isso, mas pessoas têm que analisar mais fundo, mais dentro do seu trabalho; se o fizerem, vão encontrar vários truques de produção complexos e momentos de sofisticação e beleza. No tema “Sad Day, um tema pouco conhecido, há um pormenor que escapou á  maioria das pessoas. Há um pequeno, grande solo de piano executado por Jack Nitzsche, que era um produtor da escola de Phil Spector. Jack escreveu "The Lonely Surfer", que tinha um dos primeiros exemplos do que seria o som da guitarra usado nos westerns spaghetti. Os Stones tiveram todas essas influências. Que usaram a seu bel prazer. A sua própria personalidade, enquanto banda era e é ainda, muito forte.
Foi assim também que os Beach Boys funcionaram. Todas as influências que usámos, acabaram por ser a nossa identidade, o nosso som.

Ao longo dos anos tenho escrito algumas músicas que são homenagens aos Stones. Por exemplo “Add Some Music to Your Day.” aonde se pode ouvir o som de guitarra, popularizada por Keith Richards, especialmente no início, e a parte vocal, onde cantamos “add some, add some, add some music.” são vozes tipicamente dos Stones . Resumindo, nesse tema usamos guitarras, vozes e arranjo tipo Rolling Stones. Ouçam atentamente. Tentei reproduzir as suas vibrações. Inclusive mencionei-os na letra, também: “There’s blues, folk, and country, and rock like a rollin’ stone.” Mas a nossa música mais influenciada pelos Stones  foi, provavelmente, "Marcella", que está no disco Carl and the Passions—So Tough.  "Marcella" não é um tema profundo como outras canções. Não é o "Sail On Sailor" ou o 'Til I Die." É sobre uma garota que trabalhava num salão de massagens aonde eu costumava ir. É uma música luxuriante, pura e simples, como "My Obsession". Pouco antes e depois dos dois minutos, vocês podem ouvir os Stones, ou pelo menos a minha versão deles. Eu produzi a maior parte dessa sessão, mas depois fui descansar. Enquanto estava lá em cima, os outros, acrescentaram a parte, “hey, yeah, Marcella”que Al Jardine canta. É a minha letra favorita, mas não é uma das minhas músicas favoritas dos Beach Boys em geral. Carl cantou:
“One arm over my shoulder/Sandals dance at my feet/Eyes that knock you right over/Ooo Marcella’s so sweet.”


As pessoas pensavam que o rock and roll era uma música festiva, em primeiro lugar. Gostavam de ouvir líricas sobre as coisas simples, sobre festas, raparigas e a vida na adolescência, e foi isso que o rock and roll lhes mostrou. Houve sempre coisas complicadas na minha vida, mas eu mantive-as ou coloquei-as de lado. Mas depois as coisas ao meu redor começaram a mudar. Quando me mudei para Houston e o tempo que passei sozinho a compor, sem a banda foi uma grande mudança na minha vida, mas não foi a única mudança. Tudo começou a mudar. Talvez digam que foi por causa de eu fumar haxixe e usar relaxantes. Quando eu não estava nervoso, não receava que as coisas se complicassem e não tinha nenhum medo. Talvez tenha sido mais um tempo de aprendizagem sobre composição e produção e de como eu poderia colocar as idéias mais musicais nas canções que eu estava fazendo. "California Girls" foi um enorme sucesso pop, mas tinha outra peça de música no início que não era nada como uma canção pop. E mesmo que Summer Days (And Summer Nights !!) foi ainda mais para o lado pop das coisas, havia uma pequena sinfonia no meio chamado “Summer Means New Love.” Fui eu quem tocou esse trecho num piano de cauda, sendo apoiado por uma seção de cordas. Houve momentos em que pensei que estava construindo algo sobre as fundações existentes, e que estaria a demolir o que havia sido construído antes. Estava a começar uma nova fundação.
O que pareceu essa nova fundação? Pareceu que efectivamente vingara, crescera. Foi complicado, com muitas peças voando em todas as direções, mas se olhar-mos a partir do ângulo certo, veremos que tudo ficou intacto. E foi bonito de ver.

Comecei a construir essa base após a viagem de avião para Houston. Comecei com o disco, “Beach Boys Today! , Que foi um passo em frente, depois Summer Days (E Summer Nights !!) , o que foi mais um passo. Seguiram-se “Pet Sounds” , que foi uma grande experiência, e com “SMiLE” , que foi uma má experiência em alguns aspectos e que às vezes se tornou difícil falar sobre a grande experiência de “Pet Sounds” . Isso não significa que eu não vou falar sobre esse trabalho. Significa apenas que é uma situação idêntica á situação com o meu pai. Eu preciso pensar um pouco mais cuidadosamente sobre como falar sobre isso. O único caso em que é fácil falar sobre a nova fundação é que eu estava a compor "Good Vibrations". Tem havido muitas versões sobre como essa música aconteceu. As pessoas dizem que a gravadora e a banda pensavam que eu estava indo longe demais na música na arte e que eu precisava de voltar a compor hits pop. Isso provavelmente é verdade. Mas não foi assim que a canção nasceu.

O tema foi composto depois de fumar uns charros, e estava sentado ao piano, a tocar relaxado. Mike apareceu com a letra. Ouviu-me a tocar e a cantar o refrão “Good, good, good vibrations”. Mike, ficou entusiasmadíssimo, e foi de sala em sala espalhando a ideia de boas vibrações e o que isso significava, que estaria ligado à paz e ao amor que estava a acontecer em São Francisco e em outros lugares. A verdade é que quando comecei a canção, estava a pensar de forma diferente. Estava a pensar em como as pessoas se sentem instintivamente se algo é bom ou mau, as notícias que recebem, às vezes, quando o telefone toca, entendem ?  E eu estava a pensar em como a minha mãe me costumava dizer, que os cães têm a precepção de uma situação boa ou má, ou sentirem a disposição das pessoas imediatamente. Eu já tinha algumas estrofes, algumass que eu escrevi, e outras que Tony Asher escrevera, mas eu não estava feliz com  o que tinha. Mas assim que Mike começou a cantar o refrão, eu soube que havia algo maior na idéia lírica. E cresceu a partir daí. Mike finalmente escreveu a letra no caminho para o estúdio no seu carro.

O resto é história.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Michel Lang, o homem do Woodstock


Hoje, recordo um nome, que influenciou milhões de pessoas, e que mudou radicalmente a sociedade e as formas de comportamento, da juventude dos anos 60, graças á sua tenacidade, e á sua forte crença, Michael Lang.

Este jovem americano, nascido a 12 de Dezembro de 1944, conseguiu de uma forma prosaica realizar, "Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz & Música", entre os dias 15 e 18 de Agosto de 1969, e mudou o mundo.

Sem ele, o festival de Woodestock, nunca teria acontecido. Trinta e dois dos mais conhecidos músicos da época apresentaram-se durante um fim de semana por vezes chuvoso, para 400 mil espectadores.

A tenacidade e determinação de Michael Lang (com alguns deslizes á mistura) e com a ajuda dos seus três companheiros, John Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld. conseguiram criar o evento mais maravilhoso do século XX, apesar dos obstáculos constantes.

Como foi possível realizar um evento tão grande sem ter sido “atacado” por um colapso nervoso, ou por uma depressão fulminante ?!?! 

Obrigado, Michael.



Foi este o alinhamento do festival:

Sexta-feira, 15 de Agosto

Richie Havens.
Richie Havens
Swami Satchidananda
Sweetwater
The Incredible String Band
Bert Sommer
Tim Hardin
Ravi Shankar
Melanie
Arlo Guthrie
Joan Baez

Sábado, 16 de Agosto

Keef Hartley Band
Country Joe McDonald
John Sebastian
Santana
Canned Heat
Montanha
Grateful Dead
Creedence Clearwater Revival
Janis Joplin com a The Kozmic Blues Band
Sly & the Family Stone
The Who começou às 4 da manhã, dando início a um conjunto de 25 músicas, incluindo Tommy
Jefferson Airplane

Domingo, 17 e 18 de Agosto

The Grease Band
Joe Cocker
Country Joe and the Fish
Ten Years After
The Band
Blood, Sweat & Tears
Johnny Winter e seu irmão, Edgar Winter
Crosby, Stills, Nash & Young
Paul Butterfield Blues Band
Sha-Na-Na
Jimi Hendrix / Gypsy Sun & Rainbows

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Parabéns, Ringo Starr



Hoje é o aniversário do baterista mais querido do mundo. 
Isso mesmo, Richard Starkey, o nosso Ringo Starr completa hoje 72 anos em plena forma, e na minha opnião o Beatle mais humilde e o mais simpático.

Baterista da banda mais aclamada e conhecida de todo o mundo os Beatles, nasceu em 7 de Julho de 1940 nas cidade de Liverpool.

Os Beatles não foram a sua primeira banda. Antes, havia tocado com The Eddie Clayton Skiffle Group, grupo formado em 1957,  em 1959 entrou para o Grupo Raving Texans. Quando foi convidado em 1962 a substituir Pete Best dos Beatles, Ringo já era uma estrela ascendente nos  Rory Storm e os  Hurricanes.

O apelido "Ringo", ficou a dever-se ao facto de ele usar vários anéis.

Ringo mudou muita coisa na maneira de tocar bateria. Uma delas foi o modo como se segurava as baquetes. Antes de Ringo a maneira de manusear os "pauzinhos"  era no estilo do Jazz, segurando nas ditas, como se estas fossem os chop sticks que os chineses usam para comer.

Após a morte de Johnn Lennon  foi o único Beatle a  prestar condolencias a Yoko Ono. 

Em 1991 Os Simpsons fizeram-lhe uma homenagem e foi ele mesmo quem "dobrou" a própria voz no filme. 

Em 2011 foi eleito o maior baterista da história do Rock pela Revista Rolling Stone.

Parabéns Ringo Star!!! 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

R.I.P. Scotty Moore


Scotty Moore, um dos guitarristas pioneiros no mundo do rock and roll, morreu esta terça-feira aos 84 anos.

Moore foi desde o inicio e durante muito tempo o guitarrista da banda, que acompanhava Elvis Presley, juntamente com o baixista Bill Black . Os famosos Blue Moon Boys.

Estes dois músicos foram apresentados a Elvis durante as primeiras gravações no Sun Studio de  Sam Phillips em 1954.  Mais tarde em 1955 entraria o baterista D.J. Fontana.

"Heartbreak Hotel" e "Hound Dog", seriam os temas marcantes, icónicos, que fariam escola, e os primeiros a serem gravados.

Em 2000 , Scotty Moore foi induzido no Rock and Roll Hall of Fame e no Memphis Hall da Fama da Música em 2015, 

Scotty foi igualmente considerado 0 29º, melhor guitarrista na Rolling Stone na lista dos 100 Maiores Guitarristas de Todos os tempos.


terça-feira, 28 de junho de 2016

Barry Gibb, vai lançar um trabalho a solo


Barry Gibb, o unico sobrevivente dos Bee Gees, anunciou que lançará o primeiro disco solo em 32 anos. 

Com lançamento agendado para o fim deste ano, In The Now dará sequência a Now Voyager, de 1984, e será o primeiro álbum solo de Gibb em todos os tempos inteiramente composto de músicas inéditas. O último lançamento com participação de Barry, foi This Is Where I Came In, disco derradeiro dos Bee Gees, que saiu em 2001. 

Em In The Now, Gibb é acompanhado pela banda que tocou com ele durante a mais recente turné, de 2014. Uma das faixas do trabalho, “The Home Truth Song”, já foi tocado por ele em alguns shows. 

“Este é um sonho que se torna realidade para mim”, disse Barry Gibb, segundo o NME. “Sempre quis que os Bee Gees estivesse com a Columbia ou a Sony, então, recomeçar desta maneira, com grandes pessoas, é uma alegria para mim”. John Merchant, que já trabalhou com Barbra Streisand e Lenny Kravitz – além dos Bee Gees – assina como produtor de In The Now

No último fim de semana, durante o show do Coldplay como headliner de um dos dias do festival britânico Glastonbury, Gibb subiu ao palco e cantou duas músicas da banda dele com Chris Martin: “To Love Somebody” e “Stayin’ Alive”.  

A participação no gigante evento, também transmitido pela TV britânica, colocou Gibb de volta às manchetes. 

Foto de Peter Young
Redacção da Rolling Stone

terça-feira, 7 de junho de 2016


Foi no dia 7 de Junho de 1963, há exactos 50 anos, que uma das maiores bandas da história pela primeira vez lançou material ao público. 
Naquele dia, os Rolling Stones faziam sua estreia no mercado ao apresentar o single “Come On”, que tinha como lado B a faixa “I Want to Be Loved”.

Nenhuma das duas canções lançadas, eram criações próprias. 
A primeira, uma composição lançada por Chuck Berry dois anos antes, e, a segunda, por Muddy Waters em 1955. 

Nos meses seguintes, os Stones gravariam ainda outros covers como “I Wanna Be Your Man”, dos Beatles, e “Not Fade Away”, de Buddy Holly, e mostrariam composição própria pela primeira vez em junho de 1964 – a canção “Tell Me”, composta por Mick Jagger e Keith Richards. 

Naquela época os dois tinham como companheiros de banda o baterista Charlie Watts, o baixista Bill Wyman, o guitarrista Brian Jones e o pianista Ian Stewart.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band'


A 21 de Abril de 1967, os Beatles terminaram a gravação do álbum '' Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band ''  nos estudios da Abbey, em Londres.

Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band, é o oitavo álbum de estúdio dos Fab Four.

Gravado durante um período de 129 dias e lançado a 01 de Junho de 1967 no Reino Unido e a 02 de Junho do mesmo ano nos Estados Unidos, é frequentemente citado pelos críticos como um dos seus melhores trabalhos e um dos álbuns mais influentes de todos os tempos.

Continuando com a maturação artística iniciada no álbum  "Revólver" de (1966), afastando-se bastante do pop rock em voga nesse tempo, os Beaarles incorporaram elementos raros e muito divergentes dos temas que haviam composto até esta data, e passaram a compor, música psicodélica, musica com influências sinfónicas, muitas baladas, abandonando definitivamente o easy pop, comercial, que de alguma forma Brian Epstein os "obrigava" a compor e gravar.

Durante as sessões de Sgt. Pepper, a banda conseguiu melhorar a qualidade da produção de sua música, enquanto experimentavam  novas técnicas de gravação, incluindo, a ideia sugerida pelo produtor George Martin para incluir uma orquestra simfónica.



A capa do álbum, amplamente aclamada e imitada, foi concebido por  Peter Blake e Jann Haworth, foi inspirada por um desenho de Paul McCartney, ou melhor, por uma colagem com figuras históricas e celebridades favoritas, que Paul se tinha entretido a criar, num dos muitos momentos de ócio que antecederam a produção e edição do álbum.

Esteve 27 semanas no topo da UK Album Chart no Reino Unido,  e alcançou o primeiro lugar na Billboard 200 nos EUA, permanecendo lá durante15 semanas.

Fundamental na cena emergente rock psicodélico, tornou-se numa sensação popular, ganhando quatro prêmios Grammy em 1968. 

É um dos álbuns mais vendidos da história da musica, com vendas estimadas em 32 milhões de exemplares.

Também se tornou no segundo álbum mais vendido na história do Reino Unido. 

Inovador em vários aspectos, desde a sua estrutura às suas técnicas de gravação, foi adicionado ao Recording Registry Nacional da Biblioteca do Congresso como sendo "cultural e historicamente ou esteticamente significativo"


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Rock and Roll, is here to stay !



Desde que o refrão “one, two, three o’clock, four o’clock, rock”, de “Rock Around the Clock”, começou a ressoar nas rádios norte-americanas em 1955, a presença do rock and roll tem mudado a existência de gente nos quatro cantos do planeta. 

É bom lembrar que as raízes do rock vieram do blues, do country e do rhythm and blues, que, por sua vez, desaguaram no soul, no funk e na disco music. 

O rock sempre foi sinonimo de rebeldia. As provocações sexuais de Madonna são tão válidas quanto o rebolado de Elvis Presley na década de 1950. 

Assim, o que une Bill Haley e Amy Winehouse, artistas que aparentemente estão distantes milhões de anos-luz um do outro? 

Ambos fazem parte da vibrante história do rock and roll, essa semente para ícones de universos variados e com peso imensurável na trajectória de milhões de pessoas que, tantas vezes, dedicam a vida a ele, o género mais emblemático – e controverso – da música.

6 de Abril de 1965 - Rubber Soul



Rubber Soul é o sexto álbum lançado pelos  Beatles.

Foi gravado aproximadamente em quatro meses e lançado a 6 de Abril de 1965 endo a produção sido conduzida pelo maestro, Sir George Martin.

É citado por muitos críticos de música como o álbum em que os Beatles se tornaram, realmente nos Beatles, tendo tornado o seu som mais ecléctico e sofisticado, e denunciando forte influência do folk, que Bob Dylan tocaba na época.

O álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.

Os  Beatles superaram a sua fase adolescente, passando das brincadeiras protagonizadas nos filmes de Richard Lester, para o profundo universo poético, do In may Life, em que a Girl Michel, vivia em Norwegian Wood...

Rubber Soul foi considerado o mais inovador álbum de rock lançado até então.

Paul_McCartney" conta que no final da sessão de fotos para a capa do álbum, o fotógrafo começou a analisar as mesmas, e ao deixar  cair uma delas esta adquiriu um efeito distorcido, tendo despertado logo o interesse dos Beatles. Nesse momento,  eles escolheram o nome, Rubber Soul (Alma de Borracha).

Foi a primeira vez que um álbum dos Beatles teve a capa e o nome igual no Reino Unido e nos Estados Unidos. 

Antes de Rubber Soul, nos Estados Unidos, a gravadora lançava os álbuns com nomes, capas e selecção de músicas diferentes. Porém o Rubber Soul americano tinha uma selecção de músicas diferente da versão britânica. 

Nos Estados Unidos, o álbum vendeu 1,2 milhões de cópias em nove dias após seu lançamento.








Praticamente na mesma época do lançamento do álbum, foi lançado um single 45Rpm, com duas músicas de grande sucesso, "We Can Work It Out" e "Day Tripper".  

"We Can Work It Out" foi composta por John e Paul e tornou-se na época a que mais tempo levou para ser gravada (12 horas). O compacto tornou-se no acetato que mais rapidamente se vendeu, superando o single "Can't Buy Me Love" que detinha o recorde até á data.

A versão norte-americana do álbum, muito embora trouxesse a mesma capa, tinha uma selecção (alinhamento) de faixas substancialmente diversa da versão britânica. Curiosamente, a selecção norte-americana, lançada pela Capitol Records, trazia 2 faixas do álbum inglês anterior (Help!) e suprimia 3 faixas do lançamento oficial inglês (Drive My Car, Nowhere Men e If I Needed Someone), que somente seriam lançados em solo norte americano no LP Yesterday... And Today.

Assim, o Rubber Soul norte-americano foi lançado com as seguintes faixas:
Lado A
1. "I've Just Seen a Face"  
2. "Norwegian Wood (This Bird Has Flown)"  
3. "You Won't See Me"  
4. "Think for Yourself" (Harrison)
5. "The Word"  
6. "Michelle"  
Lado B
1. "It's Only Love"  
2. "Girl"  
3. "I'm Looking Through You"  
4. "In My Life"  
5. "Wait"  
6. "Run for Your Life"  

O álbum tinha ainda mais uma particularidade. 

As prensagens iniciais, produzidas pela fábrica da Capitol Records na Costa Leste dos Estados Unidos, tinham uma camada extra de reverb em todo o álbum. Este versão, rara nos dias de hoje, ficou conhecida como "Dexterized Version", em homenagem ao engenheiro de som da Capitol Records, Dave Dexter, que processou as gravações originais produzidos por George Martin.

A versão "Dexterized" não possui grande diferença, excepto a presença de uma camada de eco adicional (reveb), mais notável em músicas como Girl e Wait, bem como em outras, onde as vozes estão isoladas em um canal específico do âmbito estereofónico. As diferenças somente são perceptíveis com o uso de auscultadores, quando comparadas com a versão estéreo original inglesa.



Quanto aos temas, "Drive My Car" foi escrita por Paul com uma contribuição de John em algumas partes. Paul chegou aos estúdios da Abbey Road com uma letra que dizia: "I Can Give You Golden Rings, I Can Give You Anything." 

John vetou a letra por lembrar uma canção de Paul feita anteriormente, "Can't Buy Me Love". Com letra nova surgiu "Drive My Car". Paul explicou: 

- "A verdade é que não entendo muito de carros. Quando tenho de ir a um mecânico, fico confuso e digo a ele "Bem...hum...eu acho que...não está a funcionar".

John escreveu "Nowergian Wood" embora tenha tido a colaboração de Paul em algumas partes. A letra era inspirada em uma relação extraconjugal de John, na época casado com Cynthia Lennon. George usou um instrumento indiano pela primeira vez em uma música, a sitar, pois estava a estudar música indiana na época, e acabou por comprar uma sitar que usou pela primeira vez numa música pop ocidental. Foi mais uma música de John composta com influênica de Bob Dylan. 

"Nowhere Man" outra canção de John, tem uma letra mais filosófica.

"The Word" foi escrita por John e Paul e segundo eles sob influência da canabis.

Paul escreve sobre a crise em seu namoro com Jane Asher em "You Won't See Me". Jane na época não respondia ás suas ligações telefónicas, ignorando-o. 

Paul também escreve sobre ela em "I'm Looking Through You". Nesta música, como em "Drive My Car", Paul chegou a gravar guitarra, coisa que ele só passou a fazer com mais frequência nas músicas dos álbuns seguintes.

"Michelle" é mais uma balada de Paul, com algumas frases em francês.

Após a separação dos Beatles, John disse que compôs praticamente sozinho com uma pequena contribuição de Paul o tema "In My Life", Paul no entanto disse que ajudou na composição do começo ao fim. George Martin toca piano ao estilo barroco nessa faixa.

"Run For Your Life" é uma composição de John baseada na música "Baby Let's Play House" de Elvis Presley.

Muitos não se aperceberam da grande influência da música grega neste álbum, notadamente nos "pizzicatos" de violão, na música "Girl". Também em "I'm Looking Thought You", "Michelle" e na introdução de "If I Needed Someone".

Source, https://en.wikipedia.org/w/index.php?curid=1789318

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Beatles 4 Ever!


Um "caso" nunca antes conseguido, e nunca mais igualado.

No dia 4 de Abril de 1964, os Beatles, ocupavam as cinco primeiras posições nas listas de vendas do Billboard Hot 100. 

Mas no total, tinham 12 temas nessa lista, nsse mesmo dia....e por ai se mantiveram.

Beatles 4 Ever! 

Vejam.
1: Can't Buy Me Love (Capitol)
2: Twist And Shout (Tollie)
3: She Loves You (Swan)
4: I Want To Hold Your Hand (Capitol)
5: Please Please Me (Vee Jay)
31: Saw Her Standing There (Capitol)
41: From Me To You (Vee Jay)
46: Do You Want To Know A Secret (Vee Jay)
58: All My Loving (Capitol)
65: You Can't Do That (Capitol)
68: Roll Over Beethoven (Capitol)
79: Thank You Girl (Vee Jay)

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Parabéns Sir George Martin - (Londres, 3 de Janeiro de 1926)


Hoje, recordo um dos produtores mais importantes na história da música pop, Sir George Martin.
Aos 80 anos, é recordado como tendo sido efectivamente o 5º Beatle

George Martin possuidor de grandes dotes musicais e depois de servir o seu país, tornou-se o assistente do chefe da Parlophone Records, aprendendo a produzir gravações com uma editora que foi uma criação tardia no Império da EMI Music .

Enquanto trabalhava em uma grande variedade de gêneros (e primando nas gravações de comédia com The Goon Show com Peter Sellers e Spike Milligan), George desenvolveu um espírito muito pessoal inovador para a época.

Isto serviu-lhe muito bem, quando, após originalmente ter recusado os Beatles, o chefe da EMI, "entregou"  a banda a Martin e igualmente a etiqueta Parlophone, como forma de punição .
È que o patrão havia descoberto que George tinha um caso com a secretária da gravadora.

Martin, numa primeira audição, não ficou muito impressionado com a qualidade musical dos rapazes de Liverpool, mas lá foi gravando o temas que eles haviam escolhido.
Com grande sacrifício, segundo ele.


Mas o sucesso do primeiro 45 rpm dos Fab Four, "Love Me Do", provou que ele estava errado.
Logo descobriu no material de Lennon-McCartney, um excelente meio para forjar  um novo tipo de relação produtor-artista.
Em vez de encontrar material para a banda, Martin, ajudou-os a compor as suas próprias músicas e a criar o seu som.

Basicamente, Martin e os Beatles eram perfeitos uns para os outros, porque  eram todos inovadores.

Tendo o seu apoio, os Beatles, deram asas á sua criatividade, e puderam deixar para a eternidade, bem impresso nos acetatos que foram gravando, o seu génio musical.

Uma das coisas que eu mais gosto em Martin é, ao assistir aos documentários, em que ele se senta numa mesa de mistura, para dar testemunho ao mundo de como produzia o som dos Beatles, ainda se espantado, ainda se maravilha em redescobrir que ele fez parte "daquilo".

Parabéns  George .

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Partiu o Luis Filipe Aguiar...vais deixar muita saudade, Amigo


Faleceu Luís Filipe Aguiar, conhecido no meio artístico apenas como Luís Filipe. 

O cantor e músico radicado na Madeira, tinha 63 anos de idade e deixa uma carreira de quatro décadas dedicada à música.

Foi na Ilha da Madeira que nasceu e cresceu como cantor, autor e compositor, numa carreira com mais de 4 décadas. Atualmente era também delegado regional da Sociedade Portuguesa de Autores. Destacou-se também como apresentador da RTP Madeira.

A sua primeira participação no Festival da Canção aconteceu em 1985 com o tema "Mulher Só (Mulher Giesta)". Para além de ter sido intérprete, partilhou a autoria com Nuno Rodrigues e Fátima Murta. Um ano depois, com "Tango da meia noite", compõe e interpreta um dos temas candidatos à vitória e que viria a transformar-se no grande êxito da sua carreira. A sua última tentativa no Festival aconteceu em 2011, quando compõe para a filha, a cantora Sandra Dória, o tema "Aprende a voar (nas asas do amor)", contudo, não conseguiu alcançar a final do Teatro Camões.

Em 2013, interpretou no programa "Praça da Alegria" dois temas que mais marcaram a sua carreira, entre os quais "Brinquedo desfeito", anunciando que estaria a preparar um novo CD de originais, trabalho que não chegou a ser concretizado devido a doença prolongada. 

Luís Filipe foi co-compositor da canção Sempre (há sempre alguém) que Nucha levou à Eurovisão em 1990. 

No campo apenas da autoria musical foi compositor das seguintes canções: 
 - Partir de mim (FC1989) por Marina Mota, 
 -  Eu sou Maria Rapaz (FC1992) por Nani, 
 - Quero muito mais de ti por Cristina Roque (FC1993), 
 -  Talvez noutro lugar (FC1993), 
 - A minha ilha(FC1996) por Bárbara Reis, entre outras. 

Também como o intérprete subiu aos palcos dos festivais em 1985 com o tema Mulher só (mulher giesta) e em 1986 com Tango da meia-noite.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

I Saw Her Standing Ther



Esta canção foi escrita principalmente por Paul com algumas frases de John, e deve ser considerada na história do Rock n Roll, a canção mais perfeita de sempre, para se iniciar uma carreira discográfica, não só para estar no álbum de estreia dos Beatles, Please Please Me, mas sobretudo porque é em si, (de facto é em Mi), o tema perfeito para arrebatar qualquer pessoa, logo a partir do grito de John…One Two Three Four…

Quando o produtor George Martin decidiu produzir os primeiro álbum dos Beatles, tinha originalmente a ideia , de captar o seu som em directo, ao vivo, na Cavern. No entanto ao visitar o local, depressa descobriu que a qualidade do som, que poderiam captar não seria de todo viável devido ao eco da pequena cave . Por isso foi decidiu que o “show ao vivo” dos Fab Four, teria que ser gravado no estúdio. 

E assim foi. A 11 de fevereiro de 1963 Os Beatles entraram no Abbey Road Studio 2 para iniciar uma sessão de 13 horas que iria entrar para a história, e na qual eles gravaram o álbum completo de 14 canções, num dia, pela módica quantia de £ 400.

A canção foi originalmente intitulada "Seventeen", e conta a história de um adolescente que vê uma “miúda” a dançar num salão de baile local tendo logo notado que o seu visual era bem, "Way Beyond Compare" …ou seja, sem comparação possível, tendo logo determinado que iria dançar com ela e mais nenhuma outra a partir daquele dia.

Paul começou a escrever a canção numa noite de Outubro em 1962, quando conduzia o seu carro ao voltar para a sua casa em Liverpool. Paul estava consciente da necessidade de ter músicas em que os grupos das fãs do sexo feminino se poderiam relacionar, e assim entrou em sua casa nessa noite, cantarolando as poucas frases para si mesmo:  
"Ela tinha apenas dezessete, nunca foi uma rainha da beleza ", pensando com os seus botões que “aquilo” era uma boa rima. 


Mas quando cantou o que compusera, para John, percebeu que “aquilo “era uma frase, sem sentido, inútil. Foi quando decidiram procurar uma outra frase mais musical, tendo John logo sugerido, "You Know What I Mean", (Voces sabem o que eu quero dizer) que quando cantado poderia ser entendido como uma sugestão ou mesmo uma insinuação sexual.

O mistério cresceu com a canção… quem era essa misteriosa “Seventheen”?  
Seria a canção mesmo dedicada a alguém em particular?
Logo foi encontrada uma pista: Iris Caldwell que Paul namorou em Dezembro de 1961. 
Iris era a irmã de Rory Storm, em cuja banda, Rory Storm and the Hurricanes, Ringo (que se juntaria aos Beatles, em Agosto de 1962), era o baterista e figura de destaque. 

Assim como a personagem da canção, Iris tinha 17 anos na época, quando Paul a viu dançar o twist no The Ballroom Tower em New Brighton. Iris era uma bailarina, treinada e Paul foi aparentemente impressionado com as pernas da voluptuosa bailarina. Paul e Iris começaram a namorar e este passou a ser um convidado frequente na casa da família Caldwell. Mas o namoro, nunca foi sério, já que Paul e Iris estavam actuando constantemente fora de Liverpool, mas permaneceram amigos e a mãe de Iris, Violet ou Ma-Storm como ela se tornou conhecida, ajudou os Beatles a actuarem na TV, aconselhando-os am sorrir na frente da câmera. Levando o seu conselho a peito, todos eles sorriam na sua próxima aparição na TV, tendo George telefonado a Violet dizendo: 
"Eu lembrei-me do seu conselho e pensei que era melhor capricahar sorriso ou Ma-Storm vai me bater "

"I Saw Her Standing There" foi um dos temas que o grupo incluiu sempre nas suas actuações, num reportório feito á base de temas Buddy Holly e Little Richard e por isso, quando em Fevereiro de 1963, escolhiam as canções para incluir no seu primeiro álbum esta canção foi logo escolhida, e gravada com aquele som cru de Liverpool que tinha sido capturado nos seus shows ao vivo.


Nos USA, o single tinha no lado B o "I Want To Hold Your Hand", que foi ao No.1 tendo sido uma das cinco canções que os Beatles executaram no Ed Sullivan Show a 9 de Fevereiro de 1964.

10 anos depois já com os Beatles separados, John escolheu o tema e tocou-o com Elton John no Madison Square Garden em 28 de Novembro de 1974. Paul ainda toca a música nos seus shows ao vivo, sendo um must para os seus fãs.


Paul, diria mais tarde que tinha copiado o riff de baixo de uma canção de 1961 de autoria de Chuck Berry “I’m Talking About You.


quinta-feira, 30 de julho de 2015

A melhor banda de todos os tempos


Os Beatles foram a melhor banda de todos os tempos. Não há como contrariar esta declaração.
Eles conquistaram a cena musical como o que alguns chamariam a primeira "boys band", com melodias pop cativantes, uma irreverência sem limites, criando um estilo único e original, na forma de vestir, e de compor.

Os copycats, que os seguiram, que tentaram repetir o seu sucesso, só fizeram com que os Beatles mudassem a sua forma criativa, atingindo patamares de originalidade e de genialidade, nunca antes conseguidos, e que jamais serão superados. Não só os Beatles se tornaram a melhor banda de rock de todos os tempos, como fizeram a melhor música que já foi feita e nunca vai ser repetida no, presente ou no futuro.

Quando me sento aqui a escrever este artigo e ouvindo os Beatles, faço-o com a certeza de que não tenho nenhuma razão real para provar o seu valor a ninguém, mas vou enunciar 7 razões pelas quais os Beatles são a melhor banda na história da música do mundo.

Para começo de assunto, lembro que a NASA enviou para o espaço uma gravação dos Beatles, mais concretamente o tema “Across the Universe”. Portanto, se existe vida extraterrestre, se existem extraterrestres, esta será a primeira música terrena que eles ouvirão.

Vamos ás que me levam a afirmar que os Beatles são a melhor banda, do passado, presente e futuro.

1º - Genialidade na composição - Os Beatles tinham um jeito com as palavras, e uma originalidade sem comparação. Eles encontraram uma maneira de “tocar” as nossas almas, com o jogo de palavras mais simplista e por vezes abstracto, que havia sempre alguém que se identificou, e ainda se identifica, com as suas estórias musicadas soberbamente. A combinação Lennon / McCartney foi certamente obra dos deuses, que nos enviaram duas almas gêmeas musicais, com o dom de nos encantar e maravilhar com a sua genialidade. Por favor, não esquecer o nosso Harrison, que tinha letras e melodias incríveis, bem como o “palhaço” da corte, o sempre muito querido Ringo.

2º - Recorde de vendas - Os Beatles venderam cerca de 600 a 1000 milhões de discos no mundo. A sua fama de renome mundial foi absolutamente impressionante para a época. Sem mencionar que também tinham 17 # 1 Hits. Além disso, eles receberam sete prêmios Grammy, 15 Ivor Novello Awards, 6 Diamond Álbuns, 24 Multi-Platina Álbuns, 39 Platinum Álbuns, e 45 álbuns de ouro. E isso apenas nos Estados Unidos. Um Oscar de Melhor Canção Original Score foi dado para "Let It Be". A partir de 2014, os Beatles conseguiram 20 Nº 1 do no Billboard Top 100.


3º - Qualidade e Versatilidade - No início, abusaram das músicas pop, das baladas de amor, cativantes, passando depois para criações musicais psicodélicos, inovando na utilização de sons e métodos de gravação nunca utilizados até então. Para isso contaram com a genialidade do produtor George Martin, sem dúvida o 5º Beatle . Quando se intrometeram na indústria cinematográfica, foi também para inovar, para arrasar a concorrência.

4º - Fama Galáctica - Os Beatles foram a primeira banda que não podia andar na rua sem serem “atacados”. Provocaram a invasão britânica dos USA. No meio da Beatlemania. John Lennon conseguiu tanta fama que ele foi capaz de iniciar um movimento pela paz legítimo em torno da Guerra do Vietnã. Na verdade, John era tão famoso que influenciou toda uma geração, não tendo deixado ninguém indiferente á sua personalidade. Lennon é dos 4 Fab Four, o meu músico favorito.

5º - Genialidade Musical -  A sua capacidade inventiva, a sua genialidade inovadora, não conhecia fronteiras, quando entravam em estúdio. Todo o seu trabalho no estúdio permitiu o aparecimento de muitos outros estilos musicais, tipos e gêneros de música, que sem eles nunca veriam a cor do som. Inovadores no seu tempo, os instrumentos e equipamento disponíveis na época, eram nitidamente, insuficientes para dar, corpo e forma á sua criatividade musical.

6º - As melhores composições -  "I Wanna Hold Your Hand", "Hello, Goodbye", "We Can Work It Out", "You've Got to Hide Your Love Away", "A Hard Day's Night", "Let It Be", "Come Together", "Yesterday", "Nowhere Man", "Lucy in the Sky with Diamonds", "Here Comes the Sun", "I'll Follow the Sun", "In My Life", and "All My Life", só para citar algumas das minhas favoritas. Mas há muitas mais !!!

7º - The Beatles = Love - Aparentemente tudo o que eles fizeram, promoveu paz e amor. "All You Need is Love” tornou-se no hino do movimento de amor, contra a guerra.
Muito mais haveria para dizer sobre estes fantásticos seres humanos. Se gostaram deste artigo, divulgue-o aos mais jovens, para que eles saibam que os Beatles, foram, são e serão a melhor banda do mundo
Fiquem em Paz,




Adaptação de um texto de Black Vinston 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Love and Mercy : o rapaz da praia e as boas e más vibrações



O filme de estreia de Bill Pohlad é uma brilhante biografia do génio musical dos Beach Boys, Brian Wilson, interpretado por dois actores em duas épocas diferentes da sua vida: Paul Dano e John Cusack

Era uma vez um rapaz chamado Brian Wilson que ouvia sons dentro da cabeça, cacofonias inexplicáveis. Essa massa sonora era transformada nas irresistíveis e esfusiantes canções “praia-surf-e-garotas” dos Beach Boys. Mas o rapaz não se queria ficar por aí. Queria fazer música mais “séria”, queria ir até aos limites da melodia, da harmonia, das letras e fazer combinações nunca ouvidas entre elas. Queria tocar o estúdio de gravação como se fosse um instrumento musical, incorporar nas canções os latidos dos seus cães, os deslizes dos músicos, as conversas gravadas durante os ensaios ou nos intervalos. Tudo isto perante a perplexidade ou a oposição dos outros membros da banda. Mesmo assim, o rapaz produziu obras-primas, “sinfonias de bolso” como “Good Vibrations”, “God Only Knows”, e o álbum “Pet Sounds”.

E depois de um disco experimental que foi para a gaveta, “Smile”, o rapaz soçobrou às drogas e a uma doença mental incorrectamente diagnosticada. Largou a música, passou três anos fechado no seu quarto e ficou sob tratamento, e sob a tutela legal, de um sinistro psicólogo e psicoterapeuta, Eugene Landy, que o encharcou em medicamentos e manteve mais vigiado do que um prisioneiro político. 

Tudo parecia correr mal para o génio musical, quando foi salvo por uma ex-modelo e vendedora de automóveis, Melinda Ledbetter. Com a ajuda da família, tirou-o das garras de Landy, devolvendo-lhe a confiança e a autonomia, e casou com ele. Tiveram cinco filhos e o rapaz voltou a compor e a tocar.
A vida do líder dos Beach Boys podia ter dado um daqueles filmes biográficos de juntar por números e puxar à desgraça e à edificação, feito por um qualquer borra-botas de Hollywood. Felizmente, o autor de “A Força de um Génio” (“Love and Mercy”, no original), Bill Pohlad, um produtor (de “A Árvore da Vida”, de Terrence Malick, entre outros), que aqui se estreia a realizar, além de grande fã do lendário grupo, não é desses.  É por isso que estamos com os olhos (e os ouvidos) num dos melhores filmes de sempre baseados na vida de um músico.


Escrito por Michael Allen Lerner e Oren Moverman (co-autor de “I’m Not There”, de Todd Haynes), e com banda sonora de Atticus Ross, habitual colaborador de Trent Raznor e David Fincher, “A Força de um Génio” está isento das convenções, facilidades, piedades e simplificações do género “biografia-de-génio artístico-que-não-bate-bem-da-bola”, e assenta num conceito arriscado.
Brian Wilson é interpretado por dois actores, cada um para uma fase da sua vida. Paul Dano na fase dos Beach Boys, John Cusack na fase da doença e do isolamento. (Pohlad chegou a pensar num terceiro actor, que seria Philip Seymour Hoffman, para fazer de Wilson durante os anos de reclusão, mas acabou por desistir, e essa fase é o “ângulo morto” do filme). E resulta? Se resulta, visual, dramática e narrativamente. E apesar da pouca parecença física entre ambos, há ecos, sintonias, associações entre o Wilson de Dano e o de Cusack, que o realizador usa para mostrar que tudo aquilo por que o músico passou o transformou realmente noutra pessoa, embora tenham ficado vasos comunicantes com o outro que ele foi.

“A Força de um Génio” é um filme de uma enorme inteligência e delicadeza sonora e cinematográfica, na sugestão das visões auditivas de Brian Wilson e na subsequente e como que miraculosa tradução em música, sozinho ao piano ou em estúdio; na recriação o mais perto possível das sessões de gravação; na forma elíptica como mostra o seu deslize para as drogas e a queda no buraco negro da perturbação mental; e na recusa de encharcar em melodrama ou em sensacionalismo o encontro de Wilson com a futura mulher, e a batalha de vontades entre ela e Landry para anular o poder deste sobre ele e devolver o músico a uma vida o mais normal possível. Bill Pohlad dá-lhe uma qualidade visual que remete a espaços para as imagens de arquivo a cores da utopia estival e musical da Califórnia dos anos 60, para a textura dos “home movies”, para a pintura de David Hockney durante os anos californianos ou para uma espécie de quase impalpável “realismo onírico” que encontramos nalguns filmes de David Lynch.


Os actores são pouco menos que brilhantes. O rechonchudo Paul Dano serve como uma luva no Brian Wilson de “antes”, relutante à exposição pública e às digressões, funcionando ao som de uma música que só ele ouve, secretamente magoado com a insensibilidade de um pai chupista e a incompreensão dos outros Beach Boys. John Cusack em sofrimento com silenciador no Brian Wilson de “depois”, delicado, assustadiço, frágil como um cristal, consciente da sua situação mas incapaz de se libertar sozinho dela. Paul Giamatti excelente num Eugene Landy de capachinho ridículo, falinhas mansas e saboreando o seu poder totalitário de rosto benigno sobre Wilson. E Elizabeth Banks, sem forçar qualquer nota melodramática para captar o nosso capital de simpatia, na salvadora Melinda Ledbetter. Brian Wilson não podia imaginar como o refrão “God only knows what I’d be without you” da canção homónima viria a aplicar-se a ela. 

E graças a “A Força de um Génio”, passamos a ouvir a tão familiar música dos Beach Boys com outros ouvidos.


Eurico de Barros, no Observador de 16 Julho 2015