domingo, 4 de agosto de 2019

Chas Newby, o primeiro baixista canhoto dos Beatles


 Ao longo da história dos Beatles, muitos fãs e críticos mencionaram a existência de um "Fifth Beatle", desde Billy Preston, que participou nas sessões do Let It Be, ao produtor George Martin, que escreveu quase a totalidade das orquestrações e arranjos tendo guiado a banda no uso dos seus truques sonoros mais inovadores, em estúdio.

Mas nem todos esses "Beatles" temporários foram destinados à grandiosidade do rock. 

A maioria dos fãs tem conhecimento do baterista Pete Best e do baixista Stuart Sutcliffe, os quais ajudaram a formar o lineup inicial, durante o estágio de formação da banda no início dos anos 60. 
Mas poucos dão crédito histórico ao baixista Chas Newby, que começou a sua carreira de duas semanas no Five-Less-Than-Fab Five em 17 de Dezembro de 1960.

Seria ele, embora por um curto período de duas semanas o primeiro baixista canhoto a integrar os Beatles, que tinham acabado de voltar a Liverpool depois de um período lendário na decadente Alemanha Ocidental, mas estavam com um homem a menos. 
Sutcliffe, que era mais conhecido por seu inovador corte de cabelo do que por suas habilidades como executante de baixo, tinha escolhido ficar em Hamburgo para se concentrar em sua carreira artística. 

Pete Best recomendou Chas Newby, de 19 anos, um estudante universitário que já tinha tocado com ele nos Blackjacks.

O quinteto, composto por John Lennon, Paul McCartney e George Harrison, começou por fazer quatro shows em Dezembro de 1960, o primeiro dos quais aconteceu no dia 17 no Casbah Club do Liverpool.


Segundo a lenda, Lennon convidou Newby para continuar com a banda na sua segunda viagem à Alemanha Ocidental. Mas Chas, não ficou impressionado com o cachet de uma libra por espéctaculo que os rapazes recebiam, e recusou a oferta, preferindo seguir sua carreira académica.

Ao contrário de seus ex-colegas de banda, Newby viveu a sua vida fora do circulo musical. Depois de estudar química e obter um mestrado em engenharia química, estabeleceu-se, com uma vida simples, mas a seu gosto. 

Constituiu familia com a sua apaixonada, Margaret, e acabou por aceitar um emprego como professora de matemática na Drotwich High School, em Worcestershire.

"A música nunca seria um modo de vida para mim", disse Newby ao Sunday Mercury em 2012.
"Eu queria exercer química. John, Paul e George, só queriam ser músicos".
Embora Newby não tenha mantido contato com os elementos da banda ao longo dos anos, lembra com carinho o seu breve período nos Beatles, particularmente a sua amizade com Harrison.
"George foi com quem mais convivi", recordou Newby na entrevista.
Sempre que nos sentávamos conversando, George contava as suas histórias hilariantes sobre o episódio da sua deportação da Alemanha"

Chas, actualmente passa o seu tempo livre jogando golfe e cantando no Alcester Male Voice Choir, e ocasionalmente reúne-se com o se amigo pete Best para umo casional show ao vivo.


Na realidade Chas está perfeitamente satisfeito com as suas escolhas profissionais e nunca se arrependeu de ter recusado a oferta de Lennon décadas atrás.

"As pessoas às vezes não acreditam em mim quando digo que não me arrependo", disse Newby. Para mim, foram apenas quatro shows com uma banda diferente. Mas eu realmente nunca me arrependi. Tive a vida que sempre quiz ".

Chas tocou pela primeira vez com uma banda chamada The Barmen e depois formou um grupo chamado Blackjacks com Pete Best e Kenny Brown, que tinha sido membro dos Quarrymen, a segunda banda de John e Paul .
Os shows de Chas com os Beatles estão, no entanto, gravados na sua memória. Conta ele .
“Toquei com eles no Casbah a 17 de Dezembro de 1960, depois actuámos no Grosvenor Ballroom em Liscard, no Wirral, e no Litherland Town Hall, em Liverpool. O último show com John  Paul e George foi na véspera de Ano Novo, no Casbah".

Depois desta aventura só voltou a encontrar um Beatle em carne e osso em 1962. 

"Em 4 de Janeiro, estava de volta ao St Helens College, estudando química. Estava a caminho de casa e parei num semáforo, diz Chas. Ali, esperando no cruzamento, estava George. Saudei-o e perguntei se ele precisava de boleia. George disse que estava esperando por alguém e foi só isso."


quarta-feira, 31 de julho de 2019

Polythene Pam





Embora John inicialmente tenha insistido que "Polythene Pam" era uma "mítica "scrubber" de Liverpool (miúda promíscua ou grupie) equipada com as suas botas e seu kilt", a música era na verdade baseada em duas pessoas que ele conhecia.
O nome veio de Pat Dawson (então Pat Hodgett), fã dos Beatles desde os dias do Cavern Club que, por causa do seu hábito de comer polietileno, era conhecido pelo grupo como Polythene Pat. 

"Comecei a ver os Beatles em 1961, quando eu tinha 14 anos e fiquei bastante próxima deles", lembra ela. "Se fossem actuar fora da cidade, davam-me boleia no regresso a casa na sua carrinha. Foi mais ou menos na mesma época em que comecei a ser chamada de Polythene Pat. É constrangedor na verdade. Eu costumava comer polietileno o tempo todo. Enroláva-o e depois comia-o. Por vezes queimáva-o e comia-o quando arrefecia. Como tinha um amigo que trabalhava numa fábrica de sacos de polietileno, era maravilhoso porque tinha fornecimento constante ".

Mas a Polythene Pam nunca se vestiu com sacos de polietileno como descreve a música. Essa pequena peculiaridade foi tirada de um encontro envolvendo Royston Ellis e a sua namorada Stephanie, que John conheceu nas Ilhas do Canal quando estava em turnê em Agosto de 1963.

Embora John não tenha elaborado muito o assunto quando deu a entrevista para a Playboy em 1980, forneceu, contudo algumas pistas. 

"(Polythene Pam) compus o tema, quando me lembrei de um encontro com um casal de Jersey, em que o homem, seria a resposta de Inglaterra para Allen Ginsberg, que por sinal, nos deu a nossa primeira exposição nos USA, enquanto poeta beat"

Roystom Ellis, um jovem escritor que conheceu os Beatles pela primeira vez em Maio ou Junho de 1960, quando foi convidado a ler poesia na Universidade de Liverpool.

O encontro, como John descreveu, ocorreu na ilha de Guernsey, não em Jersey, aonde John reencontrou Ellis, que tinha um emprego de verão lá como condutor  de ferry boats. 

Depois do show dos Beatles no Auditorium, em Guersey, em 8 de Agosto de 1963, Ellis e a sua namorada Stephanie levaram John até ao apartamento que eles habitavam e foi lá que o polietileno entrou na história. 

"Ellis, mencionou a amiga X (uma garota que ele queria que eu conhecesse) vestida de polietileno", lembrou John mais tarde. 

O que realmente se passou foi que após o show, John passou a noite com o casal amigo. Ellis, o tal poeta de Liverpool, a partir dessa noite passou a contar que tinha sido ele a dar a idéia de "Polythene Pam", que seria gravado no álbum Abbey Road em 1969. 

"Ela existiu mesmo. Não usava botas de cano longo nem kilts. Eu apenas fantasiei o caso. Sexo pervertido numa bolsa de polietileno. Eu queria era algo para escrever."

quarta-feira, 10 de julho de 2019

The Quarry Men, Pré Fab !

QuarryMen 2019-photo credit Daniel-Stilling

Ontem, a empresa Stars North norte-americana,empresa produtorao de filmes, reuniu os membros originais sobreviventes dos QuarryMen  para gravar no lendário Abbey Road Studios, em Londres. Os musicos envolvidos incluiram Colin Hanton, Chas Newby, Len Garry e Rod Davis e o filme resultante será incluído nun novo documentário intitulado PRÉ FAB!.

PRÉ FAB! conta a história de Colin Hanton, baterista nascido em Liverpool que era  membro original do grupo de skiffle deJohn Lennon skiffle group os famigerados QuarryMen , que progressivamente evoluiu para The Beatles. 

O filme está em produção e as filmagens estão decorrendo em Liverpool, Londres, Los Angeles e Nova York.

Como membro da banda de John Lennon, Colin Hanton tinha uma visão privilegiada da evolução dos Beatles. Estava presente naquele fatídico dia, em que Lennon conheceu Paul McCartney, e também estava lá quando Harrison fez a sua estreia nos palcos com Lennon e McCartney, no início de 1958. 


Também estava ao lado de Lennon, quando este fez a sua estréia na infame Cavern Club, em Liverpool. Além disso, Hanton tocou com Lennon, McCartney e Harrison na sua primeira gravação profissional, do  ‘That’ll Be The Day’ de Buddy Holly " .

"Aos espectadores do novo filme será dada a oportunidade de conhecer as origens de uma das maiores bandas do mundo e para entender como a beat music se desenvolveu", disse Mark Bentley, Produtor de PRÉ FAB! 

De acordo com Bentley. "Quando Colin saiu dos Quarry Men, deixou para trás o núcleo do que viria a tornar-se nos  Beatles. Sem os Quarry Man, não haveria Beatles, uma banda que tornou os Estúdios da Abbey Road reconhecidos universalmente. Pensamos que é importante historicamente, os Quarry Man gravarem no mesmo local icónico, em que os Beatles gravaram quase toda a sua obra discográfica."


Newby, Davis e Garry foram membros dos Quarry Man em diferentes épocas entre 1956 e 1959. Hanton, no entanto, foi quem ficou mais tempo no grupo a partir de 1956, até 1959. Ao longo de um período de dois anos, Hanton relatou as suas experiências para o escritor, Colin Hall, o aclamado autor e senhorio de Lennon, na sua casa, em Woolton, Liverpool. 

No seu livro, intitulado  PRÉ-FAB!, Hall meticulosamente tece as memórias de Hanton em conjunto com as memórias de outros membros da banda para relatar uma vívida, visão detalhada sobre a carreira musical de Hanton com as futuras superstars e a era da evolução do cenário da beat music em Liverpool.

PRÉ FAB! vai levar os seus espectadores através de uma linha do tempo que mostra como a banda mudou de um grupo de jovens, meninos que tocavam música para se divertir, num grupo que influenciou e mudou a indústria da música para sempre. 

Hanton testemunhou Lennon e McCartney, compartilhar uma grande visão musical para o futuro como a sua relação cresceram e começaram a escrever canções originais. Durante três anos, ele foi parte do início de algo que devia ser incrivelmente enorme. 

PRÉ FAB! convida os espectadores a participar na sua jornada.

domingo, 7 de julho de 2019

Parabéns Ringo


Há 78 anos num domingo, 7 de Julho de 1940, nasceu Ringo Starr!

Ringo Starr, logo baptizado como Richard Starkey no nº 9 de Madryn Street na área de Dingle, em Liverpool.

Os pais de Ringo separaram-se quando ele tinha três anos de idade. A sua mãe Elsie  casou-se passado algum tempo com Harry Graves, que incentivou a paixão do jovem Ritchie pela música.

Ringo era uma criança doentia e sofria em diferentes momentos com uma arreliadora pleurisia tendo inclusivé entrado em coma consequência de uma apendicite. Como resultado deste seu estado de súde, não teve um bom desempenho na escola tendo ficado para trás dos seus pares. Acabou por abandonar a escola aos 13 anos.


Ringo foi um ardoroso fã do skiffle no inicio da sua carreira musical. Em 1957, co-fundou a sua primeira banda, o Eddie Clayton Skiffle Group, que se apresentou com um sucesso moderado em vários locais de Liverpool antes que a moda sucumbisse ao rock and roll  no início de 1958. 

Quando os Beatles se formaram em 1960, Ringo era membro de outro grupo de Liverpool Rory Storm and the HurricanesCom esta banda, Ringo alcançou um sucesso moderado no Reino Unido e em Hamburgo.Abandonou os Hurricanes a convite de Brian Epstein para se juntar aos Beatles em agosto de 1962, substituindo Pete Best.

O resto da sua carreira, vocês conhecem-na muito bem.


sábado, 6 de julho de 2019

A Hard Day's Night, estreou neste dia há 55 anos



Hoje, 6 de julho de 1964, aconteceu a estréia mundial de A Hard Day’s Night!

O primeiro longa-metragem dos Beatles, estreou no London Pavilion e contou com a presença dos Beatles suas esposas ou namoradas, e uma série de convidados importantes, incluindo a princesa Margaret e Lord Snowdon. 

Ali ao lado Piccadilly Circus, foi fechado para o tráfego já que 12.000 fãs ali apinhados, lutavam para conseguir um vislumbre dos Beatles

Paul: “Lembro-me de Piccadilly estar completamente povoado. Nós pensamos que seriamos só nós na nossa limusine, mas nem conseguimos passar com tantas pessoas na rua. Era assustador. Embora nunca nos preocupasse-mos com as multidões. Mesmo naquele dia parecia ser uma multidão amigável. Não se vislumbrava um unico rosto violento."

Foi um evento de caridade realizado em apoio ao Variety Club Heart Fund  e ao Docklands Settlements, os bilhetes mais caros custaram 15 guinéus (15,75 libras).

Após a exibição dos Beatles, foram os convidados de honra da festa real, com outros convidados, incluindo  os Rolling Stones. Festa regada a champanhe no Dorchester Hotel, após o que alguns deles se dirigiram ao Ad Lib Club e ai ficaram até as primeiras horas da manhã.

O filme foi um sucesso financeiro e crítico. Quarenta anos após o seu lançamento, a revista Time classificou-o como um dos grandes 100 filmes de todos os tempos!

“Here There and Everywhere-Minha vida gravando os Beatles”



Hoje lembrei-me de Geoff Emerick, o mágico técnico de som que participou na gravação da maior parte dos álbums dos Beatles
Faleceu a 2 de Outubro em Los Angeles o engenheiro de som Geoff Emerick. 

Inglês de Londres, morava em Los Angeles e sofreu um ataque cardíaco aos 71 anos. 

Trabalhou com gente como Elvis Costello, Jeff Beck, Art Garfunkel, America, Cheap Trick, Nazareth e Supertramp. Mas ficou mesmo famoso por seu trabalho com os Beatles na fase mais criativa dos quarteto de Liverpool nos álbuns Revolver (1966), Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), Abbey Road (1969), e nas sessões iniciais do Álbum Branco (1968). 

Segundo o George Martin, Emerick trouxe “um novo tipo de mentalidade para as gravações, sempre sugerindo ideias sonoras, diferentes tipos de reverberação, sobretudo sugerindo o que poderíamos fazer com as vozes.”

Em 2006 lançou o livro “Here There and Everywhere: Minha vida gravando os Beatles”, aonde conta histórias curiosas e até então desconhecidas dos bastidores das gravações. 


A sua carreira começou aos 15 anos como assistente de engenheiro nos estúdios da EMI. A primeira colaboração com os Beatles foi em 1963, ainda como operador de áudio. Três anos depois foi promovido a engenheiro, participando da concepção dos melhores trabalhos da banda. 

Paul McCartney (com quem Emerick trabalhou também na fase Wings, no álbum Band On The Run) homenageou-o nas redes sociais. 

“Geoff era inteligente, divertido, e o génio por trás de muitos dos grandes sons nas nossas gravações. Estou chocado e triste por ter perdido um amigo tão especial.”

De acordo com a incrível autobiografia do técnico de som Geoff Emerick, “Here There and Everywhere”, Paul McCartney era o primeiro a chegar em dias de estúdio e a última a sair
Depois de passar de 8 a 12 horas com John, george Ringo e George Martin gravando as músicas do dia, todos saiam exaustos para descansar .

Paul pedia a Geoff, igualmente exausto, que ficasse mais um bocado. Limpavam o estúdio e montavam o amplificador do baixo no centro da sala, aonde Paul criava aquelas surpreendentes linhas melódicas  enquanto ouvia a reprodução das músicas quase completas. 
Muitas sessões continuariam até  a manhã do dia seguinte.



domingo, 23 de junho de 2019

Quando os Beatles deixaram de ser Silver



Há uma reportagem circulando, com origem na Wirral News sobre um fã dos Beatles que supostamente resolveu o mistério de quando os Beatles decidiram abandonar o prefixo "Silver" do seu nome.

Ken Harrison - gerente do Grosvenor Ballroom em Liscard, Wallasey - estava a mexer nuns recortes de jornais antigos, nomeadamente do Wallasey News escondidos numa das suasa gavetas, quando uns pequenos anúncios atraíram a sua curiosidade. 

Nesses anuncios constava que numa segunda-feira de Pentecostes, a 6 de Junho de 1960, os fabulosos Silver Beetles, que participavam numa tourné com Jonny Gentle, fizeram duas actuações  com Gerry e os Pacemakers.

Reparou ainda que na noite do sábado seguinte, 11 de Junho de 1960, o Grosvenor Ballroom anunciou uma sessão de "swing" com um novo grupo que estava a causar grande reboliço e que se chamavam, simplesmente  The Beatles.


Ora Robin Bird, fã dos Beatles, tinha afirmado: 
Os historiadores disseram que os Silver Beatles mudaram o seu nome para simplesmente The Beatles quando partiram para Hamburgo em 16 de Agosto de 1960, iniciando um novo capítulo na sua incrível carreira musical.

No entanto, a partir destes recortes antigos, descobertos e revelados por Ken Harrison, é notório que a banda mudou o seu nome antes daquela data, quando tocaram no Grosvenor Ballroom. Ken já ampliou os anúncios emuoldurou-os e pendurou-os na parede do seu bar.

No entanto, há uma discrepância no final do artigo, que diz: Violência no Grosvenor pôs fim às performances dos Beatles .

Aconteceu que eles retornaram as actuações no Grosvenor Ballroom em 15 de Setembro de 1960, fazendo a sua primeira aparição desde a sua turnê na Alemanha. 
Os bilhetes de entrada eram a 4  Pence e os Beatles actuaram ás 7.45pm seguidos por Cliff Roberts & The Rockers


Foi provavelmente em 1961.

Os Beatles apresentaram-se no Grosvenor Ballroom em 14 ocasiões entre Junho de 1960 e Setembro de 1961. As datas eram 4, 6, 11, 18 e 25 de junho; 2, 9, 16, 23 e 30 deJulho; 24 de Dezembro de 1960; 24 de Fevereiro; 10 de Março; e 15 de Setembro de 1961.

Outra coisa é que Johnny Gentle, que excursionou pela Escócia com os "Silver Beatles" ou "Silver Beetles" em Maio de 1960, lembra que eles foram apresentados no palco simplesmente como "The Beatles", então a mudança de nome pode ter ocorrido ainda mais cedo.

Allan Williams, seu empresário daquele verão, nunca conseguiu escrever o nome certo, escrevendo sempre errado como "Beetles" e também misturou os seus nomes próprios, esquecendo-se frequentemente qual deles era o Paul, o George ou o John.


No documentário Beatles Anthology, Paul Mc Cartney contou algumas estórias desses dias.

"O Grosvenor Ballroom em Wallasey era um dos piores lugares; havia cem rapazes Wallasey enfrentando cem rapazes de Seacombe e local transformava-se rápidamente num inferno incontrolável. Lembro-me que uma noite ouvi um grande estrondo uma grande algazarra e tudo começou á pancada que eu percebesse o que estava a acontecenr. Corri para o palco para salvar o meu amplificador Elpico, o meu orgulho e grande alegria na época.Havia punhos voando por toda a parte.Um Ted agarrou-me e disse: 'Não te mexas, senão és um homem  morto! Estava com um medo de morte, mas tive que salvar o meu amplificador ".

Salvou também esta setlist de Grosvenor Ballrom, possivelmente de 1960, escrita por Paul:


domingo, 16 de junho de 2019

Os Beatles & Bowie concordam: Os Merseybeats são Fab!


A aparição dos Beatles no show de Ed Sullivan em 9 de Fevereiro de 1964, vista por cerca de 73 milhões de pessoas (!), Foi um momento memorável na história da música popular e, de facto, da cultura popular global. O mundo nunca mais seria o mesmo. Além disso, Ed Sullivan começa um novo capítulo, totalmente imprevisto, na "relação especial" entre os povos da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos da América.
Seguindo o trajecto dos impressionantes triunfos dos Beatles e a colonização virtual dos corações e imaginações de toda uma geração de batalhões de jovens americanos dos grupos britânicos começaram a fazer as malas e olharam sonhadores para os seus atlas enquanto imaginavam como seriam as lendárias cidades de Nova York, Chicago e San Francisco. Poderia ser verdade, que eles estavam a caminho de lá e que, quando chegassem, seriam recebidos por hordas de lindas jovens mulheres, celebradas por seus soturnos sotaques e enfeitadas como membros de uma invasão totalmente bem-vinda?
Para alguns como os Rolling Stones e The Who, cabeças do pelotão da Invasão, esse era de fato o cas, e eles continuariam no meio século seguinte para seguirem carreiras célebres agora comemoradas em DVDs, Box Sets e turnês épicas de criação de mitos. Mas enquanto os generais e oficiais de equipe de qualquer exército sempre agarram a maior parte da glória e das manchetes, outros nas fileiras - os regulares, a infantaria ferida nos pés, às vezes também têm seu (s) momento (s) passageiro (s) ao sol.
Hoje mostro Os Merseybeats  grupo que tocou centenas de vezes no lendário clube Cavern de Liverpool no início dos anos 60, alternando como headliners com os Beatles. Em muitos aspectos, eles eram como irmãos mais novos dos Beatles - compartilhando seus entusiasmos, se não o carisma e a profundidade do talento dos Fab Four.

No entanto, eles gravaram um tema clássico em 1966, "Sorrow". Tanto os Beatles quanto David Bowie gostavam do grupo e, "Sorrow" em particular. Os Beatles citaram directamente a canção em 'It's All Too Much' e o ex-fã do clube Bowie teve um sucesso substancial com sua versão às vezes aclamada, às vezes comovente, inteiramente de Bowiesque, que apareceu no seu álbum de covers dos anos 70, ‘Pin Ups’.
A versão dos Merseys, em baixo, sugere que a beleza inalcançável, a saudade do amante com os longos cabelos loiros e os olhos azuis, pode muito bem não ser um anjo, mas a filha do Diabo e a causa de uma tristeza duradoura também. como alegria momentânea. Ou então parece tão freqüentemente nas imaginações superaquecidas dos adolescentes, emocionalmente imaturos, devastados por hormônios! Mais tarde, rejeitado, o jovem pode perceber que pensar em seu destino pode ser um prazer ilícito por si só e continuar, "tristeza" e outra vez até que o próximo amor de sua vida apareça.
Os vocais charmosos e rabugentos são da dupla chave do Merseybeats  Tony Crane e Billy Kinsley, que também tocaram solo e ritmo. A gravadora garante-nos que a faixa foi produzida por Kit Lambert (então agente dos  Who) embora eu esteja inclinado a ouvir mais profundamente a influência de John Paul Jones (mais tarde famoso pelo Led Zeppelin) que tocou guitarra baixo e fez os arranjos dos metais .
O grande Clemente Anselmo Arturo 'Clem' Cattini, o decano dos bateristas do Reino Unido, toca bateria com a experiência profissional que ele deixou em mais de 40 singles britânicos número 1. 'Sorrow' assumirá residência permanente na sua memória musical. Eu gostaria de apresentar mais duas músicas para ilustrar o valor da banda. Primeiro, os Merseybeats vendendo em 1964 milhões de baladas, com o"I Think Of You", que além do já mencionado Crane e Kinsley, tem Aaron Williams na guitarra e o falecido John Banks atrás da bateria.
Este swooner com a sua figura de guitarra atraente foi certamente destinado a jogar como a bola de espelhos espalhou seu glamour temporário indiscriminado sobre pistas de dança locais. Talvez muitos dos dançarinos como esta canção pensaram, 'aquele que escapou', mesmo quando eles seguravam perto o que eles estavam dançando naquela noite. O registro é contido e contente nos envolve em angústia satisfatória. Finalmente, um desempenho mais dramático e pesado a partir de 1965, sua versão de Tony Colton e o magnífico cri de couer de Ray Smith, "I Stand Accused" (mais tarde uma versão electrizante e emocionante de Elvis Costello). Tony Colton, como herói secreto da cena musical do Reino Unido, apresentará mais tarde nesta série.

O desempenho acima revela é um lado totalmente mais corajoso e mais suado dos Merseybeats. Isto, certamente, é como eles teriam soado na escuridão do The Cavern enquanto a multidão, além da capacidade, os encorajava a cantar em coro antes que todos precisassem parecer inseguros.
Poucos tomes com notas brilhantes serão escritos sobre os Merseybeats, mas eles certamente deixaram sua marca na paisagem musical dos anos 60 e, com 'Sorrow', essa marca provavelmente será indelével.
Notas: A versão original de 'Sorrow' foi escrita e produzida em 1965 num folk-rock nebuloso pelo time de Bob Feldman, Jerry Goldstein e Richard Gottehrer para The McCoys, que contou com Rick Derringer. Feldman, Goldstein e Gottehrer emitiram discos sob o nome The Strangeloves, incluindo o rock da garage, 'I Want Candy'.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

10 de Abril de 1962, morre Stuart Sutcliffe


Stuart Sutcliffe, o brilhante jovem pintor que foi  baixista dos Beatles no inicio, morreu neste dia em 1962, após sofrer uma hemorragia cerebral.

Stuart sofria de dores de cabeça cada vez mais graves e por vezes perdia os sentidos, desde que se instalara em Hamburgo com Astrid Kirchherr, a sua namorada alemã. 

A causa destes incidentes permaneceu incerta, embora Sutcliffe acreditasse que tais sintomas eram uma consequência do excesso de trabalho. 

Em Fevereiro, desmaiou durante uma aula na escola de arte o que o levou a abandonar o curso.  
A famílira Kirchherr suspeitou que ele teria um tumor no cérebro, e levou-o a fazer um exame radiológico, que nada detectou. 

Dois médicos posteriormente examinaram com mais promenor Sutcliffe, mas também não conseguiram encontrar nada de errado. 


Em Março de 1962, as dores de cabeça tornaram-se mais constantes, culminando por vezes em ataques violentos, levando Sutcliffe a periodos de cegueira temporária. Seus humores eram voláteis, variando de normalidade calma a tentativas suicidas. 

As duas últimas semanas de sua vida foram passada na cama. Em 10 de Abril, Astrid Kirchherr recebeu um telefonema de sua mãe enquanto trabalhava no seu estúdio de fotografia, dizendo que  Sutcliffe tinha que ser levado para o hospital, já que tinha perdido os sentidos por completo.

Astrid correu para casa e acompanhou Stuart na ambulância que já estava inconsciente tendo falecido nos seus braços durante a viagem para o hospital. 

A causa da morte foi diagnosticada como paralisia cerebral causada por emorragia no ventrículo direito do cérebro. A natureza precisa dos problemas de saúde de Sutcliffe nunca foi determinada, e tem havido muita especulação considerável quanto às causas. 


Uma teoria é que um golpe na cabeça durante uma briga, que teria acontecido após uma das primeiras actuações dos ainda Silver Beatles, levou à hemorragia. No entanto, a longa deterioração da saúde de Sutcliffe torna essa teoria um cenário improvável, já que a pancada que supostamente teria provocado a hemorragia cerebral teria acontecido havia já algum tempo.  


É mais provável que Sutciliffe tenha morrido como resultado de um aneurisma ou malformação arteriovenosa (MAV), ambos distúrbios congênitos.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

John Lennon renegou o seu pai...


Na manhã de 1 de Abril de 1964, Alf Lennon entrou nos escritórios da NEMS Enterprises, no quinto andar da Sutherland House, 5-6 Argyll Street, Londres, fazendo-se acompanhar por um jornalista. Depois de explicar à recepcionista que era o pai de John Lennon, pediu para ser recebido por Brian Epstine.

Brian, telefonou de imediato a John, que se encontrava no Scala Theatre de Londres, a gravar um clip video e enviou um carro para o ir buscar, que se fez acompanhar por Ringo Starr e George Harrisson

Á chegada, as suas primeiras palavras para o pai foram : "O que é que queres?"

Os Lennons não se viam há 17 anos. A reunião, não foi de maneira nenhuma cordial.
Durando 20 minutos John demonstrou claramente o desagrado com o seu pai que o tinha abandonado em criança, e acabou por o expulsar dos escritórios.

O encontro foi mantido em segredo, a troco de histórias exclusivas dadas mais tarde ao jornalista que acompanhou Alf.

terça-feira, 26 de março de 2019

Beatles For Sale




"Beatles for Sale" é o quarto álbum de estúdio dos Beatles.
Foi lançado em 4 de Dezembro de 1964 no Reino Unido pela Parlophone da EMI.

Oito das quatorze faixas do álbum apareceram no lançamento simultâneo da Capitol Records, “Beatles '65”, lançado apenas nos USA.

O álbum marcou um afastamento do tom ligeiro e intimista tipo “from me to you”, que caracterizou os trabalhos anteriores dos Beatles, em parte devido ao esgotamento da banda após uma série de tournés que os solidificaram como um fenómeno mundial em 1964, mas também pelo seu natural amadurecimento.

As músicas introduziram climas mais sombrios e letras mais introspectivas, com John Lennon adoptando uma perspectiva autobiográfica em composições como "I'm a Loser" e "No Reply".

O álbum também reflectiu influências da música country e de Bob Dylan, que os Beatles conheceram em Nova York em Agosto de 1964.

Os álbum foi gravado nos estúdios da EMI, em Londres, entre os seus compromissos.Em parte como resultado da agenda agitada do grupo, apenas oito das faixas são composições originais, a que foram acrescentadas covers de músicas, dos seus ídolos, os que mais os tinham influenciado  como Carl Perkins, Chuck Berry, Buddy Holly e Little Richard, temas esses que faziam parte das suas play lists quando actuavam ao vivo.



As sessões também produziram um single sem álbum, "I Feel Fine", que teve como lada B o "She's a Woman".

Na Grã-Bretanha, “Beatles for Sale” ocupou o primeiro lugar em 11 das 46 semanas que passou entre os 20 melhores.

O álbum teve sucesso similar na Austrália, onde a capa do single de Rock and Roll Music também ficou no topo da parada de singles.

Uma das canções omitidas da versão norte-americana do álbum, "Eight Days a Week", tornou-se o sétimo número 1 dos Beatles nos EUA, quando lançado em Fevereiro de 1965.

"Beatles for Sale" não foi lançado nos Estados Unidos até 1987, quando o catálogo dos Beatles foi padronizado para lançamento em CD.

domingo, 24 de março de 2019

As Grandes Bandas Inglesas dos Anos 60 - The Merseybeats






Os Merseybeats foram formados em 1961, em Liverpool, com o nome de The Mavericks, composto por Tony Crane (Guitarra solo e vocalista) Billy Kinsley (baixo, vocal), trabalhando como um duo tipo os americanos Everley Brothers nos clubes de Liverpool. Mas logo se tornaram num quarteto com a adição de David Elias (guitarra e voz) e Frank Sloane (bateria).
De imediato mudaram o nome para The Pacifics e em 1962 para The Mavericks.

Um dia após uma actuação no Cavern Clube, perguntaram a Bill Harry um jornalista da época que criara um jornal dedicado á cultura pop musical em voga na zona de Liverpool, que se chamava Mersey Beat, se podiam usar o nome de seu jornal alterando-o para Merseybeats, claro que  ele concordou.
O jornal era uma empresa registada na época e não podia ser usada sem a  sua permissão.
"Os Mavericks passaram a chamar-se Mersey Beats" Mais tarde, Merseybeats, tudo pegado.
Entretanto, Sloane foi substituído por John Banks e Elias por Aaron Williams.


Billy Kinsley, Aaron Williams, Tony Crane e John Banks

Originalmente assinaram um contrato de agenciamento com Brian Epstein, mas como ele não lhes deu os mesmos fatos elegantes que ele tinha dado aos Beatles, pura e simplesmente acabaram com essa relação profissional, algo que o grupo se arrepende até hoje.
Assinaram um contrato com a gravadora Fontana, e alcançaram o seu primeiro grande sucesso em 1963 com 'It's Love That Really Counts' seguido em 1964 'pelo seu milhão de cópias vendidas' I Think of You ', que subiu para o top 10 e lhes deu seu primeiro disco de ouro.

Os Merseybeats criaram o seu próprio estilo de vestir, querendo com isso ultrapassar a elegância dos fatos que gostariam que Epstein lhes tivesse oferecido. A nova “fatiota” composta por jaquetas de bolero apertadas, parecidas com os casacos usados pelos toureiros espanhóis e camisas com folhos em vez de colarinhos calçando botas de salto alto provocavam a histeria entre as suas fãs do sexo feminino e fez com que fossem creditados como o "The Best Looking Group" da época.

Alcançaram ainda mais dois sucessos importantes, 'Don't Turn Around' e 'Wishin & Hopin'.
Outras gravações bem-sucedidas incluem 'Last Night' 'Don't Let It Happen To Us' 'I Love You Yes I Do' 'Eu estou acusado'. ‘Mister Moonlight‘ ‘Really Mystified‘ ‘The Fortune Teller‘ ‘Lovely Loretta’ e ‘É o amor que realmente conta’.

Os Merseybeats actuavam regularmente no mundialmente famoso Cavern Club de Liverpool e têm a distinção única de aparecer com os Beatles em mais ocasiões do que qualquer outra banda daquela época.



O seu sucesso trouxe-lhes reconhecimento internacional, em 1964, os Merseybeats actuaram na Alemanha, nos Estados Unidos e tiveram o seu próprio Merseybeat Show na televisão italiana.
Tony Crane, Johnny Gustafson, John Banks, Aaron Williams
Kenny Mundye começou a sua longa associação aos  Merseybeats quando foi o primeiro a substituir John Banks, que desaparecera num fim de semana em 1965!

Em 1964, Billy Kinsley saiu para formar The Kinsleys e foi substituído pelo lendário Johnny Gustafson. 
A formação mudou novamente quando Billy retornou ao grupo alguns meses depois.

Em 1966, Tony e Billy formaram um duo vocal chamado simplesmente The Merseys e com sua banda de apoio, The Fruit Eating Bears.  

Alcançaram o seu maior sucesso com 'Sorrow' que se tornou um clássico dos anos 60 e mencionado como favorito por muitos artistas.

David Bowie mais tarde gravou uma versão de Sorrow no  álbum 'Pinups'.


Tony & Billy and The Fruit Eating Bears
O line-up original da banda com duas baterias, com o nome The Fruit Eating Bears foi Joey Molland, na guitarra; Chris Finley, teclados; George Cassidy, baixo tendo Kenny Goodlass e Kenny Mundye nas baterias.

Os Merseys continuaram, durante os anos 1969 - 1974, Tony Crane e Billy Kinsley com Kenny Mundye na bateria actuaram, como trio. Fizeram uma turnê extensa e tocaram no circuito dos cabares, que era muitas vezes chamado o circuito "chiken in the basket", porque era essa o tipo de comida servida nesses locais. Foram artistas de destaque em 1971 no  Merseybeat Reunion Concert, realizado no Ballroom Top Rank, em Liverpool.

Tony Crane continuou a liderar o grupo actuando sob o nome de Tony Crane & The Merseybeats 1971 -74 com Tony Coates (baixo), Chris Finley (teclado), Derek Cashin (bateria) - finalmente um line up compreendendo Bob Packham (baixo), Allan Cosgrove (bateria) Colin Drummond (teclados e violino).

Billy Kinsley formou os Rockin Horse, Annabella e mais tarde o bem-sucedido Liverpool Express, tendo hits tanto no Reino Unido quanto na América do Sul com 'You Are My Love' e 'Every Man Must Have A Dream'
Kenny Mundye era membro do Liverpool Express, substituindo Derek Cashin em 1976.



1993: Billy Kinsley retornou à banda, junto com Dave Goldberg, que tinha sido parte integral do Liverpool Express.
Tony Crane & The Merseybeats tornou-se, mais uma vez, o Merseybeats. 

2000: O filho de Tony Crane, Adrian, juntou-se à banda substituindo Dave Goldberg, que saiu com Allan Gosgove, o cérebro por trás do Rumors Of Fleetwood Mac.

O substituto de Allan na bateria foi Lou Rosenthal, que ainda tocaria com Ian Gillan Band, The Undertakers e os Export.