terça-feira, 23 de maio de 2017

As Grandes Bandas Inglesas dos Anos 60 - Procol Harum



Gary Brooker, Robin Trower e B.J. Wilson juntaram forças no início dos anos 1960 para formar uma banda a que chamaram The Paramounts. O seu primeiro single, lançado em 1963, foi uma cover dos Coasters, The Poasters Ivy que teve pouco sucesso. 
Após a separação dos elementos que compunham os Paramounts, o pianista / vocalista Gary Brooker formou uma nova versão do grupo, chamando o letrista Keith Reid para escrever algumas reflexões esotéricas para combinar com o novo Rock Psicodélico, que Gary compunha. Ao assumirem um novo rumo musical, precisavam de um nome a condizer. 

Gary Brooker conta: 
"Nós não escolhemos o nome. Foi o nosso agente na época que me telefonou e disse que tinha encontrado um nome."  Eu perguntei: qual é esse nome?' 
 - Procol Harum.
 - Óptimo. E soa como nós. De facto, soa com a musica que fazemos. 
E é claro que toda a gente perguntou:
   - O que é que isso significa?  
Nós não sabíamos, e então tínhamos que descobrir o real significado daquela palavra estranha e completamente desconhecida para nós. 

Depois de muitas perguntas e leituras de dicionários, chegámos á conclusão que Procol Harum, era o nome de uma raça de gatos com o pedigree, de um gato de um amigo dele. 
Mais tarde, descobrimos que realmente, eu tinha entendido mal o nome que me havia sido comunicado pelo telefone. Entendera e soletrara o nome de forma errada a palavra, que tinha origem no latim. O nome do gato era 'Procul' com um 'u "E" Harun "com um" n "no final, e significava " Além dessas coisas "em latim. Temos que admitir que o real significado de Procol Harum," Além dessas coisas ", foi uma grande coincidência, e assentava-nos “como uma luva”.






































A banda era composta por, Gary Brooker cantor e teclista, Keith Reid letrista, Matthew Fisher organista, David Knights baixista, Ray Royer guitarrista e o baterista Bobby Harrison. 
O primeiro single da banda, "A Whiter Shade Of Pale", lançado em Julho de 1967, atingiu o 1º lugar nas tabelas de vendas dos dois lados so Atlântico e definiu algo novo no género musical: "Rock Clássico". 
Rock Clássico, é a fusão da guitarra elétrica de rock, vocais poderosos e bateria poderosa, com letras pensadas envoltas na complexidades artística dos arranjos melódicos da melodia clássica. 
O tema foi executado e gravada nos Estúdios Olímpicos em Londres, Inglaterra, usando o baterista, de estúdio, Bill Eyden. Poucos dias depois, a música foi regravada com o baterista da banda Bobby Harrison, mas essa versão foi descartada tendo uma das gravações mono originais sido escolhida para o lançamento em 45 Rpm. 

No auge da popularidade da música, o grupo já estava fracturado por mudanças de alguns elementos originais desta formação. Foram admitidos dois ex Paramount. 
Os singles subsequentes tendo como termo de comparação o sucesso inicial dos Procol Harum , eram fracos e as esperanças de vendas de mais milhões de singles, ficaram muito aquém das expectativas, tendo levado os componentes da banda e os seus fãs,  à frustração total. 

"A Whiter Shade of Pale" foi o grande sucesso de 1967 e transformou a banda numa lenda que dificilmente poderia sobreviver àquele nível. O single que se seguiu, "Homburg" alcançou o 6º lugar no Reino Unido, mas ficou em 34º lugar nos USA. 
Na época, a ideia da banda produtora de álbuns, estava a tornar-se uma realidade. Mas as gravadoras ainda estavam obcecadas com o hit single. 
Na passagem dos anos 60 para os 70, a banda passou cinco anos sem sucessos, mas mesmo assim, gravaram álbuns consistentemente, gratificantes de muita qualidade musical, mas sem qualquer sucesso comercial.


"A Salty Dog", o seu terceiro LP, acabou por ser um dos trabalhos mais relevantes tendo sido um best-sellers do grupo. Após o lançamento do álbum, o organista-produtor-escritor-cantor Matthew Fisher auto excluiu-se. Saiu do grupo. Não tinha tido muitas oportunidades de cantar (um solo em uma ou duas músicas na melhor das hipóteses) pois a maioria das músicas eram de Brooker e Reid. Não havia sequer um crédito de Brooker / Reid / Fisher  no legendário tema  "A Whiter Shade of Pale", apesar do trabalho de órgão de Matthew, que, contrariamente à crença popular, não foi copiado de qualquer tema em particular de Bach, mas foi inspirado sim, em algumas trechos do trabalho do Johann Sebastian Bach. 

No inicio dos anos 70, Chris Copping entrou para substituir Fisher no órgão e David Knights no baixo. Estas mudanças transformaram profundamente os Procol Harum em The Paramounts novamente. 
Chris tinha sido um membro original do grupo antigo, mas saiu em 1962 antes da banda começar a gravar (com Diz Derrick, seu substituto no baixo). Readmitir os antigos companheiros de banda, parecia sinalizar um retorno ao R&B. 

Embora parecesse que a banda era sólida como uma rocha, os readmitidos velhos amigos não tinham essa opinião. Anos mais tarde, Robin Trower diria que estava simplesmente enjoado de "aquele som de órgão e piano". Os seus esforços para adicionar mais guitarras nem sempre foram recebidos com entusiasmo. 
Não só os elementos da banda estavam descontentes com o rumo musical dos Procol Harum, como também os críticos expressavam a mesma opinião, fazendo grande oposição á direcção musical que Gary Brooks imprimia.


Musicalmente, Procol Harum esteve sempre dividido entre Hard Rock e Rock Clássico. Embora o grupo muitas vezes combinasse os dois estilos numa fusão brilhante, os álbuns, tinham sempre um rumo bem direccionado inclinado para um lado ou para o outro. Após a saída de Trower, Procol Harum voltou-se completamente para o lado clássico com "Live at Edmonton", um exercício sinfônico lançado no Inverno de 1972. Pela primeira vez em cinco anos, a banda alcançou o Top 20 americano com a sua nova versão de " Conquistador ", que alcançou a 16ª posição nas tabelas de vendas. A canção, ironicamente, estava no primeiro álbum de 1967. Com uma orquestra audaciosa, a Edmonton Symphony Orchestra, a musica era outra e ajudou a transformar o tema original num deslumbrante disco de ouro.

O reaparecimento do grupo em alta, permitiu que eles se juntassem à Warner Brothers / Chrysalis com um orçamento maior para explorar sua identidade de Rock Clássico. O resultado foi "Grand Hotel", uma requintada mistura de classicismo elegante misturado com o excitante Rock. Obteve aclamação instantânea e esteve no Top 100 da Billboard durante cinco meses. O entusiasmo de Gary Brooker para recriar a fusão o Rock Clássico devolveu a fama á banda. Houve alguns álbuns medíocres que foram logo esquecidos, especialmente pela Warner Brothers / Chrysalis, que não mostraram muito interesse em promovê-los. A banda voltou a separar-se em 1977 depois de ver "Something Magic" ficar numa desprestigiante 147ª posição na Billboard 200. 

Reuniram-se para um único espectáculo cinco meses depois, quando "A Whiter Shade of Pale" foi nomeado vencedor (juntamente com o tema "Bohemian Rhapsody" dos Queen) para o  Best British Pop Single 1952 1977 nos BRIT Awards, englobado no II Jubileu de Prata da Rainha Elizabeth. 
Brooker e Fisher dedicaram-se a uma  carreira a solo, mas foram condicionados, a fazer algumas colaborações em discos de outros artistas, produzindo algum cantor semidesconhecido, ou actuar em segundo plano nos concertos de outras bandas.


Em 25 de Setembro de 1991, Gary Brooker e Matthew Fisher começaram novamente a actuar como Procol Harum. Robin Trower tinha recusado  juntar-se a eles, e os músicos que participaram no último álbum solo de Brooker eram agora membros dos Procol Harum. Havia uma nota sinistra no livreto do novo álbum declarando que este era "dedicado a Barrie James (B.J.) Wilson, que estará sempre connosco". 

A maioria dos fãs da banda, não sabia que ele tinha estado em coma durante algum tempo, tinha falecido, em 8 de Outubro de 1990.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

129 Anos do Disco de Emile Berliner



Perfaz hoje exactamente 129 anos sobre a invenção do disco, um tosco protótipo apresentado pelo inventor alemão naturalizado norte-americano Emile Berliner. 

Este suporte de gravação sonora, ainda hoje em aperfeiçoamento e preferido pelos mais criteriosos audiófilos, nasceu a 18 de Maio de 1888 para concorrer com o cilindro de cera. Apesar de possuírem mais capacidade de armazenamento (dois lados) e serem mais fáceis de guardar, os discos não se impuseram logo no mercado devido à sua extrema fragilidade. Só a partir de 1910, com a aplicação de goma-laca que facilitava a sua prensagem a partir de uma matriz, as suas vendas ultrapassaram os célebres cilindros de Thomas Edison. 

Foi já tarde e diante de uma falência iminência que Thomas Edison converteu a sua produção para este formato, que perdurou até ao início dos anos 1950, quando surgiram os Long Playing de 33 rpm (rotações por minuto) e os Singles de 45 rpm, gravados em vinil. Inicialmente apenas com um dos lados gravados, os primeiros discos, pesados e rígidos, feitos para rodar entre 75 e 78 rpm, tocavam, como os cilindros, gravações de 3 a 4 minutos realizadas por métodos integralmente mecânicos e acústicos, de sensibilidade a frequências extremamente limitada: as muito baixas (sons graves) e as muito altas (sons agudos) não eram registadas. 

Os metais e a percussão eram, por isso, os instrumentos musicais mais adequados a acompanhar cançonetas, marchas e polcas ou até curtas árias de Ópera devidamente adaptadas. Estas limitações só foram ultrapassadas pela gravação eléctrica com microfones e amplificadores, o que se generalizou a partir do final da década de 1920. Era só nas casas burguesas mais abastadas ou em bailaricos de paróquia que os discos eram tocados em gramofones mais ou menos sofisticados, cuja potência sonora dependia do formato e tamanho da campânula que projectava o som. Estes aparelhos funcionavam com fabulosos motores de corda, cuja precisão e força chegava a garantir a audição afinada de três discos sem novo impulso de manivela. 

Outra curiosidade era o consumo frequente de pontiagudas agulhas de metal (as marcas fonográficas aconselhavam a sua troca a cada audição!) e que eram vendidas às centenas em coloridas caixinhas de folha-de-flandres que hoje fazem as delícias dos coleccionadores. Foi também a partir dos anos 1920 que se popularizaram as grafonolas, máquinas portáteis em forma de mala, contendo uma pequena campânula escondida no interior. Estas eram bem menos elegantes e potentes que os gramofones, mas muito mais económicas, o que potenciou a sua popularização e a consequente expansão da indústria fonográfica. 

É nos anos 1940 que surge na revista norte-americana Bilboard a primeira lista dos discos mais vendidos. O mundo jamais foi o mesmo. A democratização do consumo da música teve definitivamente origem no disco de Berliner, que trouxe consigo, entre tantas virtualidades, um dos mais marcantes fenómenos do século XX: a música Pop. 


Texto adpatado de "Liberdade 232" publicado no jornal i

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Escape Livre - Nova Lisboa, 1970


O inicio da década de 70, ali pelo planalto central de Angola, na bela cidade de Nova Lisboa, actualmente Huambo, foi época de incorporação dos mancebos, o cortar das fartas cabeleiras, e o fim de muitos conjuntos musicais que ainda não tinham acabado e acordar do sonho lindo vivido nos anos 60.

Os Beatles tinham ficado para trás, e começávamos a ouvir, Santana, Blood Sweat And Tears, Chicago em doses maciças. 
A musica passou a ser outra, e as Hofner, as Yahamaha, tinham sido substituídas pelas Mauser, G3, e outras “machines” que cuspiam fogo e chumbo. O som não era nada bonito. Mas teve que ser.

Para trás ficaram os Rebeldes, Los Pacificos, os Planetas da Cáala, os Lover´s, os Gemini e muitas outras bandas que durante muitas noites alegraram as populações de Cabinda ao Cunene.

Mas ainda tínhamos uma munição para usar. Na altura, eu o Rui Carlos e o Zé Maria Coelho, vivíamos juntos em Nova Lisboa, num apartamento, ali por cima da Saratoga. O verdadeiro selo de povoamento. Até comprámos um Volkswagen a “treias”. Cada um entrou com 10 mil angolares. Uma fortuna. E, embora fosse o único com carta de condução, o bólide, era sempre conduzido pelo Zé Grande, que nem o código sabia. Mas o tamanho dele chegava para ser eleito o condutor de serviço.
E aí, surge o convite do muito querido e saudoso velho Óscar, que tinha entre mãos o equipamento de uma banda, Os Sombras, que acabar de se desmembrar. Dos músicos tinha ficado só o filho, o Rui Óscar e o seu órgão branco…

Vai dai, juntámo-nos lá em casa, e decidimos a formação. 
Vicky na voz e guitarra, o Zé Maria Coelho, no baixo e na trompete, o Rui Carlos Estevão, na batera, o Rui Óscar, nas teclas e o Relvas no trombone. A ideia desta formação, era “atacarmos” a soul music do Otis Redding, e os temas dos Blood Sweat and Tears, Chicago e similares. 

Mas, faltava um solista. Foi então que vindo, não sei de onde nem pela mão de quem, nos aparece, o Pepe, o Ezequiel, que estava a cumprir o seu serviço militar nas transmissões ali num quartel qualquer….Maravilha das maravilhas. Grande musico, companheiro incrível das risadas e fantochadas, mas sobretudo, com um reportório renovado, já que havia chegado havia pouco tempo, do “puto”, da metrópole. Olha, era um “pula”, á maneira. E fez história entre nós. Ainda hoje, volvidos quase 50 anos, somos amigos.

Faltava o nome para a banda. 
Uma noite, ao despedir-me do Relvas á porta da garagem aonde ensaiávamos, reparei que a máquina voadora do mwadié, uma Tohatsu azul, fazia um cagaçal imenso, pois andava sempre sem escape …Literalmente andava de “Escape Livre”… ganda nome, pensei. Voltei para dentro e com o resto da malta, decidimos adoptar esse nome. E ficou.

No dia a seguir, fomos todos á Saratoga, tiraras medidas, e segundo ideia minha, encomendámos as fatiotas. Calça prêta de risca branca, camisa amarela sem colarinho, mas com umas “presilhas”, por onde passava um lenço azul com bolinhas brancas (ainda tenho esse lenço), e um casaco cinza claro com uns vivos, aba comprida, mas sem mangas…vejam a foto. Lindos, os meninos. E é claro, bota á Beatle…compradas na sapataria um pouco mais abaixo, em frente ao Hotel Bimbe.

O Rui Carlos, que sempre foi um vaidoso de primeira, aliás acho mesmo que ele era e ainda é um vaitreze, com bom gosto, achou que as botas que tínhamos comprado na sapataria eram vulgares, sem estilo, e vai dai, voltou á Saratoga e comprou umas made in england, beatles genuínas, parece que até falavam inglês. Custaram-lhe os olhos da cara. Se não me engano, entregou as economias todas desse mês. Uma fortuna…750 Angolares…
As ditas, tiveram um fim trágico. Passo a contar.
Uma das primeiras aparições publicas do Escape Livre, foi num festival YéYé, no pavilhão do Atletico.  Vieram bandas dos quatro cantos de Angola, que eram obrigadas a tocar três temas. Nós optámos pelo Hey Jude, versão do Wilson Picket, Oh Darling, dos Beatles, e o tema obrigatório.


Quem mandava no Atlético, era o velho Taborda, sempre em cima de tudo, não deixando a malta pôr o pé em ramo verde.

Sem grandes alaridos, arranjámos lá um sócio que se pôs de plantão á entrada do ringue, junto da cancela por onde entravam as equipes, que tinha a missão de “escancarar” a dita cancela, porque, sem dizer-mos nada a ninguém, tínhamos combinado fazer um entrada á Escape Livre. 
Com as nossas motos. 
Sem escape. 

Assim foram constituídas as equipes. Moto da frente, Zé Maria Coelho, e Pepe na pendura. Segunda moto, Relvas e Rui Óscar, e a fechar a comitiva o moi, com o Rui Carlos na garupa, a estilar as suas botinhas importadas…bom, será escusado dizer que a nossa entrada foi de gritos. Literalmente pusemos o pavilhão todo a gritar, á excepção do velho Taborda, que desconhecendo este aparato, corria louco atrás de nós, aos gritos….
 - Parem, parem, parem, rua, rua, rua….gargalhada geral. 

Geral não. O rui Carlos atrás de mim, chorava. Á séria. 
È que ao fazermos a nossa entrada no ringue, a sua linda botinha do pé direito, tinha sido “apanhada”, mais propriamente o elástico do cano, pelo ferrolho da cancela, e desgraça das desgraças, tragédia das tragédias, abrira-se toda…estava todinha rasgada…o Rui, aos gritos repetia o que o velho Taborda gritava…para, para, para, Vicky. E eu acelerava ainda mais, pois eramos a dupla que estava quase a ser agarrada pelo velho Taborda… 

Ao fim da segunda volta ao ringue, lá estacionámos os bólides com o publico ao rubro. 
Ocupámos as nossas posições em palco, mas o Rui Carlos inconsolável, chorava baba e ranho, e enquanto cantava o Oh Darling. soluçava de comoção a tal ponto que teve direito a uma ovação de pé. 
O pessoal acreditou que o feeling, o desespero da interpretação dele se devia á sua pura emoção de homem apaixonado…puro engano. 
Sim apaixonado estava pela bota destruída, o que o levou ás lágrimas e ao desespero…
Foi um verdadeiro espectáculo …

Infelizmente esta formação, desfez-se tragicamente passados poucos dias. Depois de um ensaio, á noite, o Relvas a caminho de casa, de noite e sem luz na Tohatsu, foi colhido mortalmente por uma camionete…nunca soubemos como e que realmente tudo se passou, mas ficámos destruídos, pela pera de um irmão muito querido.


A seguir, o Pepe, regressou á metrópole, e foi substituído pelo Rui Almeida, o calcinha de Luanda, que preencheu na perfeição a ausência do Ezequiel. 
Durou pouco tempo esta formação, porque a “tropa” chamou pelo Zé Maria, que teve guia de marcha para os Dragões de Silva Porto. O Rui Carlos, foi para o leste com a companhia 1250, se não me falha a memória, e o Rui Óscar para Luanda, com o Rui Almeida. 

Fiquei eu, sozinho, com uma série de contratos para cumprir. Não me atrapalhei, e numa semana, refiz a banda.
Entraram: para as teclas, o Jorge Sena, para a baixo o Victor Mascarenhas, para o solo o Nélito, e para a batera o Brandão.
Depois de ensaiados, lá fomos nós de malas aviadas para Moçamedes para mais um festival YéYé, aonde aconteceu um outro episódio engraçadíssimo. 

Para já, chegámos de madrugada ao centro da cidade, aonde fomos recebidos por um pinguim que tinha dado á costa…o bicho estava mesmo desorientado. Lá o devolvemos ao mar e fomos descansar. Tínhamos ficado horas numa fila imensa, no alto da serra, já que nesse dia foi aberta ao trânsito essa via rodoviária que serpenteava pela linda serra da Leba.

Á noite o espectáculo. Escape Livre, Os Palancas banda lá da terra, do Lobito vieram os Lovers, com o Rui Chaves e o Ministro, os Camuflados, banda da companhia militar que estava estacionada por lá, e não me lembro de quem mais. A Riquita, era a madrinha do festival.

Um dos temas que nós tocávamos e que fazia imenso sucesso, era o Something dos Beatles, no qual o Nélito brilhava forte com o solo que fazia, e que originalmente teria dois minutos. 
Só que naquele dia, consequência da “seruma”, do “boi” que circulava pelos camarins, oferta da gerência, o solo nunca mais acabava…aquilo era uma sinfonia sem fim …bonito empolgante, mas ele tinha que terminar o solo. 
Lá me fui chegando a ele e com ligeiros toques e alguns truques, lá consegui que o Nelito acabasse a sua intervenção. A caminho dos camarins, perguntei.

- Porra Nélito, o que é que te deu ? 
Ele com aqueles olhinhos, enevoados pelos fuminhos, foi dizendo, enquanto batia com a mão no peito….
 - Era o Jimmy brother, era o Jimmy, não era eu…
Espantado parei e perguntei
 - Qual Jimmy ?...
 - O Hendrix, brother, o Hendrix….
Grande musico, este Nelito.



De volta a Nova Lisboa, lá fizemos mais uns bailaricos, até que outros valores se levantaram, e com a separação inevitável devido ao facto de uns terem sido chamados a cumprir o serviço militar noutras paragens, o Escape Livre acabou….

Foi um tempo de magia, de crescimento enquanto músicos, e de solidificação de amizades que se mantêem. Para não esquecer. Nunca !

terça-feira, 4 de abril de 2017

Winchester Cathedral, 1966 The New Vaudeville Band.


Uma cançoneta de vaudeville assumidamente demodée, composta como assumido pastiche das revistas da década de 20 por Geoffrey Stephens, autor de programas humorísticos, rábulas radiofónicas e ocasionais sucessos do teatro musicado. Levava-se tão pouco a sério que jamais antecipou o êxito planetário deste seu tema, um dos mais tocados em 1966 nas rádios de quase todo o mundo.

A brincadeira era tão óbvia que foi preciso improvisar uma banda quase tão fictícia como a Sergeant Pepper's Lonely Hearts Club Band que os Beatles celebrizariam um ano mais tarde.
The New Vaudeville Band, reunida para a gravação do single, tinha o fascínio do seu próprio amadorismo nesta homenagem serôdia aos velhos salões de dança, acentuada pelos traços caricaturais do vocalista John Carter, usando um megafone em sátira aos cantores da era anterior à generalização do microfone – o mais célebre dos quais foi Rudy Vallee.

A cantiga, egou de estaca. De tal maneira que nesse final de 1966 atingiu o quarto lugar nos tops britânicos e cruzou o Atlântico, onde chegaria à primeira posição nas vendas, competindo em Dezembro com Good Vibrations, dos Beach Boys. Pouco depois receberia o Grammy como melhor canção do ano. Vendeu mais de três milhões de cópias em todos os continentes. E teve inúmeras versões internacionais, incluindo uma portuguesa, do Quinteto Académico.


De repente, a música parecia estar em todo o lado. Uma versão quase simultânea interpretada por Dana Rollin foi igualmente um sucesso de vendas. Os Shadows e a orquestra de James Last fizeram versões instrumentais do tema, cantado em 1967 também por Petula Clark, Ray Conniff, Lawrence Welk e Dizzy Gillespie. Até Frank Sinatra o gravou, embora sem resultados brilhantes.

Stephens, hoje com 82 anos, nem queria acreditar que a sua cantilena, concebida quando olhava para uma imagem da  Catedral de Winchester impressa num calendário de parede, havia alcançado aquela repercussão, tornando-se um ícone da música popular. De tal modo que o próprio Rudy Vallee, remota  pop star do fonógrafo e da telefonia, também fez questão de interpretar o tema em disco. Fechava-se um ciclo: o homenageado associava-se assim à homenagem.

Há meses, pegando num livro antigo, saltou-me lá de dentro a folha já amarelada com a letra de Winchester Cathedral. E logo esse pedaço de papel me devolveu à soalheira sala daquele segundo andar em Viana, às alegres aulas recitadas e cantaroladas em inglês, ao Pai exercendo aquilo que mais gostou de fazer na vida - ensinar.

As canções também têm este dom: são capazes de nos transportar a qualquer momento a um passado que pensávamos já definitivamente sepultado na memória. Como escreveu Fernando Pessoa, pela pena do seu heterónimo Ricardo Reis, "em tudo quanto olhei fiquei em parte".
Substitua-se neste caso "olhei" por "escutei": vem a dar no mesmo.

«Winchester Cathedral / You're bringing me down / You stood and you watched as / My baby left town. // You could have done something / But you didn't try / You didn't do nothing / You let her walk by.»


 Pedro Correia “As canções da Minha Vida”

sábado, 1 de abril de 2017

Meet The Covers, the Beatles played


Todos nós sabemos que os Beatles não gravaram apenas músicas autorais (compostas por Lennon, McCartney, Harrison e Starr). 
Mas já pensaram quantos "covers", temas de outros compositores que eles lançaram nos seus álbuns, quer enquanto banda, quer enquanto artistas a solo ? 

Quais os autores e temas mais gravados pelos Beatles? 

Fiquem a saber igualmente quais são as 15 músicas de Chuck Berry, o eterno ‘Pai do Rock’ que os Beatles tocaram ao vivo.

– “Anna (Go to Him)” | 1963 | Please Please Me | Arthur Alexander
– “Chains” | 1963 | Please Please Me | The Cookies
– “Boys” | 1963 | Please Please Me | The Shirelles
– “Baby It’s You” | 1963 | Please Please Me | The Shirelles
– “A Taste of Honey” | 1963 | Please Please Me | Bobby Scott/Lenny Welch
– “Twist and Shout” | 1963 | Please Please Me | The Top Nodes (as hit The Isley Brothers)
– “Till There Was You” | 1963 | With the Beatles | Barbara Cook
– “Please Mr. Postman” | 1963 | With the Beatles | The Marvelettes
– “Roll Over Beethoven” | 1963 | With the Beatles | Chuck Berry
– “You Really Got a Hold on Me” | 1963 | With the Beatles | The Miracles
– “Devil in Her Heart” | 1963 | With the Beatles | The Donays
– “Money (That’s What I Want)” | 1963 | With the Beatles | Barrett Strong
– “Long Tall Sally” | 1964 | Long Tall Sally (EP) | Little Richard
– “Slow Down” | 1964 | Long Tall Sally (EP) | Larry Williams
– “Matchbox” | 1964 | Long Tall Sally (EP) | Carl Perkins
– “Rock and Roll Music” | 1964 | Beatles for Sale | Chuck Berry
– “Mr. Moonlight” | 1964 | Beatles for Sale | Dr. Feelgood
– “Kansas City/Hey-Hey-Hey-Hey!” | 1964 | Beatles for Sale | Little Willie Littlefield/Little Richard
– “Words of Love” | 1964 | Beatles for Sale | Buddy Holly
– “Honey Don’t” | 1964 | Beatles for Sale Carl Perkins
– “Everybody’s Trying to Be My Baby” | 1964 | Beatles for Sale Carl Perkins
– “Bad Boy” | 1965 | Beatles VI | Larry Williams
– “Act Naturally” | 1965 Help! | Johnny Russell
– “Dizzy Miss Lizzy” | 1965 | Help! | Larry Williams
– “Maggie Mae” | 1970 Let It Be | The Vipers | Skiffle Group (traditional)
– “I Got a Woman” | 1994 | Live at the BBC | Ray Charles
– “Too Much Monkey Business” | 1994 | Live at the BBC | Chuck Berry
– “Keep Your Hands Off My Baby” | 1994 | Live at the BBC | Little Eva
– “Young Blood” | 1994 | Live at the BBC | The Coasters
– “A Shot of Rhythm and Blues” | 1994 | Live at the BBC | Arthur Alexander
– “Sure to Fall (In Love with You)” | 1994 | Live at the BBC | Carl Perkins
– “Some Other Guy” | 1994 | Live at the BBC | Richie Barrett
– “That’s All Right, Mama” | 1994 | Live at the BBC | Elvis Presley
– “Carol” | 1994 | Live at the BBC | Chuck Berry
– “Soldier of Love (Lay Down Your Arms)” | 1994 | Live at the BBC | Arthur Alexander
– “Clarabella” | 1994 | Live at the BBC | The Jodimars
– “I’m Gonna Sit Right Down and Cry (Over You)” | 1994 | Live at the BBC | Elvis Presley
– “Crying, Waiting, Hoping” | 1994 | Live at the BBC | Buddy Holly
– “To Know Her Is to Love Her” | 1994 | Live at the BBC | The Teddy Bears
– “The Honeymoon Song” | 1994 | Live at the BBC | Marino Marini
– “Johnny B. Goode” | 1994 | Live at the BBC | Chuck Berry
– “Memphis, Tennessee” | 1994 | Live at the BBC | Chuck Berry
– “Lucille” | 1994 | Live at the BBC | Little Richard
– “Sweet Little Sixteen” | 1994 | Live at the BBC | Chuck Berry
– “Lonesome Tears in My Eyes” | 1994 | Live at the BBC | Johnny Burnette & His Rock’n’Roll Trio
– “Nothin’ Shakin'” | 1994 | Live at the BBC | Eddie Fontaine
– “The Hippy Hippy Shake” | 1994 | Live at the BBC | Chan Romero
– “Glad All Over” | 1994 | Live at the BBC | Carl Perkins
– “I Just Don’t Understand” | 1994 | Live at the BBC | Ann-Margret
– “So How Come (No One Loves Me)” | 1994 | Live at the BBC | The Everly Brothers
– “I Forgot To Remember To Forget” | 1994 | Live at the BBC | Elvis Presley
– “I Got to Find My Baby” | 1994 | Live at the BBC | Chuck Berry
– “Ooh! My Soul” | 1994 | Live at the BBC | Little Richard
– “Don’t Ever Change” | 1994 | Live at the BBC | The Crickets
– “That’ll Be the Day” | 1995 | Anthology 1 | The Crickets
– “Hallelujah I Love Her So” | 1995 | Anthology 1 | Ray Charles
– “Ain’t She Sweet” | 1995 | Anthology 1/Anthology 3 | Milton Ager/Jack Yellen
– “Searchin'” | 1995 | Anthology 1 | The Coasters
– “Three Cool Cats” | 1995 | Anthology 1 | The Coasters
– “The Sheik of Araby” | 1995 | Anthology 1 | Harry B. Smith/Francis Wheeler/Ted Snyder
– “Bésame Mucho” | 1995 | Anthology 1 | Consuelo Velázquez
– “Lend Me Your Comb” | 1995 | Anthology 1 | Carl Perkins
– “Shout” | 1995 | Anthology 1 | The Isley Brothers
– “Leave My Kitten Alone” | 1995 | Anthology 1 | Little Willie John
– “I’m Talking About You” | 2013 | On Air – Live at the BBC Volume 2 | Chuck Berry
– “Beautiful Dreamer” | 2013 | On Air – Live at the BBC Volume 2 | Tony Orlando/Stephen Foster

John Lennon

– “Ya Ya” (Lee Dorsey) – Walls and Bridges, 1974
– “Be-Bop-A-Lula” (Gene Vincent) – Rock ‘n’ Roll, 1975
– “Stand by Me” (Ben E. King) – Rock ‘n’ Roll, 1975
– “Rip It Up”/”Ready Teddy” (Little Richard) – Rock ‘n’ Roll, 1975
– “You Can’t Catch Me” (Chuck Berry) – Rock ‘n’ Roll, 1975
– “Ain’t That a Shame” (Fats Domino) – Rock ‘n’ Roll, 1975
– “Do You Wanna Dance?” (Bobby Freeman) – Rock ‘n’ Roll, 1975
– “Sweet Little Sixteen” (Chuck Berry) – Rock ‘n’ Roll, 1975
– “Slippin’ and Slidin'” (Little Richard) – Rock ‘n’ Roll, 1975
– “Peggy Sue” (Buddy Holly) – Rock ‘n’ Roll, 1975
– “Bring It On Home to Me”/”Send Me Some Lovin'” (Sam Cooke/Lloyd Price) – Rock ‘n’ Roll, 1975
– “Bony Moronie” (Larry Williams) – Rock ‘n’ Roll, 1975
– “Just Because” (Lloyd Price) – Rock ‘n’ Roll, 1975
– “Hound Dog” (Big Mama Thornton) – Live in New York City, 1986
– “Angel Baby” (Rosie Hamlin) – Rock ‘n’ Roll, relançamento 2004
– “To Know Her Is to Love Her” (Phil Spector) – Rock ‘n’ Roll, relançamento 2004
– “Since My Baby Left Me” (Arthur Crudup) – Rock ‘n’ Roll, relançamento 2004
– “Just Because (Reprise)” – Rock ‘n’ Roll, relançamento 2004
– “Mucho Mungo” (Harry Nilsson) – The Lost Sleepy Blind Lemon Lennon Album, 1990
– “Be My Baby” (Phil Spector) – Lost Weekend, 1973-1974

Paul McCartney

– “Ain’t No Sunshine” (Bill Withers)
– “All Shook Up” (Elvis Presley)
– “Be Bop a Lula” (Gene Vincent)
– “Blue Jean Bop” (Gene Vincent)
– “Blue Moon of Kentucky” (Bill Monroe)
– “Brown Eyed Handsome Man” (Chuck Berry)
– “Good Rocking Tonight” (Roy Brown)
– “Hi-Heel Sneakers” (Tommy Tucker)
– “Lonesome Town” (Ricky Nelson)
– “San Francisco Bay Blues” (Jesse Fuller)
– “Singing The Blues” (Marty Robbins)
– “Twenty Flight Rock” (Eddie Cochran)

Do álbum Choba B CCCP (1990):
– “Lawdy Miss Clawdy” (Lloyd Price)
– “I’m in Love Again” (Fats Domino)
– “Bring It On Home to Me” (Sam Cooke)
– “Lucille” (Little Richard)
– “Don’t Get Around Much Anymore” (Duke Ellington)
– “I’m Gonna Be a Wheel Someday” (Fats Domino)
– “That’s All Right” (Elvis Presley)
– “Summertime” (George Gershwin)
– “Ain’t That a Shame” (Fats Domino)
– “Crackin’ Up” (Bo Diddley)
– “Just Because” (Nelstone’s Hawaiians, The Shelton Brothers, Elvis Presley, Brenda Lee)
– “Midnight Special” – traditional

George Harrison

– “Got My Mind Set on You” (James Ray)
– “If Not for You” (Bob Dylan)
– “Absolutely Sweet Marie” (Bob Dylan)
– “Anna Julia” (Los Hermanos)
– “True Love” (Bing Crosby, Grace Kelly)
– “Roll Over Beethoven” (Chuck Berry)
– “Hong Kong Blues” (Hoagy Carmichael)
– “I Really Love You” (Leroy Swearingen)
– “Between the Devil and the Deep Blue Sea” (Harold Arlen and Ted Koehler)

Ringo Starr

Do álbum Sentimental Journey (1970):
– “Sentimental Journey” (Bud Green/Les Brown/Bon Homer)
– “Night and Day” (Cole Porter)
– “Whispering Grass (Don’t Tell the Trees)” (Fred Fisher/Doris Fisher)
– “Bye Bye Blackbird” (Mort Dixon/Ray Henderson)
– “I’m a Fool to Care” (Ted Daffan)
– “Stardust” (Hoagy Carmichael/Mitchell Parish)
– “Blue, Turning Grey Over You” (Andy Razaf/Fats Waller)
– “Love Is a Many Splendoured Thing” (Sammy Fain/Paul Webster)
– “Dream” (Johnny Mercer)
– “You Always Hurt the One You Love” (Allan Roberts/Doris Fisher)
– “Have I Told You Lately That I Love You?” (Scott Wiseman)
– “Let the Rest of the World Go By” (Ernest Ball/Karen Brennan)

Outros álbuns:
– “You’re Sixteen” (1973), Ringo, Bob Sherman/Dick Sherman
– “Husbands and Wives” (1974), Goodnight Vienna, Roger Miller
– “Only You (And You Alone)” (1974), Goodnight Vienna, Buck Ram/Ande Rand
– “No No Song” (1974), Goodnight Vienna, Hoyt Axton/David Jackson
– “A Dose of Rock ‘n’ Roll” (1976), Ringo’s Rotogravure, Carl Groszman
– “Hey! Baby” (1976), Ringo’s Rotogravure, Margaret Cobb/Bruce Channel
– “Drowning in the Sea of Love” (1977), Ringo the 4th, Kenny Gamble/Leon Huff (Joe Simon)
– “Sneaking Sally Through the Alley” (1977), Ringo the 4th, Allen Toussaint
– “Bad Boy” (1978), Bad Boy, Lil Armstrong/Avon Long
– “Lipstick Traces (On a Cigarette)” (1978), Bad Boy, Toussaint
– “Heart on My Sleeve” (1978), Bad Boy, Gallagher and Lyle
– “Where Did Our Love Go” (1978), Bad Boy, Eddie Holland/Lamont Dozier/Brian Holland
– “Monkey See – Monkey Do” (1978), Bad Boy, Michael Franks
– “You Belong to Me” Stop and Smell the Roses, Pee Wee King/Redd Stewart/Chilton Price
– “Sure to Fall” (1981), Stop and Smell the Roses, Carl Perkins/Quinton Claunch/William Cantrell
– “She’s About a Mover” (1983), Old Wave, Doug Sahm
– “I Keep Forgettin'” (1983), Old Wave, Jerry Leiber/Mike Stoller
– “Golden Blunders” (1992), Time Takes Time, Jonathan Auer/Kenneth Stringfellow
– “Don’t Be Cruel” (1992), Time Takes Time, Otis Blackwell/Elvis Presley
– “Love Me Do” (1998), Vertical Man, Lennon–McCartney
– “Drift Away” (1998), Vertical Man, Mentor Williams
– “Winter Wonderland” (1999), I Wanna Be Santa Claus, Felix Bernard/Richard B. Smith
– “The Little Drummer Boy” (1999), I Wanna Be Santa Claus, Harry Simeone/Henry Onorati
– “Rudolph the Red-Nosed Reindeer” (1999), I Wanna Be Santa Claus, Johnny Marks
– “Blue Christmas” (1999), I Wanna Be Santa Claus, Bill Hayes/Jay Johnson
– “White Christmas” (1999), I Wanna Be Santa Claus, Irving Berlin
– “Think It Over” (2012), Ringo 2012, Buddy Holly/Norman Petty
– “Rock Island Line” (2012), Ringo 2012, Johnny Cash

Chuck Berry Ao Vivo

Os Beatles tocaram um total de 15 músicas do grande ídolo Chuck Berry:
– “Roll Over Beethoven”, 1957-64
– “Sweet Little Sixteen”, 1957-62
– “Johnny B. Goode”, 1958-62
– “Maybellene”, 1959-61
– “Rock and Roll Music”, 1959-66
– “Almost Grown”, 1960-62
– “Carol”, 1960-62
– “Little Queenie”, 1960-63
– “Reelin’ and Rockin'”, 1960-61
– “Thirty Days”, 1960-61
– “Vacation Time”, 1960-61
– “Memphis, Tennessee”, 1960-62
– “Too Much Monkey Business”, 1960-62
– “I Got to Find my Baby”, 1961-62
– “I’m Talking About You”, 1962

José Carlos Almeida no Portal dos Beatles

quinta-feira, 30 de março de 2017

30 de Março de 1967...Foi há 50 anos.


Faz hoje exactamente 50 anos que a sessão fotográfica para a capa do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band teve lugar. 

Criada por Peter Blake, a capa do icónico álbum, apresenta cada Beatle ostentando um farto bigode, usando quatro fatos de diferentes cores, que mais se parecem com as fardas de um qualquer funcionário de circo, e um grupo de celebridades na forma de figuras de cera e recortes de papelão. 

É um facto pouco conhecido que Sir Peter Blake tinha capas alternativas para o álbum, e que foram descartados em favor da capa final. 

Uma das capas alternativa, utilizava o mesmo cenário de colagem como o original, mas com algumas pequenas alterações, incluindo as posições de cada um dos Beatles. 

O arranjo alternativo apresentava Ringo Starr ao lado de uma tuba e Paul McCartney ajoelhado à esquerda do bombo. 

Mais significativo é a inclusão de membros da audiência que foram mais tarde retiradas do arranjo final, incluindo Albert Einstein, Mahatma Gandhi, e Bette Davis no traje da sua personagem, a Rainha Elizabeth em The Private Lives de Elizabeth e Essex.

domingo, 26 de março de 2017

Fly Me To The Moon - 1954

Deve ter acontecido com milhões de rapazes como eu: passei a infância a idolatrar os astronautas que se aventuravam a esbater a distância entre a Terra e a Lua. Armstrong, Aldrin e Collins – o trio da Apolo 11 que fez a primeira viagem ao nosso satélite natural e ali alunou na épica madrugada de 21 de Julho de 1969 (hora portuguesa) – eram os meus heróis de carne e osso, suplantando os pilotos da fórmula 1, como Jackie Stewart e François Cévert, e deixando a larga distância as figuras da banda desenhada que me acompanhavam por todo o lado: Astérix, Lucky Luke, Blake & Mortimer, Ric Hochet…

O hino da odisseia interplanetária tornou-se naturalmente Fly Me to The Moon, primeira canção ouvida na Lua graças a um leitor de cassetes portátil que Edwin Aldrin levava consigo. Com a versão definitiva deste tema musical, gravado em Junho de 1964 por Frank Sinatra e inserido na faixa inicial do seu disco It Might As Well Be Swing. Ao som da orquestra de Count Basie com os arranjos de Quincy Jones que lhe conferiram um ritmo trepidante e uma vibração inultrapassável.

Fly Me to the Moon nascera 15 anos antes da histórica missão à Lua, como balada de cabaré composta em ritmo de valsa – muito diferente da roupagem musical que viria a tornar-se familiar aos nossos ouvidos. Nasceu até com outro nome: chamava-se In Other Words quando Felicia Sanders a cantou em estreia no Blue Angel, mítico night club em Manhattan.
O autor – letra e música – foi Bart Howard (1915-2004), um pianista profissional que antes de ser mobilizado para a guerra alcançara alguma fama em meios restritos ao compor If You Leave Paris (1938) para Mabel Mercer. Mas o verdadeiro sucesso só chegaria quando In Other Words, concebida em 1954, passou a chamar-se Fly Me To the Moon, no final dessa década.



E no entanto o tema parecia fadado a passar despercebido. De tal modo que figurou apenas no lado B do disco de 45 rotações da gravação original, na voz de Kaye Ballard, com dois minutos e 14 segundos. A sorte só começou a virar em 1959, com a bela interpretação jazzística de Nancy Wilson e sobretudo em Outubro de 1960, quando Peggy Lee a cantou ao vivo no popularíssimo programa televisivo de Ed Sullivan, na CBS.
Até hoje, já conheceu mais de 500 versões. Nas vozes de Tony Bennett, Judy Garland, Brenda Lee, Doris Day, Ella Fitzgerald, Bobby Womack, Della Reese, Sarah Vaughan, Johnny Mathis, Anita O' Day, Nat King Cole, Eydie Gormé, Astrud Gilberto, Michael Bolton e Diana Krall. Algumas entre tantas.

Bart Howard, que começou a escrever canções com a ambição - jamais concretizada - de se tornar um novo Cole Porter, pareceu sempre surpreendido com a enorme popularidade de In Other Words, que só em 1963 passou a intitular-se oficialmente Fly Me To the Moon. “Demorei vinte anos a aprender a escrever uma canção em apenas vinte minutos”, confessaria mais tarde, quando vivia quase em exclusivo dos direitos deste tema, que na voz de Sinatra para sempre ficou associado à conquista do espaço. Não apenas como metáfora mas em sentido literal.
É assim que o escuto ainda hoje, ao trauteá-lo uma vez e outra nos dias em que acordo mais insuflado de optimismo e energia: como um símbolo de quem é capaz de transpor todas as fronteiras e ultrapassar todas as barreiras.
O céu é o limite e há sempre novos mundos por desbravar.

«Fly me to the moon / Let me play among the stars / Let me see what spring is like / On a-Jupiter and Mars / In other words, hold my hand / In other words, baby, kiss me.»


Pedro Correia, no Delito de Opinião

segunda-feira, 20 de março de 2017

Chuck Berry, o Senhor Rock and Roll

Chuck Berry morreu ontem à hora do almoço na sua casa em St. Louis, no Missouri americano. 
Hoje os jornais impressos nada trazem de notícia e muito menos de primeira página, o que é estranho para quem publicou fotos inteiras de página dedicada aquando da morte de Bowie ou Lou Reed.
Porém, sem Chuck Berry, a música daqueles não seria a mesma coisa porque muito lhe ficaram a dever.

Quando comecei a ouvir música rock, nos finais dos anos sessenta já Chuck Berry tinha produzido tudo por que se tornou celebrizado e copiado e já outros músicos e conjuntos tinham aprendido a tocar as suas músicas, sendo os casos mais  notórios os Beatles e os Rolling Stones.

Chuck Berry tinha ficado para trás,  nos anos cinquenta em transição para a década seguinte em que o rock n´ rol se trasmudou em rock, muito por influência daqueles grupos britânicos e das editoras Sun ( que gravava os discos de Elvis Presley, Carls Perkins e Jerry lee Lewis)  e Chess ( que gravava Chuck Berry e Muddy Waters, antes dele) e Atlantic que gravava Ray Charles e outros cantores pretos, americanos.

Chuck Berry foi provavelmente a maior influência singular na música rock que então surgiu. Maybellene, em Junho de 1955, foi uma das primeiras composições do músico. 
A canção cujo nome fora escolhido num frasco de brilhantina, foi passado por Alan Freed, a pedido dos irmãos Chess, polacos emigrados que convenceram esse  animador de rádio em Nova Iorque a transmitir a música e foi logo um êxito, segundo se conta. Mesmo sem o nome do artista no disco. 


O Beatles ligaram logo a canção de Berry, Roll over Beethoven,  a um sucesso de vendas, em finais de 1963 no Lp With the Beatles. 
Os Rolling Stones já o tinham feito em meados desse ano, com a canção Come on, aliás o seu primeiro disco single. E continuaram a fazê-lo durante toda a carreira, copiando e adaptando mais de uma dúzia de canções de Berry.

Mas não foram apenas os Beatles e os Stones a tocarem músicas de Chuck Berry. 
Os Beach Boys, no início de 1963 compuseram Surfin´in the USA depois de terem escutado muito bem Sweet little sixteen, daquele músico. 
A melodia era tão semelhante que foi preciso dar-lhe o crédito respectivo após litígio judicial. 
A história é contada por Mike Love na sua autobiografia Good Vibrations, "My life as a Beach Boy", de 2016, um magnífico livro, por sinal.

A primeira vez que ouvi Roll over Beethoven e me chamou a atenção  foi em 1973 numa versão da Electric Light Orchestra do seu segundo disco (II) que tenho e guardo como magnífico, muito por causa dessa canção e respectivo tratamento sonoro)

Por causa desse fenómeno as canções originais de Chuck Berry surgiram como recriações de outros grupos e artistas fazendo esquecer muitas vezes o artista original que as criou e agora faleceu aos noventa anos. 
Além da ode a Beethoven, Maybellene, Sweet Little sixteen, Johnny B. Goode, Memphis Tennessee, You never can tell e muitas outras foram entretanto ouvidas em versões originais ou adaptadas.


É por isso que a ausência de Berry dos obituários de hoje se torna estranha e revela uma incompreensível desatenção mediática a um fenómeno de cultura popular com um relevo superior a muitos outros.

Ao mesmo tempo revela bem a natureza dos critérios jornalísticos e o efeito rebanho que suscita.
Com a notícia de ontem não se gerou a onda mediática que noutros casos assumiu proporções de tsunami e neste morreu logo numa praia longínqua, da América distante. 
Por outro lado, os directores de jornais não estão sensibilizados para a importância do agora desaparecido Berry. Pouco ou nada lhes diz, mediaticamente. Musicalmente será igual, provavelmente.
A melhor representação da importância de Chuck Berry na música surgiu em 1986 no primeiro filme da trilogia Regresso ao Futuro.
Numa cena antológica, o artista Michael Fox, num palco e com uma guitarra idêntica à que Berry utilizava nos anos de fama de 1958 ( uma Gibson ES 345, encarnada). 
O tema é o magnífico Johnny B. Good com a introdução fantástica na guitarra, inventada por Chuck Berry.


José no Portal da Loja

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O romance de Neil Aspinall e Mona Best


Uma das estórias mais bem guardada ao longo dos anos, foi a relação entre Neil Aspinall e Mona Best. 

Este relacionamento bem como o filho nascido do mesmo, em 1962, Vincent "Roag" Best, era um dos maiores segredos em Liverpool na época, com poucas pessoas sabendo a verdade, embora circulassem rumores de que algo acontecia entre eles.

Só depois da morte de Mona Best em 1988 é que a história foi publicitada, 10 anos depois num livro publicado e que desvendou toda a estória. Hoje a maioria dos fãs dos Beatles, sabem que Neil e Mona foram um secreto caso de amor e romance, e portanto não deixa de ser interessante para a história dos Beatles.

Neil Aspinall era amigo de Paul e George desde os tempos da escola primária. Neil e Paul estavam na mesma classe, sendo ele igualmente companheiro e amigo de George Harrison, com quem fumou o seu primeiro cigarro.

Após a primária, Neil foi para contabilidade, mas como a maioria dos rapazes durante esse tempo, gostava de ouvir música, ia  diariamente ouvir os seus amigos tocar no Casbah Coffee Club, que era propriedade de Mona Best, mãe de Pete Best.


Para fazer umas libras extras e como a sua casa em Hayman's Green era muito grande, Mona recebia hóspedes. Depois de conhecer Mona e a sua família, Neil candidatou-se a uma vaga, e hospedou-se num dos quartos da casa em 1960. Neil tinha 19 anos e Mona tinha 36 anos.

Mona Best foi casada com Johnny Best, que era um promotor de boxe em Liverpool. Curiosamente Rory Best é a única criança biológica de Mona e Johnny. Quando o casal se conheceu na Índia, Mona estudava medicina. Mas, depois do seu casamento com a Best em 194, mudou-se para Liverpool, UK.

Constava que o marido Joohnny, não aprovava minimamente a independência de Mona, que seria demasiado liberal e  feminista, para a época. Era independente e encarregou-se de comprar a grande casa em Hayman's Green empenhando as suas joias, e com o produto da penhora, apostou num cavalo de corrida, sem o marido saber, tendo ganho essa aposta. Como a casa tinha uma grande cave, Mona arregaçou as mangas e abriu um dos primeiros clubes de musica ao vivo em Liverpool, The Casbah Coffee Club, mais uma vez sem a bênção do marido.

Quando Neil veio morar em casa, Johnny e Mona estavam prácticamente separados, pois Johnny estava sempre a viajar, por causa do seu trabalho como promotor de combates  de boxe e não estava em casa muitas vezes. Mas sempre se recusou a dar o divórcio a Mona.
Ninguém sabe ao certo como ou quando o relacionamento romântico começou entre os Mona e Neil, ou o quanto os outros sabiam sobre esse assunto. Neil e Pete Best tornaram-se amigos próximos bem como de Paul e George.


Neil deixou o trabalho de contabilista e tornou-se no “road manager” dos Beatles, ocupando-se a tempo inteiro do equipamento e da produção dos espectáculos dos Fab Four.
Na primavera de 1962, era óbvio que Mona Best, que tinha 38 anos, estava grávida o que causou imensos mexericos, já que o seu marido Johnny não se via pelas redondezas há muito tempo. No entanto, ninguém questionou Mona sobre o bebê. Victor Roag Best nasceu a 21 de Julho de 1962. Querendo que seu filho fosse legítimo, Mona decidiu registar Johnny Best como o pai da criança e dar-lhe o sobrenome da família Best.

No entanto, outra grande mudança estava prestes a acontecer na família Best, quando em 16 de Agosto de 1962, Pete Best foi demitido por Brian Epstine dos Beatles. Neil estava com  Pete no momento em que este recebeu a triste noticia. Neil permaneceu amigo de Pete, pois estava envolvido com Mona e continuou a trabalhar com os Beatles.

Constou que Neil teria saído da casa de Mona e que estes se tinham separado, logo após o despedimento de Pete dos Beatles. No entanto não há dados concretos que provem que essa situação seja totalmente correta. Neil pode ter se mudado para outra casa, no entanto, nunca foi um abandono total. Ia lá com alguma frequência armazenar o equipamento dos Beatles, como era hábito,ele entrava, descarregava os amplificadores e abateria de Ringo, enquanto este, John, Paul, e George ficavam dentro da carrinha do lado de fora do quintal da casa de Mona.

Quando  Neil se mudou para Londres, o seu relacionamento com Mona não terminou. Há várias estórias sobre Mona a visitas Neil no seu apartamento londrino, em 1963. Mas a relação entre eles acabou para sempre quando Aspinall conheceu Suzy em 1964. Casaram-se em 1968 e permaneceram casados durante 40 anos até á morte de Neil.


Estranhamente, embora Mona não se coibisse de comentar publicamente o facto de os Beatles terem despedido o seu filho, porque segundo ela, os outros Beatles tinham ciúme de Pete por este ser mais bonito e ter maior numero de fâs, manteve sempre um bom relacionamento com os Fab 4. 
Nenhum dos Beatles falou com Pete Best depois de ele ter sido demitido.

Mona ainda emprestou a John Lennon as medalhas de guerra do seu pai, que usou na capa do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, em 1967. John ficou tão agradecido que quando devolveu as medalhas, juntou o troféu atribuído pela revista  Cash Box, que também aparece na capa “dentro” da letra L, acompanhado com um bilhete que dizia: "All You Need is Love" doll. Será que o facto de Mona ser a mãe do filho de Neil tenha algo a ver com isto?

Por muitos anos, Roag negou os rumores de que Neil Aspinall era o seu pai. Mas nos últimos anos, Roag tem assumido com orgulho ser filho de Mona Best e de Neil Aspinall.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Double Fantasy


Double Fantasy,é o quinto álbum de estúdio de John Lennon,lançado em 17 de Novembro de 1980, poucos dias antes de Lennon ser assassinado. É o último álbum gravado por John em vida. 

Quando Sean Lennon (o primeiro e único filho que John teve com Yoko Ono) nasceu em 1975, John resolveu dedicar-se mais ao filho, colocando a sua carreira em segundo plano, tendo ficadi sem editar discos de 1975 a 1980. 

Em meados de 1980, John e Yoko começaram a compor, chamaram o produtor Jack Douglas e começaram as gravações em Agosto do mesmo ano. Antes do álbum, John lançou um single com "(Just Like) Starting Over" (cantada por ele) e "Kiss Kiss Kiss" (cantado por Yoko). A música foi escolhida para o 45 Rpm. não por ser a melhor música do álbum, mas por ser a mais apropriada, para assinalar os cinco anos de ausência de John do mundo da musica. Rapidamente o tema ficou entre as cinco mais executadas nos Estados Unidos. 

Depois de lançado, Double Fantasy recebeu algumas críticas desfavoráveis pela participação de Yoko, mas ainda assim foi recebido com grande expectativa por se tratar de um álbum de John Lennon. Após o seu assassinato, o álbum e a música "(Just Like) Starting Over" atingiram o primeiro lugar nas listas dos mais vendidos em todo o mundo mundo. "Woman" e "Watching the Wheels" foram os temas a serem lançados de seguida. 

"Woman" foi composta em homenagem a Yoko Ono. Em entrevista no dia 5 de Dezembro desse ano, à revista Rolling Stone, John disse que esta música era sua versão para "Girl" (música que John compôs na época dos Beatles e lançou no álbum Rubber Soul) mais amadurecida. A música foi lançada em compacto depois da morte de John com "Beautiful Boys" no lado B. "Watching the Wheels" também foi lançada em 1981 como single, trazendo na capa uma foto com o casal tirada na frente do Dakota pelo fotógrafo Paul Goresh, o mesmo que tirou a foto de John Lennon dando um autógrafo a Mark Chapman no dia de seu assassinato. 

Ironicamente, o autógrafo foi dado na capa do álbum Double Fantasy.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Doze datas-chave, na vida dos Beatles


6   de Julho de 1957: John Lennon conhece Paul McCartney
17 de Agosto de 1960: Os Beatles chegam a Hamburgo, pela primeira vez
9   de Fevereiro de 1961: Primeira apresentação dos Beatles no Cavern Club
9   de Novembro de 1961: Brian Epstein conhece os Beatles
1   de Janeiro de 1962: Audição dos Beatles na  Decca
6   de Junho de 1962: A primeira sessão da Abbey Road
11 de Fevereiro de 1963: Gravam o Please Please Me LP
7   de Fevereiro de 1964: começa a British invaiosn dos USA, com os Beatles
29 de Agosto de 1966: Espectáculo em Candlestick Park, São Francisco. O concerto final dos Beatles
25 de Junho de 1967:  The Beatles on Our World - All You Need Is Love (Vêr P.S.)
30 de Janeiro de 1969: Último espectácolo ao vivo no telhado da Apple.
10 de Abril de 1970: Paul McCartney anuncia o fim da bnada

P.S. Em 1967, a 25 de Junho a equipe do canal londrino BBC convidou os Beatles a participarem no primeiro evento transmitido mundialmente via-satélite, ao vivo simultaneamente para 26 países: o programa Our World.
Esse trabalho envolveu redes de TV das Américas, Europa, Escandinávia, África, Austrália e Japão.

Think For Yourself, foi gravado em 1965 no dia 8 de Novembro

8 de Novembro de 1965.
Estúdio 2, EMI Studios,
Abbey Road
Produtor: George Martin
Técnico de som: Norman Smith

Neste dia, em 1965, os Beatles  gravaram , Think For Yourself, sob  o nome, provisório
"Won't Be There With You".
A sessão prolongou-se pela noite dentro,tendo começando ás 9 pm e terminando, eram já 3 da madrugada.

Os Fab Four, começaram por ensaiar a música, numa sessão que foi gravada por George Martin na esperança de poder utilizar, mais tarde, os melhores trechos, que seriam eviados aos membros do seu clube de fãs, durante a quadra natalicia que se avisinhava.

A gravação foi rotulada "Beatle Speech" e a caixa de fita foi rotulada com as palavras "Isto será eventualmente emitido ".
Nada disso foi usado no disco de Natal, mas sim um trecho em que John, George e Paul, praticavam as suas harmonias vocais e que foi igualmente usado no filme Yellow Submarine em 1968.

A faixa básica para Think For Yourself foi gravada num único take, com baixo, bateria , George Harrison usando a sua Fender Stratocaster, enquanto John Lennon, tocava num órgão Vox Continental.

Os Fab gravaram uma série de overdubs, incluindo uma pista vocal de três partes liderada por Harrison. Uma segunda pista foi igualmente preenchida com harmonias de três partes, além da pandeireta e maracas.

Talvez a adição mais notável à canção, foi sem duvida, pela sua inovação, uma segunda pista do baixo de Paul McCartney, ligado a uma unidade da distorção.

George Harrison, conta no video "Anthology":
"O Paul usou uma caixa do fuzz no baixo em Think For Yourself.
Quando o Phil Spector produziu, Zip-A-Dee-Doo-Dah, o técnico de som que gravou a faixa sobrecarregou o microfone do guitarrista que ficou muito distorcido. Phil Spector disse: 
"Deixa isso assim, é óptimo".

Alguns anos mais tarde, todos começaram a tentar copiar esse som e inventaram a caixa de fuzz.
Nós tinhamos uma dessas caixas de distroção, ligámos o baixo, gravámos  e soou realmente bem."

Ou seja, os Fab Four, os Mighty Beatles, foram mais uma vez pioneiros, inovadores, criativos.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Eu Sou Brian Wilson


Ontem (11 de Outubro 2016), Brian Wilson lançou o seu livro de memórias há muito aguardado, “Eu sou Brian Wilson “, aonde escreve sobre a influência que os Beatles e os Rolling Stones, tiveram na sua forma de compor.

Neste trecho de suas memórias, "Eu sou Brian Wilson," o Beach Boy olha para trás com carinho para alguns dos outros Beach Boys seus companheiros na banda, como sendo os seus verdadeiros pares.

Descreve ainda a influência dos dois únicos, dos verdadeiros rivais nos anos 60 dos Beach Boys: os Beatles e os Rolling Stones. 
E também, como o companheiro de banda / rival Mike Love o ajudou a terminar "Good Vibrations".

"O disco que mais me influenciou, que realmente me “agarrou” foi Rubber Soul , dos Beatles que saiu no final de 1965.

Rubber Soul é provavelmente o maior disco de sempre. Talvez o disco de Phil Spector, Cristhmas, esteja lá no topo com ele, e é difícil dizer que Tommy  dos The Who não é um dos melhores, também. Mas Rubber Soul foi lançado em dezembro de 1965 e atirou-me directamente para o banco do piano. É um álbum inteiro de canções dos Beatles, canções populares, onde tudo flui em conjunto e tudo funciona. Lembro-me ter sido completamente hipnotizado  com “You Won’t See Me” , “I’m Looking Through You” e “Girl.” Não foram apenas as letras e as melodias, mas a produção e as suas harmonias. Eles tinham essas harmonias únicas, sabe?  

Em “You Won’t See Me”  Paul canta a voz baixa e George e John cantam lá no alto. Há um órgão zangado, a debitar uma nota que é pressionada durante o último terço da canção ou assim. Aqueles eram os sons que eles estavam experimentando, quase música art. O que era fascinante nos Beatles é que nós podíamos ouvir as suas ideias de forma clara em toda a sua música. Eles não copiavam como outras bandas, e não valorizavam muito as suas canções. Tanto podiam interpretar uma canção sobre solidão como uma sobre a raiva ou até uma canção sobre a depressão em que por vezes mergulhavam. Eram grandes poetas que escreviam sobre coisas simples, o que também tornou mais fácil ouvir e entender a sua música. Nunca fizeram nada ao acaso. Eram perfeitos, a compor músicas de mão cheia.

Eu conheci Paul McCartney mais tarde, nos anos 60, num estúdio. Eu estava quase sempre num estúdio na época. Ele veio quando estávamos na Columbia Square trabalhando em overdubs vocais, e tivemos uma pequena conversa sobre música. Todos sabem agora que "God Only Knows" foi não só a música favorita de Paul, dos Beach Boys, mas uma de suas canções favoritas desse período. Mas pensar sobre o quanto isso era importante para mim quando eu o ouvi pela primeira vez lá em Sunset Boulevard. Eu era a pessoa que escreveu "God Only Knows", e a outra pessoa, era a que escreveu "Yesterday" e "And I Love Her" e tantas outras canções, e naquele momenta estava a dizer-me que a minha composição era a sua musica preferida, a sua musica favorita. Aquele troca de palavras, realmente explodiu a minha mente. Ele não foi o único Beatle que se sentia dessa forma. John Lennon ligou-me depois do lançamento de Pet Sounds a dizer-me o quanto ele gostava do disco.

Mas Paul e eu ficamos sempre em contacto. Outra vez não muito tempo depois Paul veio à minha casa, e falou-me sobre a nova música que ele tinha composto.
"Há uma canção que eu quero que oiças", disse ele. "Acho que é uma boa melodia."
Ligou o gravador e ouvi pela primeira vez a demo de “She’s Leaving Home.”
Minha esposa, Marilyn, também estava lá, e emocionada, começou a chorar. Ao ouvir a nova canção, de Paul McCartney, primitiu-me olhar e ouvir as minhas próprias canções mais claramente. Era difícil para mim imaginar o efeito que a minha música tinha sobre as outras pessoas, mas era fácil para mim, entender as musicas de outro compositor da grandeza de Paul.

Mais de trinta anos depois, eu fui “abrir” um espectáculo de Paul Simon, de quem eu não gostava. Foi bom estar incluído no mesmo programa com ele, mas nós estávamos a actuar para multidões compostas por adultos já “entradotes” na idade, e isso significava que o primeiro acto, que era eu, começou quando o sol ainda estava bem brilhante e a multidão ainda estava a entrar. Era difícil ter um bom relacionamento com as pessoas na platéia sob essas condições. No Greek Theatre, em Los Angeles, comecei o espectáculo com menos de metade da lotação do espaço. Abrimos com o “The Little Girl I Once Knew,” seguido por "Dance, Dance, Dance", depois "In My Room", e logo de seguida, um cover da música dos Barenaked Ladies ' "Brian Wilson."
Essa foi a canção mais estranha que interpretei. Não conhecia a musica até quando um elemento da banda que me acompanhava, sugeriu que a ensaiássemos. Era uma canção sobre um tipo que tenta escrever uma música e não consegue comparando-se a mim, no período em que eu estava sob o tratamento de Dr. Landy.



Na canção, o tipo tem um sonho em que recebe cerca de 300 libras e, em seguida, começa a flutuar até que o chão fica tão longe que não consegue mais vê-lo. Eu nunca tive esse sonho, mas sentia-me bem com a execução da música e estava-mos todos a fazer bom trabalho. Tocámos mais alguns hits: “California Girls,” “I Get Around,” “Wouldn’t It Be Nice.” Depois de, “Add Some Music to Your Day,” começamos o “God Only Knows.” ". Nesse momento, abriu-se a porta lateral do palco e Paul McCartney entrou. Todos os espectadores o viram. O teatro irrompeu com aplausos e todos se levantaram a gritar o nome dele. Vi a minha esposa Carnie na platéia que colocou a mão na boca, em choque. Foi um momento de "Oh meu Deus". Acenei do piano. Mas não foi suficiente. Nós estávamos a entrar no verso final e eu mudei a letra na hora para "Só Deus sabe o que eu seria sem Paul."

No fim do espectáculo Pablo veio aos bastidores. E como eu chamo o Paul. Pablo. Fiquei feliz em vê-lo. Contou-me que quando estava a passar em frente ao Greek Theatre, na limusine, abriu a janela para puder ouvir a música.
"Eu queria ouvir os sons do Brian", disse ele. Quis ouvir a introdução de “You Still Believe in Me.” Havia um teclado no camarim, então eu toquei o tema para ele. Naturalmente começámos a harmonizar o tema. Foi incrível, Paul McCartney e eu a harmonizar-mos na introdução de “You Still Believe in Me.” Vocês acreditam nisso?

O outro Beatle com quem me identifiquei, foi George Harrison. Era tão espiritual. Tinha um jeito de fazer as coisas simples: “Give me life / Give me love / Give me peace on earth.” Lembro-me que durante os primeiros anos dos Beatles, era difícil pensar nele como um compositor de tão grande nivel. Mas depois de "Here Comes the Sun", eu comecei a prestar mais atenção ás suas canções. Talvez todas as bandas precisassem de alguém assim, uma presença profundamente espiritual que não fosse exactamente líder da banda. Tivemos o meu irmão Carl Wilson. Nunca conheci George, mas muitos anos depois fiz um espectáculo para ele. Em 2015 a sua viúva Olivia, ligou e pediu-me para actuar no George Fest em Holly- Wood. "Claro que sim", disse eu. Tocámos o "My Sweet Lord", mas eu teria feito qualquer uma das canções de George. Ele escreveu belos temas.

Os Beatles podem ter sido o topo na época, mas os Rolling Stones não ficaram muito atrás. Tinham imensos temas com grandes riffs. Fiquei fascinado com: "Satisfaction", "Get Off of My Cloud" A minha música favorita dos Rolling Stones foi gravada um pouco mais tarde, "My Obsession", no LP, Between the Buttons . Fui convidado para o estúdio quando estavam a misturar o baixo. Nunca os conheci pessoalmente.
Mas fiquei encantada com essa canção. O inicio está perto de "Get Off of My Cloud" Charlie Watts começa com uma batida em tudo, idêntica á de "Get Off of My Cloud”, e depois destaca-se aquela combinação impressionante de órgão e piano na faixa esquerda. Os vocais de apoio, uma série de babys ooh que mais tarde viriam a gravar no "Sympathy for the Devil". É realmente uma composição sobre a obsessão pelo corpo de uma mulher.

O que se destaca em "My Obsession" é que ele não é apenas a reprodução de mais um riff de Keith. Porque Keith Richards , o grande inovador com esses riffs de guitarra incríveis, fez com que fosse mais apreciado só por isso, mas pessoas têm que analisar mais fundo, mais dentro do seu trabalho; se o fizerem, vão encontrar vários truques de produção complexos e momentos de sofisticação e beleza. No tema “Sad Day, um tema pouco conhecido, há um pormenor que escapou á  maioria das pessoas. Há um pequeno, grande solo de piano executado por Jack Nitzsche, que era um produtor da escola de Phil Spector. Jack escreveu "The Lonely Surfer", que tinha um dos primeiros exemplos do que seria o som da guitarra usado nos westerns spaghetti. Os Stones tiveram todas essas influências. Que usaram a seu bel prazer. A sua própria personalidade, enquanto banda era e é ainda, muito forte.
Foi assim também que os Beach Boys funcionaram. Todas as influências que usámos, acabaram por ser a nossa identidade, o nosso som.

Ao longo dos anos tenho escrito algumas músicas que são homenagens aos Stones. Por exemplo “Add Some Music to Your Day.” aonde se pode ouvir o som de guitarra, popularizada por Keith Richards, especialmente no início, e a parte vocal, onde cantamos “add some, add some, add some music.” são vozes tipicamente dos Stones . Resumindo, nesse tema usamos guitarras, vozes e arranjo tipo Rolling Stones. Ouçam atentamente. Tentei reproduzir as suas vibrações. Inclusive mencionei-os na letra, também: “There’s blues, folk, and country, and rock like a rollin’ stone.” Mas a nossa música mais influenciada pelos Stones  foi, provavelmente, "Marcella", que está no disco Carl and the Passions—So Tough.  "Marcella" não é um tema profundo como outras canções. Não é o "Sail On Sailor" ou o 'Til I Die." É sobre uma garota que trabalhava num salão de massagens aonde eu costumava ir. É uma música luxuriante, pura e simples, como "My Obsession". Pouco antes e depois dos dois minutos, vocês podem ouvir os Stones, ou pelo menos a minha versão deles. Eu produzi a maior parte dessa sessão, mas depois fui descansar. Enquanto estava lá em cima, os outros, acrescentaram a parte, “hey, yeah, Marcella”que Al Jardine canta. É a minha letra favorita, mas não é uma das minhas músicas favoritas dos Beach Boys em geral. Carl cantou:
“One arm over my shoulder/Sandals dance at my feet/Eyes that knock you right over/Ooo Marcella’s so sweet.”


As pessoas pensavam que o rock and roll era uma música festiva, em primeiro lugar. Gostavam de ouvir líricas sobre as coisas simples, sobre festas, raparigas e a vida na adolescência, e foi isso que o rock and roll lhes mostrou. Houve sempre coisas complicadas na minha vida, mas eu mantive-as ou coloquei-as de lado. Mas depois as coisas ao meu redor começaram a mudar. Quando me mudei para Houston e o tempo que passei sozinho a compor, sem a banda foi uma grande mudança na minha vida, mas não foi a única mudança. Tudo começou a mudar. Talvez digam que foi por causa de eu fumar haxixe e usar relaxantes. Quando eu não estava nervoso, não receava que as coisas se complicassem e não tinha nenhum medo. Talvez tenha sido mais um tempo de aprendizagem sobre composição e produção e de como eu poderia colocar as idéias mais musicais nas canções que eu estava fazendo. "California Girls" foi um enorme sucesso pop, mas tinha outra peça de música no início que não era nada como uma canção pop. E mesmo que Summer Days (And Summer Nights !!) foi ainda mais para o lado pop das coisas, havia uma pequena sinfonia no meio chamado “Summer Means New Love.” Fui eu quem tocou esse trecho num piano de cauda, sendo apoiado por uma seção de cordas. Houve momentos em que pensei que estava construindo algo sobre as fundações existentes, e que estaria a demolir o que havia sido construído antes. Estava a começar uma nova fundação.
O que pareceu essa nova fundação? Pareceu que efectivamente vingara, crescera. Foi complicado, com muitas peças voando em todas as direções, mas se olhar-mos a partir do ângulo certo, veremos que tudo ficou intacto. E foi bonito de ver.

Comecei a construir essa base após a viagem de avião para Houston. Comecei com o disco, “Beach Boys Today! , Que foi um passo em frente, depois Summer Days (E Summer Nights !!) , o que foi mais um passo. Seguiram-se “Pet Sounds” , que foi uma grande experiência, e com “SMiLE” , que foi uma má experiência em alguns aspectos e que às vezes se tornou difícil falar sobre a grande experiência de “Pet Sounds” . Isso não significa que eu não vou falar sobre esse trabalho. Significa apenas que é uma situação idêntica á situação com o meu pai. Eu preciso pensar um pouco mais cuidadosamente sobre como falar sobre isso. O único caso em que é fácil falar sobre a nova fundação é que eu estava a compor "Good Vibrations". Tem havido muitas versões sobre como essa música aconteceu. As pessoas dizem que a gravadora e a banda pensavam que eu estava indo longe demais na música na arte e que eu precisava de voltar a compor hits pop. Isso provavelmente é verdade. Mas não foi assim que a canção nasceu.

O tema foi composto depois de fumar uns charros, e estava sentado ao piano, a tocar relaxado. Mike apareceu com a letra. Ouviu-me a tocar e a cantar o refrão “Good, good, good vibrations”. Mike, ficou entusiasmadíssimo, e foi de sala em sala espalhando a ideia de boas vibrações e o que isso significava, que estaria ligado à paz e ao amor que estava a acontecer em São Francisco e em outros lugares. A verdade é que quando comecei a canção, estava a pensar de forma diferente. Estava a pensar em como as pessoas se sentem instintivamente se algo é bom ou mau, as notícias que recebem, às vezes, quando o telefone toca, entendem ?  E eu estava a pensar em como a minha mãe me costumava dizer, que os cães têm a precepção de uma situação boa ou má, ou sentirem a disposição das pessoas imediatamente. Eu já tinha algumas estrofes, algumass que eu escrevi, e outras que Tony Asher escrevera, mas eu não estava feliz com  o que tinha. Mas assim que Mike começou a cantar o refrão, eu soube que havia algo maior na idéia lírica. E cresceu a partir daí. Mike finalmente escreveu a letra no caminho para o estúdio no seu carro.

O resto é história.